segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A RELIGIÃO DOS “AMANTES DE SI MESMOS”

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A RELIGIÃO DOS "AMANTES DE SI MESMOS"


Pr. Cleber Montes Moreira

"Porque haverá homens amantes de si mesmos…”
(2 Timóteo 3:2)


Enquanto o amor se esfria no mundo em decorrência da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12), o amor sincero, altruísta, um outro tipo de amor se estabelece cada vez mais como marca de uma geração corrompida e cada vez mais distante de Deus. Falo do amor ao qual se refere Paulo ao dizer que os homens dos “tempos trabalhosos” seriam “amantes de si mesmos”.

Este amor — amor egoísta, que busca saciar os deleites da carne — parece ser a força propulsora de uma apostasia da fé jamais vista na história. Ele move tanto aqueles que procuram os benefícios dos falsos evangelhos quanto os falsos profetas que providenciam meios para atender às demandas do mercado da fé. Os primeiros estão sempre em busca da cura, do milagre, do emprego, da prosperidade, de trazer de volta o amor que se foi, de desfazer algum “trabalho de macumbaria”, de legitimar seus pecados, e outros favores e vantagens, enquanto os últimos — movidos pelo mesmo amor — ofertam soluções e fazem promessas em troca do que lhes interessa, quase sempre o dinheiro, o poder e o status. É assim que por meio deste amor multidões com comichão nos ouvidos, não suportando a sã doutrina, constituem para si líderes segundo seus próprios interesses, os quais, por sua vez, e porque são carnais e não espirituais, passam a mercadejar a Palavra em benefício próprio (2 Timóteo 4:3; 2 Pedro 2:3; 2 Coríntios 2:17).

Aqueles que amam a si mesmos acabam se tornando “sologâmicos”, ou seja, casados consigo mesmos, com seus interesses e caprichos. Eles fazem juras de amor e prometem ser fiéis a si mesmos na busca da satisfação pessoal, muitas vezes ao custo da honra, da desconstrução da família, em detrimento dos interesses e bem-estar do próximo, e do afastamento de Deus.

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano; também nos arraiais evangélicos onde quase tudo converge para o homem. Basta uma análise simples das canções gospel, das mensagens proferidas por “encantadores de pecadores” (como chamo certos pregadores), e dos eventos que atraem multidões de “adoradores” para que se perceba onde está o foco. Nestas celebrações marcadas por rituais hedonistas, a adoração é dirigida ao (in)fiel — tudo é preparado para ele, para o seu prazer, para a sua exaltação.

Os profetas do engano são os ateus modernos: oportunistas de plantão, que falam em nome do Deus no qual eles mesmos não creem — porque se cressem teriam temor —, que usam a Bíblia apenas como pretexto e meio para conquistar a confiança dos incautos, que ostentam autoridade e poder espiritual, mas vivem na carne; ele são os “inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18,19).

Seja o helicóptero decolando de um heliponto de um mega templo em São Paulo, cheio de malas de dinheiro, a portinha de um templo de uma seita qualquer num bairro pobre, os frequentadores das correntes dos empresários, ou os pobres que procuram na religião alguma solução, parece que todos são movidos pelo mesmo amor que busca os próprios interesses.

O encontro dos “amantes de si mesmos” — de um lado os (in)fiéis que procuram um deus que corresponda aos seus desejos temporais, do outro os mercadores da fé que despudoradamente adéquam o evangelho aos anseios dos ouvintes — cria um ambiente favorável aos desvios, onde o amor-próprio passa a ser o fator gerador da apostasia da fé. Deste encontro de interesses (e interesseiros) que surge a necessidade de teologias moldáveis que correspondam às expectativas e contemplem a diversidade, que seja capaz de apresentar um deus serviçal, multiforme e representativo das mais diversas correntes de fé, de tradições e de comportamentos; um deus criado à imagem e semelhança dos homens. A Teologia da Prosperidade, o Evangelho Social, o Evangelho da Confissão Positiva, o Triunfalismo Gospel, a Teologia do Coaching, a Teologia Inclusiva (também chamada Teologia Queer e Teologia Gay) e outros desvios são apenas alguns dos meios pelos quais este deus se revela. Nada mais funesto, mais anticristão, que esta religião que fala de Deus, mas é, em sua essência, antropocêntrica — a religião dos “amantes de si mesmos”.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2020

NÃO POR FORÇA, NEM POR VIOLÊNCIA

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NÃO POR FORÇA, NEM POR VIOLÊNCIA

Pr. Cleber Montes Moreira

E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” (Zacarias 4:6)


Enquanto voltávamos de uma viagem missionária, alguns irmãos de nossa caravana davam seus testemunhos sobre suas experiências. Um dos evangelistas contou que ao abordar um homem, ouviu dele: “Se você continuar falando desse Jesus te dou um soco na cara!” O crente, calmamente, prosseguiu falando do Senhor e do plano de salvação quando, de repente, seu ouvinte lhe desferiu um soco no nariz. Ele abaixou sua cabeça e o sangue jorrou até o chão. Em instantes, levantou-se, ainda sujo, e continuou, mansamente, apresentando o evangelho. Enquanto ele ainda falava do grande amor de Deus, o homem violento não se conteve e começou a chorar. Arrependido, não só de sua violência, mas de seus pecados, aceitou a salvação oferecida e, pela noite, já estava na igreja junto a outros irmãos.

Ao recordar este depoimento, não somente penso na lição que ele nos ensina sobre a evangelização, mas também sobre o modo como resolvemos as coisas. O evangelista não respondeu rispidamente, mas teve uma postura branda, humilde, amorosa, que culminou no desarmamento de seu oponente. Muitas vezes queremos resolver as coisas com um espírito armado, do nosso jeito, “partindo pra briga”, impondo nosso modo ou opinião, e não funciona. Tudo que conseguimos é criar uma batalha desnecessária. Gastamos energia num esforço vão. Quem assim age não se faz vitorioso, mas derrotado.

Jesus nos ensinou uma regra importante: “Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas” (Mateus 5:38-41).

Zorobabel, governador de Judá, na época em que os primeiros cativos regressavam da Babilônia, recebeu de Deus a incumbência de reconstruir o templo, mas os inimigos do povo se levantaram para enfraquecê-lo e impedi-lo. Porém, o Senhor usou o profeta Zacarias para lembrá-lo de onde vem a verdadeira força e poder contra os opositores: “Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito”, disse o Senhor.

Quem se exalta, confia em suas próprias forças e usa de armas humanas não pode vencer certas batalhas. Mas quem se humilha debaixo da potente mão do Altíssimo e se faz dependente do Todo Poderoso tem vitória garantida. Não importa o que ousem seus inimigos, agindo Deus, quem o impedirá?

Como você age e reage diante de seus oponentes? Com que força e armas você luta suas batalhas? Sua resposta a essas perguntas dirá se você é vencedor ou perdedor. Pense nisso!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

ORAR PELOS INIMIGOS

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ORAR PELOS INIMIGOS


Pr. Cleber Montes Moreira

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus.” (Mateus 5:44)


Um escritor perguntou: “Qual foi a última vez que você orou por um inimigo?” Interceder por alguém que nos tenha por inimigo é algo quase inconcebível por mentes seculares, mas também, e infelizmente, por mentes ditas evangélicas. Ao contrário do que nos ensina a Bíblia, em seus sermões, letras de músicas e frases de efeito, o povo “gospel” revela sua sede incontrolada por “justiça” e triunfo contra seus adversários. A cultura do “queima ele, Senhor”, do “vou entregar fulano nas mãos de Deus”, do “Deus haverá de fazer justiça”, do inimigo “entre a plateia e você no palco” é crescente. A letra da música “Sabor de Mel” é uma boa ilustração deste sentimento nefasto.

Certa vez recebi, via rede social, a seguinte mensagem: “Que Deus dê vida longa a todos os nossos inimigos para que eles possam um dia aplaudir de pé a nossa vitória!” Alguém com este pensamento intercederia por seus inimigos? Creio que não! O desejo aqui exposto é de vingança, e não de amor.

Ao contrário deste comportamento, cada vez mais comum, Jesus nos ensina valores elevados, dentre os quais destaco: amar os inimigos, fazer bem aos que nos odeiam, bendizer os que nos maldizem, orar pelos que nos caluniam, ser longânime, benevolente, perdoar, exercer a misericórdia e fazer às pessoas tudo o que queremos que nos façam (Leia Lucas 6:27-37).

Quando oramos e adotamos uma atitude cristã diante dos adversários, além de darmos um bom testemunho, não somente temos a possibilidade de vermos suas vidas transformadas, mas, principalmente, o nosso coração é transformado e ficamos ainda mais parecidos com Cristo.

Lembre-se que nós vencemos não quando resistimos ou lutamos com nossas forças, mas quando oramos e agimos na dependência de Deus. Um coração verdadeiramente cristão não nutrirá o ódio nem o desejo de vingança, mas o amor incondicional, fruto da presença do Espírito Santo na vida do salvo.

“Qual foi a última vez que você orou por um inimigo?” Sua resposta, mais do que você imagina, dirá muito sobre quem você realmente é. Pense nisso!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

PERDOAR É POSSÍVEL

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PERDOAR É POSSÍVEL


Pr. Cleber Montes Moreira

Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai vos não perdoará as vossas ofensas.” (Mateus 6:14,15)


Em 22 de janeiro de 2016, a Missão Portas Abertas publicou em seu site uma nota sobre um cristão que foi atacado por militantes do Boko Haram, que invadiram sua casa na tentativa de decapitá-lo. A Organização, que apoia cristãos perseguidos ao redor do mundo, informou que Yakubu (nome fictício) sobreviveu por um milagre e foi capaz de perdoar seus agressores. Ao ler este relato, logo lembrei-me da última oração de Estêvão, que, ao ser apedrejado, intercedeu pelos seus perseguidores: “E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu” (Atos 7:60). Cultivar o perdão foi algo que Estêvão aprendeu com o Mestre, que do alto da cruz rogou: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lucas 23:34).

O caso de Yakubu e Estêvão não são fatos isolados. Há, na história do cristianismo, muitos outros relatos de cristãos que foram capazes de perdoar seus agressores, mesmo diante da morte iminente. O perdão é valor praticado e ensinado pelo Senhor. “E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores” (Mateus 6:12) deve ser para nós mais que uma frase decorada, mais que uma oração automatizada, deve ser um princípio de vida. E não importa o tamanho da agressão, o perdão será sempre maior que tudo. Uma calúnia, um desaforo, uma agressão física, uma traição… há quem tenha sofrido bem mais que isso, há quem tenha suportado dores bem mais terríveis e, mesmo assim, praticado o perdão. Perdoar não é uma obrigação, não é uma arte, não é uma ciência, perdoar é uma virtude, é um dom do Espírito.

Pense um pouco: Qual o maior perdão já praticado em toda a história da humanidade? Certamente o perdão de nossos pecados. Este perdão é fruto do amor divino, “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5:8), portanto, o segredo para perdoar é amar. Quanto mais amamos, mais perdoamos. Assim, se amarmos as pessoas como Cristo as ama, se colocarmos em prática o “amarás o teu próximo como a ti mesmo”, seremos capazes de perdoar. E quem nos capacita a amar e perdoar é o Espírito Santo; se Ele governa nossas vidas, perdoar é possível.