terça-feira, 25 de junho de 2019

Os macumbagélicos, um povo não alcançado

Imagem: Pixabay

Pr. Cleber Montes Moreira


Sempre recebo vídeos e/ou links de postagens sobre atrações do circo gospel, algumas repetidas, outras consagradas, e também novidades. Desde pastores ungindo água no monte, profetisa com manto vermelho ostentando poder, pessoas se acotovelando para tocar na “arca da aliança”, apóstolos consagrando vassouras, lideres oferecendo cursos destoados da Bíblia sobre “batalha espiritual”, igrejas com bloco no carnaval, até performances ousadas de crentes no “picadeiro da fé” (isso porque não dá pra chamar certos ajuntamentos de igreja).


Recebi um vídeo de (in)fiéis rodopiando num “terreiro” macumbagélico. Bem, eu não encontrei um nome apropriado para aquele lugar onde “em nome do Senhor” pessoas pulavam e dançavam — prática apelidada de “reteté gospel” —, como se estivessem em transe (falo sem a intenção de ofender aos afro religiosos). Histeria pura, como ainda não tinha visto. Não sei se estavam possuídas, ou se buscavam seus quinze minutos de fama. Seja como for, este é um retrato fiel da realidade caótica deste universo de “evangélicos sem o evangelho”, já denominados por alguns de “cristambeiros”. Eles não são sal, são mundo; não são luz, são trevas, e precisam urgentemente ser evangelizados. Quem sabe no futuro envidaremos esforços para fazer missões entre os macumbagélicos, um povo não ainda alcançado?! Afinal, o Senhor mandou: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16:15).

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Votos Sologâmicos

Imagem: Pixabay



Pr. Cleber Montes Moreira

Porque haverá homens amantes de si mesmos…”(2 Timóteo 3:2)


A data escolhida, o sábado, dia 11 de maio de 2019. O horário, às 11 horas. O lugar, a Chácara Santa Felicidade, pertencente a um tio. A ornamentação, de tirar o fôlego; parecia um conto de fadas. Tudo perfeito, como planejado. Naquele dia, a noiva não atrasou.

No altar o ministro religioso aguardava, enquanto os convidados, confortavelmente acomodados, dirigiram seus olhares em direção àqueles que, ao som de uma música, executada por uma banda local, caminhavam lentamente sobre o tapete vermelho e entre arranjos floridos, pausando para fotos: casais de padrinhos, os pais da noiva, a florista e uma dama que trazia uma joia e um pequeno espelho com moldura e ornamentos dourados, após os quais eis que surge a noiva, linda, disputada por fotógrafos e cinegrafistas, bem como por amadores que com seus smarphones procuravam eternizar imagens daquele momento ímpar.

Atenta, Giulianna, de 26 anos, já no altar, ouvia emocionada uma canção oferecida por Carla, uma amiga da faculdade. O oficiante fez um pequeno sermão sobre o amor, e em seguida a dama apresentou o anel cravejado de diamantes que a própria noiva colocou em seu dedo anular esquerdo, para então, segurando o espelho, proferir votos:

Eu, Giulianna Graziane, prometo me amar, me respeitar e ser fiel a mim, a lutar em defesa de minha honra, a perseguir meus ideais, cuidar de minha saúde e bem-estar, buscar minha felicidade, apreciar as coisas boas da vida, e não desistir de mim na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até os fins de meus dias.

Após a noiva beijar a própria imagem no espelho, o ministro impetrou a Benção Araônica e Carla cantou mais uma música durante o recessional.

Embora esta seja uma história fictícia, o casamento sologâmico é uma realidade. Não falo do tipo de cerimônia descrita acima, já comum em várias partes do mundo, mas sobre a realidade explícita em nossa sociedade: pessoas “amantes de si mesmas”, casadas consigo mesmas, narcisistas, egolátricas; comprometidas com seus próprios interesses, sonhos e valores, indiferentes ao próximo e alheias a Deus. O problema é que quando um transtorno se torna padrão de comportamento, ele deixa de ser considerado patológico. Assim, o sologanismo já não é percebido como patologia social, de tão comum que é: ser “amante de si mesmo” se firma cada vez mais como característica deste tempo em que indivíduos se autoveneram.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Doutrinas de demônios

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência.” (1 Timóteo 4:1,2 grifo do autor)



Eis que recebo, bem cedinho, dentre outras, uma mensagem de “Bom Dia” daquelas que estragam o dia, a não ser pela graça de Deus que dá calma suficiente, mas permite o senso de indignação. Com uma bela imagem ao fundo, o texto diz:
Deus investiu tanto em você porque só Ele sabe realmente o valor que você tem. Ele planejou você para um propósito especial que só você poderá realizar. Acredite, você é o melhor de Deus. Bom dia.

Antes um colega compartilhou, indignado, um link de um vídeo de um jovem pastor que num sermão exaltava o homem como o “centro”. Sim, o pregador ousou afirmar isso im-pu-do-ra-da-me-nte!
Você é o centro de tudo isso que vou dizer agora (…). Você é o centro dessa palavra (…). Jesus é o centro, da Bíblia Jesus é o centro, do evangelho Jesus é o centro, mas de Jesus, você é o centro, do coração de Jesus, você é o centro…1

Noutra ocasião já havia dito:
Quando se trata de você, você é o ponto fraco de Deus.
Talvez tenha aprendido isso nos livros de autoajuda que afirmou ter lido. É Provável que alguns pensem na divindade como não tendo sentido algum sem o “centro” (você).

Penso em João Batista, Paulo, Pedro, João e outros apóstolos sobre como consideravam a si mesmos: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30); “Miserável homem que eu sou…”; “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”; “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (Romanos 7:24; 1 Timóteo 1:15; Atos 20:24); “Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem” (Atos 10:26). Nenhum deles se considerou como o “centro”, e nenhum deles ensinou que “você é o centro”, antes viveram para exaltar Aquele que é sobre tudo e todos, Criador e Sustentador de todas as coisas (Colossenses 1:15-17; Romanos 11:36).

Outro dia, ao entrar na página de uma igreja visualizei em destaque este convite:
Atenção! Você tem a chance de ser contratado pela Sony Music! Vai acontecer o festival de música gospel e você não pode ficar fora dessa. Faça agora sua inscrição pelo site*** venha adorar a Deus e ainda ser reconhecido pelo seu talento.

Destaco: “Venha adorar a Deus e ainda ser reconhecido pelo seu talento.” Nada pode ser pior que uma adoração interesseira, que a busca por uma relação com Deus visando dividendos. Isso nada mais é que amar a si mesmo, que se colocar como o centro de tudo, que fazer de Deus um mero serviçal.

Nada novo debaixo do sol! Não é de hoje que o evangelho se tornou para muitos um recurso de empoderamento humano. Sermões, palestras e canções com temas antropocêntricos, treinamento coach visando alcançar sucesso temporal, e outros recursos focados no homem são apenas alguns dentre tantos elementos deste evangelho humanista.

Que não sejamos seduzidos por mensagens supostamente bíblicas que afagam os ouvidos, que atraem multidões e enchem o inferno, pregadas por “homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”, pois elas são “doutrinas de demônios”.

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1 https://www.youtube.com/watch?v=sk0i09fYKSM (acessado e 06 de junho de 2019)

terça-feira, 4 de junho de 2019

Amor que mata



Pr. Cleber Montes Moreira

Porque haverá homens amantes de si mesmos(2 Timóteo 3:2)


Uma notícia que abalou o Brasil, com repercussão na imprensa e redes sociais, aparece no site do Correio 24 horas com o seguinte título: “Com ajuda da companheira, mãe mata e esquarteja filho no DF.”1

O pequeno Rhuan Maicon da Silva Castro, de apenas 9 anos, foi morto enquanto dormia com uma facada no coração, depois teve seu corpo esquartejado. As assassinas, Rosana Auri da Silva Cândido, 27, mãe do menino, e sua companheira, Kacyla Pryscila Santiago Damasceno Pessoa, 28, ainda tentaram sem sucesso queimá-lo numa churrasqueira, depois colocaram partes numa mala e jogaram num bueiro no bairro onde moram. O corpo foi encontrado por meninos que jogavam bola, por volta de 1h30min, que por curiosidade, quando as mulheres saíram, foram ver o que tinha dentro da mala. Outras duas mochilas com partes do corpo foram encontradas na casa delas. A meia irmã de Rhuan, de 8 anos, filha de Kacyla, que dormia na hora do crime, foi encaminhada para o Conselho Tutelar. Por meio de desenhos, ela contou que chegou a ver partes do corpo do irmão.

O site ainda informa:
Segundo o Conselho, Rhuan teve o pênis decepado há 1 ano pela mãe. A conselheira Claudia Regina Carvalho contou ao Uol que Rosana e Kacyla queriam transformar Rhuan em menina. Elas alisavam o cabelo dele, que era longo, todo dia. “Foi uma espécie de cirurgia de mudança de sexo. Após retiraram o pênis, elas costuraram a região mutilada e improvisaram uma versão de um órgão genital feminino, fazendo um corte na virilha”, conta.
Ao tomar conhecimento do fato, logo pensei no amor de mãe. Como falamos sobre esse amor, como é exaltado em poemas, canções, artigos diversos, livros etc.! Quando pensamos em mãe, pensamos também num amor elevado: incondicional, altruísta, abnegado, sacrificial… amor que não podemos descrever em toda a sua beleza e extensão. Porém, concluo que nem todas as mulheres que dão à luz são realmente mãe, algumas se tornam até assassinas.

Creio que este comportamento esteja relacionado ao que a Bíblia fala sobre o esfriamento do amor: “E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará” (Mateus 24:12). Neste tempo a corrupção humana atinge níveis inimagináveis, de modo que os maus se tornam cada vez piores. Mas há algo aqui a observar: enquanto o amor ao próximo diminui, o amor-próprio, não como virtude, aumenta mais e mais. Assim, mais uma vez percebemos que se multiplicam no mundo os “amantes de si mesmos”, descritos por Paulo como: “egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder” (2 Timóteo 3:2-5 NVI). Embora o autor não tenha usado a palavra “homicida”, podemos dizer que está subentendida no texto.

Os “amantes de si mesmos” fazem tudo por “amor”. Aquelas mulheres “mataram por amor”, amor-próprio; porque consideravam que o menino era um prolema para o seu relacionamento. Por terem aversão a homens, queriam transformá-lo em menina. A própria meia irmã, tendo má influência dentro de casa, já olhava para Rhuan com preconceito. Esta “escola do amor”, deste amor a si mesmo, amor egoísta, é capaz de formar novos discípulos por meio do mau exemplo. Há muita gente matando por causa deste “amor”.

Guardadas as devidas proporções, este comportamento homicida se faz presente e muito forte em nossa sociedade. Talvez bem mais que imaginemos. Assassinos não matam só com facadas, não são apenas os que matam o corpo, mas também aqueles que, embriagados de amor-próprio amantes de si mesmos” ―, deixam de gastar tempo com as pessoas, de demonstrar interesse genuíno, sentimentos sinceros, lealdade, de oferecer ajuda, de ser companheiro, amigo verdadeiro, de estar ao lado… As armas de um assassino também podem ser a negligência, o silêncio, certas palavras, atitudes inadequadas, a indiferença, o abandono… Será que por causa de um amor egoísta, por cuidar tão obstinadamente de nossos próprios interesses em detrimento do bem do próximo, também não nos tornamos homicidas? Precisamos pensar sobre isso!

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sexta-feira, 31 de maio de 2019

Resposta a Filipe Niel






Por Cleber Montes Moreira


Este post não é um ataque a quem quer que seja, independente da posição teológica de cada um, nem mesmo ao autor do vídeo em questão, mas consiste numa resposta necessária àquilo que entendo conter declarações erradas, talvez preconceituosas, sobre os batistas tradicionais. Não o faço para estabelecer um “cabo de guerra”, uma vez que entendo que estas discussões que se prolongam por séculos não edificam os homens nem glorificam a Cristo.

O autor do vídeo intitulado “Qual a diferença entre os Batistas Tradicionais e os Batistas Reformados?”, Filipe Niel, ao tentar explicar o que é um “batista típico” afirma que a denominação batista está muito fragmentada e vive uma crise muito grande de identidade, coisa com a qual concordo. Porém, quando diz que há diversidade entre as igrejas batistas tradicionais, como, por exemplo, igrejas lideradas por apóstolos, ele exagera, generaliza, e joga na mesma latrina as igrejas sérias, verdadeiramente tradicionais, com aquelas que sabemos não são. Uma igreja liderada por apóstolo, ou por pastora, por exemplo, jamais pode ser tida como uma igreja tradicional, uma vez que está afastada tanto da tradição batista quanto da Bíblia.

Quando ele diz “você tem dentro desses mesmos batistas tidos como tradicionais igrejas sérias, biblicistas, que creem na Palavra de Deus, que querem seguir a Palavra de Deus…” apenas reforça o seu posicionamento generalizado sobre igrejas tão diversas (sérias e heréticas) que ele considera como batistas tradicionais. Sinceramente creio que qualquer bom aluno de EBD poderia formular um conceito bem melhor sobre o que é ser batista tradicional.

Quando exalta os batistas reformados, Filipe Niel o faz com certo orgulho, colocando-os acima dos que considera como batistas tradicionais, o que é, na minha opinião um erro ― talvez intencional ―, uma vez que, como já dito, ele inclui entre os tradicionais os que não são. Tenho receio de que este orgulho seja parente do orgulho farisaico.

A exposição bíblica não é uma característica apenas dos reformados, mas de igrejas e pregadores sérios, o que inclui igrejas e pregadores batistas tradicionais. “A crença numa soteriologia calvinista” expõe o comportamento inadequado de exaltar certos homens em detrimento das Escrituras. Exemplifico: O que eu creio sobre soteriologia e/ou outros assuntos não tem por base as doutrinas de Calvino, Armínio ou outro, embora eles possam ter boas formulações a respeito, mas o Evangelho. O correto seria dizer “A crença numa soteriologia bíblica”, e argumentar sua posição teológica a partir da Palavra de Deus e não de Calvino ou outro. Se Deus nos ilumina por meio de Lutero, Calvino, Armínio ou outro, esta luz é sobre as Escrituras e não sobre tais homens, uma vez que as Escrituras são inerrantes, mas eles, como nós, não. Esta é uma das diferenças entre os batistas tradicionais e alguns (para não generalizar) que se dizem reformados.

Ao terminar, quando diz “agora a típica ou a tradicional igreja batista é muito difícil você definir o que é isso, porque você tem de tudo no meio batista brasileiro”, além de uma conotação de desprezo, mais uma vez generaliza, colocando igrejas tradicionais e outras que ele assim considera no mesmo balaio. O problema é que ele viola uma regra ensinada por Jesus: “Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida que usardes para medir a outros, igualmente medirão a vós” (Mateus 7:2 ― BKJA). Isso porque ele se esquece, propositadamente ou não, que entre as igrejas que se proclamam reformadas há igrejas sérias e outras que não: igrejas bíblicas, outras que conservam muitas coisas do catolicismo romano, e ainda igrejas liberais e até inclusivas que recebem LGBTs e outros pecadores sem o testemunho do arrependimento em sua membresia (dentre as quais algumas que se declaram batistas de teologia reformada).Pergunto: seria justo jogar todas estas igrejas na mesma vala? Estou convicto de que não.

Um pouco sobre a inerrância da Bíblia



Pr Cleber Montes Moreira

“Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade” (João 17:17 grifo do autor)


A Inerrância das Escrituras é a doutrina de que a Bíblia não contem erros. Segundo Paul David Feinberg,“A Inerrância é o ponto de vista de que, quando todos os fatos forem conhecidos, demonstrarão que a Bíblia, nos seus autógrafos originais e corretamente interpretada, é inteiramente verdadeira, e nunca falsa, em tudo quanto afirma, quer no tocante à doutrina e à ética, quer no tocante às ciências sociais, físicas ou biológicas.”1 Os batistas afirmam em sua Declaração Doutrinária que a Bíblia, quanto a seu conteúdo, “é a verdade, sem mescla de erro e por isso é um perfeito tesouro de instrução divina.”2 A inspiração e a inerrância das Escrituras são verdades fundamentais e inegociáveis da fé cristã.


Por quê precisamos estudar este tema?

Porque Deus governa sua igreja por meio de Sua Palavra, a Bíblia. É pelo seu conhecimento e a convicção de sua inerrância, em submissão ao Espírito Santo, que o salvo terá condições para responder sabiamente a qualquer que pedir a razão de sua esperança (1 Pedro 3:15). Os que são gerados pela Palavra da vida sabem que a fé autêntica no Senhor não pode ser separada da fé nesta mesma Palavra, o que seria um contrassenso. Quem ama a Deus amará a Escritura, nela terá prazer e a desejará mais que o ouro, nela meditará dia e noite e a terá como sua regra de fé e prática (Salmos 1:2; 19:10; 119:97; Tiago 1:22,23).


Ataques à doutrina da “Inerrância das Escrituras”:

Além dos ataques do pós-modernismo, do ateísmo, do neo-ateísmo, do liberalismo e de outras religiões, as Escrituras vem sofrendo neste tempo ataques impiedosos da chamada Teologia Inclusiva. O problema é que estes ataques são, em relação às igrejas, externos e internos ao mesmo tempo, uma vez que os difusores desta teologia também estão infiltrados nas denominações históricas e em seus sistemas de educação, ensino teológico e formação de lideranças.

Os Teólogos Inclusivos, na esteira do liberalismo teológico, negam a inerrância da Bíblia, bem como a ortodoxia cristã histórica. Alegam que certos textos são fruto de uma “cultura machista”, “opressora” e/ou “interditiva”, que reproduzem visões éticas e preconceitos sociais do período em que foram escritos, em decorrência de que assuntos relacionados ao comportamento humano devem ser abordados não a partir da interpretação histórica, mas do que chamam “ética do amor”. Em outras palavras, o que afirmam é que a Bíblia está errada quanto algumas de suas afirmações, que certos textos, como os escritos paulinos, considerados interditivos, precisam ser revisados. Daí surgem, como forma de “correções”, as chamadas Bíblias Inclusivas destinadas ao público LGBTI, com distorções e anotações que justificam seu posicionamento teológico, bem como outros materiais. Tais teólogos são ‘determinadores’ e não investigadores sinceros em busca da Verdade; eles não se submetem ao Espírito, mas agem movidos pela carne.

Hermisten Maia Pereira da Costa, em seu livro “A Inspiração e Inerrância das Escrituras”, nos diz:
A inerrância se aplica à Bíblia, não às teologias supostamente bíblicas. Com isso queremos dizer que, apesar de a Bíblia não conter erros, ela deve ser interpretada a partir de si mesma, em submissão ao Espírito das Escrituras. A Teologia é uma reflexão interpretativa e sistematizada da Palavra de Deus. A sua fidedignidade estará sempre no mesmo nível da sua fidelidade à Escritura. A relevância de nossa formulação não dependerá de sua “beleza”, “popularidade”, ou “significado para o homem moderno”, mas sim de sua conformação às Escrituras. O mérito de toda teologia está no apego incondicional e irrestrito à Revelação; a melhor interpretação é a que expressa o sentido do texto à luz de toda a Escritura, ou seja, em conexão com toda a verdade revelada. Nada é mais edificante e prático que a Verdade de Deus.3
Qualquer teologia que não preze por uma interpretação da Bíblia a partir da perspectiva de seu Autor, pela busca fiel do entendimento da Palavra pela Palavra, sob total dependência e orientação do Espírito Santo, deve ser considerada como inimiga da fé cristã e, portanto, refutada com vigor pela própria Palavra da Verdade. Jesus mesmo usou a ‘fórmula’ do “Está escrito…” (Mateus 4:1-11).


Alguns testemunhos sobre a inspiração e inerrância da Bíblia:

Na história do cristianismo vários personagens como Irineu, Agostinho, Anselmo, Tomás de Aquino, Martinho Lurero, John Wesley e outros, depuseram convictamente pela inerrância das Escrituras.
Nos Salmos lemos que “A tua palavra é muito pura; portanto, o teu servo a ama”; “As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes” (Salmos 119:140; Salmos 12:6), e que “A lei do Senhor é perfeita” (Salmos 19:7). Paulo afirmou queToda a Escritura é divinamente inspirada…” (2 Timóteo 3:16). Pedro declarou que “a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1:21). Jesus disse: “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir” (Mateus 5:17 NVI). Em sua oração pelos discípulos, Ele ainda declarou: “a tua palavra é a verdade” (João 17:17) ― grifos do autor.

Em 1949, antes de pregar num grande evento numa tenda em Los Angeles, Billy Graham mergulhou em dúvidas que afligiam sua alma. Algumas semanas antes, ele participara de uma conferência no Centro de Retiros Forest Home, na Califórnia, com diversos teólogos da época, dentre eles o seu então melhor amigo Charles Templeton, que defendia no Seminário Teológico de Princeton (Princeton Theological Seminary) seu estudo histórico e literário da Bíblia contrário a ideia da inspiração plena das Escrituras.

Em 1949, antes de pregar num grande evento numa tenda em Los Angeles, Billy Graham mergulhou em dúvidas que afligiam sua alma. Algumas semanas antes, ele participara de uma conferência no Centro de Retiros Forest Home, na Califórnia, com diversos teólogos da época, dentre eles o seu então melhor amigo Charles Templeton, que defendia no Seminário Teológico de Princeton (Princeton Theological Seminary) seu estudo histórico e literário da Bíblia contrário a inspiração e inerrância das Escrituras.

Perturbado, certa noite Billy pegou sua Bíblia e caminhou sozinho pelas montanhas de San Bernardino, ao redor do Forest Home. Ao ver um velho tronco de árvore ao lado do caminho, colocou sobre ele sua Bíblia aberta e começou a orar:
“Ó Deus! Há muitas coisas neste livro que não entendo. Existem muitos problemas para os quais não tenho solução. Existem muitas contradições aparentes. Existem algumas áreas que não parecem se correlacionar com a ciência moderna. Não posso responder a algumas das questões filosóficas e psicológicas que Templeton e outros estão levantando.”
Depois caiu de joelhos, e continuou:
“Pai, pela fé eu aceito este livro como Tua Palavra! Pela fé vou além das minhas dúvidas; eu creio que esta seja a Tua Palavra inspirada!”
Após sua oração Graham sentiu o Espírito de Deus inundando sua alma. Quando se dirigiu ao público do Forest Home na noite seguinte, era como se fosse um novo homem. Havia uma confiança, um senso de autoridade em sua pregação que era totalmente nova e poderosa.

Ambos eram estudiosos da Palavra e evangelistas muito conhecidos. Um buscou entender a Bíblia por critérios humanos, o outro dobrou seus joelhos. Billy Graham tornou-se no homem que conhecemos, já Charles Templeton trocou a fé cristã pelo ateísmo.4 (1 Coríntios 2:14)


Reflita:


Espíritos enganadores tentam nos convencer de que a Bíblia não é inerrante, e de que Ela não é, mas apenas contém a Palavra de Deus. Devemos permanecer atentos, e recorrermos à própria Bíblia, em oração e dependência do Espírito para que possamos reafirmar nossa fé de que a Palavra de Deus é fiel, autoritativa, imutável, eterna e perfeita, assim como é o Seu autor. (1 João 4:1; 2 Coríntios 4:4)

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1 Costa, Hermisten Mais Pereira da. A Inspiração e Inerrância das Escrituras, página 103, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 1998.
3 Costa, Hermisten Mais Pereira da. A Inspiração e Inerrância das Escrituras, página 109, Editora Cultura Cristã, São Paulo, 1998.

4 Com informações de:
Documentário “Billy Graham O embaixador de Deus”, God's Ambassador (Original), DVD, 2006, Distribuído no Brasil por Comev.

terça-feira, 28 de maio de 2019

Casados Consigo Mesmos

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

“Nada façam por ambição egoísta ou por vaidade, mas humildemente considerem os outros superiores a si mesmos. Cada um cuide, não somente dos seus interesses, mas também dos interesses dos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” (Filipenses 2:3-5 NVI)


Recebi pelo Whatsapp um link de uma matéria intitulada: “Empresária mineira se casa com ela mesma para celebrar amor-próprio.” Em entrevista ela declarou: “Eu resolvi casar comigo por causa da minha história, de eu ter chegado ao ponto de compreender que, em primeiro lugar, eu sou a pessoa mais importante da minha vida.”1 Vestida a caráter, segurando um espelho, a noiva, de 38 anos, fez votos de amor-próprio diante de cerca de 100 convidados.2 A celebração ocorreu no dia 26 de maio de 2019, numa praça de Belo Horizonte (MG).

A sologamia, termo traduzido do inglês sologamy, ato de contrair casamento consigo mesmo, já é moda em vários lugares do mundo. As cerimônias com decoração, trajes próprios, bolo, convidados, padrinhos, votos matrimoniais, dentre outras coisas, fazem lembrar um casamento convencional. Há no mercado várias empresas do ramo especializadas neste tipo de “casamento”. Os adeptos defendem que a sologamia nada mais é do que o comprometimento com o amor-próprio, com os próprios interesses e a própria felicidade.3 Isso lembra o refrão da música “Eu me amo”, do grupo “Ultraje a Rigor”, que diz:

Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim
Eu me amo, eu me amo
Não posso mais viver sem mim

Ainda que para muitos a sologamia seja um ato simbólico, ilustra com propriedade o que Paulo ensinou sobre as pessoas dos “últimos dias”, as quais ele chama de “amantes de si mesmos”. Elas se exaltam sobremaneira, amam a si mesmas mais que tudo e que todos, se colocam como o centro do universo, e buscam incessante e incansavelmente, a todo custo, alimentar seu ego com tudo que lhes dá prazer são insaciáveis, obstinadas! Ainda que para satisfazerem seus intentos tenham que violar regras e desprezar princípios e valores morais.

Os “amantes de si mesmos” bem poderiam ser chamados de “casados consigo mesmos”.

Creio que a maior característica das pessoas deste tempo seja a busca excessiva pelo prazer como bem supremo. À luz do ensino paulino, percebemos que à medida que o mundo avança para Tempo do Fim, o egoísmo se pronuncia ainda mais (2 Timóteo 3:2).

A felicidade como finalidade última, preponderante, é fruto do egocentrismo, e tende a ser construída sobre o desrespeito dos direitos, da indiferença, do desprezo ao próximo, da corrupção, do ódio, da violência… Este comportamento, segundo o sábio, consiste em “insurgência contra a sabedoria” (Provérbios 18:1), e contraria o ensino paulino em Filipenses 2:3-5.

A questão é que quem é “casado consigo mesmo” usufrui de uma felicidade que dura como um raio. No final, como enfatiza o autor de Eclesiastes, “tudo é vaidade”. A “felicidade”, ilusória como uma miragem, é levada pelo vento, e a própria vida passa como “um conto ligeiro”. Pense nisso!

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segunda-feira, 27 de maio de 2019

O andar do salvo

Imagem: Pixabay



Pr. Cleber Montes Moreira


1 Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como recebestes de nós, de que maneira convém andar e agradar a Deus, assim andai, para que possais progredir cada vez mais.
2 Porque vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus.
3 Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação; que vos abstenhais da fornicação;
4 Que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra;
5 Não na paixão da concupiscência, como os gentios, que não conhecem a Deus.
6 Ninguém oprima ou engane a seu irmão em negócio algum, porque o Senhor é vingador de todas estas coisas, como também antes vo-lo dissemos e testificamos.
7 Porque não nos chamou Deus para a imundícia, mas para a santificação.
8 Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas sim a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo.
9 Quanto, porém, ao amor fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros;
10 Porque também já assim o fazeis para com todos os irmãos que estão por toda a macedônia. Exortamo-vos, porém, a que ainda nisto aumenteis cada vez mais.
11 E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado;
12 Para que andeis honestamente para com os que estão de fora, e não necessiteis de coisa alguma.

(1 Tessalonicenses 4:1-12)



Tanto na época de Paulo quanto hoje é difícil inculcar nas mentes dos crentes a ideia de santidade. No texto o apóstolo aconselha pessoas que abraçaram a fé cristã há pouco tempo e, portanto, ainda estavam acostumados com o estilo de vida daquela sociedade, decadente, onde principalmente a imoralidade sexual era prática comum.

William Barclay nos lembra do que escreveu Demóstenes, o que retrata bem o estilo imoral dos gregos: “Temos prostitutas para o prazer, concubinas para as necessidades diárias do corpo, esposa para procriar filhos e para o cuidado fiel de nossas casas”. Barclay complementa: “Enquanto o homem mantivesse a sua mulher e a sua família, não havia motivo de vergonha nas relações extraconjugais.”

Também a nossa sociedade está adoecida: os pecados sexuais, a banalização da vida, o mercantilismo religioso, abuso de poder, a corrupção generalizada, e tudo o que carateriza o processo de degradação social faz parte do cotidiano desta geração afastada de Deus, e até mesmo de grande parte dos que se declaram evangélicos. Há ‘igrejas’ tão influenciadas pela sociedade, há denominações inteiras tão corrompidas, que já não se percebe qualquer diferença entre o que chamamos “mundo” e o que chamamos “igreja”. Uma prova disso são as postagens de certos crentes nas redes sociais: No domingo fotos na igreja, louvando, no sábado selfies em festas e lugares onde um cristão jamais deveria estar. Há evangélicos defendendo o aborto, a união homoafetiva, Ideologia de Gênero, a poliafetividade etc. O meio artístico gospel então é uma sucessão de escândalos. Assim é que ser evangélico já não significa viver conforme o evangelho, e aqueles dos quais se espera que influenciem o mundo estão amoldados aos valores seculares.

Se Paulo tivesse uma mensagem para os crentes de hoje, que mensagem seria? Mas ele tem, e esta mensagem é a mesma que escreveu aos Tessalonicenses sobre “de que maneira convém andar e agradar a Deus” e progredir na caminhada com Ele.

“Andar” é referência à maneira de viver. O andar cristão é um modo de vida, mas é também um itinerário que tem por propósito cruzar uma “linha de chegada”. A forma como andamos indica para onde caminhamos. Assim é que o mundo caminha para a perdição, mas os salvos para o alvo perfeito, para o encontro e a glorificação com Cristo.

Vejamos o que Paulo fala sobre o andar do salvo, e apliquemos seus ensinos ao nosso viver.


O andar do salvo é…


1. Andar conforme os ensinamentos recebidos: (vs. 1,2)

A chegada de Paulo e Silas a Tessalônica está registrada em Atos 17:1-9. Lá eles foram à sinagoga dos judeus, debateram sobre as Escrituras por três sábados, “expondo e demonstrando que convinha que o Cristo padecesse e ressuscitasse dentre os mortos”, anunciando Jesus como o Cristo de Deus (Atos 17:3). O resultado foi que “alguns deles creram, e ajuntaram-se com Paulo e Silas; e também uma grande multidão de gregos religiosos, e não poucas mulheres principais” (Atos 17:4). Aqui temos, então, o início da igreja naquela cidade. Depois disso os evangelistas foram perseguidos e enviados pelos irmãos de noite para Bereia (Atos 17:10). Não sabemos como com detalhes como aqueles irmãos continuaram recebendo cuidados espirituais, mas é certo que os ensinos recebidos contribuíram para que se tornassem um padrão para “todos os fiéis na Macedônia e Acaia” (1:7). No capítulo primeiro Paulo elogia as virtudes daquela igreja, e lembra que aqueles crentes foram “feitos nossos imitadores, e do Senhor, recebendo a palavra em muita tribulação” (1:6). As instruções recebidas eram suficientes para que o apóstolo lhes cobrasse um andar seguro e fiel em Cristo. Neste capítulo 4 o escritor salienta:

(1) “Assim como recebestes de nós” – Paulo lembra àqueles crentes que eles foram instruídos na Palavra sobre o modo como deveriam andar. Eles não estavam desavisados, não estavam sem orientação e, portanto, não tinham desculpas.

(2) Os ensinos recebidos tinham como propósito nortear suas vidas. Num mundo de tanta confusão, nossa referência segura é sempre a Palavra de Deus.

(3) Estes ensinos também propositavam o progresso espiritual daqueles irmãos. Da mesma forma crescemos quando lemos, refletimos, acatamos e aplicamos a Palavra ao nosso viver.


Nosso andar é diferente do andar do mundo. Nós andamos para frente, para um propósito, e de um modo digno do Senhor.

Você pode dizer que é difícil andar como um cristão autêntico neste mundo de tantas seduções. O Pr. Marcos Graconato num de seus artigos indagou: “Dá pra Ser Crente em Tessalônica?”1 Este desafio é também para nós, uma vez também estamos inseridos numa sociedade doente e decadente. A advertência feita está alinhada ao que o apóstolo escreveu aos Filipenses: “Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo” (Filipenses 2:15). Isso só é possível observando os ensinos bíblicos recebidos, e “vós bem sabeis que mandamentos vos temos dado pelo Senhor Jesus” (v. 2).


2. Andar em santificação: (vs. 1-8)

A palavra grega “agiasmos”, traduzida por santificação significa “consagração”, “separação”, “santificação”, e refere-se ao processo que se inicia no momento da conversão, prossegue por toda a vida do crente, e atinge seu ápice na glorificação. A santificação realiza uma transformação moral no crente por meio do entendimento e da obediência às Escrituras, e imprime no salvo a santidade do próprio Deus. Quanto mais experimenta a santificação, mais o crente se afasta do padrão de vida secular e evolui segundo o padrão divino.

Segundo Russell Norman Champlin, “a santificação inclui a participação positiva nas virtudes morais de Deus”.2 Isso significa não apenas abandonar certos hábitos e desprezar o pecado, mas apresentar a Deus um serviço digno do caráter cristão.

Ao falar sobre a santificação, Paulo poderia ter feito uma lista de atitudes pecaminosas que deveriam ser abandonadas, porém, considerando que a fornicação não era considerado um pecado entre os pagãos, talvez por isso tenha combatido esta prática com maior vigor.3 A palavra usada para “fornicação” na ACF e traduzida por “imoralidade sexual” na NVI é pornéia, e indica qualquer prática sexual pecaminosa.

Embora muitos estudiosos entendam que o verso 6 seja uma orientação à fidelidade nos negócios em geral, principalmente nas atividades comerciais, coisa que realmente se deve observar, o contexto parece indicar uma advertência aos abusos sexuais como, por exemplo, o de algum irmão seduzir a esposa do outro. Por isso este verso não é uma mudança de assunto, mas continuação do tema em questão, tanto que na NVI se inicia assim: “Neste assunto”, ou seja, impureza sexual, “ninguém prejudique a seu irmão nem dele se aproveite”. O verso 7 corrobora isso: “Porque Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santidade.” Assim é inadmissível que as práticas sexuais pecaminosas daquela sociedade fossem aceitas como naturais entre os irmãos, que houvesse entre eles quem cometesse adultério com a esposa do outro.

Tanto o adultério, como qualquer outra prática sexual ilícita, ainda que comum em nossa sociedade, não deve ter lugar na vida dos santos. Aquele que confessa a Cristo como Senhor não deve viver segundo o padrão moral vigente na sociedade, mas segundo os valores do reino eterno, porque isso seria um contrassenso.


3. Andar em amor: (vs. 9,10)

A palavra usada para “amor fraternal” (philadelphia) indica o amor entre irmãos por nascimento. A igreja é uma família, onde todos, nascidos de Deus, por serem irmãos devem viver em amor. Em “instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros” a palavra usada é ágape, e indica um amor proveniente de Deus, amor sublime, amor desinteressado, amor que se doa, amor incondicional, amor altruísta…

Paulo considera que não há necessidade de escrever mais sobre o assunto, visto que aqueles irmãos já estavam instruídos sobre o dever de amar uns aos outros, mas os encoraja para que cresçam nisso.

Crescer na prática do amor faz parte do andar do salvo. Não se trata de um amor comum, de um amor egoísta, hedonista, mas de um amor que busca o bem do próximo. Quem ama respeita, é fiel, não defrauda, não abusa, não peca contra o próximo. Creio que nós também já estamos instruídos neste assunto e que não há muito o que falar, a não ser que precisamos evoluir continuamente nesta ação. Se este amor for uma característica dos irmãos, certamente será um testemunho poderoso para os que estão de fora. Jesus mesmo disse: “Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros” (João 13:35). Que sejamos conhecidos por nossa integridade, e também pelo amor com o qual amamos uns aos outros.


4. Andar honestamente: (vs. 11,12)

Aqueles que receberam os ensinamentos sobre como “convém andar e agradar a Deus”, devem viver conforme estas instruções. Quem vive assim, busca a santificação, cresce em amor. Aquele que ama não se aventurará em práticas sexuais ilícitas, uma vez que elas fazem mal não apenas a si, mas também a outros envolvidos, e à comunhão da igreja. Aquele que ama também será honesto em seus negócios, não será uma carga para os outros, e procurará viver em paz, evitando atritos e contendas. Este “andar honestamente” deve ser buscado com diligência.

Não sabemos exatamente o que levou Paulo a fazer tal advertência, mas vários estudiosos suspeitam que pela expectativa da volta iminente de Cristo, muitos abandonaram o trabalho regular e passaram a viver ociosos, se intrometendo em assuntos alheios e sendo pesados aos irmãos (Leia 2 Tessalonicenses 3:11,12). Por isso que teria dito para viverem quietos, tratarem dos seus próprios negócios e a trabalharem para o seu sustento (v. 11), coisa que Paulo ensinou não só com palavras, mas com o exemplo (2 Tessalonicenses 3:8). Como se diz, “o trabalho dignifica o homem”, mas também evita que o ocioso se torne um instrumento do diabo. Dizem que “quem não tem o que fazer, inventa”, e que “quem não trabalha dá trabalho”.

Sobre a expectativa da volta do Senhor, a melhor coisa a pensarmos é que Ele deverá nos encontrar andando conforme a Sua vontade, vivendo em amor, em comunhão e em paz com os irmãos, trabalhando e andando honestamente (Mateus 24:46; Romanos 13:13). Este proceder será um belo testemunho para os de fora.

Resumindo:

O andar do salvo é…
– Andar conforme os ensinamentos recebidos: (vs. 1,2)
– Andar em santificação: (vs. 1-8)
– Andar em amor: (vs. 9,10)
– Andar honestamente: (vs. 11,12)

Assim devemos andar e progredir na vida cristã, visando o alvo final de Deus para nós, que é sermos segundo a estatura do homem perfeito, JESUS CRISTO: “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13). Este andar virtuoso, produtivo, fará bem para nós e para a igreja, bem como se constituirá num persuasivo testemunho para os de fora.

Que ao observarem nosso caminhar, todos vejam para onde estamos indo!
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2 Champlin, Russell Norman. Comentário Bíblico Volume 5, 2ª edição, Hagnos, 2001.
3 https://www.apologeta.com.br/1-tessalonicenses-4/ (acessado em 24 de abril de 2019)

quinta-feira, 23 de maio de 2019

"Ética do amor" versus Ética Cristã



Pr. Cleber Montes Moreira

“Aqueles que são dominados pela natureza humana pensam em coisas da natureza humana, mas os que são controlados pelo Espírito pensam em coisas que agradam o Espírito.” (Romanos 8:5 ― NVT)


A Teologia Inclusiva proclama um falso evangelho, fundamentado e pautado no amor ou, pelo menos, no seu entendimento hodierno. O pastor Henrique Vieira, autor do livro “O amor como revolução”, em postagem no Facebook defendeu a necessidade de “uma teologia centrada no Amor, no acolhimento, no respeito e na integridade”. Ele propõe “abordar a sexualidade a partir da ética do amor, da responsabilidade afetiva, do consentimento e da reciprocidade”. Por fim, conclui que “é preciso pedir perdão às LGBTs e afirmar que do ponto de vista bíblico e existencial o pecado é não amar”. Ou seja, o amor é a única doutrina, e o único pecado é “não amar”. Tudo é lícito, menos não amar. Segundo ele, os textos que tratam sobre pecados sexuais precisam, ser revistos: “A Bíblia precisa ser contextualizada. Os textos não podem ser transportados automaticamente. Não havia no tempo bíblico a compreensão que temos hoje sobre orientação sexual e gênero. Os textos que interditam à homossexualidade tem muito mais referência cerimonial e litúrgica do que uma reflexão sobre a sexualidade humana. O filtro da leitura bíblica é a centralidade de Jesus e a ética do amor”, afirmou.1

A pastora Odja Barros, expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade “não caem do céu”, mas “são produzidos por diferentes grupos sociais”, inclusive os valores sexuais.2 O movimento que ela representa propõe uma “reimaginação” das Escrituras e da Igreja. A Igreja Batista do Pinheiro, pastoreada por Odja e seu esposo Wellington Santos, hoje desligada da CBB, quando decidiu em assembleia receber homossexuais em sua membresia, justificou-se publicamente com estas palavras: “O que a Igreja Batista do Pinheiro fez, revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.”3 É o “caminho” ou a “ética do amor”, e não a Verdade, o referencial para a tomada de decisões, embasamento doutrinário e reimaginação de toda estrutura considerada arcaica, injusta e opressora.


Ética e Moral:

A palavra “ética” vem do grego “ethos” e diz respeito ao modo de ser e de agir da pessoa, com base em seu caráter, comportamento e pensamentos em relação ao seu convívio social. Já a palavra “moral” tem origem no latin “morales” que significa “relativo aos costumes”. Ética é um conjunto de conhecimentos extraídos da investigação do comportamento humano ao tentar explicar as regras morais de forma racional, fundamentada, científica e teórica. É uma reflexão sobre a moral. Moral é o conjunto de regras aplicadas no cotidiano. Essas regras orientam cada indivíduo, norteando as suas ações e os seus julgamentos sobre o que é moral ou imoral, certo ou errado, bom ou mau.4

Compreendemos por ética cristã o sistema de valores estabelecidos a partir da Palavra de Deus, e que servem como padrão normativo e norteador da conduta (moral) cristã. (Josué 1:7,8; Salmos 1; 119:9,11; Romanos 12:2, Colossenses 3:1-25; 1 Coríntios 10:23; Efésios 5:1-33)


“Amor libertário”, ou Verdade que liberta?

Para os teólogos inclusivos os assuntos relacionados ao comportamento humano devem ser abordados não a partir da interpretação histórica machista”, “opressora” e “interditiva” da Bíblia, mas da “ética do amor”. Eles pregam um “amor libertário” que autoriza uma vida sem princípios doutrinários normativos em que a única regra é o “amor”. Segundo eles, “no que é feito com amor, não há pecado”. Há até quem proclame: “Liberte-se! O pecado não existe!” É a partir deste raciocínio que as igrejas inclusivas afirmam sua vocação “acolhedora” universalista:5 “amamos, respeitamos e acolhemos a vida em toda sua diversidade e pluralidade. E não seria Deus assim, em sua multiforme graça?”6

Esta teologia desconsidera que “O coração humano é mais enganoso que qualquer coisa e é extremamente perverso; quem sabe, de fato, o quanto é mau? (Jeremias 17:9). Quem segue o “amor” é movido por paixões e cai em laços, pois o coração humano é enganoso. Quem é de Cristo segue a Verdade, e já crucificou suas paixões e os desejos de sua natureza humana (Gálatas 5:24). O ‘amor inclusivo’ é orientado pela carne, é libertino, é escravizador (João 8:34). Só a Verdade é libertária (João 8:32), e esta Verdade é Cristo, é Sua Palavra, é Sua doutrina! Paulo nos exorta: “Não deixem que o pecado reine sobre seu corpo, que está sujeito à morte, cedendo aos desejos pecaminosos” (Romanos 6:12). Leia Romanos 6:1-23; Colossenses 3:5 e Gálatas 5:16. Quem segue o “amor” anda na carne. O que é verdadeiramente livre anda no Espírito, e segue a Verdade em Amor (Efésios 4:15).


Uma teologia bibliocêntrica para uma fé cristocêntrica:

A “teologia do amor” — amor egoísta, hedonista, suscetível — fundamentada num falso “evangelho”, produz um tipo de “fé” que desencadeia nas sociedades inclusivas uma ética e uma moral relativista, uma vez que a Bíblia passa a ser reduzida e ressignificada para atender as demandas de uma clientela que procura satisfazer a carne.

A verdadeira Teologia busca compreender Deus como revelado na Escritura Sagrada. É partir deste conhecimento — ainda que limitado, uma vez que o Eterno não pode ser ‘dissecado’ — que se dá exclusivamente pela iluminação da mente pelo Espírito Santo (1 Coríntios 2:14), que o cristão desenvolve uma fé cristocêntrica e por ela norteia seu viver: seu fundamento é a Palavra, seu andar é segundo a direção do Espírito, seu modelo e alvo é Cristo. (Gálatas 5:16,25; Efésios 4:13; 1 Coríntios 11:1; Efésios 5:1; 1 Tessalonicenses 1:6; Filipenses 3:17)

Enquanto a pregação inclusiva produz uma “fé” centrada no homem, que legitima seus anseios carnais, a exposição fiel das Escrituras gera filhos de Deus (1 Pedro 1:23). Por isso que precisamos cada vez mais de uma teologia centrada na Bíblia, que esteja presente nos seminários, nos púlpitos, nas classes de EBD, nos lares e onde mais que a Palavra seja examinada e ensinada. Não é o tal “amor”, mas a proclamação do evangelho que contrapõe o mundo, que faz brilhar a luz na escuridão, e revela ao perdido a Verdade que liberta.


Reflita:

Os salvos não se orientam pela lógica da “ética do amor”, não se curvam ao padrão vigente na sociedade. Eles são guiados pelo Espírito e têm a Bíblia como sua regra de fé e prática. Não se amoldam ao mundo, mas andam de modo digno do Senhor. (Leia Filipenses 1:27; 2:25; Efésios 5:15; Colossenses 2:6)
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2 https://www.youtube.com/watch?v=3bmDnYNhuCY a partir do minuto 5. (acessado em 23 de maio de 2019)
4 Fontes de Pesquisas:
Iwata, Claudete Cristina. O Papel Legal do Gestor Imobiliário, página 52, Maringá-PR, UniCesumar, 2016.
5 Universalismo é a doutrina teológica que afirma que “todos os seres humanos, anjos e o próprio Satanás acabarão sendo salvos e desfrutarão eternamente do amor e da presença de Deus para sempre” (HORTON, p. 803). http://www.cpadnews.com.br/blog/cirozibordi/apologetica-crista/152/o-perigoso-universalismo-pregado-pelo-irmao-ed-rene-kivitz.html (acessado em 23 de maio de 2019)
6 Comunidade Batista SG. https://www.facebook.com/CBSG2/posts/601031470408765 (acessado em 23 de maio de 2019)