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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2020

A RELIGIÃO DOS “AMANTES DE SI MESMOS”

Imagem: Pixabay

A RELIGIÃO DOS "AMANTES DE SI MESMOS"


Pr. Cleber Montes Moreira

"Porque haverá homens amantes de si mesmos…”
(2 Timóteo 3:2)


Enquanto o amor se esfria no mundo em decorrência da multiplicação da iniquidade (Mateus 24:12), o amor sincero, altruísta, um outro tipo de amor se estabelece cada vez mais como marca de uma geração corrompida e cada vez mais distante de Deus. Falo do amor ao qual se refere Paulo ao dizer que os homens dos “tempos trabalhosos” seriam “amantes de si mesmos”.

Este amor — amor egoísta, que busca saciar os deleites da carne — parece ser a força propulsora de uma apostasia da fé jamais vista na história. Ele move tanto aqueles que procuram os benefícios dos falsos evangelhos quanto os falsos profetas que providenciam meios para atender às demandas do mercado da fé. Os primeiros estão sempre em busca da cura, do milagre, do emprego, da prosperidade, de trazer de volta o amor que se foi, de desfazer algum “trabalho de macumbaria”, de legitimar seus pecados, e outros favores e vantagens, enquanto os últimos — movidos pelo mesmo amor — ofertam soluções e fazem promessas em troca do que lhes interessa, quase sempre o dinheiro, o poder e o status. É assim que por meio deste amor multidões com comichão nos ouvidos, não suportando a sã doutrina, constituem para si líderes segundo seus próprios interesses, os quais, por sua vez, e porque são carnais e não espirituais, passam a mercadejar a Palavra em benefício próprio (2 Timóteo 4:3; 2 Pedro 2:3; 2 Coríntios 2:17).

Aqueles que amam a si mesmos acabam se tornando “sologâmicos”, ou seja, casados consigo mesmos, com seus interesses e caprichos. Eles fazem juras de amor e prometem ser fiéis a si mesmos na busca da satisfação pessoal, muitas vezes ao custo da honra, da desconstrução da família, em detrimento dos interesses e bem-estar do próximo, e do afastamento de Deus.

Mais que pelo entendimento errado das Escrituras, que pela falta de uma hermenêutica correta, a apostasia da fé deste tempo é fruto do amor que contempla os interesses pessoais, que alimenta a ganância, que coloca o ego como centro da adoração do sistema religioso humano; também nos arraiais evangélicos onde quase tudo converge para o homem. Basta uma análise simples das canções gospel, das mensagens proferidas por “encantadores de pecadores” (como chamo certos pregadores), e dos eventos que atraem multidões de “adoradores” para que se perceba onde está o foco. Nestas celebrações marcadas por rituais hedonistas, a adoração é dirigida ao (in)fiel — tudo é preparado para ele, para o seu prazer, para a sua exaltação.

Os profetas do engano são os ateus modernos: oportunistas de plantão, que falam em nome do Deus no qual eles mesmos não creem — porque se cressem teriam temor —, que usam a Bíblia apenas como pretexto e meio para conquistar a confiança dos incautos, que ostentam autoridade e poder espiritual, mas vivem na carne; ele são os “inimigos da cruz de Cristo, cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3:18,19).

Seja o helicóptero decolando de um heliponto de um mega templo em São Paulo, cheio de malas de dinheiro, a portinha de um templo de uma seita qualquer num bairro pobre, os frequentadores das correntes dos empresários, ou os pobres que procuram na religião alguma solução, parece que todos são movidos pelo mesmo amor que busca os próprios interesses.

O encontro dos “amantes de si mesmos” — de um lado os (in)fiéis que procuram um deus que corresponda aos seus desejos temporais, do outro os mercadores da fé que despudoradamente adéquam o evangelho aos anseios dos ouvintes — cria um ambiente favorável aos desvios, onde o amor-próprio passa a ser o fator gerador da apostasia da fé. Deste encontro de interesses (e interesseiros) que surge a necessidade de teologias moldáveis que correspondam às expectativas e contemplem a diversidade, que seja capaz de apresentar um deus serviçal, multiforme e representativo das mais diversas correntes de fé, de tradições e de comportamentos; um deus criado à imagem e semelhança dos homens. A Teologia da Prosperidade, o Evangelho Social, o Evangelho da Confissão Positiva, o Triunfalismo Gospel, a Teologia do Coaching, a Teologia Inclusiva (também chamada Teologia Queer e Teologia Gay) e outros desvios são apenas alguns dos meios pelos quais este deus se revela. Nada mais funesto, mais anticristão, que esta religião que fala de Deus, mas é, em sua essência, antropocêntrica — a religião dos “amantes de si mesmos”.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

“TODO AMOR É SAGRADO”?

Imagem: Pixabay

“TODO AMOR É SAGRADO”?




Pr. Cleber Montes Moreira


Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor (João 15:10 — ACF)


Em seu perfil no Facebook uma igreja inclusiva divulgou uma imagem com a seguinte frase: “Todo amor é sagrado”. Certamente que do ponto de vista desta sociedade decadente, amoldada ao “politicamente correto”, onde o principal valor é “seguir a voz do coração”, esta é uma afirmação muito bonita e suave aos ouvidos. Nada mais encantador que um discurso que versa sobre amor, principalmente se este for um discurso religioso, proferido em nome de Deus e tendo como base algum texto (por pretexto) das Escrituras. Não é sem motivo que atualmente este seja o tema predileto dos profetas do engano.

Será mesmo verdadeira a afirmação de que “todo amor é sagrado”? Esta pergunta deve ser respondida com base na Palavra de Deus, a regra de fé e prática de qualquer cristão autêntico, fora da qual não há nenhuma base confiável e normativa para a vida cristã. A Bíblia é inerrante e suficiente; não há outra fonte de revelação digna de total confiança, e por isso nenhuma outra palavra poderá substituir ou ser colocada em igualdade com a Palavra da Verdade. É nela que conhecemos o amor do Pai, bem como, por meio deste perfeito amor, somos chamados e ensinados sobre o modo como devemos amar a Deus e ao próximo.

Jesus nos adverte: “Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor” (João 15:10 — ACF). Por meio de João, o Pai nos fala:“E nisto sabemos que o conhecemos: se guardarmos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu conheço-o, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade. Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele. Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou” (1 João 2:3-6 — ACF). O texto sagrado afirma que quem realmente conhece a Deus é aquele que guarda os seus mandamentos, que naquele que guarda a Sua Palavra (ensinos/mandamentos) o amor de Deus é aperfeiçoado, e que quem permanece verdadeiramente nele é aquele que anda como Ele (Jesus) andou.

Está claro que não existe amor puro, verdadeiro, que exclua a necessidade de obediência aos mandamentos de Deus explícitos na Bíblia. O critério do amor é este: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra…” De outro modo,Quem não me ama não guarda as minhas palavras (João 14:23,24 — ACF). Assim percebemos que é impossível amar verdadeiramente sem antes amar a Deus, pois é o amor de Deus em nós que nos faz obedecer à Sua Palavra, que rege nossas vidas, incluindo, é claro, nossos relacionamentos. Qualquer amor que despreze os ensinos bíblicos, que relativize princípios e valores, ou que para se estabelecer necessite reinterpretar ou ressignificar as Escrituras está longe de ser amor verdadeiro.

O “evangelho paz e amor” pode ser muito agradável, mas não se engane, ele não é o poder de Deus para salvar, mas a mentira do diabo para enredar pessoas. Este amor celebrado pela religião inclusiva exalta a carne, autoriza o pecado e em nada opera para o bem; trata de um amor corrompido, hedonista, reprovado por Deus, que escraviza, que desonra corpos… nada mais é que um sentimento egoísta travestido de amor. É o amor daqueles que se desviaram da fé, conforme Paulo já nos adivertiu: “Porque haverá homens amantes de si mesmos…” (2 Timóteo 3:2 — ACF).

Nada que esteja fora do padrão estabelecido por Deus em Sua palavra pode ser chamado de “sagrado”, nem mesmo aquilo que muita gente insiste em chamar de “amor”. Pense nisso!

quarta-feira, 6 de novembro de 2019

Vidas cheias de poder

Imagem: Pixabay


Vidas cheias de poder



Pr. Cleber Montes Moreira


E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo…” (Atos 2:2-4)


A Bíblia não diz que houve vento nem fogo, mas um som como que de um vento, e línguas que se pareciam com labaredas de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. Mesmo diante da clareza do texto, alguns não conseguem compreendê-lo.

É notório que muitos estão em busca dos sinais, do “extraordinário” de Deus, e não do próprio Deus, desprezando assim o importante: uma vida transformada, submissa e cheia do Espírito Santo. Esta busca insensata leva a enganos e produzi frustrações.

Conheci um homem que abandonou sua igreja e foi para outra em busca de uma experiência extraordinária: ele queria ser “batizado com o Espírito Santo”. Ficou por lá algum tempo, sempre orando, jejuando, e fazendo o que achava ser necessário para que seu sonho fosse realizado: queria falar em línguas, profetizar, e fazer outras coisas que somente pessoas “batizadas com o Espírito Santo” faziam. Enquanto se esforçava, observava algumas vidas “cheias de poder” por meio das quais deus — porque não poderia ser Deus — realizava grandes “sinais e maravilhas”: o pastor estava em adultério, alguns líderes eram maus pagadores, outros crentes tinham vida dúbia. Um dia ele pensou: “Isso não pode ser obra divina”. Após concluir que aquelas manifestações eram apenas encenações, aquele irmão, arrependido, me procurou chorando. Orei com ele e o aconselhei a procurar seu antigo pastor e a retornar para a igreja da qual havia saído.

Aquele crente jamais falou em “línguas”, nunca “curou” alguém pela imposição de suas mãos, nunca recebeu nenhuma nova “profecia”, nem realizou algum outro sinal, porém, ao estudar sua Bíblia transformou-se num excelente crente e num ótimo evangelista. Ele descobriu que não precisava falar na “língua dos anjos”, mas comunicar o evangelho na língua dos homens (v. 8), e o Espírito o revestiu de poder para isso.

Há muita gente procurando “vento” e “fogo” como evidência da manifestação do Espírito Santo, no entanto, certos fenômenos e certas demonstrações de poder podem vir de outras fontes:“Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos”; “Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (Mateus 24:24; 2 Coríntios 11:13,14 — grifos do autor).

O Pai da mentira e seus servos podem realizar “grandes sinais e prodígios”; podem enganar a muitos produzindo coisas extraordinárias, mas sua obra não resistirá à prova.

Vidas cheias de poder são as que verdadeiramente pertencem e se sujeitam ao Espírito de Deus, as demais, independente de suas realizações, são vidas vazias. Pense nisso!

segunda-feira, 4 de novembro de 2019

Um Alerta Sobre a “Igreja do Todo-Poderoso”



Pr. Cleber Montes Moreira


Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito.” (Mateus 24:23-25)


Faz algum tempo que venho recebendo solicitações de contas suspeitas no Facebook. Ao examinar mais atentamente percebi que vários perfis usam fotos fakes, que alguns talvez sejam robôs, e que muitos de meus contatos já foram adicionados por vários deles. Tentei por diversas vezes dialogar com alguns desses solicitantes, porém só consegui falar com um que parecia usar algum tradutor, ou que talvez fosse apenas uma inteligência artificial. A maioria desses perfis são de Portugal ou da China. Hoje, examinando mais cuidadosamente, e avaliando um link compartilhado por um amigo num grupo de Whatsapp onde expus o assunto, identifiquei que são perfis de seguidores (ou robôs) de uma seita intitulada “Igreja do Todo-Poderoso”.

A “Igreja do Todo Poderoso”, também denominada “Relâmpago do Oriente” foi estabelecida na China em 1991, ano em que acreditam ter ocorrido a segunda encarnação de Jesus. Embora haja controvérsias, segundo fontes do governo chinês a seita já conta com cerca de 3 a 4 milhões de membros. No site “Kingdom Salvation”, mantido pela seita, na aba “Sobre Nós”, lemos:
A Igreja de Deus Todo-Poderoso surgiu por causa da aparição e da obra de Deus Todo-Poderoso — o Senhor Jesus retornado — Cristo dos últimos dias e também sob Seu justo julgamento e castigo. A igreja é composta por todos os que verdadeiramente aceitam a obra de Deus […].1

No site Gospel Prime há uma matéria muito boa sobre a seita, de onde extraí o parágrafo abaixo:
Esta seita com estranhos ensinamentos surgiu no início da década de 1990. O professor de física Zhao Weisha uniu-se a Yang Xiangbin, que havia escrito o livro “Trovão do Oriente”, uma espécie de “versão chinesa” da vida de Cristo. E mais, Xiangbin afirma ser nada menos que a reencarnação de Jesus. Os dois hoje vivem em Nova York, após pedirem asilo diplomático aos EUA.2

O nome da seita foi escolhido com base em Mateus 34:27, que diz: “Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem” (Mateus 24:27). Neste mesmo texto eles fundamentam seu ensino, o de que Jesus já regressou à Terra, na China (oriente), agora como mulher, encarnado em Yang Xiangbin.

O movimento é considerado pelo Governo Chinês como uma “seita maligna” e acusada de vários crimes, incluindo o assassinato de Wu Shuoyan, 37 anos, que foi espancada até a morte dentro de um McDonald’s na cidade de Zhaoyuan, província de Shandong. Tais acusações são negadas pela “igreja”, bem como tidas por alguns pesquisadores como falsas ou exageradas.

Os princípios básicos sobre os quais as crenças da Igreja do Todo-Poderoso se baseiam podem ser lidos no site “Kingdom Salvation”, neste link: https://pt.kingdomsalvation.org/about-us-question-06.html.

Há muitas informações desencontradas sobre esta seita, mas creio que os sites mantidos pelo movimento são preciosas fontes de recursos para investigação. Enquanto rascunhava este texto, encontrei na página da “Igreja Quinta do Conde” (Portugal), algumas informações valiosas. Acesse o link e leia: https://iqc.pt/13507-24-04-2018-cuidado-com-seita-que-da-pelo-nome-de-igreja-de-deus-todo-poderoso-ou-raio-oriental

Este texto não consiste num estudo sobre a “Igreja do Todo-Poderoso” e suas doutrinas, mas um alerta sobre como seus membros (ou robôs) militam nas redes sociais, adicionando pessoas com o objetivo de estabelecer contatos para disseminação de suas heresias. Ao receber solicitação de algum desconhecido avalie criteriosamente. Observe se a foto usada no perfil não é fake, e verifique o teor das postagens. Se tiver dúvidas não adicione, pois certamente enviarão solicitações também para seus contatos. Sugiro ainda que você altere as configurações de seu Facebook para impedir que outros postem em sua timeline, para evitar aborrecimentos. Tive que tomar esta providência por causa de assuntos políticos.

Qualquer outra informação sobre o assunto, compartilhe comigo. Desde já grato.


Fontes de Pesquisa:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Igreja_de_Deus_Todo-Poderoso
https://pt.kingdomsalvation.org/about-us.html
https://www.gospelprime.com.br/seita-jesus-reencarnou-mulher-chinesa/
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/27/internacional/1501166544_951410.html

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1 https://pt.kingdomsalvation.org/about-us.html
2 https://www.gospelprime.com.br/seita-jesus-reencarnou-mulher-chinesa/

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

“MAIS AMIGOS DOS DELEITES DO QUE AMIGOS DE DEUS”

Imagem: Pixabay

“MAIS AMIGOS DOS DELEITES DO QUE AMIGOS DE DEUS”



Pr. Cleber Montes Moreira


Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus.” (2 Timóteo 3:4 — grifos do autor)



Os homens dos tempos trabalhosos serão “philédonoi mallon he philótheoi”, “mais amigos dos deleites do que amigos de Deus” (ACF). Algumas versões trazem “mais amigos dos prazeres do que amigos de Deus”. Trata-se de um “prazer amoroso” pelas coisas carnais, um hedonismo exacerbado como característica da sociedade dos últimos tempos. Sendo o hedonismo a busca incessante e descontrolada pelo prazer como bem supremo, podemos considerá-lo como a doutrina que rege a vida dos “amantes de si mesmos”, uma vez que este amor egoísta os leva à busca inconsequente de seus desejos em detrimento do amor a Deus. Eles procuram satisfazer a carne e desprezam as virtudes da vida com Cristo; amam mais as trevas que a luz (João 3:19), colocam seus corações nos tesouros temporais (Lucas 12:34; 18:23), se deleitam na luxúria, e seu deus é o próprio ventre (Filipenses 3:19).

Infelizmente este comportamento está presente — e cada vez mais intensamente — também no meio religioso. Muitos trocam a leitura e o estudo da Palavra de Deus, a EBD, a participação nos cultos públicos e reuniões da igreja pelas novelas, futebol, festas, eventos, compromissos seculares adiáveis etc. Até o culto tem sofrido transformações para agradar aos homens, uma vez que certas igrejas adotam expedientes com o intuito de atrair pessoas e vencer a concorrência. Certa vez ouvi sobre o que um pastor disse a um colega convidado para pregar em sua igreja, logo após uma performance carnal de um grupo local e antes da mensagem: “O que a gente não faz para segurar os jovens na igreja?!” Ora, crentes carnais, “mais amigos dos prazeres que amigos de Deus”, querem uma igreja e um evangelho que lhes satisfaça a carne; não se interessam em prestar um culto bíblico, mas em servir a si mesmos. Neste contexto só há louvor ao “deus de promessas”, ao “deus de milagres”, ao deus de livramentos, ao deus que cura, ao deus que ‘faz a minha vontade’, ao que ‘me dá prazer’ e ao que ‘me faz feliz’. Eis o motivo principal porque a exposição bíblica está sendo substituída por sermões de autoajuda, a teologia tradicional pela teologia da prosperidade, pela teologia do coaching, pela confissão positiva e outras coisas — para entreter os bodes! O evangelho, o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16), deu lugar a outro evangelho que consiste em estratégia diabólica para contemplar pessoas em busca de prazer, entretenimento, empoderamento etc. Este “evangelho”, para que cumpra seu propósito, é empacotado sob medida.

Paulo, nesta mesma carta, desabafou: “Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica” (2 Timóteo 4:10). Amar o presente século é amar o mundo e o que nele há, o que constitui em inimizade contra Deus (Tiago 4:4). Demas não apenas abandonou Paulo, mas revelou onde estava seu coração. Nas igrejas há muitos Demas; cedo ou tarde eles revelarão seu interesse pelo mundo.

Por que Judas traiu a Jesus? Por que Ananias e Safira intentaram mentir contra o Espírito Santo? Por que Alexandre, o latoeiro, causou tantos males a Paulo? Por que Simão, que antes exercia artes mágicas, ofereceu dinheiro em troca de poder? Por que, entre os que se dizem crentes, muitos já não demonstram amor sincero pelo Senhor? Por que líderes que deveriam anunciar a Palavra corrompem a pregação? Por que “adoradores” cobram altos cachês? Por que certos crentes pulam de igreja em igreja em busca de novidades ou algo que lhes satisfaça? Porque seus corações estão colocados nas coisas terrenas, em valores temporais, em ambições e interesses egoístas, porque são mais amigos dos deleites que amigos de Deus.

Onde colocamos nosso coração revela qual é a nossa natureza e a quem pertencemos. Pense nisso!

quarta-feira, 2 de outubro de 2019

“NOSSA RELIGIÃO É O AMOR”: A ESTRATÉGIA DO DIABO PARA ENREDAR PESSOAS

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.” (Romanos 5:10)


Pastores lacradores gostam de usar frases de efeito. Esses dias um deles escreveu um texto cheio de expressões da Teologia Inclusiva e, dentre outras coisas, afirmou: “Nossa religião é o amor”. Esta mesma afirmação já foi feita por outros evangélicos, mas também por médiuns, filósofos e até ateus. Um twitteiro postou: “Minha religião é o amor, e eu não sigo regras, sigo meu coração.” Uma blogueira escreveu: “Faça do amor também sua religião!” Num texto de exaltação a Santa Sara Kali (padroeira dos ciganos), o articulista escreveu: “Sabiamente seus seguidores ensinam ‘Nossa religião é o Amor!’, pois a felicidade destas pessoas é viver sem prisões ou rótulos…” Um pastor inclusivo, já falecido, num de seus sermões declarou: “Nossa igreja é a igreja do amor”. Um outro acaba de lançar um livro em que apresenta o amor como “uma atitude política revolucionária”, onde trata da ética a partir desse “amor” e não da Palavra de Deus, pelo menos não a partir de sua interpretação tradicional. Esses pastores consideram que é preciso “romper com o tradicionalismo moralístico envernizado de fé cristã”, modo como tratam a fé daqueles que consideram “tradicionalistas”, “moralistas”, “intolerantes” etc. Tudo o que se opõe ao discurso do “amor” é considerado como expressão de ódio. Eles dizem que “o amor é libertário”, porém tal “liberdade” nada mais é que permissividade, uma vez que este “amor” tudo consente. Prova disso é o que afirma Alexandre Feitosa em seu livro “O Prêmio do Amor” (Editora Oásis), páginas 41 e 42: “Não há argumentos que tornem ilegítimas as uniões homoafetivas diante das Escrituras visto que contra o amor não há lei!” Assim a “religião do amor” é a religião do “tudo pode” — desde que feito com ou por “amor” —, daqueles que “convertem em dissolução a graça de Deus” (Judas 1:4).

Considerando a etimologia da palavra religião, afirmar que “nossa religião é o amor” significa dizer que o homem é (re)ligado a Deus pelo “amor”, ou, pelo menos, pelo que consideram ser o “amor”. Assim o “amor” é tido como elemento que viabiliza a salvação. Talvez por isso certo pregador tenha dito que se alguém é capaz de amar, não importando se religioso ou ateu, nem a sua condição moral etc., esta pessoa está salva. Em outras palavras, se alguém é capaz de amar, mesmo que não confesse Cristo como seu Senhor e Salvador, mesmo que não tenha a experiência do arrependimento e do novo nascimento, e ainda que não viva orientado pelo Espírito de Deus (Lucas 3:8; Gálatas 5:16) está salvo. Apesar de condenarem o “tradicionalismo”, os pregadores inclusivos seguem uma nova (mas antiga) tradição que como o religiosismo judaico invalida as Escrituras: “Vocês estão sempre encontrando uma boa maneira para pôr de lado os mandamentos de Deus, a fim de obedecer às suas tradições!” (Marcos 7:9 — NVI).

Porque no discurso e na prática os teólogos inclusivos consideram a suficiência do amor para (re)ligar a pessoa a Deus, Jesus Cristo passou a ocupar em sua teologia um lugar “estético”, de coadjuvante, muitas vezes exercendo papel de defensor dos “excluídos”. Eles não somente desprezam o Salvador e recusam o evangelho genuíno como único poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16), mas também a Bíblia como normativa para a vida cristã por considerarem certos textos “opressores” ou “interditivos”.

O verdadeiro amor é fruto da vida com Deus, e não instrumento de salvação. Jesus Cristo continua sendo, e sempre será, o único nome, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos (Atos 4:12). Apenas Ele tem o poder para reconciliar — (re)ligar — o homem com Deus (Romanos 5:10). Portanto, dizer que “nossa religião é o amor” pode até ser um discurso bonito, mas é estratégia do diabo para enredar pessoas. Pense nisso!

terça-feira, 1 de outubro de 2019

PASTORES NO ARMÁRIO

Imagem: Pixabay

Os pastores (e outros líderes) inclusivos que ainda não “saíram do armário”, por causa de sua dissimulação — muitos até travestidos de conservadores —, são um enorme perigo porque que agem de modo articulado e estratégico, quase que imperceptivelmente, para desconstruir valores e apresentar às suas igrejas, por meio de um discurso suave e “contextualizado”, um “evangelho” palatável e adequado às suas convicções e intenções sórdidas.



PASTORES NO ARMÁRIO



Pr. Cleber Montes Moreira

Tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder.” (2 Timóteo 3:5 — NVI).


A expressão “sair do armário” é tradução da gíria americana “come out of the closet”, que teria surgido a partir de outras duas expressões. Nos séculos 19 e 20, “come out” (“sair”, “surgir”, “se revelar”) era usado quando os pais organizavam os famosos bailes de debutantes que serviam para apresentar as adolescentes à sociedade. Era nestas festas de quinze anos que as meninas “se revelavam” adultas. Já a expressão “skeletons in the closet” (“esqueletos no armário”) era usada como sinônimo de algum segredo vexaminoso. Foi assim que “come out of the closet” passou a ser uma metáfora para aqueles que assumiam a homossexualidade, ou, como se diz hoje em dia, a sua “orientação sexual” ou “identidade de gênero”.

Creio que “sair do armário” seja uma expressão também adequada para ser usada em relação àqueles que resolveram sair do “armário teológico”, ou seja, abandonaram a teologia conservadora e as interpretações bíblicas históricas e assumiram publicamente outras convicções. Muitos líderes e autoridades religiosas — teólogos, pastores, padres etc. — têm trocado a fé tradicional pela chamada Teologia Inclusiva. Adotaram um novo posicionamento em relação a temas como pecado, arrependimento, novo nascimento, amor, justiça etc., e passaram a sustentar um discurso complacente em relação a certos valores e comportamentos. Algumas práticas antes consideradas pecaminosas agora são aceitas como sendo normais, dentre elas comportamentos (ou “orientações”) sexuais alternativas ao padrão tradicional. Para fundamentar “biblicamente” tais padrões resolveram ignorar, revisar ou ressignificar certos textos bíblicos e estabeleceram uma nova hermenêutica em que a Bíblia passou a ser interpretada não mais a partir da perspectiva de Seu Autor, mas das experiências, anseios e conveniências humanas. Eles passaram a fazer a “leitura pública da Bíblia” que consiste em sua interpretação a partir de certos grupos sociais: LTGBTs, mulheres (feministas), negros, indígenas e outros, sempre tratando de adequar os “mandamentos” às suas demandas. Certos textos, principalmente dentre os escritos paulinos, passaram a ser considerados “interditivos” de mulheres e homossexuais. Por esta nova leitura a Palavra de Deus deixou de ser normativa, e assumiu posição de submissão à Teologia Inclusiva para servir às suas finalidades.

Estes pastores que saíram do armário teológico, porque adotaram uma postura “politicamente correta” têm encontrado espaço na mídia e atraído multidões. Para os pecadores nada melhor que este “evangelho” que ao mesmo tempo em que autoriza o viver na carne aplaca suas consciências em relação a Deus. É como se a Nicodemos não tivesse sido dito “que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3), nem à mulher adúltera “vai-te, e não peques mais”, (João 8:11), ou que João Batista e Jesus não tivessem iniciado seus ministérios com uma exortação ao arrependimento (Mateus 3:3; 4:17), ou ainda que não houvesse nas Escrituras nenhuma exigência à santidade, porque à luz desta teologia, como seus expoentes ensinam, o único pecado é “não amar”.

Muitos pastores que têm saído do armário teológico expõem suas ‘convicções inclusivas’ a partir de seus púlpitos e por meio de todas as mídias possíveis; escrevem livros, promovem congressos e festivais, criam páginas e blogs onde publicam seus textos, coordenam movimentos etc. Geralmente investem e conseguem exercer grande influência sobre os mais jovens. Por isso muitas igrejas com perfil histórico se desviaram da Sã Doutrina, se desligaram ou foram desligadas de suas denominações, e passaram a interagir com outras igrejas e movimentos inclusivos. Outras ainda estão no rol de denominações históricas, mas sem compromisso doutrinário e teológico. É o caso de algumas igrejas onde pastores inclusivos, LGBTs, teólogos feministas, defensores do aborto, dentre outros, têm trânsito livre para pregar e ensinar.

Apesar da naturalidade como alguns pastores estão “saindo do armário” — de fato perderam a vergonha —, há outros que, mesmo abraçando tais convicções, não tiveram, ainda, a mesma coragem. Eles continuam no “armário teológico”. Alguns, talvez, estejam também naquele outro “armário”. Sei de pastores que não tendo assumido publicamente a Teologia Inclusiva procuram se cercar de ministros auxiliares (indicados por eles mesmos) e líderes inclusivos. Alguns encenam uma performance conservadora, porém agem sutilmente por meio de seu corpo de líderes para perverter a doutrina e desviar suas igrejas — tudo é uma questão de tempo. Por que eles continuam no armário? Talvez não haja uma única resposta, mas, provavelmente, por alguma conveniência ainda não tenham “se revelado”: porque estão numa zona de conforto, pastoreando boas igrejas e ganhando ótimos salários; porque ocupam cargos denominacionais e fazem de sua posição instrumento de militância (ainda que velada); porque não querem se indispor com líderes conservadores na igreja ou denominação; porque “ainda não é hora”; ou por outros motivos.

Os pastores (e outros líderes) inclusivos que ainda não “saíram do armário”, por causa de sua dissimulação — muitos até travestidos de conservadores —, são um enorme perigo porque que agem de modo articulado e estratégico, quase que imperceptivelmente, para desconstruir valores e apresentar às suas igrejas, por meio de um discurso suave e “contextualizado”, um “evangelho” palatável e adequado às suas convicções e intenções sórdidas. Tenham cuidado, “pois certos homens, cuja condenação já estava sentenciada há muito tempo, infiltraram-se dissimuladamente no meio de vocês. Estes são ímpios, e transformam a graça de nosso Deus em libertinagem e negam Jesus Cristo, nosso único Soberano e Senhor” (Judas 1:4 — NVI).

quinta-feira, 25 de julho de 2019

RÁPIDAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O “DESCONVITE” DE DOIS PRELETORES DO DESPERTAR 2019




Pr. Cleber Montes Moreira


Estes foram dias tumultuados e de troca de ofensas nas redes sociais em virtude do desconvite, pela direção da CBB, de dois preletores do Congresso Despertar 2019. De modo irresponsável, leviano e maldoso, a Convenção Batista Brasileira foi atacada, rotulada de racista, e crentes conservadores afrontados. Sobre o ocorrido faço alguns destaques:

1) A Convenção Batista Brasileira não é racista: não pratica, nem incita o racismo. A prova disso é que vários negros ocuparam ao longo da história, e ocupam ainda hoje, cargos na denominação. Inclusive o atual Secretário Geral da CBB é negro. Portanto, esta acusação nada mais é que discurso vitimista de discordantes que querem denegrir a imagem da denominação.

2) O erro cometido pela CBB foi o de não acompanhar de perto o planejamento do Despertar 2019, principalmente no que diz respeito aos convidados, o que teria evitado este transtorno. O desconvite foi um mal necessário.

3) A Convenção Batista Brasileira defende a liberdade religiosa, bem como todas as liberdades, mas ela é confessional e não pode se curvar perante discursos que contrariam suas convicções firmadas na Palavra de Deus. Se outros grupos e/ou pessoas têm outros entendimentos sobre certos temas, que tratem deles em ambiente próprio, e não no seio da denominação.

4) O tema “racismo” é pertinente e deve ser tratado, porém a denominação não deverá fazê-lo motivada por forças alinhadas a movimentos políticos, liberais e heréticos, mas à luz das Sagradas Escrituras.

5) A Convenção Batista Brasileira não pode se render a grupos liberais e nem ceder aos discursos que tentam impor “novos diálogos” sobre assuntos para os quais os batistas já têm posição formada, tais como feminismo, aborto, ideologia de gênero etc.

6) Os eventos da denominação não podem ser palco de discursos políticos/ideológicos. Eles são criados para edificar o povo batista, e não para que se constituam em palanques.

7) Os desconvidados, ainda que pese a deselegância do convite (coisa que poderia ser evitada, como já dito acima), declaram posições que ferem as convicções dos batistas da CBB e, por isso, a decisão foi, ainda que deselegante, acertada.

8) O protesto que desencadeou o desconvite partiu de muitos batistas brasileiros inconformados, cujas vozes foram ouvidas pela direção da denominação. Entre os que se manifestaram publicamente estão o Pr. Eduardo Baldaci, cujo nome foi bombardeado nas redes sociais, o pastor João Marcos Mury Aquino, e tantos outros que receberam críticas impiedosas por manifestarem sua opinião. As acusações contra eles pesam sobre todos os que zelam pela Sã Doutrina. Estes protestos foram um movimento natural e em defesa da fé, não um movimento político.

9) É ainda importante notar que muitos que criticaram a postura da denominação já se posicionaram contra a CBB no passado, por causa do desligamento da Igreja Batista do Pinheiro que, em sua legítima liberdade, resolveu seguir seu curso doutrinário distinto da CBB.

10) Muitos dentre os críticos da CBB proclamam discursos que defendem uma nova hermenêutica, a partir das pessoas e não da Bíblia, a ressignificação da Palavra de Deus (por causa de textos que dizem ser “interditivos”), a reimaginação da igreja e uma “descolonização” que nada tem a ver com liberdade, dentre outras heresias. Em sua liberdade já escolheram seu “evangelho” e seu caminho. Que façam uso de sua liberdade, e que respeitem a liberdade dos que pensam diferente. A CBB não caminha na onda do liberalismo teológico, mas tem a Palavra de Deus como seu norte.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

Doutrinas de demônios

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência.” (1 Timóteo 4:1,2 grifo do autor)



Eis que recebo, bem cedinho, dentre outras, uma mensagem de “Bom Dia” daquelas que estragam o dia, a não ser pela graça de Deus que dá calma suficiente, mas permite o senso de indignação. Com uma bela imagem ao fundo, o texto diz:
Deus investiu tanto em você porque só Ele sabe realmente o valor que você tem. Ele planejou você para um propósito especial que só você poderá realizar. Acredite, você é o melhor de Deus. Bom dia.

Antes um colega compartilhou, indignado, um link de um vídeo de um jovem pastor que num sermão exaltava o homem como o “centro”. Sim, o pregador ousou afirmar isso im-pu-do-ra-da-me-nte!
Você é o centro de tudo isso que vou dizer agora (…). Você é o centro dessa palavra (…). Jesus é o centro, da Bíblia Jesus é o centro, do evangelho Jesus é o centro, mas de Jesus, você é o centro, do coração de Jesus, você é o centro…1

Noutra ocasião já havia dito:
Quando se trata de você, você é o ponto fraco de Deus.
Talvez tenha aprendido isso nos livros de autoajuda que afirmou ter lido. É Provável que alguns pensem na divindade como não tendo sentido algum sem o “centro” (você).

Penso em João Batista, Paulo, Pedro, João e outros apóstolos sobre como consideravam a si mesmos: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (João 3:30); “Miserável homem que eu sou…”; “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal”; “Mas de nada faço questão, nem tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus” (Romanos 7:24; 1 Timóteo 1:15; Atos 20:24); “Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem” (Atos 10:26). Nenhum deles se considerou como o “centro”, e nenhum deles ensinou que “você é o centro”, antes viveram para exaltar Aquele que é sobre tudo e todos, Criador e Sustentador de todas as coisas (Colossenses 1:15-17; Romanos 11:36).

Outro dia, ao entrar na página de uma igreja visualizei em destaque este convite:
Atenção! Você tem a chance de ser contratado pela Sony Music! Vai acontecer o festival de música gospel e você não pode ficar fora dessa. Faça agora sua inscrição pelo site*** venha adorar a Deus e ainda ser reconhecido pelo seu talento.

Destaco: “Venha adorar a Deus e ainda ser reconhecido pelo seu talento.” Nada pode ser pior que uma adoração interesseira, que a busca por uma relação com Deus visando dividendos. Isso nada mais é que amar a si mesmo, que se colocar como o centro de tudo, que fazer de Deus um mero serviçal.

Nada novo debaixo do sol! Não é de hoje que o evangelho se tornou para muitos um recurso de empoderamento humano. Sermões, palestras e canções com temas antropocêntricos, treinamento coach visando alcançar sucesso temporal, e outros recursos focados no homem são apenas alguns dentre tantos elementos deste evangelho humanista.

Que não sejamos seduzidos por mensagens supostamente bíblicas que afagam os ouvidos, que atraem multidões e enchem o inferno, pregadas por “homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência”, pois elas são “doutrinas de demônios”.

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1 https://www.youtube.com/watch?v=sk0i09fYKSM (acessado e 06 de junho de 2019)

sexta-feira, 3 de maio de 2019

A Mensagem Inclusiva e a Mentira do Universalismo



Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna… Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16,18)


A Palavra de Deus pode ser relativizada ou ressignificada? As doutrinas cristãs podem se adequar ao tempo, às tradições e culturas? A Bíblia deve ser lida e interpretada de acordo com as necessidades, anseios, culturas e lutas dos povos ou de certas minorias? A igreja precisa ser ‘reimaginada’ para se conformar ao contexto social? Temas como pecado e arrependimento podem ser relativizados? Deus muda? Os valores do evangelho mudam? O diabo e seus operários tentam nos convencer destas possibilidades, porém, conservando um espírito bereano, devemos a cada dia examinar as Escrituras para não sermos enganados por falsários da Palavra (Atos 17:11), e colocarmos tudo à prova (1 João 4:1). É o que faremos em relação ao tema deste estudo.


A heresia do universalismo e a ressignificação das Escrituras:

Conforme matéria publicada no site JM Notícias, em 29 de abril de 2019, intitulada “Igreja Anglicana do DF celebra primeiro casamento gay”, o líder daquela igreja, o bispo Maurício Andrade, teria dito: “A revelação da Bíblia foi em um contexto, uma realidade que a gente precisa atualizar.”1 O pastor David Wilkerson certa vez disse: “Deus nos ajude a nunca suavizar o seu evangelho”, entretanto, é exatamente isso que os adeptos da Teologia Inclusiva, propagadores do universalismo, têm feito: eles apresentam uma interpretação bíblica baseada numa “nova hermenêutica”, em que textos são ressignificados para dar suporte às suas heresias. Quando não conseguem ressignificar alguma passagem bíblica, argumentam que foi escrita para certa época, ou que é fruto de uma cultura machista, patriarcal, opressora etc. Alguns textos, principalmente dentre os escritos por Paulo, são chamados de “textos de interdição” porque, segundo eles, interditam mulheres e LGBTIs. Se não concordam com a Palavra de Deus, a ressignificam, ou simplesmente ignoram certos textos. Este esforço resulta em sermões ‘adocicados’, literaturas heréticas, e até mesmo Bíblias Inclusivas dedicadas ao público LGBTI2, em que o termo pecado é reinterpretado.

O Universalismo ensina que, em virtude do amor de Deus, todos acabarão sendo salvos e estarão para sempre no Lar Eterno. O pastor e escritor Ciro Sanches Zibordi chega a dizer que “o universalismo extremado prevê a salvação até do Diabo!”3. Um pregador muito conhecido, grande influenciador, mas herege, ao falar da justiça de Cristo afirmou que o pecado não é mais um critério entre Deus e os homens, e que Hitler e Herodes estão à mesa com Jesus, e ainda que arrependimento e confissão de pecados não são critérios para se assentar à mesa de Deus no reino celestial.4 Este mesmo pastor já negou a existência do inferno.


“Deus odeia o pecado”, e odiará sempre:

Teólogos liberais, universalistas e inclusivos se esforçam para negar as consequências do pecado sobre a vida humana, apresentando um discurso em que o critério único para a salvação é amar. Quem ama, tendo tido ou não uma experiência com Cristo, independente de suas convicções religiosas, de seus valores e do curso moral de sua vida, está salvo. Dizem que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”. Embora esta afirmação seja verdadeira, ela tem sido usada pelo diabo para suavizar o conceito de pecado e do rigor do juízo divino. Trata-se de uma artimanha diabólica para enganar incautos, aplacar consciências, e gerar uma atmosfera favorável para quem deseja estar bem com Deus e, ao mesmo tempo, com o mundo (Tiago 4:4). Assim é que uma atriz pornô certa feita disse que havia se convertido ao evangelho, mas continuava exercendo sua “profissão”, e que havia escolhido ser membro de uma igreja evangélica que não lhe exigia nada. Estas igrejas liberais e inclusivas estão se proliferando como praga e, infelizmente, lançando raízes de suas heresias até mesmo nas denominações conservadoras.

Em toda a Bíblia, desde o Éden, vemos as consequências trágicas do pecado sobre a humanidade. Hoje não é diferente. Por isso “Deus odeia o pecado”, e odiará sempre. O pecador sem arrependimento, sem o novo nascimento, sem o fruto da nova vida, jamais poderá entrar nos céus. Relativizar esta verdade é servir ao Pai da Mentira, ao diabo, é praticar a sua obra (João 8:44). Assim como Seu autor, a Bíblia não muda, e nem o que nela está escrito sobre o pecado e o que ele produz na vida humana (Malaquias 3:6; Tiago 1:17; Provérbios 8:36; Mateus 24:35; João 8:34; Hebreus 13:8; João 8:24; Romanos 5:12; Romanos 6:23).


“Deus ama o pecador”, mas ele precisa se arrepender para ser salvo:

O insondável amor de Deus, ainda que derramado por todos na cruz pela entrega de Jesus para morrer em nosso lugar, não dispensa a necessidade de arrependimento e do novo nascimento para a entrada no reino. Ao religioso, que dizia guardar os mandamentos desde sua meninice, Jesus amou, mas não pode salvar porque seu coração estava neste mundo: “E Jesus, olhando para ele, o amou e lhe disse: Falta-te uma coisa: vai, vende tudo quanto tens, e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, toma a cruz, e segue-me. Mas ele, pesaroso desta palavra, retirou-se triste; porque possuía muitas propriedades.” (Marcos 10:21,22 – grifos do autor). Ao virtuoso Nicodemos, um mestre religioso, o Senhor informou: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3).

Deus ama a todos, independente de seus pecados, sejam maus ou bons perante a opinião pública, fiéis ou infiéis, bons ou maus cônjuges, e pais, e filhos, religiosos ou não, homicidas, adúlteros, mentirosos, egoístas… Mas, este amor não desencadeia o perdão sobre quem não crê, não se arrepende e não se submete ao senhorio de Cristo. A exigência para a salvação é esta, e não há alternativas: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor” (Atos 3:19 – grifo do autor).

Ao malfeitor quebrantado, da cruz ao lado, a despeito de seus pecados, o Salvador assegurou: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lucas 23:43). Deus amou aquele homem, porém a salvação se deu mediante seu arrependimento e reconhecimento de Cristo como seu Senhor e Salvador, atitude sem a qual nenhum pecador, não obstante o amor de Deus, entrará nos céus.


Reflita:

A mensagem inclusiva é uma negação da Sã Doutrina que apresenta o arrependimento e o novo nascimento como condição exclusiva e irrevogável para a entrada no reino. Que “Deus amou o mundo de tal maneira” é fato inegável. Que Ele “deu o seu Filho unigênito” para morrer na cruz em nosso lugar também. Porém, a salvação é para “todo aquele que nele crê”, e este crer implica reconhecimento do pecado, arrependimento, novo nascimento e vida no Espírito. Assim é que “quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (João 3:16,18).

O amor divino não é complacente; Ele nunca salvará do inferno aquele que não crê: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (João 8:24). O Eterno é santo e justo, e continua odiando o pecado, como sempre odiou e odiará. Os valores de Sua Palavra são imutáveis, inabaláveis e inegociáveis. A mensagem inclusiva e o universalismo é falácia do diabo. Pense nisso!

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2 https://www.oasiseditora.com.br/ (Editora Inclusiva)

sábado, 6 de abril de 2019

É SÓ O CERTO QUE DÁ CERTO

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

Comeis a gordura, e vos vestis da lã; matais o cevado; mas não apascentais as ovelhas […]. e os pastores apascentaram a si mesmos, e não apascentaram as minhas ovelhas.” (Ezequiel 34:3,8)



Pare de fazer o que não dá certo!” era a frase chave num post sobre empreendedorismo, mas que poderia ser dita aos pastores ávidos por sucesso, àqueles que querem saber tudo sobre “como fazer sua igreja crescer”, “como atrair multidões”, “como encantar plateias” e coisas do tipo. Se pronunciada num evento sobre ‘Coaching Ministerial’, certamente renderia aplausos.

Num vídeo no YouTube, um ‘Pastor Coach’ convocava para mais uma “Conferência Liderança de Sucesso”, com a presença de pastores e apóstolos especialistas no assunto. Na descrição, um link para compra de ingressos. Convites como estes são feitos quase que diariamente.

Pastores e líderes em geral estão sendo treinados para fazerem o que dá certo, e não o que é biblicamente certo fazer. Cursos, treinamentos, conferências e palestras, sem generalizar, focam mais as estratégias, tratam mais sobre como conseguir os resultados – na maioria das vezes a multiplicação dos fiéis, o aumento das entradas financeiras, administração visando o sucesso etc. – que a fidelidade e sujeição à Palavra de Deus. Como consequência temos cada vez mais empreendedores religiosos, gestores de pessoas, gerentes eclesiásticos, gente especializada na tosquia, e não pastores de ovelhas (no sentido bíblico). É como se a estratégia fosse “Pare de fazer o que não dá certo!”, e assim é, embora não declaradamente. O problema desta visão de liderança antibíblica é que:

  • Fazer o que dá certo pode indicar ambições egoístas de líderes desonestos, muitas vezes travestidas de boas intenções.
  • O que dá certo pode ser politicamente correto, sem, necessariamente, ser certo.
  • Nem tudo o que dá certo se harmoniza com a verdade.
  • Nem tudo o que dá certo é moralmente certo.
  • Nem tudo o que dá certo é honesto.
  • Nem tudo o que dá certo é biblicamente certo.
  • Nem tudo o que dá certo hoje dará certo sempre.
  • Nem tudo o que dá certo acalma consciências culposas.
  • Nem tudo o que dá certo é segundo a perfeita Vontade do Pai.
  • Nem tudo o que dá certo promove o verdadeiro evangelho.
  • Nem tudo o que dá certo nos isenta de sermos responsabilizados por Deus.

Fazer o que dá certo pode projetar na sociedade uma boa imagem do líder, pode encher templos, aumentar receitas, porém, tem sido a estratégia mais usada pelo diabo para alcançar, por meio destes líderes inescrupulosos, o seu próprio sucesso em enredar pessoas e encaminhá-las ao inferno (líderes e liderados).

Se você não quer colaborar com o intento maligno de Satanás, então deixe de buscar o sucesso pessoal e temporal, PARE DE FAZER O QUE DÁ CERTO, e comece imediatamente a fazer o certo. Isso não resultará em elogios do mundo, mas é o certo, e na visão de Deus é só o certo que dá certo.

segunda-feira, 25 de março de 2019

“Pecado é não amar” – É isso mesmo que a Bíblia ensina?

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência.”
(Efésios 5:6)


O título desta reflexão é a frase, tomada de outro contexto, com que um líder religioso finaliza uma postagem em que afirma que Jesus não condenou a homossexualidade porque “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher”. No post, o autor admite a existência de textos bíblicos contrários à prática, mas insiste que se forem considerados, o leitor poderá “promover e justificar atrocidades”, bem como afirma que a Bíblia precisa ser “contextualizada” e “lida a partir da consciência do Evangelho e da centralidade do amor”. Ele enfatiza que “a letra mata, mas o compromisso com o Amor salva e promove vida”, e conclui: “Pecado é não amar.”

É certo que a Bíblia não é um livro de ódio, que não autoriza nenhum tipo de violência e que revela o amor de Deus “que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3:16). Igualmente, o cristianismo verdadeiro não é uma religião de intolerância e ódio, mas defensora das liberdades, incluindo a liberdade de expressão e liberdade religiosa. Os cristãos não são contra os homossexuais, contra seguidores de outras religiões, nem segregadores, entretanto, a liberdade que defendem para os demais defendem também para si. Assim, se alguém tem o direito de seguir princípios religiosos destoantes do cristianismo, conservar práticas e valores segundo sua consciência, também os cristãos têm direito de preservarem seus valores, viver e expressarem sua fé sem medo ou constrangimentos. Se, por exemplo, alguém crê que comer carne é pecado, os cristãos têm o direito de pensar o contrário e agir conforme sua consciência e firmados na Palavra Sagrada, sem, todavia, que sua liberdade signifique ódio ou incentivo à violência, uma vez que o Cristo nos ensina um modo mais excelente. Como cristãos, defendemos a liberdade de pensar e de se expressar como direito inalienável.

Em sua Declaração Doutrinária, os batistas da Convenção Batista Brasileira tratam assim sobre o tema “Liberdade Religiosa”:
Deus e somente Deus é o Senhor da consciência. A liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais do homem, inerente à sua natureza moral e espiritual. Por força dessa natureza, a liberdade religiosa não deve sofrer ingerência de qualquer poder humano. Cada pessoa tem o direito de cultuar a Deus, segundo os ditames de sua consciência, livre de coações de qualquer espécie. A igreja e o Estado devem estar separados por serem diferentes em sua natureza, objetivos e funções. É dever do Estado garantir o pleno gozo e exercício da liberdade religiosa, sem favorecimento a qualquer grupo ou credo. O Estado deve ser leigo e a Igreja livre. Reconhecendo que o governo do Estado é de ordenação divina para o bem-estar dos cidadãos e a ordem justa da sociedade, é dever dos crentes orar pelas autoridades, bem como respeitar e obedecer às leis e honrar os poderes constituídos, exceto naquilo que se oponha à vontade e à lei de Deus.1

O fato de os cristãos conservadores considerarem o aborto como prática pecaminosa não significa, de forma alguma, que estejam ‘destilando’ ódio contra alguém, mas sim emitindo opinião com base em seu entendimento das Escrituras, o que lhes é garantido pela Constituição Federal, que considera “inviolável a liberdade de consciência e de crença”2. Da mesma maneira, quando o tema é Ideologia de Gênero, homossexualidade, ou mesmo o ingresso de LGBTs nas igrejas, a posição tradicional cristã contrária a tais práticas não indica homofobia, ódio, nem incentivo à violência, mas posições e conceitos formados a partir da leitura da Palavra de Deus. Igualmente, quando tratando de outros temas afirmam que um ou outro ato, ou comportamento, é pecaminoso, isso não implica intolerância, discriminação, preconceito etc., mas em opinião religiosa, respeitosa e embasada.

Por defenderem as liberdades e direitos, como já dito aqui, é que os cristãos não aceitam que qualquer código de valores, regras, dogmas, ideologias etc., que violem direitos e/ou liberdades sejam impostos arbitrariamente como padrão a ser seguido. É por isso que não querem Ideologia de Gênero ensinada nas escolas, nem distribuição de “kits” ou materiais que promovam a homossexualidade no ambiente escolar. Até porque, se o comportamento homossexual é algo natural, como alguns defendem, ele não precisa, como a heterossexualidade, ser imposto e/ou incentivado. Estamos num país livre, onde cada qual pode viver e agir conforme sua consciência, sem, entretanto, ferir o direito alheio, impondo aos demais o que considera ser para si natural e bom. Laborar para que o comportamento de alguma minoria seja imposto como padrão comum e normativo para a sociedade é tolher direitos e cercear a liberdade de quem pensa e quer viver de outra maneira.

Os cristãos têm o direito de chamar de “pecado” qualquer prática que assim considerem, à luz de seu entendimento bíblico. Isso vale para o aborto, para o homossexualismo, bem como para qualquer outra prática, sem, no entanto, consistir sua opinião em preconceito, homofobia ou qualquer outro tipo de discriminação ou violência. Opinião não é coisa a ser criminalizada num país livre. Graças ao bom Deus, o Brasil é uma nação democrática, e temos nossas liberdades e direitos garantidos.

Quanto a afirmação de que “Pecado é não amar”, é preciso, com lucidez, colocar a coisa como se deve. A frase, como estruturada, é reducionista e serve, propositalmente, para lançar uma cortina de fumaça a fim de encobrir a verdade, e isso é artimanha maligna para enredar pessoas e levá-las à perdição. Tal sutileza cumpre perfeitamente seu objetivo de criar uma atmosfera favorável para que pessoas justifiquem suas práticas e, mesmo assim, se considerem na comunhão com Deus. Se as palavras forem devidamente ordenadas, temos “Não amar é pecado”, e nisso há sentido. Dizer que “pecado é não amar” é o mesmo que afirmar que o único pecado é não amar, enquanto dizer que “não amar é pecado” não nega a existência de outras práticas condenadas nas Escrituras. A ideia de pecado deve ser concebida na inteireza e abrangência do ensino bíblico, sem reducionismo ou relativismo, para que ninguém fique desavisado sobre a severidade do juízo divino sobre os pecadores não arrependidos. Qualquer outro discurso consistirá em “palavras vãs”, cujo propósito já sabemos (Efésios 5:6).

Tenha em mente que as afirmações cristãs feitas com base bíblica, quando da abordagem de temas tão polêmicos e relevantes, não devem ser consideradas preconceituosas, odiosas, homofóbicas ou incentivadoras de qualquer violência, e sim como declarações de verdade, desnudas, graves, porém cheias de amor verdadeiro, como o amor de um pai que avisa seu filho com gravidade sobre algum perigo a ser evitado. Tais declarações são de cunho religioso e não intencionam desencadear guerra contra pessoas ou classes, uma vez que os cristãos sabem que não têm “que lutar contra a carne e o sangue, mas sim contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” (Efésios 6:12).

Jesus sempre marcou posição firme sobre o pecado e a necessidade de arrependimento. Certa feita, ele disse: “Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados” (João 8:24). Seu discurso jamais anulou seu amor, tanto que morreu pelos pecadores; bem como seu amor nunca cooperou para atenuar suas falas severas e cheias de Verdade (João 6:60,66). À mulher adúltera amou e perdoou, porém a advertiu dizendo “vai-te e não peques mais”, mostrando-lhe o caminho do arrependimento como condição para uma nova vida (João 8:11). A mesma Bíblia que diz que “Deus é amor” (1 João 4:8) é a mesma que diz que “horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo” (Hebreus 10:31), e que o Poderoso “tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo” por meio do Cristo ressurreto (Atos 17:31). Falar de amor e ocultar o juízo divino é desonestidade. Dizer que Jesus “preferiu não julgar ou condenar, pois estava mais interessado em amar e acolher” é politicamente correto, mas faz parte de um discurso mentiroso e diabólico. Afirmar que textos bíblicos que tratam sobre pecados, se levados em conta pelo leitor, poderão “promover e justificar atrocidades”, é desqualificar a Palavra de Deus, atribuir-lhe ódio e violência, e esvaziá-la da Verdade. O evangelho, quando reduzido à mensagem moderna de “amor”, deixa de ser “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1:16), e torna-se uma doutrina do diabo para arrebanhar almas incautas. Este falso amor que exclui a realidade do juízo é porta larga que conduz à perdição e, portanto, deve ser evitada. Pense nisso!

1 Declaração Doutrinária da CBB, “XV- Liberdade Religiosa”: http://www.batistas.com/portal-antigo/index.php?option=com_content&view=article&id=15&Itemid=15&showall=1 (acessado em 21 de abril de 2018).
2 Constituição Federal, Art. 5º, inciso VI, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm (acessado em 24 de abril de 2018)