Pastor Cleber

ATÉ QUE VOCÊ NÃO SEJA MAIS VOCÊ




Pr. Cleber Montes Moreira

“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8,9)

A verdadeira fé surge quando, pela ação do Espírito Santo, mediante o evangelho, o pecador, humildemente, percebe sua completa incapacidade de vencer o pecado e livrar a si mesmo da perdição, e passa a confiar única e exclusivamente nos méritos de Cristo, reconhecendo a eficácia de Sua Obra redentora e, convencido destas coisas, se rende, de coração quebrantado, ao Salvador e experimenta o novo nascimento. Fora da cruz não há salvação; esta verdade se compreende unicamente pela fé. Sem fé ninguém vai a Deus, sem fé é impossível agradar a Deus, sem fé ninguém conserva a viva esperança da eternidade com Deus. Sem fé a pessoa permanece morta em suas ofensas e pecados (Efésios 2:1), portanto, perdida e debaixo da condenação.

Conheci um crente que sempre dizia: “Nós, que estamos pleiteando nossa salvação….”. Ninguém está em condições de “pleitear” coisa alguma de Deus. Ninguém pode se apresentar perante a ‘justiça divina’ e contestar, argumentar, ou se valer de seus esforços para “pleitar” qualquer favor ou ‘direito’, muito menos a salvação. Não há no homem qualquer virtude que o qualifique para tal. Ao contrário, a salvação “não vem das obras, para que ninguém se glorie”, mas pela graça, por meio da fé que revela nossa impotência (Efésios 2:9). Usando um termo da moda, Deus não ‘empodera’ o homem mas, por Sua Palavra, desnuda sua fraqueza.

Se você não reconhece sua miséria, é preciso repensar sua crença. Se sua fé não te leva à convicção de que Cristo é o seu Senhor, nem à certeza da salvação, é provável que você ainda esteja confiando em suas próprias obras e merecimentos. Se esta é a sua condição, você precisa esvaziar a si mesmo de suas convicções, orgulho e soberba, e chorar amargamente perante o Salvador, rasgar seu coração e suplicar por misericórdia e perdão. Neste caso, duas atitudes são imprescindíveis: A primeira é buscar sincera e diligentemente conhecer a Verdade por meio da leitura das Escrituras Sagradas, considerando que a “fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Romanos 10:17) – ouvir, ler, meditar, acatar, para impregnar a mente. A segunda é orar persistentemente: “Senhor, ajuda-me a crer” – até que você não seja mais você, e que sua vida não seja mais sua, mas totalmente de Cristo (Gálatas 2:20).

VARINHA DE CONDÃO

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira



“E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita.” (2 Pedro 2:1-3)


O que é uma vara de condão? É uma pequena vara usada por fadas, feiticeiros, mágicos e afins, que supostamente tem atributo especial ou poder sobrenatural para exercer uma influência negativa ou positiva e, hipoteticamente, mágica. Enquanto escrevo estas primeiras linhas, meu filho de seis anos lê e observa: “Pai, isso não existe!” Tudo bem, não se desespere, pois a Teologia da Prosperidade criou, faz algum tempo, diretamente de seu terreiro, digo, oficina, a caneta ungida. As esferográficas made in China, ungidas pelo “homem de deus” em algum monte por aí, prometem ser a “vara de condão” para quem quer passar em provas, concursos públicos, assinar contratos, abrir empresas etc. Para ter uma, basta ofertar, quer dizer, “semear”, a pequena quantia de R$ 100,00 (Cem Reais). Uma proposta tentadora, já que os benefícios trazem retornos infinitamente maiores.

Pesquisando sobre o assunto, encontrei num site de leilão e compras virtuais uma caneta de marca nacional, também ungida, e cujo anúncio contém as mesmas promessas. Não sei se uma franquia da loja anterior, digo “igreja”, ou se algum novo empreendedor, digo, “homem de deus”, que abriu concorrência. Fato é que já existem outros “investidores” oferecendo o mesmo produto, um gritando mais alto que o outro para atrair a freguesia.

Não é de hoje que objetos “ungidos” têm sido colocados nas prateleiras do mercado da fé. Água ungida, sal ungido, lenços, mantos, óleos, alianças, saquinhos de cimento, tijolos, colher de pedreiro, chaves, rosas, meias de algodão, “lâmpadas benzidas em Israel”, vassouras, kits de beleza, “rendinha do milagre”, fronha… Ufa! Quase perdi o fôlego. Não dá para listar aqui todos o itens, até porque “O Fantástico Mundo dos Empreendedores da Fé” sempre surpreende com alguma novidade.1 É a “lei da oferta e da procura” que viabiliza os negócios de quem vende e quem compra. Chamar isso de evangelho é apenas questão de marketing; usar a Bíblia e afirmar falar em nome de Deus sempre dá bons resultados. A “fé”, sem a qual o “milagre não acontece”, é a “vara de condão” dos encantadores.

Os “empreendimentos religiosos” se sustentam por duas iniciativas: o desejo do (in) fiel, incauto, que busca soluções e/ou prosperidade fácil, e a ambição dos lobos vorazes, aproveitadores, falsários da Palavra. Ambos pecam pelo apetite carnal e se afastam cada vez mais de Deus; o primeiro, às vezes, pela ignorância (e ganância), o segundo pela má-fé.

Se você busca sinceramente a Deus, esteja atento: Varinha de Condão não existe! Nossa esperança em Cristo não deve ser apenas para este mundo (1 Coríntios 15:19). O evangelho não é uma promessa de soluções fáceis, imediatas e temporais, mas a Boa Nova de perdão e salvação para aquele que, pela fé, renunciar a si mesmo, tomar a sua cruz e seguir após o Salvador (Lucas 9:23).
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1 Veja aqui alguns destes objetos “ungidos”: https://www.youtube.com/watch?v=0o6rciU1SHY (acessado em 19 de abril de 2018).

ARREPENDEI-VOS

arrependimento


Pr. Cleber Montes Moreira

“E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galileia, pregando o evangelho do reino de Deus, e dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.” (Marcos 1:14,15)


Assuntos como ‘pecado’ e ‘arrependimento’ tonaram-se inadequados para este tempo, e deixaram de ser tratados em muitos púlpitos. Isso porque o que se prega tem que primeiro passar pelo crivo da opinião pública, para agradar a audiência e cooperar com a ambição do crescimento fácil que domina corações de tantos pregadores. Se o sermão for “duro de ouvir”, a frequência tende a diminuir, coisa que deve ser evitada (João 6:60,66). É óbvio que nenhum falso pregador admitirá isso, porém suas práticas os denunciam: atenuar a mensagem, abordar temas de interesse dos ouvintes, ser politicamente correto, proferir sermões de autoajuda, recorrer à psicologia e adotar outras práticas que facilitem a ‘multiplicação’ é quase que padrão. Daí vemos templos cheios de pessoas que não são confrontadas com sua pecaminosidade, em decorrência do que não experimentam verdadeira conversão. É certo que se o pecado não é denunciado, as consciências são aplacadas quanto à culpa e à necessidade de arrependimento.

Quem prega um “evangelho” que não expõe a natureza pecaminosa dos que perecem sem Cristo, que não chama ao arrependimento, engana seus ouvintes e admite na membresia da igreja pessoas sem salvação, tornando-se, perante o Senhor, culpado pelas almas que ajudou a encaminhar ao inferno. Contra estes profere o Todo Poderoso: “o seu sangue eu o requererei da tua mão” (Ezequiel 33:6,8).

Pecadores não podem ir ao Salvador sem abandonar seus pecados. Por isso, qualquer que pregue um outro “evangelho” que não convide ao arrependimento, apresenta um falso cristo e anuncia uma falsa salvação.

“Arrependei-vos” foi a primeira mensagem proclamada publicamente por Jesus, e é também a mensagem mais urgente que qualquer igreja e qualquer pregador verdadeiramente cristão tem de anunciar.

FAMÍLIA, OBRA-PRIMA DE DEUS

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Pr. Cleber Montes Moreira

“Far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele… Então o Senhor Deus fez cair um sono pesado sobre Adão, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; da costela que o Senhor Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão.” (vs. 18,21,22)


Deus é o criador da família. Sei que esta afirmação parece ser simplista e repetitiva, mas é necessária. Explico: imagine que um quadro de um pintor famoso seja pirateado, e que a réplica, cheia de imperfeições, seja exibida em alguma exposição artística. Pessoas leigas podem apreciá-la e considerá-la como sendo a original. Se colocada à venda, pode ser que alguém pague caro por ela, no entanto, se examinada por um perito, sua autenticidade logo é contestada, pois quem conhece, conhece.

Deus criou a família, como a vemos na Bíblia, a partir do casamento entre um homem e uma mulher, porém, veio o inimigo, ressignificou alguns textos, iludiu pessoas com um discurso politicamente correto e regado de “amor” (segundo o entendimento secular), e apresentou novos modelos com novas formações: dois pais, duas mães, um pai e duas ou três mães etc. A pessoa sem discernimento espiritual olha e considera tudo perfeito, mas aquele cuja mente é iluminada pelo Espírito Santo logo percebe a farsa e não se deixa iludir: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo”, e não se deixa enganar (1 Coríntios 2:14,15).

Disse o Criador, “far-lhe-ei”, e o relato bíblico afirma, “formou uma mulher, e trouxe-a a Adão”. Ao criar Eva e uni-la como esposa à Adão, Deus criou a primeira família. Por isso ela não é uma ideia humana, e nem uma sociedade que possa tomar outras configurações conforme a vontade das pessoas ou influência cultural. Reafirmo: O Senhor fez o homem, depois fez a mulher, uniu-os, e assim foi criada a família, monogâmica, e a partir de um homem e uma mulher visando sua completude (Gênesis 2:24), e ordenou-lhes: “Frutificai e multiplicai-vos” (Gênesis 1:28), coisa que só é possível numa relação heterossexual.

A família, como criada por Deus, é Sua obra-prima, outros inventos são obras falsificadas e imperfeitas.

PORQUE GEME O POVO




Pr. Cleber Montes Moreira


Uma nação não pode ser transformada com desmandos, pichações, queima de pneus, obstrução de vias, discursos de ódio, resistência e desobediência civil, mas com “Ordem e Progresso” e, sobre tudo, com ações construtivas de pessoas transformadas e tementes a Deus, que respeitam direitos, trabalham, oram pelas autoridades constituídas, buscam a paz e a justiça, e fundamentam seu voto nos valores imutáveis do evangelho. Não se iluda, a guerra política pelo poder é, antes de tudo, uma guerra entre reinos invisíveis. O modo como você pensa, se expressa, age, reage e vota indica qual reino você representa e por quem você realmente milita. Você até pode dizer que não gosta de política, mas o indiferentismo sempre favorece os maus, e ficar em cima do muro, além de demonstrar covardia, implica em conivência. Não é sem motivo que Martin Luther King disse: “O que me preocupa não é nem o grito dos corruptos, dos violentos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética... O que me preocupa é o silêncio dos bons.”

É perceptível que a realidade de uma sociedade, na maioria dos casos, é fruto de suas escolhas. Numa democracia são os eleitores responsáveis por avaliar propostas, discursos, programas de governo, cartilhas de partidos, e até a vida dos candidatos, para então, fundamentados, escolherem seus legisladores e governantes. O modo como os políticos se posicionam em relação a certos temas como liberdade, aborto, família, ideologia de gênero, respeito aos direitos, economia etc., indicarão não apenas seu viés ideológico, mas também sua posição em relação aos valores do reino de Deus revelados nas Escrituras. Digo, a posição deles e também dos que neles votam. É por isso também que o cristão deve votar com consciência, e sempre à luz do entendimento da Palavra de Deus.

Diz a Bíblia: “Quando os justos florescem, o povo se alegra; quando os ímpios governam, o povo geme”, e ainda “O rei que exerce a justiça dá estabilidade ao país, mas o que gosta de subornos o leva à ruína” (Provérbios 29:2,4). No caso do Brasil, creio que isso explica o momento difícil atual: ele é fruto de escolhas inconsequentes de pessoas que governaram e governam com irresponsabilidade, que roubaram e ainda roubam escancaradamente, e que institucionalizaram a corrupção já existente, mas que “nunca antes na história deste país” havia atingido patemares tão elevados. Não é sem motivo que o povo está gemendo.