Pastor Cleber

O JUGO DESIGUAL E A GERAÇÃO DE “FUSCOS”

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Jugo desigual: Luz e Trevas têm gerado muitos filhos, formando uma geração de fuscos



Pr. Cleber Montes Moreira

Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel?” (2 Coríntios 6:14,15 — ACF)

Luz e Trevas viviam em guerra, e sempre travavam violentas batalhas. A Luz sempre usava as armas da Verdade, e por isso prevalecia contra as Trevas que tinham como principal instrumento a mentira. Não importando as estratégias das Trevas, todas as suas armadilhas, mordacidade, artimanhas, calúnias etc., a Verdade sempre vencia os combates.

Certa feita, num tempo de aparente trégua, enquanto as Trevas planejavam um novo ataque, a Luz começou a observá-las com olhar bondoso. Pensou se em toda aquela densa escuridão não haveria alguma virtude escondida, e que, talvez, as Trevas não fossem totalmente más. Após refletir por algum tempo sobre esta probabilidade, a Luz, cheia de boas intenções, aventou se aproximar das Trevas para conhecê-las melhor e, quem sabe, descobrir algo de bom até então encoberto.

Foi assim que a Luz, com sincera disposição, resolveu convidar as Trevas para um café. As Trevas desconfiaram do convite inusitado, mas, considerando o caráter íntegro da Luz, resolveram que aquela seria uma grande oportunidade. Então, numa noite muito escura — porque as Trevas fogem da Luz — ambas se encontraram. As Trevas foram com sua vestimenta habitual, mas a luz, para não afugentar as Trevas, vestiu-se toda de preto (da cabeça aos pés). Esta foi a primeira vez que a Luz usou aquelas roupas. Durante o café conversaram sobre vários temas, e decidiram que deveriam marcar outros encontros para dialogarem mais sobre suas diferenças — talvez pudessem por meio do respeito e do diálogo acabarem com as hostilidades. Desde então a Luz decidiu que, além de vestimentas que não ofendessem as Trevas, teria de usar outros instrumentos além da verdade, que deveria agir com mais amor e diplomacia, pois do contrário não haveria chance para a paz.

Outros encontros aconteceram, até que a Luz se encantou pelas Trevas. Inimigas históricas, agora Luz e Trevas não apenas se tornaram amigas, mas parceiras e, por fim, amantes. Não demorou muito e desta união nasceu o Fusco (lusco-fusco). No DNA características herdadas dos pais indicavam um ponto de equilíbrio entre as forças antes antagônicas: nem totalmente Luz, nem totalmente Trevas; nem totalmente verdade, nem totalmente mentira; nem totalmente bom, nem totalmente mau (…). O Lusco era o que faltava para dar ainda mais sentido àquele relacionamento.

Este “jugo desigual”, casamento entre Luz e Trevas (luz que não é luz) é uma realidade no meio religioso. Muitos evangélicos têm levantado a bandeira do “amor”, respeito e diálogo com os divergentes. Na mesa temas como aborto, ideologia de gênero, ingresso de LGBTs na membresia das igrejas, feminismo, teologia negra etc. Padres católicos, representantes afro religiosos, líderes islâmicos, dentre outros, falam em templos evangélicos. Pastores defensores da Teologia Inclusiva palestram em igrejas de denominações históricas, até então consideradas conservadoras. Faz pouco tempo que circulou nas redes sociais um convite para uma palestra de uma transexual numa igreja evangélica. Também, coisa recente, um pastor inclusivo, militante de um partido político radical, esteve pregando e divulgando seu livro numa igreja de uma denominação histórica. Nesta mesma igreja, também recente, uma pastora luterana, defensora do aborto, palestrou. Já não é incomum que apareçam em vídeos de campanhas religiosas (evangélicas) homens com aspecto feminilizado. Na semana passada, numa Faculdade Teológica de uma denominação conservadora, a pretexto de “diálogo inter-religioso”, aconteceu uma “aula esclarecedora” com um líder de uma religião que abriga grupos radicais que têm por “hobby” decapitar cristãos, isso sem falar no modo como tratam as mulheres e as crianças. As lideranças observam tais ocorrências passivamente, não sei se por indiferença, frouxidão, posicionamento politicamente correto, ou por alinhamento de convicções.

Pelo que vejo, Luz e Trevas têm gerado muitos filhos… Não são filhos da luz, mas filhos da Luz (que não é luz) com as Trevas (como se isso fosse possível). Uma geração de “fuscos” tem se formado, e é ela que, se nada for feito, estará à frente de seminários e faculdades confessionais, nas lideranças denominacionais, no pastoreio de jovens, de igrejas, e em outras posições estratégicas. E tudo isso enquanto aqueles que deveriam guardar as portas, a pretexto de respeito e “amor”, dialogam com inimigos sobre assuntos, princípios e doutrinas que deveriam ser inegociáveis.

2019-09-11

“Humildade” radiante

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Pr. Cleber Montes Moreira


Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão.” (Mateus 6:6 — BKJA)


José era um homem muito “humilde” e prestativo; ele sempre buscava oportunidades para servir, e depois saía contando para todos tudo o que fazia apenas por “amor”.

O pastor Adegivaldo é conhecido como servo exemplar e humilde. Certa feita ele resolveu inovar durante a celebração da ceia: pegou uma bacia com água e uma toalha, e lavou os pés de cada membro da igreja presente naquela reunião. Sua intenção era imitar o Senhor, e pregar para suas ovelhas um “sermão vivo”. Já no outro dia, aquela “pregação” alcançou o mundo através das redes sociais: em seus perfis ele postou um texto sobre seu feito e fotos que eternizaram aquele momento. Nos comentários, vários louvores ao pastor.

Há pessoas tão humildes, mas tão humildes, que sua humildade é como a luz do sol (é vista por todos). São como aqueles religiosos do tempo de Jesus, que faziam suas obras diante dos homens e oravam publicamente para serem vistos e elogiados (Mateus 6:1-6) — eles praticavam uma “humildade” radiante! O farisaísmo atual se assemelha ao daquele tempo, mas a advertência do Mestre é a mesma: “Guardai-vos de fazer (como eles) […]. Com toda a certeza vos afirmo que eles já receberam o seu galardão” (Mateus 6:1,6 — BKJA).

Que esta “humildade” não seja a potência motriz de nossas boas ações; que nosso amor e serviço seja sincero e sem segundas intenções.

Quando você fizer algo por amor e obediência a Cristo, não dê entrevistas, “não toques trombeta diante de ti” (v. 2); não troque o galardão do Senhor por apenas “quinze minutos” de fama. Pense nisso!

“E sejam agradecidos”

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Pr. Cleber Montes Moreira



Conta-se que três homens, sendo um ingrato, um egoísta e um agradecido, encontraram pela manhã em suas portas um buquê de rosas, tendo cada um reagido de modo diferente diante do inusitado presente.

O ingrato atirou suas rosas numa lixeira quando ia a pé para o serviço. O egoísta apanhou as rosas, sentiu seu perfume, e colocou-as num jarro para decorar sua sala. O agradecido, radiante de alegria pelo presente recebido, foi visto, enquanto fazia sua caminhada matinal, distribuindo rosas para todos que encontrava. Sempre que ofertava uma rosa, outra surgia milagrosamente em seu lugar, de forma que ao voltar para casa seu buquê ainda contava com a mesma quantidade de rosas de antes, e elas não murchavam.1

As pessoas ingratas são aquelas que tendo recebido da graça, jogam no esquecimento o que receberam. As egoístas são as que recebem e guardam para si. As agradecidas são as que recebem e compartilham com alegria.

Quando reconhecemos o favor divino, além de manifestarmos nossa gratidão a Deus, comunicamos graça ao mundo. O que recebemos — δωρεὰν (dórean) como um presente gratuito, sem pagamento, livremente, sem merecimento2 —, transmitimos, sendo não apenas retentores, mas compartilhadores da graça: “Graciosamente recebestes, graciosamente dai” (Mateus 10:8 — BKJA).

É com este sentimento que o salvo por Cristo, em gratidão ao Salvador, se dispõe a servir a Deus e ao próximo. O problema é que este espírito de gratidão está cada vez mais escasso. Certa ocasião, um jovem ao ser consultado pela comissão de indicações de sua igreja sobre a possibilidade de assumir um cargo para o ano seguinte, logo quis saber: “Quanto receberei por isso?” Ele não considerou servir com alegria àquele que para salvá-lo enviou seu Filho unigênito, nem que aquele cargo seria uma oportunidade de comunicar graça aos irmãos — ele foi ingrato, como muitos têm sido.

Paulo diz que devemos ser eucháristoi (εὐχάριστοι), agradecidos3. “E sejam agradecidos” (Colossenses 3:15 — NVI) faz parte das orientações que o apóstolo dá aos salvos, àqueles que tendo ressuscitado com Cristo devem focar nas coisas do alto, e não nas terrenas, e incorporar em seu viver os valores do Reino de Deus. É assim que “tudo o que fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai” (Colossenses 3:17 — NVI).
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1 Texto adaptado de “O Presente das Rosas”, de autoria desconhecida.
2 https://biblehub.com/greek/1432.htm (acessado em 01 de agosto de 2019)
3 https://biblehub.com/greek/2170.htm (acessado em 31 de julho de 2019)

NO FINAL, É A VERDADE QUE PREVALECE

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Pr. Cleber Montes Moreira


Há muita gente hipócrita criticando a “hipocrisia” dos outros. É notório que há hipocrisia no meio evangélico, assim como havia entre os religiosos judeus denunciados por Jesus (Mateus 15:7; 22:18 etc.), bem como sempre houve, há e haverá em todos os setores da sociedade. Porém, os hipócritas de hoje, longe do exemplo e da autoridade de Jesus, chamam hipócritas todos os que destoam de suas convicções, principalmente no campo político-ideológico. O seu modus operandi consiste em inverter a realidade: distorcem fatos, e utilizam aquela velha tática de acusarem os outros daquilo que eles fazem, e chamá-los do que são. É usando esta antiga estratégia que os hipócritas modernos rotulam de hipócritas, intolerantes, preconceituosos, racistas, fascistas, misóginos etc., seus discordantes, enquanto encenam defender minorias, lutar por justiça, liberdade, igualdade e militar pelo respeito a diversidade. Desavergonhadamente, atribuem aos outros características de seu próprio caráter, e comportamentos que lhes são peculiares, enquanto afirmam militar por aquilo que na prática contraria sua própria ideologia. Dizem defender a vida, mas querem a descriminalização do aborto, e negam o direito do cidadão de defender sua vida, sua família e propriedade, dentre outras coisas. Discursam em defesa da mulher enquanto exaltam feministas de sovacos peludos que exibem seus seios, defecam e urinam em público reivindicando “liberdade” e “direitos”. Dizem defender o pobre, o trabalhador, enquanto militam na política ao lado dos que dilapidam o erário causando o caos nos serviços públicos por falta de dinheiro; matando pessoas de fome, sucateando a saúde, a segurança, a educação e a economia. Proferem discursos eloquentes em favor das crianças, enquanto lutam para implantar nas escolas a ideologia de gênero, defendem exposições de “arte” em que os pequeninos são expostos à nudez ou mesmo incentivados a tocarem em corpos de “artistas” nus, dentre outras coisas. Falam sobre família, mas produzem textos, Projetos de Leis, fazem propagandas e apoiam campanhas contrárias aos valores basilares da sociedade. Falam contra a intolerância religiosa, mas exaltam um transexual “pregado” numa cruz em plena parada LGBT, ofendendo milhares de cristãos. Defendem o “Estado Democrático de Direito”, mas são insurgentes, advogam em favor de invasores de terras rurais e propriedades urbanas, e quando vão para as ruas se manifestarem por sua “causa” vandalizam patrimônios privados e públicos. Defendem o meio ambiente, falam contra o uso de agrotóxicos, mas queimam pneus em suas manifestações, derrubam plantações nas fazendas que invadem, lutam pela descriminalização da maconha e se calam diante do uso escancarado de drogas dentro das universidades. Adoram falar de democracia e direitos humanos, mas exaltam governos totalitários. Reclamam liberdade de imprensa, mas lutam pelo controle e cerceamento da mídia sob pretexto de “marco regulatório” — um nome pomposo para um projeto maquiavélico. Falam de paz, mas são truculentos. Para eles, alguns criminosos, inclusive homicidas, são “perseguidos políticos”. São eles os que apregoam a “descolonização” política, cultural e religiosa, mas procuram aliciar novos “colonos” de sua ideologia. Na verdade, eles que necessitam ser descolonizados (João 8:32,36).

Eles são os que “chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo […]. São sábios aos seus próprios olhos e inteligentes em sua própria opinião” (Isaías 5:20,21 — NVI); têm aparência de gente piedosa, mas, na prática, são impiedosos (2 Timóteo 3:5).

Eles defendem o amor — todas as formas de amor, mesmo aquelas que de amor nada tem —, pregam a tolerância e o respeito a diversidade, gritam alto que “o amor vence o ódio”, mas agridem todos os que ousam crer, pensar, falar e ser diferente; querem impor aos outros o seu próprio padrão. Estão entre eles aqueles que recente, nas redes sociais, picharam o logo da Convenção Batista Brasileira com a palavra “racista”, tentando colar na CBB a sua própria imagem. Foram infelizes, não grudou. É sempre assim: a mentira pode até usar as roupas da Verdade, mas no final é a Verdade que prevalece.

RÁPIDAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O “DESCONVITE” DE DOIS PRELETORES DO DESPERTAR 2019




Pr. Cleber Montes Moreira


Estes foram dias tumultuados e de troca de ofensas nas redes sociais em virtude do desconvite, pela direção da CBB, de dois preletores do Congresso Despertar 2019. De modo irresponsável, leviano e maldoso, a Convenção Batista Brasileira foi atacada, rotulada de racista, e crentes conservadores afrontados. Sobre o ocorrido faço alguns destaques:

1) A Convenção Batista Brasileira não é racista: não pratica, nem incita o racismo. A prova disso é que vários negros ocuparam ao longo da história, e ocupam ainda hoje, cargos na denominação. Inclusive o atual Secretário Geral da CBB é negro. Portanto, esta acusação nada mais é que discurso vitimista de discordantes que querem denegrir a imagem da denominação.

2) O erro cometido pela CBB foi o de não acompanhar de perto o planejamento do Despertar 2019, principalmente no que diz respeito aos convidados, o que teria evitado este transtorno. O desconvite foi um mal necessário.

3) A Convenção Batista Brasileira defende a liberdade religiosa, bem como todas as liberdades, mas ela é confessional e não pode se curvar perante discursos que contrariam suas convicções firmadas na Palavra de Deus. Se outros grupos e/ou pessoas têm outros entendimentos sobre certos temas, que tratem deles em ambiente próprio, e não no seio da denominação.

4) O tema “racismo” é pertinente e deve ser tratado, porém a denominação não deverá fazê-lo motivada por forças alinhadas a movimentos políticos, liberais e heréticos, mas à luz das Sagradas Escrituras.

5) A Convenção Batista Brasileira não pode se render a grupos liberais e nem ceder aos discursos que tentam impor “novos diálogos” sobre assuntos para os quais os batistas já têm posição formada, tais como feminismo, aborto, ideologia de gênero etc.

6) Os eventos da denominação não podem ser palco de discursos políticos/ideológicos. Eles são criados para edificar o povo batista, e não para que se constituam em palanques.

7) Os desconvidados, ainda que pese a deselegância do convite (coisa que poderia ser evitada, como já dito acima), declaram posições que ferem as convicções dos batistas da CBB e, por isso, a decisão foi, ainda que deselegante, acertada.

8) O protesto que desencadeou o desconvite partiu de muitos batistas brasileiros inconformados, cujas vozes foram ouvidas pela direção da denominação. Entre os que se manifestaram publicamente estão o Pr. Eduardo Baldaci, cujo nome foi bombardeado nas redes sociais, o pastor João Marcos Mury Aquino, e tantos outros que receberam críticas impiedosas por manifestarem sua opinião. As acusações contra eles pesam sobre todos os que zelam pela Sã Doutrina. Estes protestos foram um movimento natural e em defesa da fé, não um movimento político.

9) É ainda importante notar que muitos que criticaram a postura da denominação já se posicionaram contra a CBB no passado, por causa do desligamento da Igreja Batista do Pinheiro que, em sua legítima liberdade, resolveu seguir seu curso doutrinário distinto da CBB.

10) Muitos dentre os críticos da CBB proclamam discursos que defendem uma nova hermenêutica, a partir das pessoas e não da Bíblia, a ressignificação da Palavra de Deus (por causa de textos que dizem ser “interditivos”), a reimaginação da igreja e uma “descolonização” que nada tem a ver com liberdade, dentre outras heresias. Em sua liberdade já escolheram seu “evangelho” e seu caminho. Que façam uso de sua liberdade, e que respeitem a liberdade dos que pensam diferente. A CBB não caminha na onda do liberalismo teológico, mas tem a Palavra de Deus como seu norte.