terça-feira, 15 de agosto de 2017

“CORAÇÃO DE ADORADOR”

adorador


Pr. Cleber Montes Moreira
“Este povo se aproxima de mim com a sua boca e me honra com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim” (Mateus 15:8).

Há uma música intitulada “Coração de Adorador”. Provocado por seu título, pergunto: Como é o “coração de adorador”?
Jesus, várias vezes, fez críticas duras aos fariseus e escribas.  Chamou-os de hipócritas, ou seja, meros representantes, atores que encenavam um papel sem relação com a vida real. Na aparência eram zelosos da Lei, mas a interpretavam segundo seus interesses, sem amor e sem compromisso com a verdade. Sua adoração era vã, pois ensinavam doutrinas e preceitos humanos (15:9). Um coração longe de Deus não pode ser um coração de adorador!  Jesus ensinou que “onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração” (Mateus 6:21); que ninguém pode tirar coisas boas de um coração mau: “O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más” (Mateus 12:35).  E o Senhor sabe tudo a respeito de nosso coração, e que “do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mateus 15:19).
Para estar na presença de Deus é preciso ter o coração purificado: “Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus” (Mateus 5:8). Se o coração estiver sujo, preso ao mundo, movido por interesses pessoais, cheio de idolatria ou atraído por qualquer tipo de pecado, a adoração será mera formalidade, se constituirá em hipocrisia abominável diante do Todo Poderoso!
Seu coração está limpo e pronto para ser “um coração de adorador”? “Coração de adorador” é coração que glorifica a Deus, e isso vai além das reuniões cúlticas, de louvores e certas “ministrações”.  O verdadeiro adorador é aquele cujo culto é racional e a vida está sempre sendo oferecida como um sacrifício vivo, santo e agradável (Romanos 12:1-2); é aquele cujo coração está em Deus, para amá-lo sobre todas as coisas e servi-lo com todas as forças e interesse da alma.  Pense nisso!

domingo, 13 de agosto de 2017

NOSSO PAI ESTÁ SEMPRE PRESENTE

cruz


Pr. Cleber Montes Moreira


“E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos.” (Mateus 28:20 – NVI).

Aquela foi a primeira tentativa de Lucas. Antes ele havia treinado por muito tempo em sua bicicletinha com “rodinhas”, agora, sem elas, contava com a ajuda do pai. Ele o incentivava segurando, empurrando e aparando-o quando perdia o equilíbrio. Foram várias tentativas. Falhou uma, duas, três, quatro, e muitas outras vezes.  Ficou cansado, pensou que naquele dia não conseguiria, queria desistir, mas o pai não. Não importava quantas vezes Lucas falhasse, quantas vezes tivesse de ajudá-lo a equilibra-se, quantas vezes tivesse que tentar, ali estaria com a mesma disposição. Ele não desistiria!

Por que geralmente não agimos assim com as pessoas? Não temos tempo nem paciência, não suportamos quando falham, não pronunciamos uma palavra de conforto, de encorajamento, de perdão… não disponibilizamos uma nova oportunidade, uma chance para uma nova tentativa. 

Pessoas falham. Pedro falhou com Jesus. Ele fez uma promessa que não cumpriria, a de jamais abandonar o seu Mestre: “Ainda que todos te abandonem, eu nunca te abandonarei!… Mesmo que seja preciso que eu morra contigo, nunca te negarei...” (Mateus 26:33,35 – NVI).  Entretanto, após Jesus ser preso “Pedro o seguiu de longe” (v. 58). Quando indagado sobre seu relacionamento com  o Senhor “o negou diante de todos” (v.70). Mais adiante o negou outra vez, dizendo: “Não conheço esse homem!” (v. 72). E, por fim, quando seu sotaque o denunciou, “ele começou a se amaldiçoar e a jurar: ‘Não conheço esse homem!’ ” (v. 74).

Pedrou falhou. Os demais também falharam. Porém, o Salvador não desistiu de nenhum deles. Mais tarde os comissionou e os enviou ao mundo e fez-lhes esta promessa: “E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:20 – NVI).

Quão maravilhoso é saber que Deus, por sua infinita graça e amor, não desiste de nós. Como Pai ele está sempre de mãos estendidas, pronto a nos ajudar, a nos levantar quando caímos, a nos ensinar a caminhar em retidão… Nosso Pai está sempre presente, Ele é o melhor Pai do mundo!

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

EU ME ENVERGONHO...

Pr. Cleber Montes Moreira

“Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar, que maneja corretamente a palavra da verdade.” (2 Timóteo 2:15)

Paulo exorta a Timóteo para que se apresentasse perante Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar. Assim também deveria ser a vida de todo pastor: andar à vista de Deus, aprovado, exercendo o ministério com integridade, não tendo do que se envergonhar diante de Deus nem dos homens. Entretanto, há tantos que se tornam causa escândalos e pedras de tropeço. O pior é que muitos não sentem vergonha de seus atos, às vezes cometidos intencionalmente. Há pastores, e existem os lobos em pele de pastor.

*Há muitos que se envergonham quando erram e retomam o caminho, há os que não sentem vergonha alguma, e há os que nos causam vergonha...*

Eu me envergonho quando vejo pregadores cobrando altos cachês para pregarem em igrejas e em eventos;

Eu me envergonho dos pastores que agem como “animadores de auditório”, como humoristas, cativando atenção para si e não para Deus;

Eu me envergonho dos pastores que deixam de prover alimento para prover entretenimento para suas ovelhas;

Eu me envergonho dos pastores que se esquecem da Bíblia e capricham em citar frases e ensinos de certos personagens que não tem qualquer compromisso com a Verdade;

Eu me envergonho dos pastores que trocam a teologia bíblica pela sabedoria humana;

Eu me envergonho quando vejo pseudos pastores brigando em redes sociais e se atacando mutuamente;

Eu me envergonho quando vejo pastores praticando deliberadamente o proselitismo, pescando em aquários, investindo, desonestamente, sobre o rebanho que Deus confiou a outro;

Eu me envergonho quando certos líderes e pregadores pedem, sem qualquer pudor, dinheiro para proveito próprio com a desculpa de sustentar seus ministérios, para depois ostentarem mansões, carrões e até jatinhos;

Eu me envergonho de ver tantos obreiros banalizando o casamento, divorciando de suas esposas sem motivo justo e se envolvendo em outros relacionamentos (ou aventuras amorosas);

Eu me envergonho dos pregadores que usam a Bíblia a pretexto de suas más intenções, usando textos isolados e interpretando-os de forma interesseira;

Eu me envergonho dos pastores que não conhecem a Bíblia;

Eu me envergonho dos pastores que desprezam a oração e a vida devocional;

Eu me envergonho dos pastores que pregam o que não vivem;

Eu me envergonho dos pastores que pregam o liberalismo em suas igrejas, consentindo imoralidades e abrindo as portas para o mundo;

Eu me envergonho dos obreiros que em nome do “amor” se desviam da sã doutrina, como se o verdadeiro amor pudesse subjugar a verdade;

Eu me envergonho dos que pregam um “evangelho inclusivo”, a pretexto de consentirem que suas ovelhas vivam na prática de certos pecados, bem como de atrair pessoas sem visar sua transformação em Cristo;

Eu me envergonho de pastores que colocam certas ‘teologias’, movimentos e correntes acima da Bíblia, e  ‘cultuam’ certos personagens dando à eles ênfase exagerada;

Eu me envergonho dos pastores que não zelam por seus púlpitos, os entregando-os a qualquer um;

Eu me envergonho dos pastores que não zelam pela coerência da música em suas igrejas, permitindo que se cante de tudo, inclusive músicas com letras que contradizem a fé cristã;

Eu me envergonho dos pastores que fazem acordos e militam na política para dela se beneficiarem, muitas vezes transformando seus púlpitos em palanques;

Eu me envergonho dos pastores que não se dedicam ao pastoreio, mas que agem como tecnocratas eclesiásticos sendo, muitas vezes, excelentes administradores, mas péssimos e negligentes no cumprimento de sua verdadeira missão;

Eu me envergonho dos pastores que impõem suas mãos precipitadamente sobre candidatos despreparados, de convicções duvidosas, seja por amizade, “política de boa vizinhança” ou qualquer outro motivo, desprezando as exigências bíblicas para o ministério; 

Eu me envergonho dos pastores que aderem ao “politicamente correto” e desprezam o bíblico;

Eu me envergonho dos pastores que não exercem a disciplina sobre seu rebanho;

Eu me envergonho dos pastores que por covardia não ousam mexer com certas pessoas, ou famílias da igreja, quando estas necessitam de disciplina, na intenção de não “prejudicarem” seus ministérios;

Eu me envergonho dos pastores que abrem as portas para heresias;

Eu me envergonho dos pastores que glorificam a si mesmos, que alimentam a sua vaidade, ao invés de glorificar ao Senhor dos Senhores;

E você?

terça-feira, 1 de agosto de 2017

CRENTE OU CRISTÃO?

bible


Pr. Cleber Montes Moreira

“Também os demônios o creem, e estremecem.” (Tiago 2:19b)

Certa ocasião um pregador disse que “o diabo é o maior crente que existe”. Ele baseou sua afirmação no texto que diz: “Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem” (Tiago 2:19). É verdade que o diabo e os demônios creem na existência de Deus; na autoridade, suficiência e exclusividade da Bíblia como Palavra divina dada como revelação aos homens; em Jesus como autor e consumador da salvação; na obra do Espírito Santo para convencimento dos pecadores; na existência do céu e do inferno; e em toda a verdade. Entretanto, esta crença é baseada no mero conhecimento e não na fé salvadora; não no relacionamento vivo com Deus.  

Afirmar a existência de Deus é fácil, uma vez que as provas são abundantes e suficientes. A história e o cumprimento das profecias corroboram os ensinos bíblicos sobre Jesus. A fidelidade da Bíblia, sua exatidão, também é confirmada pela história, arqueologia, ciência e pelo cumprimento de suas previsões. Não há como uma pessoa racional negar os fatos relacionados às Sagradas Escrituras. Uma pessoa em sã consciência não negaria a existência do céu nem do inferno.  Portanto, crer intelectualmente em Deus e em tudo o que se relaciona a Ele é razoável. Mas, uma coisa é certa:  o diabo pode ser crente, mas nunca cristão! Ele pode crer que Deus existe, mas jamais se relacionará com Ele. Pode acreditar na Bíblia, mas jamais se submeterá a seus ensinos. Pode saber que Cristo é Salvador, mas jamais será um salvo. Pode crer no céu, mas tem como destino o inferno. Igualmente são os que creem com base apenas no conhecimento intelectual. 

A fé verdadeira vai além dos fatos, ela produz relacionamento. Nicodemos conhecia os fatos, tinha instrução na Palavra, era um “crente”, religioso, mas não tinha o principal: a experiência do novo nascimento. Era crente, não cristão. Por isso ouviu do próprio Senhor: “Na verdade, na verdade te digo, que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3:3). O que é apenas crente é nascido da carne, o cristão do Espírito: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (João 3:6). O salvo é recriado, regenerado, pelo poder do Espírito, e introduzido na comunhão dos filhos de Deus, a igreja (Efésios 2:19).

A verdadeira fé não é baseada apenas em conhecimento, nem em rituais, mas na vivência com Deus. Por isso pergunto: Você é crente ou cristão? Pense nisso!

sábado, 29 de julho de 2017

OBEDIÊNCIA E EXCLUSIVIDADE

cruz


Pr. Cleber Montes Moreira

“Ouve, pois, ó Israel, e atenta em que os guardes...”; “Ouve, ó Israel; o Senhor nosso Deus é o único Senhor.”  (Deuteronômio 6:3 e 4.  Leia os versos de 1 a 15)


“Ouve, ó Israel” pode ser entendido hoje como “Ouve, ó Igreja”, “Ouve, ó família de Deus”, “Ouve, ó crente”. A Bíblia é para hoje, a mensagem é para nós. 

Há uma grande diferença entre os verbos “ouvir” e “escutar”. Segundo o Dicionário Online da Língua Portuguesa, “ouvir” significa “Entender, perceber os sons pelo sentido do ouvido, da audição”, enquanto “escutar” é “Ouvir com atenção; dar atenção a”. Desta maneira, ouvir está relacionado ao sentido da audição, enquanto que escutar é prestar atenção ao que se está ouvindo.

Quando tão somente ouvimos algo, sem dar a devida atenção, logo esquecemos e, indiretamente, estamos dizendo que o que foi dito não é importante para nós. Em contrapartida, quando escutamos algo, prestando atenção e meditando no que foi dito, gravamos na memória a mensagem. O sentido de “ouvir” no texto é, portanto, de “escutar”, de dar atenção, de compreender a mensagem, de guardar na mente e no coração, de entesourar, como algo precioso para influenciar nossa vida. Tem o mesmo valor que “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Salmos 119:11). Israel deveria escutar, guardar, reter os mandamentos na mente e no coração para que pudesse viver de forma agradável a Deus.  Nós precisamos fazer o mesmo.

As nações têm seus deuses, suas crenças, seus rituais, seus valores, mas “o Senhor nosso Deus é o único Senhor”. Compreender e acatar esta verdade é importante “para que te vá bem, e muito te multipliques na terra que mana leite e mel, como te prometeu o Senhor Deus de teus pais” (Deuteronômio 6:3 BKJA). Nenhum povo, nenhuma família, nem a igreja pode prosperar se não aceitar o fato de que Deus é o único Senhor, a quem devemos servir e adorar exclusivamente. A boa relação com o Pai começa com a aceitação desta verdade, do contrário não haverá relacionamento, mas inimizade. Por isso, é importante que tudo o que desagrada a Deus, tudo que possa ocupar o Seu lugar em nossas vidas, seja aniquilado. Sejam amuletos, objetos de cultos, crendices, afazeres, prazeres, pessoas etc.  Deus não divide sua glória com ninguém: “Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura” (Isaías 42:8).

Então, este é o princípio de fé e conduta do povo de Deus: Obedecer aos Seus mandamentos, pois Ele é o único Deus, digno de nossa adoração! Ele exige obediência e exclusividade! Pense nisso!

sexta-feira, 28 de julho de 2017

DAR AS MÃOS PARA SALVAR

salvamento


Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque nós somos cooperadores de Deus...” (1 Coríntios 3:9)


No dia 08 de julho de 2017, o que seria uma tragédia de terríveis proporções na  praia de Panama City, na Flórida, transformou-se numa demonstração do que a união de força entre as pessoas pode realizar. Nove banhistas, sendo seis da mesma família, que estavam por se afogar, foram salvos por uma corrente humana de 80 pessoas.

Aconteceu quando uma mãe, ao ouvir os gritos de socorro de seus dois filhos, entrou correndo na água, junto com o pai das crianças, um primo, a avó e outras três pessoas que foram ajudar. Ao chegarem ao lugar onde as crianças estavam, com 5 metros de profundidade, perceberam que não conseguiriam sair dali e começaram a gritar.

Rapidamente a corrente humana que se formou para salvar aquelas vidas conseguiu avançar cerca de 100 metros mar a dentro. A avó sofreu um enfarto e foi hospitalizada, mas o restante da família e as outras três pessoas foram salvas graças a união dos que deram as mãos para salvar.

Este episódio serve como exemplo do que ocorre quando pessoas se unem em torno de um objetivo. O mesmo acontece quando cristãos dão as mãos, somando esforços, para salvar os perdidos. As mãos que se unem, os pés dos que vão, os joelhos que se dobram, os lábios que proclamam, os corações que pulsam por missões, a liberalidade dos irmãos… tudo isso são ações necessárias e eficazes para salvar pessoas sem Cristo, que se afogam no mar da perdição. Que tal darmos as mãos e, como instrumentos de Deus, formarmos uma corrente para resgatarmos os que perecem? Nós somos aqueles que Deus quer usar!

salvamento

quinta-feira, 27 de julho de 2017

SEGUIR O AMOR?



Pr. Cleber Montes Moreira

“Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4:15)

Há um falso evangelho sendo alardeado, fundamentado e pautado no “amor” – ou pelo menos no seu entendimento hodierno. Um pastor, expoente deste “evangelho”, publicou em seu perfil no facebook: “Onde estiver o amor, ali estou eu”. A teologia deste “evangelho” é chamada de “teologia inclusiva”, e seus seguidores enfatizam o “amor” em detrimento da verdade. Este é um “cristianismo” que descamba para o universalismo. Na prática se alinha a certas ideologias políticas, milita em defesa de certas minorias e pela inclusão de pessoas sem o arrependimento na membresia das igrejas, desconsiderando que a mensagem cristã, proclamada pelo próprio Cristo, consiste em “Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus” (Mateus 4:17). É como se dissessem aos pecadores: “Venham, possuam o reino, e continuem como estão.” Uma pastora, também expoente deste pensamento, disse num encontro que os valores da sociedade não caem prontos do céu, mas são produzidos a partir das perspectivas de diferentes grupos, incluindo os valores sexuais. A proposta do movimento que ela representa é uma “releitura”, uma “reinterpretação”, uma “reimaginação” da igreja, da fé, e mesmo das Escrituras. Uma igreja que aderiu a este pensamento, e que decidiu em sua assembleia receber homossexuais em sua membresia – o que implica em batizá-los, realizar casamentos homoafetivos, conferir-lhes direitos e deveres – justificou-se, por intermédio de seu pastor, com estas palavras: “O que a Igreja ______________________ fez revela que, mesmo não tendo todas as respostas para a questão da homossexualidade na Bíblia ou na doutrina histórica, decidimos seguir o caminho do amor.”  Observem que o “amor” e não a verdade é o referencial para tomada de decisões, embasamento doutrinário e “reimaginação” de toda estrutura que se considera injusta e oposta ao “amor”.  

Seguir o “amor” é um discurso politicamente correto, bonito, bem aceito, que soa como acolhedor, inclusivo… mas é, antes de tudo, DI-A-BÓ-LI-CO! É uma perversão da Palavra de Deus, e o que o diabo mais sabe fazer é dar um novo sentido ao que Deus disse. Foi com este artifício que enganou Eva e Adão, tentou enganar a Jesus e tem enganado a muitos.

Percebam que Paulo exorta a seus leitores para que sigam a verdade em amor, e não para que sigam o “amor”. A verdade a que se refere é o senhorio de Cristo, sua doutrina, elemento que propicia crescimento e firmeza, inclusive contra as heresias. Seguir o “amor” é seguir o engano, é falhar, é se afastar de Deus, é ser “meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente” (Efésios 4:14). Seguir a verdade em amor é seguir o Mestre.

Quem segue o “amor” está no mundo, quem segue a verdade em amor está em Cristo. Pense nisso!

quarta-feira, 26 de julho de 2017

A QUEM SUA FAMÍLIA SERVIRÁ?

familia


Pr. Cleber Montes Moreira

“Escolhei hoje a quem sirvais.” (Josué 24:15)

Embora detentor das promessas do pacto feito com Abraão, e apesar das mais relevantes experiências com Deus, o povo de Israel estava vivendo o que se pode chamar de uma verdadeira “prostituição espiritual”: havia se corrompido espiritual e moralmente, seguindo outros deuses, conforme costumes de outros povos.

Podemos ver em nossos dias, por parte de muitas famílias, um comportamento semelhante ao do tempo de Josué. O pacto feito com Abraão era com a finalidade de “abençoar todas as famílias da terra”, de formar um povo zeloso, santo, que se relacionasse com Deus, e, portanto, chega também até nós. Mas, da mesma forma que no passado, muitas famílias estão deixando de lado as bênçãos de uma relação com o Criador para servirem a outros deuses. Certamente que nem todos os casos se caracterizam por uma idolatria literal a um objeto de culto, mas por uma corrupção espiritual que gera os mais desastrosos resultados, dos quais somos testemunhas: lares desfeitos, filhos perdidos, falta de amor, diálogo, compreensão, respeito, materialidade etc. Tudo isso é consequência do distanciamento do Senhor. A busca e a adoração ao dinheiro, aos bens, ao trabalho, ao prazer, ao sexo, ao “eu” e tantos outros deuses é que produz tudo isso. Depois do caos, ainda reclamamos da situação, como se a culpa não fosse nossa, por causa de nossas escolhas e prioridades erradas.

Penso que hoje deveríamos nos colocar na mesma situação em que estava Israel, diante de uma inevitável escolha, da qual dependia seu futuro: A Deus ou aos deuses? A quem serviremos? Jesus já disse que não há como agradar, ou servir, a dois senhores (Mateus 6:24). Assim, nossa escolha é inevitável e, ao mesmo tempo, urgente. As famílias estão se decompondo, mas há solução se seguirmos o exemplo da família de Josué: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor”.

Somente Deus é quem pode salvar a família, mas isso depende de uma decisão urgente de nossa parte: a Deus ou aos deuses, a quem sua família servirá? O desafio está lançado.

sábado, 8 de julho de 2017

INTEGRALMENTE SUBMISSOS À CRISTO

biblia


Pr. Cleber Montes Moreira


“Agora sei que você teme a Deus, porque não me negou seu filho, o seu único filho.” (Gênesis 22:12)


Integral quer dizer “inteiro, total, completo”. Integralidade significa “característica, particularidade ou condição do que é integral (completo). O conjunto de tudo aquilo utilizado para formar ou completar um todo; completude.”  Portanto, ser Integralmente Submisso a Cristo quer dizer ser por completo, em tudo, em todas as áreas da vida, em toda e qualquer circunstância, obedecendo todas as ordens e acatando todos os ensinos deixados pelo Senhor.  É viver plenamente com e para o Salvador, estando entregue ao Seu senhorio. Isso implica num viver aos “pés da cruz”. Quem é submisso é obediente, é leal e fiel ao Mestre.

Um belo exemplo de submissão integral foi o de Abraão, quando Deus pediu que ele sacrificasse seu filho Isaque. Imagino a dor daquele pai, mas também percebo a sua fé e disposição em obedecer, integralmente, entregando a Deus seu único filho.  Não é sem motivo que o patriarca foi chamado “Pai da Fé” (Gênesis 22:1-19).

O próprio Jesus nos deu exemplo de submissão, dedicando-se integralmente à sua missão: “E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz” (Filipenses 2:8). Ele foi até às últimas consequências, no caso até à morte, e morte de Cruz.  Ele se entregou por inteiro: Seu sacrifício foi completo e suficiente; seu amor é integral; sua graça é plena; seu perdão é total; sua salvação é eterna. 

Há muitos que parecem ter experimentado uma “conversão parcial”.  Passam a cumprir rituais religiosos, praticam boas obras, confessam publicamente o nome de Jesus, mas não obedecem em tudo; não praticam a submissão plena ao Senhor. Há quem não separe tempo para Deus, há quem não entregue os dízimos, há quem não se dedique às obras, há quem não evangelize, há quem não manifeste qualquer compaixão pelos pedidos, há quem não demonstre amor aos irmãos etc. Crentes pela metade?  Não!  Pois não existe meio crente ou meio convertido.  

Lembro também que não há meio perdão, meia salvação, nem graça pela metade.  Se Jesus faz sua obra em nossas vidas por completo, também precisamos experimentar uma entrega integral de nosso ser, para que sejamos capazes de obedecer e amar a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma e com todas as nossas forças (Deuteronômio 6:5). Deus não quer nada menos que todo o nosso ser. Se a Ele oferecermos nossas vidas parcialmente, seremos com o adúltero ou adúltera que divide seu amor com outra pessoa; isso não é entrega, é traição!

Seu compromisso com Cristo é total e irrestrito? Você já experimentou a submissão integral? Até onde você seria capaz de caminhar com o Mestre? Ou tudo ou nada; para Deus não há meio termo!  Pense nisso!

INTEIRAMENTE DE CRISTO

biblia


Pr. Cleber Montes Moreira

“Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele.” (Romanos 8:9)

Conta-se que há muito tempo atrás, um homem colocou sua fazenda à venda por um bom preço. Certo interessado resolveu comprá-la, quando foi informado sobre uma exigência do proprietário: Ele venderia suas terras desde que pudesse preservar, em seu nome, uma casa, no meio da fazenda. O comprador concordou sem hesitar, uma vez que o preço era realmente atraente. Não demorou muito, o antigo proprietário, amparado pela lei vigente, resolveu abrir uma estrada até o interior da fazenda, para ter acesso à casa de sua propriedade. Desde então passou a transitar livremente, indo e vindo, recebendo pessoas, oferecendo festas, incomodando com som alto etc. O novo dono nada pôde fazer, mas sentiu-se profundamente incomodado. Desde então, a relação entre os dois ficou estremecida.

Assim também acontece com aqueles que atendem ao apelo do evangelho, se entregam a Cristo, mas guardam um “pedacinho” de seus corações para o antigo dono; seja um prazer ilícito, um hábito, um vício, uma ambição, um pensamento pecaminoso… Desde que reservado algum espaço para o diabo, ele estará sempre em trânsito, livremente, nos corações. Esta é a condição daquele que apresenta uma conversão aparente. Mas, o Espírito Santo jamais aceitará ter o diabo por vizinho. O verdadeiro crente não abre concessões para o maligno, não negocia com o inimigo, não guarda em seu coração um cantinho para o tinhoso. Não!  Seu coração, sua mente, sua vida é inteiramente de Cristo. E, Cristo não se contenta com algo menos que todo o nosso ser. Pense nisso! 

quarta-feira, 5 de julho de 2017

“POR QUE ESTÁS ABATIDA, Ó MINHA ALMA?”

depressao


Pr. Cleber Montes Moreira

“Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas dentro de mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei, o qual é a salvação da minha face, e o meu Deus.” (Salmos 42:11)


Os Salmos 42 e 43 constituem dois poemas que, segundo Moody, são “tão intimamente ligados em conteúdo e estilo que desafiam a separação”. Eles foram escritos durante a revolta de Absalão, quando Davi estava refugiado ao norte da Palestina, perto da nascente do Jordão, e retratam o estado de espírito do Rei que pede a Deus por socorro. Sua aflição é decorrente não apenas do seu afastamento do trono mas, principalmente, por não poder entrar na “casa de Deus” e experimentar Sua confortante presença.  Por isso, diz que sua alma tem sede do Deus vivo, e anseio por se apresentar diante de Sua Face (2). Com lágrimas se lembra de quando podia, com a multidão, festejar a Deus com voz de alegria e louvor (4). 

A neve derretida aumentava o volume do Jordão e produzia fortes correntezas. O salmista sente como se tais ondas passassem por cima dele, gerando a mesma aflição de quem se afoga e se debate em vão (6, 7). Todavia, não perdia sua esperança de que o Senhor mandaria sua misericórdia, e que novamente cantaria, alegremente, uma canção em oração a Deus (8).

Como disse Matthew Henry, “As almas jamais poderão descansar em outra parte que não seja no Deus vivo”. O justo tem sede de Deus, e nada mais além de Deus pode saciar esta sede. Assim como a corça sedenta anseia por águas correntes, nossa alma suspira, ansiosamente, por Aquele que tem o poder exclusivo de saciá-la. O justo pode estar num templo, no alto de uma montanha, na cidade ou no deserto, ou em qualquer outro lugar, pode desfrutar de riquezas e benesses, mas sua alma não se satisfará se estiver longe de Deus. Nós fomos criados para Deus, e percebemos isso mais claramente quando atravessamos os desertos. Onde não há água é que reconhecemos melhor sua utilidade.  É durante as aflições que percebemos, mais nitidamente, nossa dependência do Pai celeste. É como diz a letra daquela linda canção do Grupo Hágios:

“Me falte água ou alimento ou suprimento para o amanhã que vem. 
Se nos olhos me faltarem toda luz, só não me falte a presença de Jesus…
Me falte o vento, o mar e o sol, onde estiver sei que não vou me abalar.
Se na seara o meu trigo não produz, só não me falte a presença de Jesus.
Sua presença é a razão da minha fé, sua presença me conduz onde estiver...”

Me falte tudo, só não me falte Jesus! E, certamente, Ele não faltará, nem falhará.
Sua alma está aflita, abatida? Algo perturba seu coração?  Espere em Deus e busque por Sua presença! Faça isso na certeza de que Nele terá plena satisfação. Depois não se esqueça de louvá-Lo por sua salvação.

sábado, 1 de julho de 2017

TRANSITORIEDADE

tempo


Pr. Cleber Montes Moreira


“...passamos os nossos anos como um conto que se conta.” (Salmos 90:9).


Vejo em teus olhos a saudade:
A vivacidade das lembranças,
Confundindo-se à realidade;
O ontem, o hoje – a transitoriedade.

Tempos que não voltam,
Segundos que não se repetem,
Águas que não retornam,
Vidas que não se revivem.

Infância, adolescência, juventude...
Dos sonhos a abundância,
Das mudanças a evidência;
Ontem ilusão, hoje recordação.

O vento, o tempo,
O findo, o passageiro;
A vida que se esvai...
Tudo um conto ligeiro!

Da semente à erva,
Da flor ao fruto, à colheita...
A vida: simples serva passageira
Que à morte sempre sujeita.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

INIMIGOS DA CRUZ

cruz


Pr. Cleber Montes Moreira

“Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.” (Filipenses 3.18 – Leia também os versos 19, 20 e 21)


Paulo, escrevendo aos crentes de Filipos, faz menção aos “inimigos da cruz de Cristo”. Quem seriam estes inimigos? Certamente não eram legalistas judaizantes, talvez um grupo de gnósticos ou outro grupo herege, não sabemos com certeza. O autor não os identifica nominalmente, porém sabemos que eram libertinos, viviam um falso cristianismo, livre de toda restrição moral, um evangelho fácil e desprovido da cruz. Mas, um evangelho sem cruz é qualquer coisa, menos evangelho. Jesus mesmo disse que “Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me” (Mateus 16:24). Entretanto, os inimigos da cruz não querem trilhar a senda do Calvário, preferem a estrada larga e aprazível da perdição.

O apóstolo afirma que muitos inimigos da cruz “andam entre nós”, ou seja, estão na igreja, misturados aos cristãos verdadeiros. Sim, o diabo tem semeado seu joio em meio à lavoura de Deus. O joio cresce como o trigo, inicialmente se parece com o trigo, mas sufoca o trigo e o impede de produzir em abundância. Paulo se refere à estes com choro, lamento, tristeza.  Esta gente pode parecer com os crentes, pode falar como crentes, pode fingir ter fé cristã, pode trabalhar como trabalham os crentes, mas não pode uma coisa: CARREGAR A SUA CRUZ!  Eles odeiam e evitam a cruz! E, quem não carrega a sua cruz, não é digno do Senhor! 

Por fim, o verso 19 traz-nos algumas outras revelações: O fim dessa gente é a PERDIÇÃO; O Deus dessa gente é o próprio VENTRE; A glória alcançada por essa gente é para CONFUSÃO; O pensamento dessa gente está apenas nas coisas TERRENAS.  Estas coisas revelam contrastes entre o “evangelho sem a cruz” e o “evangelho da cruz”; entre os “inimigos da cruz de Cristo” e os que com Ele foram crucificados.

E você, como vive?  Como inimigo da cruz, ou como alguém que, despojando-se das coisas velhas, tem tomado a sua própria cruz e ido após o Salvador?  Inimigo ou amigo da Cruz? Pense nisso!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

CONTENTAMENTO ACIMA DAS CIRCUNSTÂNCIAS

biblia


Pr. Cleber Montes Moreira

“Aprendi o mistério de viver feliz em todo lugar e em qualquer situação.”  (Filipenses 4:12 – BKJA)

Benjamin Franklin afirmou: “O contentamento torna os pobres em ricos; o descontentamento torna os ricos em pobres.” Assim creio. Há gente que tem tudo, mas não é contente, outros, desprovidos das riquezas deste mundo, possuem algo valioso, que nem todo dinheiro pode comprar: uma vida de paz, alegria e satisfação que independe das circunstâncias. 
John Piper disse que “A fé não é garantia de prosperidade, mas de estar satisfeito em Deus e viver feliz na abundância ou na necessidade.”  Paulo já havia dito: “Sei bem o que é passar necessidade e sei o que é andar com fartura. Aprendi o mistério de viver feliz em todo lugar e em qualquer situação, esteja bem alimentado, ou mesmo com fome, possuindo fartura, ou passando privações. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4:12 e 13 – BKJA). E, o escritor bíblico sabia muito bem o que falava. Quando escreveu estas palavras, endereçadas aos cristãos de Filipos, o apóstolo estava preso no porão de sua casa, em Roma, acorrentado a um soldado romano, correndo risco de vida, em dificuldade financeira, distante de seus irmãos e amigos. Além do mais, durante todo seu ministério experimentou várias adversidades. Como alguém nesta condição, e tendo tais experiências, poderia dizer “Estou contente”? “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” significa enfrentar qualquer situação, passar por qualquer coisa, sofrer o que for, e mesmo assim ter contentamento naquele de quem vem o poder para lidar com tudo isso.  O segredo de Paulo é que ele pensava nas coisas que são do alto, e não nas que são da Terra (Colossenses 3:2), sabendo bem em quem cria e onde estava o seu verdadeiro tesouro (2 Timóteo 1:12), e que os sofrimentos desta vida em nada podem ser comparados com a glória que em nós há de ser revelada na eternidade, “Pois as nossas aflições leves e passageiras estão produzindo para nós uma glória incomparável, de valor eterno” (Romanos 8:18 - BKJA). Outra vez John Piper nos ensina: “Este é o propósito universal de Deus para todo o sofrimento cristão: mais contentamento nEle e menos satisfação no mundo.” Sim, o verdadeiro contentamento não está no dinheiro, nas coisas, no poder, nem mesmo nas pessoas. Sem Deus toda alegria é passageira, mas na Sua presença, no relacionamento vivo com Ele, não importa a situação, temos eterna paz e felicidade que excede todo o entendimento humano, e este é o objetivo de Deus!

Se você for capaz de ter contentamento em Cristo, será capaz de atravessar desertos, suportar tempestades, vencer todas as crises sem se abater. Se seu coração estiver no Senhor Jesus, se sua mente estiver no céu, então tudo neste mundo será compreendido à luz da fé e dos valores do Reino Eterno. E quem vive assim é feliz de verdade!

segunda-feira, 5 de junho de 2017

EVANGELHO CARINHOSO

evangelho

AVANÇAR É POSSÍVEL

biblia


Pr. Cleber Montes Moreira

“Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem.” (Êxodo 14:15 – leia todo o capítulo 14)


O povo subiu da terra do Egito e, por orientação divina, estava acampado em Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom. O coração do Faraó estava endurecido e disposto a perseguir a Israel. Assim, colocou todo o seu poderoso exército e seu aparato militar em seu encalço. Quando os filhos de Israel viram que os egípcios vinham atrás deles, e que pela frente estava o Mar Vermelho, temeram muito e começaram a reclamar. Era uma situação para a qual não havia, do ponto de vista humano, nenhuma saída. A razão humana não poderia cogitar nenhum enfrentamento, de igual para igual, nenhuma estratégia ou escape para o povo: Israel era nada diante do grande exército; era incapaz e impotente ante o terrível inimigo. A morte já era dada como certa. Era um caso sem solução. Entretanto, a ordem de Deus, dada a Moisés, foi: “Dize aos filhos de Israel que marchem.” 

Quando analisamos a situação do povo sob a perspectiva humana, corremos o risco de pensar na Palavra de Deus como uma grande loucura. Marchar? Para onde? Como? Mas, é exatamente num cenário como este que a fé deve entrar em ação, e fé é crer no que não se pode ver, é confiar que Deus pode fazer aquilo que para o homem é impossível, que para tudo Ele tem um propósito e que a finalidade é sempre a glorificação de Seu Santo Nome. É bom lembrar que Israel estava no lugar para onde o próprio Deus o conduzira.

Por vezes, também lidamos com fraquezas, ameaças, crises, impossibilidades… Sentimos aperto e tristeza. Somos, muitas vezes, dominados pela incredulidade e admitimos, por antecipação, a derrota. No entanto, temos a Palavra Sagrada que nos desafia a marchar.  Sim, se sabemos que Deus tem algo a cumprir em nós, ou por meio de nós, precisamos avançar, ainda que não haja um caminho aberto diante de nossos olhos. Se atrás está o inimigo, se pela frente o mar, nossa atitude deve ser de fé e não de murmúrio, de confiança na Palavra que diz: “O Senhor pelejará por vós” (v. 14), pois “Se Deus é por nós, quem será contra nós? (Romanos 8:31). Se em nós não há poder algum, é exatamente em nossa fraqueza e impotência que Deus é glorificado (2 Coríntios 12:9).

Como Israel poderia pensar que tudo acabaria ali, no deserto, se Deus havia feito tão grande promessa? Como pensar que não há solução diante de certas circunstâncias, se sabemos que o Senhor tem um plano para realizar em nós, ou por meio de nós? 

Os crentes precisam avançar! A Igreja precisa avançar! Avançar é a ordem que nos foi dada. Pode parecer loucura, mas Deus quer que avancemos e, se obedecermos, no seu tempo abrirá o mar; converterá o desespero em esperança, a fraqueza em confiança, o tremor em quietude, a angústia em paz, o impossível em milagre… Basta confiar e obedecer! 

A lição que aprendemos do deserto é que avançar é possível, não pela nossa força, criatividade, capacidade de superação, mas pela fé, somente. É como disse Jesus a Marta, irmã de Lázaro: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (João 11:40). Israel viu a glória de Deus, nós também podemos ver! Não duvide, creia e obedeça!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A VERDADE

evangelho

O DOCE QUE MATA

tentação


Pr. Cleber Montes Moreira

“Pois o salário do pecado é a morte…” (Romanos 6:23)

Meu filho ganhou um pacote das famosas balas Juquinha. Após chupar algumas, deixou as demais esquecidas em cima de uma mesa. No outro dia lembrou-se, e, ao verificá-las, observou que estavam cheias de formigas mortas, grudadas dentro das embalagens. O doce que atraiu as formigas, foi o mesmo que as matou. Isso me fez lembrar o que o pecado faz no mundo.

''O pecado me atrai, o que é proibido me fascina.'' A frase, de Clarice Lispector, demonstra como o pecado age na vida das pessoas. Ele tem um poder sedutor, é atraente, envolvente, fascinante… Pode ser um convite para um prazer ilícito, para algo perigoso, imoral, proibido… É como o açúcar que atrai as formigas. O pecado é atraente, mas é embusteiro, oferece prazer, mas produz a morte. Ele pode ter origem numa tentação externa, mas pode surgir também de um pensamento ou sentimento.  A Bíblia diz: “Mas cada um é tentado pela sua própria cobiça, quando esta o atrai e seduz; então a cobiça, havendo concebido, dá à luz o pecado, e o pecado, sendo consumado, gera a morte” (Tiago 1:14,15).  Sim, o pecado gera a morte! Não importa como se apresente a nós, o objetivo é sempre o mesmo, e suas armadilhas estão postas. Tome cuidado com suas iscas, não se deixe seduzir pelo “doce” que mata. O Pastor Josemar Bessa alerta: “Praticar o pecado é tão absurdo quanto praticar o suicídio.” Pense nisso!

quarta-feira, 31 de maio de 2017

APENAS POR ALGUM TEMPO

tentação


Pr. Cleber Montes Moreira

“E, acabando o diabo toda a tentação, ausentou-se dele por algum tempo.” (Lucas 4:13)


O verso acima está no final da narrativa de Lucas sobre a tentação de Jesus, no deserto. Destaco a parte final, que diz: “ausentou-se dele por algum tempo”.  Sim, apenas “por algum tempo”, não mais que isso. Na Bíblia NVI, o mesmo texto está assim: “O diabo o deixou até ocasião oportuna” (Lucas 4:13). Na Bíblia King James Atualizada, lemos: “O Diabo afastou-se dele até o tempo oportuno.” Significa que o inimigo não desistiu, apenas ficou no aguardo de um novo momento, à espreita. Como diz Pedro: ao redor como leão, rugindo e procurando alguma oportunidade para atacar (1 Pedro 5:8).

Mateus narra o episódio em que “começou Jesus a mostrar aos seus discípulos que convinha ir a Jerusalém, e padecer muitas coisas dos anciãos, e dos principais dos sacerdotes, e dos escribas, e ser morto, e ressuscitar ao terceiro dia”. Pedro, por sugestão do maligno, chamando o Mestre à parte, “começou a repreendê-lo, dizendo: Senhor, tem compaixão de ti; de modo nenhum te acontecerá isso”. Jesus, reconhecendo a artimanha satânica, o repreendeu dizendo: “Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não compreendes as coisas que são de Deus, mas só as que são dos homens” (Mateus 16:21-23). 

No momento da crucificação, mais uma vez o diabo o tenta, por meio de um zombador na cruz ao lado, que o desafiou: “Tu, que destróis o templo, e em três dias o reedificas, salva-te a ti mesmo. Se és Filho de Deus, desce da cruz” (Mateus 27:40). Da mesma forma, os príncipes dos sacerdotes, com os escribas, e anciãos, e fariseus disseram: “Salvou os outros, e a si mesmo não pode salvar-se. Se é o Rei de Israel, desça agora da cruz, e creremos nele” (Mateus 27:41 e 42). 
Em nenhum momento o Senhor cedeu às provocações.  Em todo tempo, consciente e determinado em sua missão, permaneceu fiel ao propósito de sua vinda.  Não desistiu da cruz, mas consumou nossa salvação!

Da mesma forma que agiu com Jesus, age conosco: Satanás nunca se dá por satisfeito, e por mais que resistamos, sempre fica à espera de uma segunda oportunidade para nos tentar e fazer cair.  Ele não desiste, não vai embora, apenas aguarda o “tempo oportuno”, nos observando, estudando nossos hábitos, procurando descobrir nossas fraquezas para prevalecer contra nós. Um descuido, e ele dá o golpe!  Por isso Jesus nos ensina: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca” (Mateus 26:41). Pedro nos exorta: “Sede sóbrios; vigiai” (1 Pedro 5:8). Charles Haddon Spurgeon nos adverte: “A verdadeira conversão dá segurança à pessoa, mas não lhe confere o direito de parar de vigiar.”

terça-feira, 30 de maio de 2017

SANTA, PERFEITA E AGRADÁVEL VONTADE


O PROPÓSITO DAS PROVAÇÕES

biblia


Pr. Cleber Montes Moreira

“Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações.” (Tiago 1:2)


Muitas lições que aprendemos ao longo da vida, aprendemos em meio às adversidades, seja na dor, na angústia, durante as crises, tribulações, lidando com opositores etc. Na escola secular, primeiro aprendemos as lições, para só então sermos submetidos à prova.  Na vida, entretanto, é durante as provas que aprendemos as mais valiosas lições. Não é sem motivo que Tiago escreveu: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma” (Tiago 1:2-4 – NVI). Sim, a provação nos faz amadurecer!

 Infelizmente, o ensino do apóstolo encontra grande oposição em nossa sociedade, inclusive no meio evangélico. A maioria das pessoas se recusa e enfrentar desafios que requerem esforços, que possam gerar dor, perdas, sofrimentos.  A maioria tem medo de encarar de frente certos problemas, porque falta fé e determinação.  É mais fácil buscar um escape que lidar com certas situações.  Há quem, diante de ameaças e perigos, seja capaz de negar até a fé. Quem age assim deixa de aprender, de contemplar novos horizontes, de sair do lugar comum, de experimentar crescimento e aperfeiçoamento em Cristo. Deixa também de contemplar milagres, livramentos, de colecionar experiências maravilhosas com Deus. Não alcança sabedoria, pois sabedoria é a soma de tudo o que aprendemos na vida, principalmente durante as adversidades. É este aprendizado que nos prepara para outros desafios adiante.

Conta-se que há muito tempo, um rei colocou uma pedra enorme no meio de uma estrada. Ele se escondeu e ficou observando se alguém tiraria o obstáculo do caminho. Alguns mercadores e homens muito ricos do reino passaram por ali e, simplesmente, deram a volta pela pedra. Alguns até esbravejaram contra o rei, dizendo que ele não mantinha as estradas limpas, mas nenhum deles tentou, se quer, remover a pedra dali. De repente, passou um camponês que transportava produtos para vender na cidade. Ao se aproximar da grande rocha, ele pôs de lado a sua carga e tentou removê-la dali. Após muita força e suor, finalmente, com muito jeito, conseguiu arrastá-la para a margem da estrada. Ao retornar para levar a sua carga, notou que havia uma bolsa no local onde estava a pedra. Aproximou-se e viu que nela continha várias moedas de ouro e um bilhete escrito pelo rei que dizia: "Todo obstáculo contém uma oportunidade para melhorarmos nossa condição". É exatamente o que a Bíblia nos ensina: a provação tem por objetivo aperfeiçoar e fortalecer o crente.  Por isso, Paulo escreveu: “Mas também nos gloriamos nas tribulações, porque sabemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança, um caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança. E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu” (Romanos 5:3-5).

Tanto nas coisas seculares quanto nas espirituais, haverá sempre impedimentos em nosso caminho. É sua reação diante de cada um deles que determinará o seu progresso ou fracasso. Você pode tentar desviar-se deles, ou então esforçar-se para removê-los; tentar fugir, ou encarar cada situação com fé, sabendo que “todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito” (Romanos 8:28), mesmo os mais terríveis obstáculos, pois em tudo há um propósito pedagógico e, para o vencedor está reservada a coroa da vida: “Feliz é o homem que persevera na provação, porque depois de aprovado receberá a coroa da vida que Deus prometeu aos que o amam” (Tiago 1:12 – NVI).

segunda-feira, 29 de maio de 2017

VOCÊ TEM FÉ?

jesus


Pr. Cleber Montes Moreira

“E ele lhe disse: Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal.” (Marcos 5:34.  Leia em sua Bíblia os versos 24 a 34)

O texto fala de uma mulher que estava enferma havia doze anos. Tinha gasto todos os seus bens com médicos, buscando a cura, sem sucesso. Certamente esta mulher não tinha vida social, religiosa e familiar saudável. Havia um preconceito enorme da sociedade em se aproximar de uma pessoa com tal enfermidade. Todo aquele que tocasse uma mulher com hemorragia, seria tido como impuro: "Mas a mulher, quando tiver fluxo, e o seu fluxo de sangue estiver na sua carne, estará sete dias na sua separação, e qualquer que a tocar, será imundo até à tarde" (Levítico 15:19 – Leia em sua Bíblia até o verso 33).

Considerando o tempo de sua enfermidade, penso que estava muito debilitada. Entretanto, a dor maior não era, certamente, aquela causada pela doença física, mas a impingida pela doença social. Não poderia se confraternizar, tinha que viver privada dos amigos, se solteira não poderia se casar, se casada não poderia ter uma relação normal com o marido. Provavelmente, até mesmo alguns familiares, por causa da cultura e do legalismo religioso, mantiveram certa distância dela. 

Esta mulher, doente e marginalizada, cujo nome não conhecemos, deixou-nos uma verdadeira lição de fé: ela foi corajosa, buscou com determinação realizar seu intento, mesmo diante da dificuldade de caminhar em meio à multidão, crendo que, se pelo menos tocasse nas vestes do Senhor, seria curada de sua enfermidade. O resultado de sua fé foi extraordinário: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz, e sê curada deste teu mal” (Marcos 5:34). Sim, a fé verdadeira é fé de resultados.  Não me refiro a fé num copo de água, em sal grosso, em superstições, ou qualquer outro tipo de fé sem base bíblica, mas a fé na pessoa de Cristo, como ser divino, Todo Poderoso, Salvador e Senhor. A fé que a mulher do texto exerceu não foi a fé numa crendice, numa religião, mas na pessoa de JESUS! Por isso recebeu a cura física, social e, acredito, também espiritual. 

Fé é acreditar no incrível, ver o invisível e esperar o impossível crendo, exclusivamente, em quem tudo pode, ainda que o mundo inteiro duvide (Leia Hebreus 11:1). Esta é a fé que produz resultados! Você tem fé? Pense nisso!

domingo, 28 de maio de 2017

DESANIMAR OU PERSISTIR?

persistencia


Pr. Cleber Montes Moreira

“Fortalecei as mãos fracas, e firmai os joelhos trementes.” (Isaías 35:3)

“Prometeu emagrecer este ano?” Esta é a pergunta que li num anúncio de um site de dietas para emagrecer, postado num famoso portal de internet.  Fiquei pensando sobre quantas pessoas teriam feito tal propósito para este ano.  Com certeza, muita gente!

Emagrecer, deixar de fumar, praticar exercícios físicos, mudar a rotina, ser mais organizado… Todo ano a mesma coisa: pessoas fazem propósitos e estabelecem metas que nem sempre são cumpridas. Por quê? Creio que as respostas sejam as mais variadas, mas uma coisa é certa: a falta de determinação, ou força de vontade, é um dos principais fatores. Em muitos casos, a distância entre o querer e o realizar pode ser medida pelo tamanho da força de vontade que se tem.  A pessoa quer, mas quando considera as dificuldades, as privações que terá que suportar, o esforço que terá que exercer, logo vem o desânimo e o alvo não é atingido. Superação dá trabalho, e nem todos estão dispostos. Entretanto, só com força de vontade é possível manter o foco e prosseguir no objetivo de conquistar o que se quer. Se você quer, de verdade, você se esforça e progride.  Se não quer, não prossegue. Esta regra vale para tudo, em qualquer setor da vida: saúde, estudos, relacionamentos, espiritualidade... Desanimar ou persistir? Nosso sincero interesse é determinante para o sucesso. Começar e parar não é um hábito salutar.

Você fez, para este ano, algum propósito que está sendo deixado de lado? Há algum alvo do qual você está se distanciando? Ainda há tempo! Reconsidere e volte ao rumo, para que no final não haja fracassos e decepções, para que você não deixe de acreditar em si mesmo. Tenha em mente que, se seu propósito é segundo o Coração de Deus, o Senhor não te abandonará, mas te dará forças o suficiente e te susterá na sua jornada. Se o desânimo bater à porta, ore mais, lute mais, busque orientação na Palavra Santa, renove seu ânimo naquele que tudo pode e está ao seu lado e, no final, tudo terá valido a pena!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

UMA ADVERTÊNCIA PARA HOJE


Pr. Cleber Montes Moreira

1- Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: "Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
2- Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido.
3- O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados.
(Lucas 12:1-3 - NVI)


Assim como os discípulos, que por causa de Jesus viviam cercados de multidões cujo principal objetivo não era o Senhor e sua doutrina, mas sim as benesses de sua presença, nós também estamos rodeados de pessoas interesseiras e oportunistas que pensam no evangelho como um meio de saciar seus desejos egoístas. Assim como os fariseus, os saduceus e outros grupos da época interpretavam e aplicavam a Lei em benefício próprio, muitos hoje fazem o mesmo em relação a Palavra de Deus.  Eles se revestem da “aparência de piedade”, mas em seu íntimo são “amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus” e perseverantes na prática do mal (Leia 2 Timóteo 3). 

Os fariseus, principalmente, eram populares e exerciam grande influência sobre o povo. Da mesma forma muitos pregadores da atualidade, bem como outras celebridades do mundo gospel, formam opinião, ditam comportamentos, influenciam vocabulário etc. Alguns atraem multidões que cegamente colaboram para a manutenção de seus “ministérios” e formação de verdadeiros “impérios”. Muitos, na busca da fama, poder e dinheiro, são tentados a seguirem o mesmo caminho. A característica principal destes falsários é proclamar um evangelho adequado a seus interesses e sob medida para atender aos seus anseios egoístas. Eles  evocam autoridade espiritual, ostentam santidade, alegam uma interpretação correta das Escrituras, demonstram piedade mas, na verdade, são hipócritas, ou seja, apenas representam um papel que não condiz com o que realmente são.

Certamente que a advertência do Mestre serve também para os discípulos de hoje. A Bíblia é viva, dinâmica, e sua mensagem é sempre atual. Cabe a nós acatar e aplicar seus princípios.


O FERMENTO DA HIPOCRISIA

“Fermento”, segundo, Godet, “é o emblema de cada princípio ativo, bom ou ruim, que possui o poder de assimilação”. Paulo usa o mesmo termo (ζύμης) ao escrever aos Gálatas que estavam se deixando enredar por um “outro evangelho”: “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9 - NVI). Conforme Beacon [1] os fariseus, com o seu “fermento” – ensinos e práticas – influenciavam as pessoas e direcionavam falsamente toda religiosidade israelita. 

O “fermento”, mencionado no verso primeiro, refere-se à presença da corrupção daqueles que agem com “hipocrisia”, no caso os fariseus. Eles foram denunciados severamente por Jesus em outros momentos, com igual rigor. Sua hipocrisia consistia em ostentar uma vida de elevada espiritualidade para ocultar sua corrupção. À vista do povo eram zelosos da Lei, dedicados à oração, santos…, mas interiormente eram como “sepulcros caiados”, conforme palavras do próprio Senhor: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus 23:27 - NVI) – limpos por fora, podres por dentro!

A exortação que o Senhor nos deixa é: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Em outras palavras: “não se contaminem”, “não se amoldem”, “não imitem a sua conduta”, “não se deixem levar” etc. Não nos assemelhemos àqueles que “posando de bons mocinhos” encobrem o mal que praticam para que no dia da vergonha não tenhamos o que temer.


O PODER DA INFLUÊNCIA

Geralmente os influenciadores são pessoas carismáticas. Eles se caracterizam por “uma presença marcante” e uma “liderança contagiante”. Entretanto, o que distingue o hipócrita do cristão autêntico não é o carisma, mas o caráter.  O cristão não é o que ele faz, mas quem ele é na essência. Jejuar, orar para ser visto, dar esmolas, o aparente zelo pelas Escrituras, ostentação de santidade, demonstração de “poder” e “autoridade” etc. podem impressionar pessoas, porém a vida do discípulo é aferida pelo Fruto do Espírito.

O site “Sempre Família” [2],  em publicação do dia 31 de outubro de 2016, elencou os dez líderes evangélicos mais influentes nas redes sociais, dentre os quais estão: Ana Paula Valadão, que tinha, até então, mais de 3 milhões de curtidas em sua página oficial no Facebook; Thalles Roberto com mais de 1 milhão de seguidores no Facebook e mais de 9 milhões de curtidas; Claudio Duarte, “o pastor cheio de graça”, como ele mesmo se intitula, com cerca de 3 milhões de curtidas no faebook e 79 mil seguidores no Twitter; Aline Barros com mais de 15 milhões de curtidas em sua página no Facebook e cerca de 4,46 milhões seguidores no Twitter; e ainda Ed René Kivitz, Silas Malafaia, o jogador Kaká e outros famosos. O que despertou-me atenção na matéria foi o comentário em destaque, logo após o título: “Suas opiniões são levadas em consideração por milhares ou até milhões de brasileiros.”

É lamentável ver um povo que não lê a Bíblia, em cegueira espiritual, sendo influenciado por homens, mesmo que muitos deles exerçam um ministério destoante da Palavra de Deus. Basta ouvir alguns sermões, canções e declarações para se ter a clareza sobre seu verdadeiro caráter.  Falo sem generalizar, mas é certo que muitos deles não podem, como Paulo, dizer: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (1 Coríntios 11:1). 

A influência maléfica de certos líderes religiosos tem levado o povo para longe de Deus. Práticas insanas e vergonhosas, ambições escusas, superstições, idolatria, liberalismo, legalismo, humanismo, universalismo e tantas outras coisas são ingredientes da massa levedada com o fermento dos perversos. Para quem tem discernimento espiritual, o “bolo” é indigesto!

Algo que agrava ainda mais a situação é que muitos desses líderes representam a ideia secular de “sucesso” e “prosperidade”, constituindo-se assim em “modelo” e “inspiração” para  novos pregadores e líderes que aspiram por ascensão na carreira. Daí vemos muitos jovens oradores, pastores, cantores e outros imitando seus ídolos nos púlpitos e palcos, sempre em busca de holofotes.

A VERGONHA DOS HIPÓCRITAS

Os hipócritas são obstinados em seu erro, e incapazes de sentir vergonha: “Ficarão eles envergonhados da sua conduta detestável? Não, eles não sentem vergonha alguma, nem mesmo sabem corar. Portanto, cairão entre os que caem; serão humilhados quando eu os castigar", declara o Senhor” (Jeremias 6:15 - NVI). Mesmo conhecendo a Palavra da Verdade preferem simular e enganar o povo.

Abraham Lincoln disse: “Você pode enganar uma pessoa por muito tempo; algumas por algum tempo; mas não consegue enganar todas por todo o tempo.” Eu acrescento: Você pode enganar as pessoas, mas jamais a Deus.  Haverá um tempo, o dia da vergonha, em que toda obrá má será descoberta e toda a hipocrisia revelada.  

Um exemplo disso são os últimos acontecimentos que ocupam os noticiários, fruto das investigações da Operação Lava Jato, que surgiram como uma bomba revelando imagens e áudios que causaram desconforto ao presidente Temer, provocaram o afastamento do senador Aécio Neves, as prisões de sua irmã Andrea Neves e de seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, dentre outros desdobramentos. As coisas feitas em oculto estão sendo expostas para vergonha de muita gente. Com os falsos profetas não será diferente.

Não há coisa pior que uma justiça injusta, uma fidelidade infiel, uma moral imoral, uma retidão dissimulada… Aqueles que usam a camuflagem de uma vida ilibada para ocultar sua corrupção agem com hipocrisia e um dia estarão desnudos à luz do Sol da Justiça, pois “não há nada encoberto que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”. 

O escritor de Eclesiastes, provavelmente Salomão, depois de considerar a vaidade que há debaixo do sol, encerra assim seu livro: “Pois Deus trará a julgamento tudo o que foi feito, inclusive tudo o que está escondido, seja bom, seja mal” (Eclesiastes 12:14). As máscaras cairão!

PARA REFLETIR

A exortação do Senhor aos discípulos é também para hoje. Estejam atentos e não se contaminem com o fermento dos perversos. Cuidado com os falsos mestres que enganam e afastam os incautos da Verdade.  Cuidado com os avarentos. Cuidado com o fermento dos políticos que desavergonhadamente oferecem ao povo um discurso destoado de suas intenções e práticas. Não imitem os maus. Submetam tudo ao crivo da Palavra Sagrada. Sigam a Cristo, não aos homens. Considerem que toda obra má e toda corrupção virá à tona e a justiça prevalecerá.

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[1] Beacon, Comentário, Mateus a Lucas, página 424
[2] http://www.semprefamilia.com.br/10-dos-lideres-evangelicos-mais-influentes-nas-redes-sociais/ (acessado em 20 de maio de 2017)

BANDEIRAS VERMELHAS?


domingo, 21 de maio de 2017

PERTO OU LONGE



Pr. Cleber Montes Moreira

“Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.” (Salmos 145:18)

Algumas pessoas, diante de certas situações, pensam que Deus está tão longe de nós que já não se importa. Outros há que, diante de certos acontecimentos, perguntam: “Onde Deus estava?” Eu, porém, pergunto: Poderia Deus se afastar de nós, criados à Sua imagem e semelhança?  Poderia Ele nos abandonar, entregando-nos à própria sorte?  Poderia deixar de nos amar com aquele amor que o levou a entregar seu próprio Filho para morrer na cruz, em nosso lugar? Poderia, ainda que por um momento, perder seu interesse, deixando de exercer seu amor, bondade e misericórdia para conosco? É o que muita gente pensa quando se encontra desanimado, sem fé, e até decepcionado. Mas, afinal, quem é que se afasta, o homem ou Deus? É o Criador quem nos abandona, ou é o ser humano que o ignora e evita a sua presença?

Pela boca do profeta Jeremias, Deus disse: “Será que uma mãe pode esquecer do seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Embora ela possa se esquecer, eu não me esquecerei de você!” (Isaías 49:15 – NVI). O que ocorre é que há pessoas que se afastam tanto de Deus que acabam pensando que é Ele quem está longe.  Entretanto, por mais que o Eterno pareça alheio e desinteressado de nós, está sempre acessível, perto, podendo ser encontrado por aqueles que, pela fé, o buscam com um coração sincero. É como disse o salmista: “Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade” (Salmos 145:18). Também diz: “Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito” (Salmos 34:18). Em Cristo, Deus se fez ainda mais perto: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1:14). O Salvador não recusa aqueles que, com confiança, chegam à sua santa presença: “E o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (João 6:37b). Sim, Ele está perto e não nos recusa quando o buscamos com um coração sincero e humilde.  Ele deseja um relacionamento dinâmico, diário e vivo com seus filhos, mas, e você, está interessado em relacionar-se com Deus?

Perto ou longe? Isso depende de sua vontade. Embora nos ame com amor eterno, o Soberano respeita nosso livre arbítrio. Pense nisso!

sábado, 20 de maio de 2017

PRAZER NA PALAVRA



Pr. Cleber Montes Moreira

“Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (Salmos 1:2)


Houve um tempo, quando na escola secular, que considerava o estudar somente como uma obrigação. Os livros eram chatos, enfadonhos, as aulas monótonas e a rotina estressante.  Tudo o que fazia era somente para cumprir com a obrigação.  Não tinha qualquer prazer, principalmente quando o assunto era matemática. Foi assim que perdi um ano e passei pelos outros sem motivação alguma.  Na época, concluí o curso de contabilidade apenas por falta de opção. Tudo o que queria era terminar os estudos e não precisar mais voltar às aulas.

Quando fazemos algo no qual não temos prazer, há sempre o risco do fracasso. Quem não ama o que faz, não faz bem feito. Quem não se especializa, fica para trás e perde a concorrência no mercado tão competitivo. Quem não adquire conhecimento, não se renova, mas desatualiza. O prejuízo é enorme!
Em termos espirituais ocorre o mesmo.  Se temos prazer em Deus e em sua Palavra, vamos bem, mas se não, não progredimos.  Ler, aprender e praticar deve ser algo intensamente prazeroso, motivador, fascinante! A Bíblia não é um livro que deve ser lido por obrigação, apenas quando passamos por uma crise ou necessitamos de alguma solução. Ela é para ser lida com prazer, comida e degustada como algo que alimenta e sacia. Ela é pão para a alma! Aquele que a lê e pratica torna-se como “árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará” (Salmos 1:3).

Meu desejo é que se cumpra entre nós a palavra que está em Amós 8:11: “Eis que vêm dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor.” Que nestas palavras tenhamos prazer e, assim como o salmista, nelas meditemos dia e noite. Só assim seremos verdadeiramente alimentados e preparados para um viver santo e de prosperidade na presença do Pai celestial.

sexta-feira, 19 de maio de 2017

A LAVA JATO E O DIA DA VERGONHA



Pr. Cleber Montes Moreira

“Nesse meio tempo, tendo-se juntado uma multidão de milhares de pessoas, a ponto de se atropelarem umas às outras, Jesus começou a falar primeiramente aos seus discípulos, dizendo: ‘Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia. Não há nada escondido que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido. O que vocês disseram nas trevas será ouvido à luz do dia, e o que vocês sussurraram aos ouvidos dentro de casa, será proclamado dos telhados.’ ” (Lucas 12:2,3 – NVI)


Os últimos acontecimentos, fruto das investigações da Operação Lava Jato, que surgiram como uma bomba nos noticiários revelando imagens e áudios que causaram desconforto ao presidente Temer, provocaram o afastamento do senador Aécio Neves, as prisões de sua irmã Andrea Neves e seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, dentre outros desdobramentos, fizeram-me recordar o texto em epígrafe. Aquilo que fizeram em oculto, para a perplexidade de todos, veio à tona – a podridão então  encoberta está sendo exposta explicitamente. Só não vê quem não quer.

O “fermento”, mencionado no verso primeiro, refere-se à presença da corrupção daqueles que agem com “hipocrisia”, no caso os fariseus. Eles foram denunciados severamente por Jesus em outros momentos, com igual rigor. Sua hipocrisia consistia em ostentar uma vida de elevada espiritualidade para ocultar sua corrupção. À vista do povo eram zelosos da Lei, dedicados à oração, santos…, mas interiormente eram como “sepulcros caiados”, conforme palavras do próprio Senhor: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia” (Mateus 23:27 - NVI) – limpos por fora, podres por dentro!

Não há coisa pior que uma justiça injusta, uma fidelidade infiel, uma moral imoral, uma retidão dissimulada… Aqueles que usam a camuflagem de uma vida ilibada para ocultar sua corrupção agem com hipocrisia e um dia estarão desnudos à luz do Sol da Justiça, pois “não há nada encoberto que não venha a ser descoberto, ou oculto que não venha a ser conhecido”. 

A exortação que o Senhor nos deixa é: “Tenham cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.” Em outras palavras: “não se contaminem”, “não se amoldem”, “não imitem a sua conduta”, “não se deixem levar” etc. “Fermento”, segundo, Godet, “é o emblema de cada princípio ativo, bom ou ruim, que possui o poder de assimilação”. Paulo usa o mesmo raciocínio ao escrever aos Gálatas que estavam se deixando enredar por um “outro evangelho”: “Um pouco de fermento leveda toda a massa” (Gálatas 5:9 - NVI). Conforme Beacon (1) os fariseus, com o seu “fermento” – ensinos e práticas – influenciavam as pessoas e direcionavam falsamente toda religiosidade israelita. 

Várias crises tem solapado o Brasil nos últimos tempos. Falamos muito em crise política e nas que dela decorrem, mas há também crise moral, religiosa, espiritual… Penso que todas tem origem no afastamento do homem de Deus. Quanto mais distante dele, mais poder o pecado tem sobre o mundo. Aliás, “o mundo jaz no maligno” (1 João 5:19), nós, porém, somos de Deus, e por isso devemos viver livres de contaminação para que em meio a esta geração corrompida e degradante sejamos “irrepreensíveis” e “inculpáveis” (Filipenses 2:15).

Cuidado com o fermento – influência – dos hipócritas e perversos. Não nos assemelhemos àqueles que “posando de bons mocinhos” encobrem o mal que praticam. Que no dia da vergonha não tenhamos o que temer. (Disse temer, e não Temer)