sexta-feira, 31 de maio de 2019

Resposta a Filipe Niel






Por Cleber Montes Moreira


Este post não é um ataque a quem quer que seja, independente da posição teológica de cada um, nem mesmo ao autor do vídeo em questão, mas consiste numa resposta necessária àquilo que entendo conter declarações erradas, talvez preconceituosas, sobre os batistas tradicionais. Não o faço para estabelecer um “cabo de guerra”, uma vez que entendo que estas discussões que se prolongam por séculos não edificam os homens nem glorificam a Cristo.

O autor do vídeo intitulado “Qual a diferença entre os Batistas Tradicionais e os Batistas Reformados?”, Filipe Niel, ao tentar explicar o que é um “batista típico” afirma que a denominação batista está muito fragmentada e vive uma crise muito grande de identidade, coisa com a qual concordo. Porém, quando diz que há diversidade entre as igrejas batistas tradicionais, como, por exemplo, igrejas lideradas por apóstolos, ele exagera, generaliza, e joga na mesma latrina as igrejas sérias, verdadeiramente tradicionais, com aquelas que sabemos não são. Uma igreja liderada por apóstolo, ou por pastora, por exemplo, jamais pode ser tida como uma igreja tradicional, uma vez que está afastada tanto da tradição batista quanto da Bíblia.

Quando ele diz “você tem dentro desses mesmos batistas tidos como tradicionais igrejas sérias, biblicistas, que creem na Palavra de Deus, que querem seguir a Palavra de Deus…” apenas reforça o seu posicionamento generalizado sobre igrejas tão diversas (sérias e heréticas) que ele considera como batistas tradicionais. Sinceramente creio que qualquer bom aluno de EBD poderia formular um conceito bem melhor sobre o que é ser batista tradicional.

Quando exalta os batistas reformados, Filipe Niel o faz com certo orgulho, colocando-os acima dos que considera como batistas tradicionais, o que é, na minha opinião um erro ― talvez intencional ―, uma vez que, como já dito, ele inclui entre os tradicionais os que não são. Tenho receio de que este orgulho seja parente do orgulho farisaico.

A exposição bíblica não é uma característica apenas dos reformados, mas de igrejas e pregadores sérios, o que inclui igrejas e pregadores batistas tradicionais. “A crença numa soteriologia calvinista” expõe o comportamento inadequado de exaltar certos homens em detrimento das Escrituras. Exemplifico: O que eu creio sobre soteriologia e/ou outros assuntos não tem por base as doutrinas de Calvino, Armínio ou outro, embora eles possam ter boas formulações a respeito, mas o Evangelho. O correto seria dizer “A crença numa soteriologia bíblica”, e argumentar sua posição teológica a partir da Palavra de Deus e não de Calvino ou outro. Se Deus nos ilumina por meio de Lutero, Calvino, Armínio ou outro, esta luz é sobre as Escrituras e não sobre tais homens, uma vez que as Escrituras são inerrantes, mas eles, como nós, não. Esta é uma das diferenças entre os batistas tradicionais e alguns (para não generalizar) que se dizem reformados.

Ao terminar, quando diz “agora a típica ou a tradicional igreja batista é muito difícil você definir o que é isso, porque você tem de tudo no meio batista brasileiro”, além de uma conotação de desprezo, mais uma vez generaliza, colocando igrejas tradicionais e outras que ele assim considera no mesmo balaio. O problema é que ele viola uma regra ensinada por Jesus: “Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós” (Mateus 7:2 ― BKJA). Isso porque ele se esquece, propositadamente ou não, que entre as igrejas que se proclamam reformadas há igrejas sérias e outras que não: igrejas bíblicas, outras que conservam muitas coisas do catolicismo romano, e ainda igrejas liberais e até inclusivas que recebem LGBTs e outros pecadores sem o testemunho do arrependimento em sua membresia (dentre as quais algumas que se declaram batistas de teologia reformada).Pergunto: seria justo jogar todas estas igrejas na mesma vala? Estou convicto de que não.

Um pouco sobre a inerrância da Bíblia



Pr Cleber Montes Moreira

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17 grifo do autor)


A Inerrância das Escrituras é a doutrina de que a Bíblia não contem erros. Segundo Paul David Feinberg,“A Inerrância é o ponto de vista de que, quando todos os fatos forem conhecidos, demonstrarão que a Bíblia, nos seus autógrafos originais e corretamente interpretada, é inteiramente verdadeira, e nunca falsa, em tudo quanto afirma, quer no tocante à doutrina e à ética, quer no tocante às ciências sociais, físicas ou biológicas.”1 Os batistas afirmam em sua Declaração Doutrinária que a Bíblia, quanto a seu conteúdo, “é a verdade, sem mescla de erro e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina.”2 A inspiração e a inerrância das Escrituras são verdades fundamentais e inegociáveis da fé cristã.


Por quê precisamos estudar este tema?

Porque Deus governa sua igreja por meio de Sua Palavra, a Bíblia. É pelo seu conhecimento e a convicção de sua inerrância, em submissão ao Espírito Santo, que o salvo terá condições para responder sabiamente a qualquer que pedir a razão de sua esperança (1 Pedro 3:15). Os que são gerados pela Palavra da vida sabem que a fé autêntica no Senhor não pode ser separada da fé nesta mesma Palavra, o que seria um contrassenso. Quem ama a Deus amará a Escritura, nela terá prazer e a desejará mais que o ouro, nela meditará dia e noite e a terá como sua regra de fé e prática (Salmos 1:2; 19:10; 119:97; Tiago 1:22,23).


Ataques à doutrina da “Inerrância das Escrituras”:

Além dos ataques do pós-modernismo, do ateísmo, do neo-ateísmo, do liberalismo e de outras religiões, as Escrituras vem sofrendo neste tempo ataques impiedosos da chamada Teologia Inclusiva. O problema é que estes ataques são, em relação às igrejas, externos e internos ao mesmo tempo, uma vez que os difusores desta teologia também estão infiltrados nas denominações históricas e em seus sistemas de educação, ensino teológico e formação de lideranças.

Os Teólogos Inclusivos, na esteira do liberalismo teológico, negam a inerrância da Bíblia, bem como a ortodoxia cristã histórica. Alegam que certos textos são fruto de uma “cultura machista”, “opressora” e/ou “interditiva”, que reproduzem visões éticas e preconceitos sociais do período em que foram escritos, em decorrência de que assuntos relacionados ao comportamento humano devem ser abordados não a partir da interpretação histórica, mas do que chamam “ética do amor”. Em outras palavras, o que afirmam é que a Bíblia está errada quanto algumas de suas afirmações, que certos textos, como os escritos paulinos, considerados interditivos, precisam ser revisados. Daí surgem, como forma de “correções”, as chamadas Bíblias Inclusivas destinadas ao público LGBTI, com distorções e anotações que justificam seu posicionamento teológico, bem como outros materiais. Tais teólogos são ‘determinadores’ e não investigadores sinceros em busca da Verdade; eles não se submetem ao Espírito, mas agem movidos pela carne.

Hermisten Maia Pereira da Costa, em seu livro “A Inspiração e Inerrância das Escrituras”, nos diz:
A inerrância se aplica à Bíblia, não às teologias supostamente bíblicas. Com isso queremos dizer que, apesar de a Bíblia não conter erros, ela deve ser interpretada a partir de si mesma, em submissão ao Espírito das Escrituras. A Teologia é uma reflexão interpretativa e sistematizada da Palavra de Deus. A sua fidedignidade estará sempre no mesmo nível da sua fidelidade à Escritura. A relevância de nossa formulação não dependerá de sua “beleza”, “popularidade”, ou “significado para o homem moderno”, mas sim de sua conformação às Escrituras. O mérito de toda teologia está no apego incondicional e irrestrito à Revelação; a melhor interpretação é a que expressa o sentido do texto à luz de toda a Escritura, ou seja, em conexão com toda a verdade revelada. Nada é mais edificante e prático que a Verdade de Deus.3
Qualquer teologia que não preze por uma interpretação da Bíblia a partir da perspectiva de seu Autor, pela busca fiel do entendimento da Palavra pela Palavra, sob total dependência e orientação do Espírito Santo, deve ser considerada como inimiga da fé cristã e, portanto, refutada com vigor pela própria Palavra da Verdade. Jesus mesmo usou a ‘fórmula’ do “Está escrito…” (Mateus 4:1-11).


Alguns testemunhos sobre a inspiração e inerrância da Bíblia:

Na história do cristianismo vários personagens como Irineu, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Martinho Lurero, John Wesley e outros, depuseram convictamente pela inerrância das Escrituras.
Nos Salmos lemos que “A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama”; “As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes” (Salmos 119:140; Salmos 12:6), e que “A lei do Senhor é perfeita” (Salmos 19:7). Paulo afirmou queToda a Escritura é divinamente inspirada…” (2 Timóteo 3:16). Pedro declarou que “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21). Jesus disse: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mateus 5:17 NVI). Em sua oração pelos discípulos, Ele ainda declarou: “a tua palavra é a verdade” (João 17:17) ― grifos do autor.

Em 1949, antes de pregar num grande evento numa tenda em Los Angeles, Billy Graham mergulhou em dúvidas que afligiam sua alma. Algumas semanas antes, ele participara de uma conferência no Centro de Retiros Forest Home, na Califórnia, com diversos teólogos da época, dentre eles o seu então melhor amigo Charles Templeton, que defendia no Seminário Teológico de Princeton (Princeton Theological Seminary) seu estudo histórico e literário da Bíblia contrário a ideia da inspiração plena das Escrituras.

Em 1949, antes de pregar num grande evento numa tenda em Los Angeles, Billy Graham mergulhou em dúvidas que afligiam sua alma. Algumas semanas antes, ele participara de uma conferência no Centro de Retiros Forest Home, na Califórnia, com diversos teólogos da época, dentre eles o seu então melhor amigo Charles Templeton, que defendia no Seminário Teológico de Princeton (Princeton Theological Seminary) seu estudo histórico e literário da Bíblia contrário a inspiração e inerrância das Escrituras.

Perturbado, certa noite Billy pegou sua Bíblia e caminhou sozinho pelas montanhas de San Bernardino, ao redor do Forest Home. Ao ver um velho tronco de árvore ao lado do caminho, colocou sobre ele sua Bíblia aberta e começou a orar:
“Ó Deus! Há muitas coisas neste livro que não entendo. Existem muitos problemas para os quais não tenho solução. Existem muitas contradições aparentes. Existem algumas áreas que não parecem se correlacionar com a ciência moderna. Não posso responder a algumas das questões filosóficas e psicológicas que Templeton e outros estão levantando.”
Depois caiu de joelhos, e continuou:
“Pai, pela fé eu aceito este livro como Tua Palavra! Pela fé vou além das minhas dúvidas; eu creio que esta seja a Tua Palavra inspirada!”
Após sua oração Graham sentiu o Espírito de Deus inundando sua alma. Quando se dirigiu ao público do Forest Home na noite seguinte, era como se fosse um novo homem. Havia uma confiança, um senso de autoridade em sua pregação que era totalmente nova e poderosa.

Ambos eram estudiosos da Palavra e evangelistas muito conhecidos. Um buscou entender a Bíblia por critérios humanos, o outro dobrou seus joelhos. Billy Graham tornou-se no homem que conhecemos, já Charles Templeton trocou a fé cristã pelo ateísmo.4 (1 Coríntios 2:14)


Reflita:


Espíritos enganadores tentam nos convencer de que a Bíblia não é inerrante, e de que Ela não é, mas apenas contém a Palavra de Deus. Devemos permanecer atentos, e recorrermos à própria Bíblia, em oração e dependência do Espírito para que possamos reafirmar nossa fé de que a Palavra de Deus é fiel, autoritativa, imutável, eterna e perfeita, assim como é o Seu autor. (1 João 4:1; 2 Coríntios 4:4)

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1 Costa, Hermisten Mais Pereira da. A Inspiração e Inerrância das Escrituras, página 103, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 1998.
3 Costa, Hermisten Mais Pereira da. A Inspiração e Inerrância das Escrituras, página 109, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 1998.

4 Com informações de:
Documentário “Billy Graham O embaixador de Deus”, God's Ambassador (Original), DVD, 2006, Distribuído no Brasil por Comev.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Casados Consigo Mesmos

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” (Filipenses 2:3-5 NVI)


Recebi pelo Whatsapp um link de uma matéria intitulada: “Empresária mineira se casa com ela mesma para celebrar amor-próprio.” Em entrevista ela declarou: “Eu resolvi casar comigo por causa da minha história, de eu ter chegado ao ponto de compreender que, em primeiro lugar, eu sou a pessoa mais importante da minha vida.”1 Vestida a caráter, segurando um espelho, a noiva, de 38 anos, fez votos de amor-próprio diante de cerca de 100 convidados.2 A celebração ocorreu no dia 26 de maio de 2019, numa praça de Belo Horizonte (MG).

A sologamia, termo traduzido do inglês sologamy, ato de contrair casamento consigo mesmo, já é moda em vários lugares do mundo. As cerimônias com decoração, trajes próprios, bolo, convidados, padrinhos, votos matrimoniais, dentre outras coisas, fazem lembrar um casamento convencional. Há no mercado várias empresas do ramo especializadas neste tipo de “casamento”. Os adeptos defendem que a sologamia nada mais é do que o comprometimento com o amor-próprio, com os próprios interesses e a própria felicidade.3 Isso lembra o refrão da música “Eu me amo”, do grupo “Ultraje a Rigor”, que diz:

Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Ainda que para muitos a sologamia seja um ato simbólico, ilustra com propriedade o que Paulo ensinou sobre as pessoas dos “últimos dias”, as quais ele chama de “amantes de si mesmos”. Elas se exaltam sobremaneira, amam a si mesmas mais que tudo e que todos, se colocam como o centro do universo, e buscam incessante e incansavelmente, a todo custo, alimentar seu ego com tudo que lhes dá prazer são insaciáveis, obstinadas! Ainda que para satisfazerem seus intentos tenham que violar regras e desprezar princípios e valores morais.

Os “amantes de si mesmos” bem poderiam ser chamados de “casados consigo mesmos”.

Creio que a maior característica das pessoas deste tempo seja a busca excessiva pelo prazer como bem supremo. À luz do ensino paulino, percebemos que à medida que o mundo avança para Tempo do Fim, o egoísmo se pronuncia ainda mais (2 Timóteo 3:2).

A felicidade como finalidade última, preponderante, é fruto do egocentrismo, e tende a ser construída sobre o desrespeito dos direitos, da indiferença, do desprezo ao próximo, da corrupção, do ódio, da violência… Este comportamento, segundo o sábio, consiste em “insurgência contra a sabedoria” (Provérbios 18:1), e contraria o ensino paulino em Filipenses 2:3-5.

A questão é que quem é “casado consigo mesmo” usufrui de uma felicidade que dura como um raio. No final, como enfatiza o autor de Eclesiastes, “tudo é vaidade”. A “felicidade”, ilusória como uma miragem, é levada pelo vento, e a própria vida passa como “um conto ligeiro”. Pense nisso!

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

O andar do salvo

Imagem: Pixabay



Pr. Cleber Montes Moreira


1 Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais.
2 Porque vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus.
3 Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;
4 Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra;
5 Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.
6 Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.
7 Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.
8 Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo.
9 Quanto, porém, ao amor fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros;
10 Porque também já assim o fazeis para com todos os irmãos que estão por toda a macedônia. Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto aumenteis cada vez mais.
11 E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado;
12 Para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma.

(1 Tessalonicenses 4:1-12)



Tanto na época de Paulo quanto hoje é difícil inculcar nas mentes dos crentes a ideia de santidade. No texto o apóstolo aconselha pessoas que abraçaram a fé cristã há pouco tempo e, portanto, ainda estavam acostumados com o estilo de vida daquela sociedade, decadente, onde principalmente a imoralidade sexual era prática comum.

William Barclay nos lembra do que escreveu Demóstenes, o que retrata bem o estilo imoral dos gregos: “Temos prostitutas para o prazer, concubinas para as necessidades diárias do corpo, esposa para procriar filhos e para o cuidado fiel de nossas casas”. Barclay complementa: “Enquanto o homem mantivesse a sua mulher e a sua família, não havia motivo de vergonha nas relações extraconjugais.”

Também a nossa sociedade está adoecida: os pecados sexuais, a banalização da vida, o mercantilismo religioso, abuso de poder, a corrupção generalizada, e tudo o que carateriza o processo de degradação social faz parte do cotidiano desta geração afastada de Deus, e até mesmo de grande parte dos que se declaram evangélicos. Há ‘igrejas’ tão influenciadas pela sociedade, há denominações inteiras tão corrompidas, que já não se percebe qualquer diferença entre o que chamamos “mundo” e o que chamamos “igreja”. Uma prova disso são as postagens de certos crentes nas redes sociais: No domingo fotos na igreja, louvando, no sábado selfies em festas e lugares onde um cristão jamais deveria estar. Há evangélicos defendendo o aborto, a união homoafetiva, Ideologia de Gênero, a poliafetividade etc. O meio artístico gospel então é uma sucessão de escândalos. Assim é que ser evangélico já não significa viver conforme o evangelho, e aqueles dos quais se espera que influenciem o mundo estão amoldados aos valores seculares.

Se Paulo tivesse uma mensagem para os crentes de hoje, que mensagem seria? Mas ele tem, e esta mensagem é a mesma que escreveu aos Tessalonicenses sobre “de que maneira convém andar e agradar a Deus” e progredir na caminhada com Ele.

“Andar” é referência à maneira de viver. O andar cristão é um modo de vida, mas é também um itinerário que tem por propósito cruzar uma “linha de chegada”. A forma como andamos indica para onde caminhamos. Assim é que o mundo caminha para a perdição, mas os salvos para o alvo perfeito, para o encontro e a glorificação com Cristo.

Vejamos o que Paulo fala sobre o andar do salvo, e apliquemos seus ensinos ao nosso viver.


O andar do salvo é…


1. Andar conforme os ensinamentos recebidos: (vs. 1,2)

A chegada de Paulo e Silas a Tessalônica está registrada em Atos 17:1-9. Lá eles foram à sinagoga dos judeus, debateram sobre as Escrituras por três sábados, “expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos”, anunciando Jesus como o Cristo de Deus (Atos 17:3). O resultado foi que “alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais” (Atos 17:4). Aqui temos, então, o início da igreja naquela cidade. Depois disso os evangelistas foram perseguidos e enviados pelos irmãos de noite para Bereia (Atos 17:10). Não sabemos como com detalhes como aqueles irmãos continuaram recebendo cuidados espirituais, mas é certo que os ensinos recebidos contribuíram para que se tornassem um padrão para “todos os fiéis na Macedônia e Acaia” (1:7). No capítulo primeiro Paulo elogia as virtudes daquela igreja, e lembra que aqueles crentes foram “feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação” (1:6). As instruções recebidas eram suficientes para que o apóstolo lhes cobrasse um andar seguro e fiel em Cristo. Neste capítulo 4 o escritor salienta:

(1) “Assim como recebestes de nós” – Paulo lembra àqueles crentes que eles foram instruídos na Palavra sobre o modo como deveriam andar. Eles não estavam desavisados, não estavam sem orientação e, portanto, não tinham desculpas.

(2) Os ensinos recebidos tinham como propósito nortear suas vidas. Num mundo de tanta confusão, nossa referência segura é sempre a Palavra de Deus.

(3) Estes ensinos também propositavam o progresso espiritual daqueles irmãos. Da mesma forma crescemos quando lemos, refletimos, acatamos e aplicamos a Palavra ao nosso viver.


Nosso andar é diferente do andar do mundo. Nós andamos para frente, para um propósito, e de um modo digno do Senhor.

Você pode dizer que é difícil andar como um cristão autêntico neste mundo de tantas seduções. O Pr. Marcos Graconato num de seus artigos indagou: “Dá pra Ser Crente em Tessalônica?”1 Este desafio é também para nós, uma vez também estamos inseridos numa sociedade doente e decadente. A advertência feita está alinhada ao que o apóstolo escreveu aos Filipenses: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Filipenses 2:15). Isso só é possível observando os ensinos bíblicos recebidos, e “vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus” (v. 2).


2. Andar em santificação: (vs. 1-8)

A palavra grega “agiasmos”, traduzida por santificação significa “consagração”, “separação”, “santificação”, e refere-se ao processo que se inicia no momento da conversão, prossegue por toda a vida do crente, e atinge seu ápice na glorificação. A santificação realiza uma transformação moral no crente por meio do entendimento e da obediência às Escrituras, e imprime no salvo a santidade do próprio Deus. Quanto mais experimenta a santificação, mais o crente se afasta do padrão de vida secular e evolui segundo o padrão divino.

Segundo Russell Norman Champlin, “a santificação inclui a participação positiva nas virtudes morais de Deus”.2 Isso significa não apenas abandonar certos hábitos e desprezar o pecado, mas apresentar a Deus um serviço digno do caráter cristão.

Ao falar sobre a santificação, Paulo poderia ter feito uma lista de atitudes pecaminosas que deveriam ser abandonadas, porém, considerando que a fornicação não era considerado um pecado entre os pagãos, talvez por isso tenha combatido esta prática com maior vigor.3 A palavra usada para “fornicação” na ACF e traduzida por “imoralidade sexual” na NVI é pornéia, e indica qualquer prática sexual pecaminosa.

Embora muitos estudiosos entendam que o verso 6 seja uma orientação à fidelidade nos negócios em geral, principalmente nas atividades comerciais, coisa que realmente se deve observar, o contexto parece indicar uma advertência aos abusos sexuais como, por exemplo, o de algum irmão seduzir a esposa do outro. Por isso este verso não é uma mudança de assunto, mas continuação do tema em questão, tanto que na NVI se inicia assim: “Neste assunto”, ou seja, impureza sexual, “ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite”. O verso 7 corrobora isso: “Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” Assim é inadmissível que as práticas sexuais pecaminosas daquela sociedade fossem aceitas como naturais entre os irmãos, que houvesse entre eles quem cometesse adultério com a esposa do outro.

Tanto o adultério, como qualquer outra prática sexual ilícita, ainda que comum em nossa sociedade, não deve ter lugar na vida dos santos. Aquele que confessa a Cristo como Senhor não deve viver segundo o padrão moral vigente na sociedade, mas segundo os valores do reino eterno, porque isso seria um contrassenso.


3. Andar em amor: (vs. 9,10)

A palavra usada para “amor fraternal” (philadelphia) indica o amor entre irmãos por nascimento. A igreja é uma família, onde todos, nascidos de Deus, por serem irmãos devem viver em amor. Em “instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros” a palavra usada é ágape, e indica um amor proveniente de Deus, amor sublime, amor desinteressado, amor que se doa, amor incondicional, amor altruísta…

Paulo considera que não há necessidade de escrever mais sobre o assunto, visto que aqueles irmãos já estavam instruídos sobre o dever de amar uns aos outros, mas os encoraja para que cresçam nisso.

Crescer na prática do amor faz parte do andar do salvo. Não se trata de um amor comum, de um amor egoísta, hedonista, mas de um amor que busca o bem do próximo. Quem ama respeita, é fiel, não defrauda, não abusa, não peca contra o próximo. Creio que nós também já estamos instruídos neste assunto e que não há muito o que falar, a não ser que precisamos evoluir continuamente nesta ação. Se este amor for uma característica dos irmãos, certamente será um testemunho poderoso para os que estão de fora. Jesus mesmo disse: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13:35). Que sejamos conhecidos por nossa integridade, e também pelo amor com o qual amamos uns aos outros.


4. Andar honestamente: (vs. 11,12)

Aqueles que receberam os ensinamentos sobre como “convém andar e agradar a Deus”, devem viver conforme estas instruções. Quem vive assim, busca a santificação, cresce em amor. Aquele que ama não se aventurará em práticas sexuais ilícitas, uma vez que elas fazem mal não apenas a si, mas também a outros envolvidos, e à comunhão da igreja. Aquele que ama também será honesto em seus negócios, não será uma carga para os outros, e procurará viver em paz, evitando atritos e contendas. Este “andar honestamente” deve ser buscado com diligência.

Não sabemos exatamente o que levou Paulo a fazer tal advertência, mas vários estudiosos suspeitam que pela expectativa da volta iminente de Cristo, muitos abandonaram o trabalho regular e passaram a viver ociosos, se intrometendo em assuntos alheios e sendo pesados aos irmãos (Leia 2 Tessalonicenses 3:11,12). Por isso que teria dito para viverem quietos, tratarem dos seus próprios negócios e a trabalharem para o seu sustento (v. 11), coisa que Paulo ensinou não só com palavras, mas com o exemplo (2 Tessalonicenses 3:8). Como se diz, “o trabalho dignifica o homem”, mas também evita que o ocioso se torne um instrumento do diabo. Dizem que “quem não tem o que fazer, inventa”, e que “quem não trabalha dá trabalho”.

Sobre a expectativa da volta do Senhor, a melhor coisa a pensarmos é que Ele deverá nos encontrar andando conforme a Sua vontade, vivendo em amor, em comunhão e em paz com os irmãos, trabalhando e andando honestamente (Mateus 24:46; Romanos 13:13). Este proceder será um belo testemunho para os de fora.

Resumindo:

O andar do salvo é…
– Andar conforme os ensinamentos recebidos: (vs. 1,2)
– Andar em santificação: (vs. 1-8)
– Andar em amor: (vs. 9,10)
– Andar honestamente: (vs. 11,12)

Assim devemos andar e progredir na vida cristã, visando o alvo final de Deus para nós, que é sermos segundo a estatura do homem perfeito, JESUS CRISTO: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13). Este andar virtuoso, produtivo, fará bem para nós e para a igreja, bem como se constituirá num persuasivo testemunho para os de fora.

Que ao observarem nosso caminhar, todos vejam para onde estamos indo!
_________________
2 Champlin, Russell Norman. Comentário Bíblico Volume 5, 2ª edição, Hagnos, 2001.
3 https://www.apologeta.com.br/1-tessalonicenses-4/ (acessado em 24 de abril de 2019)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

"Ética do amor" versus Ética Cristã



Pr. Cleber Montes Moreira

“Aqueles que são dominados pela natureza humana pensam em coisas da natureza humana, mas os que são controlados pelo Espírito pensam em coisas que agradam o Espírito.” (Romanos 8:5 ― NVT)


A Teologia Inclusiva proclama um falso evangelho, fundamentado e pautado no amor ou, pelo menos, no seu entendimento hodierno. O pastor Henrique Vieira, autor do livro “O amor como revolução”, em postagem no Facebook defendeu a necessidade de “uma teologia centrada no Amor, no acolhimento, no respeito e na integridade”. Ele propõe “abordar a sexualidade a partir da ética do amor, da responsabilidade afetiva, do consentimento e da reciprocidade”. Por fim, conclui que “é preciso pedir perdão às LGBTs e afirmar que do ponto de vista bíblico e existencial o pecado é não amar”. Ou seja, o amor é a única doutrina, e o único pecado é “não amar”. Tudo é lícito, menos não amar. Segundo ele, os textos que tratam sobre pecados sexuais precisam, ser revistos: “A Bíblia precisa ser contextualizada. Os textos não podem ser transportados automaticamente. Não havia no tempo bíblico a compreensão que temos hoje sobre orientação sexual e gênero. Os textos que interditam à homossexualidade tem muito mais referência cerimonial e litúrgica do que uma reflexão sobre a sexualidade humana. O filtro da leitura bíblica é a centralidade de Jesus e a ética do amor”, afirmou.1

A pastora Odja Barros, expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade “não caem do céu”, mas “são produzidos por diferentes grupos sociais”, inclusive os valores sexuais.2 O movimento que ela representa propõe uma “reimaginação” das Escrituras e da Igreja. A Igreja Batista do Pinheiro, pastoreada por Odja e seu esposo Wellington Santos, hoje desligada da CBB, quando decidiu em assembleia receber homossexuais em sua membresia, justificou-se publicamente com estas palavras: “O que a Igreja Batista do Pinheiro fez, revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.”3 É o “caminho” ou a “ética do amor”, e não a Verdade, o referencial para a tomada de decisões, embasamento doutrinário e reimaginação de toda estrutura considerada arcaica, injusta e opressora.


Ética e Moral:

A palavra “ética” vem do grego “ethos” e diz respeito ao modo de ser e de agir da pessoa, com base em seu caráter, comportamento e pensamentos em relação ao seu convívio social. Já a palavra “moral” tem origem no latin “morales” que significa “relativo aos costumes”. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral. Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.4

Compreendemos por ética cristã o sistema de valores estabelecidos a partir da Palavra de Deus, e que servem como padrão normativo e norteador da conduta (moral) cristã. (Josué 1:7,8; Salmos 1; 119:9,11; Romanos 12:2, Colossenses 3:1-25; 1 Coríntios 10:23; Efésios 5:1-33)


“Amor libertário”, ou Verdade que liberta?

Para os teólogos inclusivos os assuntos relacionados ao comportamento humano devem ser abordados não a partir da interpretação histórica machista”, “opressora” e “interditiva” da Bíblia, mas da “ética do amor”. Eles pregam um “amor libertário” que autoriza uma vida sem princípios doutrinários normativos em que a única regra é o “amor”. Segundo eles, “no que é feito com amor, não há pecado”. Há até quem proclame: “Liberte-se! O pecado não existe!” É a partir deste raciocínio que as igrejas inclusivas afirmam sua vocação “acolhedora” universalista:5 “amamos, respeitamos e acolhemos a vida em toda sua diversidade e pluralidade. E não seria Deus assim, em sua multiforme graça?”6

Esta teologia desconsidera que “O coração humano é mais enganoso que qualquer coisa e é extremamente perverso; quem sabe, de fato, o quanto é mau? (Jeremias 17:9). Quem segue o “amor” é movido por paixões e cai em laços, pois o coração humano é enganoso. Quem é de Cristo segue a Verdade, e já crucificou suas paixões e os desejos de sua natureza humana (Gálatas 5:24). O ‘amor inclusivo’ é orientado pela carne, é libertino, é escravizador (João 8:34). Só a Verdade é libertária (João 8:32), e esta Verdade é Cristo, é Sua Palavra, é Sua doutrina! Paulo nos exorta: “Não deixem que o pecado reine sobre seu corpo, que está sujeito à morte, cedendo aos desejos pecaminosos” (Romanos 6:12). Leia Romanos 6:1-23; Colossenses 3:5 e Gálatas 5:16. Quem segue o “amor” anda na carne. O que é verdadeiramente livre anda no Espírito, e segue a Verdade em Amor (Efésios 4:15).


Uma teologia bibliocêntrica para uma fé cristocêntrica:

A “teologia do amor” — amor egoísta, hedonista, suscetível — fundamentada num falso “evangelho”, produz um tipo de “fé” que desencadeia nas sociedades inclusivas uma ética e uma moral relativista, uma vez que a Bíblia passa a ser reduzida e ressignificada para atender as demandas de uma clientela que procura satisfazer a carne.

A verdadeira Teologia busca compreender Deus como revelado na Escritura Sagrada. É partir deste conhecimento — ainda que limitado, uma vez que o Eterno não pode ser ‘dissecado’ — que se dá exclusivamente pela iluminação da mente pelo Espírito Santo (1 Coríntios 2:14), que o cristão desenvolve uma fé cristocêntrica e por ela norteia seu viver: seu fundamento é a Palavra, seu andar é segundo a direção do Espírito, seu modelo e alvo é Cristo. (Gálatas 5:16,25; Efésios 4:13; 1 Coríntios 11:1; Efésios 5:1; 1 Tessalonicenses 1:6; Filipenses 3:17)

Enquanto a pregação inclusiva produz uma “fé” centrada no homem, que legitima seus anseios carnais, a exposição fiel das Escrituras gera filhos de Deus (1 Pedro 1:23). Por isso que precisamos cada vez mais de uma teologia centrada na Bíblia, que esteja presente nos seminários, nos púlpitos, nas classes de EBD, nos lares e onde mais que a Palavra seja examinada e ensinada. Não é o tal “amor”, mas a proclamação do evangelho que contrapõe o mundo, que faz brilhar a luz na escuridão, e revela ao perdido a Verdade que liberta.


Reflita:

Os salvos não se orientam pela lógica da “ética do amor”, não se curvam ao padrão vigente na sociedade. Eles são guiados pelo Espírito e têm a Bíblia como sua regra de fé e prática. Não se amoldam ao mundo, mas andam de modo digno do Senhor. (Leia Filipenses 1:27; 2:25; Efésios 5:15; Colossenses 2:6)
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2 https://www.youtube.com/watch?v=3bmDnYNhuCY a partir do minuto 5. (acessado em 23 de maio de 2019)
4 Fontes de Pesquisas:
Iwata, Claudete Cristina. O Papel Legal do Gestor Imobiliário, página 52, Maringá-PR, UniCesumar, 2016.
5 Universalismo é a doutrina teológica que afirma que “todos os seres humanos, anjos e o próprio Satanás acabarão sendo salvos e desfrutarão eternamente do amor e da presença de Deus para sempre” (HORTON, p. 803). http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/152/o-perigoso-universalismo-pregado-pelo-irmao-ed-rene-kivitz.html (acessado em 23 de maio de 2019)
6 Comunidade Batista SG. https://www.facebook.com/CBSG2/posts/601031470408765 (acessado em 23 de maio de 2019)

segunda-feira, 20 de maio de 2019

Você está pronto?



Pr. Cleber Montes Moreira

“E foi-lhe concedido que desse espírito à imagem da besta, para que também a imagem da besta falasse, e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta. E faz que a todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e servos, lhes seja posto um sinal na sua mão direita, ou nas suas testas, para que ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tiver o sinal, ou o nome da besta, ou o número do seu nome.” (Apocalipse 13:15-17)

O mal sempre existiu, porém, neste tempo, está se impondo como norma, percebe? Afirmo, convicto, que isso faz parte de uma agenda em andamento, de um esforço que procura criar um novo modo de pensar e uma nova moralidade. E em minha modesta opinião, nada marca tanto um indivíduo quanto o seu pensar. O que uma pessoa pensa é o que ela é — em certos termos. Quando o diabo consegue, a partir de uma nova construção social, mudar o pensamento coletivo, não apenas o indivíduo está marcado, mas a sociedade também.

Sempre defendi que o sinal da besta não é o que muitos pensam, e que se gasta tempo demasiado com interpretações inúteis e alarmistas. Penso que tal sinal seja um pensamento, e que o mundo esteja se adequando a uma nova forma de pensar, em que os valores judaico-cristãos estão sendo desconstruídos pouco a pouco, sem que as pessoas comuns percebam isso. Enquanto o sinal na testa simboliza nossa mente, nossos pensamentos, intenções e convicções, o sinal na mão direita simboliza nossas ações. Nosso modo de pensar determina nosso agir. Por isso digo que há uma guerra espiritual em que o terreno a ser conquistado são as mentes das pessoas. Assim, o sinal da Besta é se conformar ao Sistema do Anticristo, seus princípios e valores anticristãos. A mídia em geral e os sistemas de educação são os instrumentos mais usados para a manipulação de informações e formação do pensamento coletivo, sempre objetivando impor como padrão um novo código de valores para uma Nova Ordem Social. Um exemplo é a questão sobre Ideologia de Gênero e como este tema tem sido tratado em todos os setores da sociedade. Em muitas escolas, os professores estão recebendo, além de materiais, palestras com psicólogos e treinamento sobre como proceder diante desta nova realidade. Imagino que chegará o tempo em que quem não abarcar tais ideologias, quem não se adequar ao novo pensamento, poderá perder o emprego; os pais que se recusarem terão de mudar seus filhos de escolas, e quando não houver mais alternativas, poderão ser responsabilizados perante a lei e até presos.

Enfim, nós, os cristãos, seremos odiados por amor ao nome de Cristo (Marcos 13:13), e todos os que quiserem viver segundo os padrões cristãos “padecerão perseguições.” (2 Timóteo 3:12).

Para Mário Sérgio Cortella, referência em educação, somos a primeira geração que testemunha mudanças de paradigmas tão velozes. Para ele, “Não é só a educação dos filhos que é necessária, mas a dos pais também.” O parágrafo abaixo foi retirado de um artigo seu, publicado em vários sites de educação, e tem sido reproduzido para leitura de professores em diversas escolas. Observem a sutileza:
Uma sociedade que não é capaz de atender à diversidade que a vida coloca é uma sociedade tola. É preciso lembrar que a natureza daquilo que é macho e fêmea está na base biológica, mas o gênero se constrói na convivência social. O macho e a fêmea vêm da biologia. Mas o que define masculino e feminino é aquilo que vai se construindo no dia a dia. Por isso a escola tem que trazer o tema1.
O mundo está em (des)construção, e as escolas são ótimas ferramentas. Talvez nenhum outro instrumento, além das escolas e das universidades, seja tão útil e poderoso neste tempo para os propósitos de Satanás, já que a estratégia é trabalhar no intelecto em formação. Não é sem motivo que as crianças pequenas são os alvos prediletos e que haja demasiada insistência em abordar certos temas com alunos a partir de cinco ou seis anos de idade.

Nesta Nova Ordem, aqueles que não se adequarem ao modelo, isto é, não forem marcados, serão não apenas rechaçados, mas considerados uma ameaça ao sistema e, por isso, dignos de serem neutralizados (ou mesmo eliminados). Agora mesmo, enquanto escrevo, uma jovem estudante e seu orientador estão recebendo ameaças por conta de uma dissertação de mestrado intitulada: “O Bem Humano Básico do Casamento na Teoria Neoclássica da Lei Natural: Razão Prática, Bem Comum e Direito2.
E de todos sereis odiados por causa do meu nome.” (Lucas 21:17). Você está pronto?

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1 https://revistacrescer.globo.com/Criancas/Escola/noticia/2016/11/cortella-nao-e-so-educacao-dos-filhos-que-e-necessaria-mas-dos-pais-tambem.html (acessado em 06 de abril de 2018)

2 https://www.anajure.org.br/anajure-se-manifesta-sobre-caso-de-perseguicao-ufpa/ (acessado em 06 de abril de 2018)

terça-feira, 7 de maio de 2019

Sobre aqueles que seguem a Jesus


sexta-feira, 3 de maio de 2019

A Mensagem Inclusiva e a Mentira do Universalismo



Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna… Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16,18)


A Palavra de Deus pode ser relativizada ou ressignificada? As doutrinas cristãs podem se adequar ao tempo, às tradições e culturas? A Bíblia deve ser lida e interpretada de acordo com as necessidades, anseios, culturas e lutas dos povos ou de certas minorias? A igreja precisa ser ‘reimaginada’ para se conformar ao contexto social? Temas como pecado e arrependimento podem ser relativizados? Deus muda? Os valores do evangelho mudam? O diabo e seus operários tentam nos convencer destas possibilidades, porém, conservando um espírito bereano, devemos a cada dia examinar as Escrituras para não sermos enganados por falsários da Palavra (Atos 17:11), e colocarmos tudo à prova (1 João 4:1). É o que faremos em relação ao tema deste estudo.


A heresia do universalismo e a ressignificação das Escrituras:

Conforme matéria publicada no site JM Notícias, em 29 de abril de 2019, intitulada “Igreja Anglicana do DF celebra primeiro casamento gay”, o líder daquela igreja, o bispo Maurício Andrade, teria dito: “A revelação da Bíblia foi em um contexto, uma realidade que a gente precisa atualizar.”1 O pastor David Wilkerson certa vez disse: “Deus nos ajude a nunca suavizar o seu evangelho”, entretanto, é exatamente isso que os adeptos da Teologia Inclusiva, propagadores do universalismo, têm feito: eles apresentam uma interpretação bíblica baseada numa “nova hermenêutica”, em que textos são ressignificados para dar suporte às suas heresias. Quando não conseguem ressignificar alguma passagem bíblica, argumentam que foi escrita para certa época, ou que é fruto de uma cultura machista, patriarcal, opressora etc. Alguns textos, principalmente dentre os escritos por Paulo, são chamados de “textos de interdição” porque, segundo eles, interditam mulheres e LGBTIs. Se não concordam com a Palavra de Deus, a ressignificam, ou simplesmente ignoram certos textos. Este esforço resulta em sermões ‘adocicados’, literaturas heréticas, e até mesmo Bíblias Inclusivas dedicadas ao público LGBTI2, em que o termo pecado é reinterpretado.

O Universalismo ensina que, em virtude do amor de Deus, todos acabarão sendo salvos e estarão para sempre no Lar Eterno. O pastor e escritor Ciro Sanches Zibordi chega a dizer que “o universalismo extremado prevê a salvação até do Diabo!”3. Um pregador muito conhecido, grande influenciador, mas herege, ao falar da justiça de Cristo afirmou que o pecado não é mais um critério entre Deus e os homens, e que Hitler e Herodes estão à mesa com Jesus, e ainda que arrependimento e confissão de pecados não são critérios para se assentar à mesa de Deus no reino celestial.4 Este mesmo pastor já negou a existência do inferno.


“Deus odeia o pecado”, e odiará sempre:

Teólogos liberais, universalistas e inclusivos se esforçam para negar as consequências do pecado sobre a vida humana, apresentando um discurso em que o critério único para a salvação é amar. Quem ama, tendo tido ou não uma experiência com Cristo, independente de suas convicções religiosas, de seus valores e do curso moral de sua vida, está salvo. Dizem que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Embora esta afirmação seja verdadeira, ela tem sido usada pelo diabo para suavizar o conceito de pecado e do rigor do juízo divino. Trata-se de uma artimanha diabólica para enganar incautos, aplacar consciências, e gerar uma atmosfera favorável para quem deseja estar bem com Deus e, ao mesmo tempo, com o mundo (Tiago 4:4). Assim é que uma atriz pornô certa feita disse que havia se convertido ao evangelho, mas continuava exercendo sua “profissão”, e que havia escolhido ser membro de uma igreja evangélica que não lhe exigia nada. Estas igrejas liberais e inclusivas estão se proliferando como praga e, infelizmente, lançando raízes de suas heresias até mesmo nas denominações conservadoras.

Em toda a Bíblia, desde o Éden, vemos as consequências trágicas do pecado sobre a humanidade. Hoje não é diferente. Por isso “Deus odeia o pecado”, e odiará sempre. O pecador sem arrependimento, sem o novo nascimento, sem o fruto da nova vida, jamais poderá entrar nos céus. Relativizar esta verdade é servir ao Pai da Mentira, ao diabo, é praticar a sua obra (João 8:44). Assim como Seu autor, a Bíblia não muda, e nem o que nela está escrito sobre o pecado e o que ele produz na vida humana (Malaquias 3:6; Tiago 1:17; Provérbios 8:36; Mateus 24:35; João 8:34; Hebreus 13:8; João 8:24; Romanos 5:12; Romanos 6:23).


“Deus ama o pecador”, mas ele precisa se arrepender para ser salvo:

O insondável amor de Deus, ainda que derramado por todos na cruz pela entrega de Jesus para morrer em nosso lugar, não dispensa a necessidade de arrependimento e do novo nascimento para a entrada no reino. Ao religioso, que dizia guardar os mandamentos desde sua meninice, Jesus amou, mas não pode salvar porque seu coração estava neste mundo: “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.” (Marcos 10:21,22 – grifos do autor). Ao virtuoso Nicodemos, um mestre religioso, o Senhor informou: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

Deus ama a todos, independente de seus pecados, sejam maus ou bons perante a opinião pública, fiéis ou infiéis, bons ou maus cônjuges, e pais, e filhos, religiosos ou não, homicidas, adúlteros, mentirosos, egoístas… Mas, este amor não desencadeia o perdão sobre quem não crê, não se arrepende e não se submete ao senhorio de Cristo. A exigência para a salvação é esta, e não há alternativas: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19 – grifo do autor).

Ao malfeitor quebrantado, da cruz ao lado, a despeito de seus pecados, o Salvador assegurou: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43). Deus amou aquele homem, porém a salvação se deu mediante seu arrependimento e reconhecimento de Cristo como seu Senhor e Salvador, atitude sem a qual nenhum pecador, não obstante o amor de Deus, entrará nos céus.


Reflita:

A mensagem inclusiva é uma negação da Sã Doutrina que apresenta o arrependimento e o novo nascimento como condição exclusiva e irrevogável para a entrada no reino. Que “Deus amou o mundo de tal maneira” é fato inegável. Que Ele “deu o seu Filho unigênito” para morrer na cruz em nosso lugar também. Porém, a salvação é para “todo aquele que nele crê”, e este crer implica reconhecimento do pecado, arrependimento, novo nascimento e vida no Espírito. Assim é que “quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:16,18).

O amor divino não é complacente; Ele nunca salvará do inferno aquele que não crê: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (João 8:24). O Eterno é santo e justo, e continua odiando o pecado, como sempre odiou e odiará. Os valores de Sua Palavra são imutáveis, inabaláveis e inegociáveis. A mensagem inclusiva e o universalismo é falácia do diabo. Pense nisso!

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2 https://www.oasiseditora.com.br/ (Editora Inclusiva)