Pastor Cleber

Os homens dos “tempos trabalhosos” serão presunçosos

Pessoas presunçosas, não ensináveis, desprezam os ensinos da Palavra de Deus… elas buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.

presunção
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“Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2 — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira

 

Outra característica dos homens dos últimos dias é que eles serão presunçosos. A palavra utilizada no texto é ἀλαζόνες (alazónes), que indica o comportamento daquele que presume de si mesmo mais do que é. No linguajar de nossos dias, é alguém que “se acha”. Na Bíblia Reina Valera de 1989, em espanhol, a tradução é “vanagloriosos”, em português “vangloriosos”, pessoa “que tem convencimento exagerado dos próprios méritos ou qualidades, que exibe suas pretensas conquistas; jactancioso, vaidoso, fanfarrão”.1 Indivúduo — ἀλαζών (alazón) — pretensioso, ostentador, orgulhoso. Segundo Fritz Rienecker e Cleon Rogers, é “alguém que se jacta e fica falando de suas próprias realizações e, em sua jactância, ultrapassa os limites da verdade e magnifica o fato a fim de se engrandecer, na tentativa de impressionar as pessoas”.2 É como um pescador que tendo apanhado um lambari conta que pescou um pirarucu tão grande, mas tão grande, que para tirar o peixe da água entortou o leito do rio.

Este comportamento jactancioso estava bem presente entre os fariseus.

Para algumas pessoas que confiavam em sua própria justiça e menosprezavam os outros, Jesus contou ainda esta parábola: “Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava em seu íntimo: ‘Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: roubadores, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este cobrador de impostos. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho’ (Lucas 18:9-12 — BKJA).

Eles ainda apreciavam orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem admirados pelos outros, faziam caridade para serem vistos, e “tocavam trombetas” diante das pessoas anunciando seus atos, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens (Mateus 6:1-5). Eles são como aquele povo que, “seguindo suas próprias inclinações”, são capazes de dizer: “Afasta-te! Fica-te aí mesmo onde estás! Não te aproximes de mim, pois sou ainda mais santo do que tu!” (Isaías 65:5 — BKJA).

Conta-se que certa vez, quando John Bunyan acabara de pregar um sermão, um dos ouvintes lhe disse: “Sua mensagem foi brilhante. Jamais ouvi alguém falar desse jeito!” Bunyan respondeu: “Eu sei, irmão. Há pouco, o diabo me disse o mesmo.” Ele sabia que a exaltação do ego é uma armadilha que deve ser evitada. Há gente tão gabola que se vangloria até de sua humildade. Tenha cuidado para não deixar o diabo inflar seu ego.

Conforme Champlin, a raíz de alazón é ale e quer dizer “perambulação”.

Era a palavra usada para indicar uma atitude mental enlouquecida ou distraída. Os “vagabundos” geralmente eram indivíduos de vil caráter, fingidos, impostores; e assim a forma verbal dessa palavra indica os “fingidos”, os enganadores; e, em sua forma nominal, veio a indicar os “jactanciosos”, que proferiam coisas altissonantes sobre eles mesmos, mas que tudo era apenas pretensão”.3

Originalmente o alazón era um desses curandeiros impostores que levavam ao povo medicamentos, encantamentos e métodos de exorcismo que, segundo eles, curavam todos os males. Isso me faz lembrar daquele carro que passava em nossas ruas vendendo uma tal “pomada milagrosa”, capaz de curar quase tudo, mas também me faz pensar nos falsos profetas, jactanciosos, oportunistas, embusteiros, que “cheios de si” alardeiam poder e autoridade para fazer prosperar, curar enfermidades, realizar coisas sobrenaturais, profetizar, exorcizar, decretar, e até dar ordens a Deus. Eles proclamam santidade, autoridade e poder que não possuem; são vangloriosos e ávidos pelo lucro e/ou status. O seu evangelho é como aquela “pomada milagrosa” — pura enganação!

Pessoas vangloriosas, jactantes, desprovidas de humildade, não ensináveis, estão presentes em toda a sociedade, e também dentro das igrejas. Elas desprezam os ensinos da Palavra de Deus, violam regras, desrespeitam o próximo, são persuasivas, e buscam posições de destaque e honra em detrimento dos outros, muitas vezes usando de má-fé.


1 Google

2 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 477, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.

3 Champlin, Russell Norman. Novo Testamento Interpretado Versículo por Versículo, Vol 5, página 386, Editora Candeia, São Paulo – SP, 1995

Votos Sologâmicos

Como um dos sinais dos “tempos trabalhosos’, o ‘sologanismo’ se mostra cada vez mais como característica deste tempo em que se prolifera a ‘autoveneração’

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“Porque haverá homens amantes de si mesmos…”(2 Timóteo 3:2)


Pr. Cleber Montes Moreira


A data escolhida, o sábado, dia 11 de maio de 2019. O horário, às 11 horas. O lugar, a Chácara Santa Felicidade, pertencente a um tio. A ornamentação, de tirar o fôlego; parecia um conto de fadas. Tudo perfeito, como planejado. Naquele dia, a noiva não atrasou.

No altar o ministro religioso aguardava, enquanto os convidados, confortavelmente acomodados, dirigiram seus olhares em direção àqueles que, ao som de uma música, executada por uma banda local, caminhavam lentamente sobre o tapete vermelho e entre arranjos floridos, pausando para fotos: casais de padrinhos, os pais da noiva, a florista e uma dama que trazia uma joia e um pequeno espelho com moldura e ornamentos dourados, após os quais eis que surge a noiva, linda, disputada por fotógrafos e cinegrafistas, bem como por amadores que com seus smarphones procuravam eternizar imagens daquele momento ímpar.

Atenta, Giulianna, de 26 anos, já no altar, ouvia emocionada uma canção oferecida por Carla, uma amiga da faculdade. O oficiante fez um pequeno sermão sobre o amor, e em seguida a dama apresentou o anel cravejado de diamantes que a própria noiva colocou em seu dedo anular esquerdo, para então, segurando o espelho, proferir votos:

Eu, Giulianna Graziane, prometo me amar, me respeitar e ser fiel a mim, a lutar em defesa de minha honra, a perseguir meus ideais, cuidar de minha saúde e bem-estar, buscar minha felicidade, apreciar as coisas boas da vida, e não desistir de mim na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, até os fins de meus dias.


Após a noiva beijar a própria imagem no espelho, o ministro impetrou a Benção Araônica e Carla cantou mais uma música durante o recessional.

Embora esta seja uma história fictícia, o casamento sologâmico é uma realidade. Não falo do tipo de cerimônia descrita acima, já comum em várias partes do mundo, mas sobre a realidade explícita em nossa sociedade: pessoas “amantes de si mesmas”, casadas consigo mesmas, narcisistas, egolátricas; comprometidas com seus próprios interesses, sonhos e valores, indiferentes ao próximo e alheias a Deus. O problema é que quando um transtorno se torna padrão de comportamento, ele deixa de ser considerado patológico. Assim, o sologanismo já não é percebido como patologia social, de tão comum que é: ser “amante de si mesmo” se firma cada vez mais como característica deste tempo em que indivíduos se ‘autoveneram’.

A morte da morte

Estudo 12 — Texto Bíblico:

1 Coríntios 15:54-58

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Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


Terrível inimiga da humanidade, a morte morrerá. Ela será lançada no lago de fogo (Ap 20:14).

Temos a rica promessa de Apocalipse 21:4: “…e não haverá mais morte”. O seguidor de Jesus superará a morte e viverá para sempre. Jesus mesmo disse (Jo 11:25). Não cremos em reencarnação, mas em algo mais rico e mais profundo, a ressurreição. Se Cristo regressar durante a nossa vida, seremos transformados. Se morrermos antes, seremos ressuscitados para não mais morrermos (1 Ts 4:13-16). O crente em Jesus viverá para sempre. Um dia, Deus nos trará à vida, uma nova qualidade de vida, e “estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4:17). A morte é paciente terminal desde o Calvário, e morrerá, enfim, quando Cristo regressar. A segunda vinda do Salvador porá o último prego no seu caixão. Seus dias estão contados na agenda de Deus. Cremos nisto. Esperamos isto.

1. O fim da história

Os gregos diziam que somos um corpo com uma alma. O corpo é o embrulho da alma imortal. Os judeus criam que alma é o sopro da vida que impregna o corpo. O homem é alma vivente (Gn 2:7). Corpo e alma são mortais (na presunção de que a alma seja apenas o fôlego da vida, distinta do espírito). Quando o homem morre, a alma se imobiliza e o corpo volta ao pó. A ideia de reencarnação é inviabilizada neste conceito. A única maneira de voltar à vida é por um novo sopro. Em Ezequiel 37, Judá cativo é como um vale de ossos secos. O sopro do Espírito lhe traz vida. Um sopro de Deus fez a primeira criação (Sl 18:15 e 33:6). Deus também soprou na nova criação do seu povo (Ez 37:9). O Espírito continua soprando, enquanto caminhamos para a última criação (Ap 21:5). Deus está fazendo um mundo novo na pessoa de Jesus (2 Co 5:17). Neste novo mundo não haverá mais morte.

A melhor descrição do mundo sem morte está em 1 Coríntios 15, um capítulo fantástico, e o estudante da Bíblia deve ler com atenção! É um dos momentos mais brilhantes de Paulo, o gênio inspirado pelo Espírito Santo. A volta de Cristo marcará o fim da história e o início do novo mundo de Deus, o mundo sem morte, o mundo da vida plena, com ele. Tudo está dependente do regresso de Jesus. A morte morrerá quando ele vier.

2. Quando a trombeta soar

O fim começará quando a trombeta soar (Mt 24:31 e 1Ts 4:16). Ela soará, num momento qualquer da história, num piscar de olhos (1 Co 15:52). O ato de piscar os olhos leva 1/16 (um dezesseis avos) de segundo. Será algo repentino. A trombeta mencionada era o shophar, de chifre de carneiro. Ela soava nos momentos de calamidade, de convocação ou de júbilo. Aqui, será de júbilo, intenso júbilo. Soará quando Cristo vier para pôr fim à história. A morte está no início da história do homem, que é escrita por eles. Eles inseriram a morte no primeiro capítulo de sua vida, ao desobedecerem a Deus. Mas ele está no comando da história, mesmo sendo esta feita pelos homens. Ele fechará o último volume. Ele lhe porá fim. Ele mandará a trombeta soar.

A morte surgiu como maldição (Gn 3). Cristo veio abolir a maldição e na consumação de sua obra, a removerá por completo (Ap 22:3). Isto trará a ressurreição da humanidade, pois a maldição da morte não mais existirá. Mas quando Cristo vier muitos estarão vivos. Como será esta mistura de mortos e de vivos? Paulo esclarece quanto à ordem dos eventos: os mortos ressuscitarão primeiro e os vivos serão transformados (1Co 15:51-52). O novo sopro se completará. Virá o julgamento final e a morte será julgada (Ap 21:14). Ela morrerá e nós viveremos para sempre, livres do seu poder (Ap 20:6).

Por isso o crente espera a trombeta soar, e canta: “Oh! Que dia faustoso esse dia há de ser! Quando o som da trombeta ecoar; Quando Cristo nas nuvens tiver de descer, Para assim entre nós habitar!” (Hino 114, CC). Que soe a trombeta!

O homem e a mulher estavam com Deus, no início, mas foram expulsos (Gn 3:23-34). Na volta de Jesus, Deus e a humanidade viverão novamente juntos (Ap 21:3-5). Como dissemos, Deus está reconstruindo o mundo na pessoa de Jesus (2 Co 5:17). Ele está fazendo um mundo novo, que se concretizará (Ap 21:5). Este é seu plano, fazer tudo convergir em Cristo (Ef 1:10). Quando este dia chegar, Cristo reinará (1 Co 15:24-28). O novo mundo iniciado em Cristo, com sua obra na cruz, será concluído. O que Paulo antecipou (2Co 5:17), a voz do trono confirmou (Ap 21:5).

3. Quando a morte morrer viveremos para sempre com Deus

O homem e a mulher estavam com Deus, no início, mas foram expulsos (Gn 3:23-34). Na volta de Jesus, Deus e a humanidade viverão novamente juntos (Ap 21:3-5). Como dissemos, Deus está reconstruindo o mundo na pessoa de Jesus (2 Co 5:17). Ele está fazendo um mundo novo, que se concretizará (Ap 21:5). Este é seu plano, fazer tudo convergir em Cristo (Ef 1.10). Quando este dia chegar, Cristo reinará (1 Co 15:24-28). O novo mundo iniciado em Cristo, com sua obra na cruz, será concluído. O que Paulo antecipou (2 Co 5:17), a voz do trono confirmou (Ap 21:5). Mostrando a unidade das Escrituras, Pedro também se pronunciou sobre o assunto, com as mesmas palavras (2 Pe 3:13).

Na descrição do novo mundo, surgem o rio da água da vida e árvore da vida (Ap 22:1,2). Em Gênesis 3:22-24, a árvore da vida foi vedada ao homem. Mas quando a trombeta soar, tudo será recuperado. Nossa vida será para sempre com Deus (1 Ts 4:17). Poderemos viver para sempre.

4.Tudo isto Cristo conseguiu na cruz

Na cruz, Jesus consumou o plano do Pai (Jo 19:30). A morte foi ferida na cruz. Paulo zombou dela, e nós nos juntamos a ele: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15:55). Podemos agir assim por causa de Jesus. Ao morrer, ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23:46). Estêvão morreu com esta expressão nos lábios: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7:59). Aliás, sua morte causou grande impacto em Paulo. Ele se referiu a ela, algumas vezes. A serena morte de um crente em Jesus abalou o poderoso fariseu e pesou em sua conversão.

A morte não mais assusta. Entristece, pois nos separa de pessoas que amamos, mas não assusta. Ela não é invencível. Cristo a venceu na cruz. Passaremos por ela, mas nós a superaremos. Cristo a minimizou (Ap 5:5-10). Ele a superou. Na cruz, Jesus morreu, mas voltou a viver. Na cruz, a morte continuou viva, mas começou a morrer. Ele a venceu. Nós a venceremos.

A cruz não sinaliza derrota, mas vitória. Ele não ficou nela, nem na sepultura. O discurso de Pedro no dia de Pentecostes (At 2:14-36) é uma excelente explicação teológica do significado da cruz, da sepultura vazia e o triunfo final de Jesus.

5. Vitória e perseverança

1 Coríntios 15 é o maior capítulo do Novo Testamento. E um dos mais vibrantes. A força espiritual e literária de Paulo brilha como nunca e nos faz antecipar momentos fantásticos e maravilhosos que desfrutaremos. Este autor, particularmente, se comove sempre que lê este poderoso argumento paulino.

O capítulo conclui com um canto de vitória e um chamado à perseverança: “Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (vv. 54-58).

Cantemos a vitória em Cristo e firmemo-nos na fé. A morte morrerá e viveremos para sempre com ele. Que venha o fim! E lembremos a última oração da Bíblia: “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém; vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).

Para pensar e agir

1. A vida cristã inclui bênçãos materiais, mas é muito mais que isso. Temos bênçãos espirituais (Ef 1.3) e esperar só bênçãos materiais é ser infeliz (1 Co 15:19). Cristo é para esta vida e para a eternidade.

2. Temos a vida eterna, a vida para sempre com Cristo. Acostumamo-nos com esta expressão, mas como ela é profunda! Louvemos a Deus por isso!

3. Cristo é o Nome sobre todo nome, e todo joelho se dobrará diante dele (Fp 2:9-11). Ele deve ser o Nome em nossa vida. O que temos e teremos é por causa dele!

Leituras Diárias

Segunda: Atos 17:18-32

Terça: Hebreus 6:1,2

Quarta: 1 Tessalonicenses 4:15-17

Quinta: João 6:40-54

Sexta: Mateus 13:41-43

Sábado: 1 Coríntios 15:41-53

Domingo: 1 Coríntios 15:54-58

A “Síndrome de Tio Patinhas”

A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.

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E lhes propôs uma parábola: “As terras de certo homem rico produziram com abundância. E ele começou a pensar consigo mesmo: ‘Que farei agora, pois não tenho onde armazenar toda a minha colheita?’. Então lhe veio à mente: ‘Já sei! Derrubarei os meus celeiros e construirei outros ainda maiores, e ali guardarei toda a minha safra e todos os meus bens. E assim direi à minha alma: tens grande quantidade de bens, depositados para muitos anos; agora tranquiliza-te, come, bebe e diverte-te! Contudo, Deus lhe afirmou: ‘Tolo! Esta mesma noite arrebatarei a tua alma. E todos os bens que tens entesourado para quem ficarão?’. Isso também acontece com quem poupa riquezas para si mesmo, mas não é rico para com Deus”. (Lucas 12: 16-21 — BKJA).


Pr. Cleber Montes Moreira


Alice é uma jovem executiva, funcionária de uma grande empresa do ramo de tecnologia. É inteligente, bonita, atraente, bem-sucedida… e A-VA-REN-TA!

Ela se veste inadequadamente para o cargo que ocupa, pois não considera razoável pagar o que suas colegas do escritório pagam pelas roupas que usam. Não aceita convites para sair com os amigos, só para não ter que dividir com eles a conta de gastos que considera desnecessários.

Por muito tempo morou num pequeno apartamento, próximo do trabalho, dividindo as despesas com outras duas jovens. Quando resolveu comprar um imóvel, pagou à vista por um apartamento bem mais simples do que poderia, considerando seu salário e a poupança acumulada. Aliás, na época ela conseguia poupar mais de 70% do que ganhava. Como não gosta de riscos, prefere a caderneta de poupança, mesmo com rendimentos menores.

Aos 32 anos ela ainda tem facilidade para iniciar relacionamentos, porém, por causa de seu comportamento avaro, seus namoros não duram muito.

Alice sofre da “Síndrome de Tio Patinhas”, patologia que ganhou este nome por causa do Tio Patinhas, personagem da Disney conhecido por sua avareza. Ele é tão mão de vaca que mesmo nadando em dinheiro não gasta um tostão, e nem empresta. Na vida real, em certas proporções, muitos assumem comportamento parecido. Para alguns especialistas, sofre da “Síndrome de Tio Patinhas” aquele que consegue poupar mensalmente 30% ou mais de sua renda líquida, o que é considerada uma poupança exagerada se o objetivo é não ficar sem dinheiro até o fim da vida. O aconselhável é acumular 20% da renda durante o período de vida ativa.1

Há gente que por causa da avareza não vive, não desfruta do que ganha, se priva de compartilhar momentos alegres, de cultivar amizades etc. O homem rico da parábola (Lucas 12:16-21) pensou apenas em acumular, desprezando o mais importante. Sua estratégia era guardar para usufruir mais tarde, porém não fez caso do tempo: no final não aproveitou a vida, não teve tempo para Deus, e se despediu deste mundo tal como veio, sem coisa alguma — porque ninguém leva para a eternidade o que junta aqui.

O sábio disse: “Quem ama o dinheiro jamais terá o suficiente; quem ama as riquezas, nunca se sentirá em paz e feliz com seus rendimentos. Certamente, isso também é ilusão, vaidade” (Eclesiastes 5:10 — BKJA). A avareza afeta a razão; na prática o avarento valoriza mais as coisas que a própria vida, pois enquanto ajunta esquece de viver.


Nota: Alice é um personagem fictício criado para contar fatos de uma história real.


1 Com informações de https://exame.abril.com.br/seu-dinheiro/o-problema-das-pessoas-que-poupam-demais/ (acessado em 25 de junho de 2019)

“A ganância de possuir mais”

O avarento é movido por um interesse obstinado pelo que não tem; é insaciável e, ao mesmo tempo, miserável; nada do que ajuntar lhe será suficiente

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“Os homens amarão a si mesmos, serão ainda mais gananciosos…” (2 Timóteo 3:2 — BKJA — grifo do autor)


Pr. Cleber Montes Moreira


Ao contrário do que muitos pensam, a avareza não se restringe aos ricos e, provavelmente, esteja mais presente entre os pobres. A questão é que muitos a compreendem como sendo o acúmulo de riquezas quando, na verdade, diz respeito a insaciabilidade. Avarento não é o rico, mas aquele que tem ambição imoderada pelo dinheiro e riquezas, independente se rico ou pobre.

Quando o Senhor foi procurado por um homem para resolver uma peleja com seu irmão, por causa de uma herança, lhe advertiu: “Tende cautela e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porquanto a vida de uma pessoa não se constitui do acúmulo de bens que possa conseguir” (Lucas 12:15 — BKJA). O que Jesus condena aqui não é o ser rico, mas o ser cobiçoso. O termo traduzido por avareza, πλεονεξίας (pleonexias), significa “cobiça, avareza. A ganância de possuir mais”1. O sentido não é o de amar o que possui, mas de interesse obstinado pelo que não tem (mesmo o que pertence aos outros). Esta disposição insaciável por dinheiro e riquezas pode estar presente tanto no coração do rico quanto do pobre.

Os avarentos, por causa da cobiça egoísta, estão sempre propensos à contenda, e chagam a maquinar o mal contra seu próximo: “As artimanhas do homem de caráter maligno são todas perversas; imagina tramas cruéis para destruir com mentiras o pobre e indefeso, mesmo quando a súplica deste é justa” (Isaías 32:7 — BKJA).

Há um provérbio belga que diz: “O avarento esfolaria um piolho para obter sua pele”. Dante Alighieri disse que “a avareza é de natureza tão ruim e perversa que nunca consegue acalmar seu afã: depois de comer tem mais fome”. E a sabedoria popular conclui que “ao avarento tanto lhe falta o que tem como o que não tem”. O avarento é insaciável e, ao mesmo tempo, miserável; nada do que ajuntar lhe será suficiente.

Agostinho disse: “Não andes averiguando quanto tens, mas o que tu és. A verdadeira felicidade não consiste em ter muito, mas em contentar-se com pouco” (ou com o que se tem). Paulo escreveu a Timóteo: “De fato, a piedade acompanhada de alegria espiritual é grande fonte de lucro. Porque ingressamos neste mundo sem absolutamente nada, e ao partirmos daqui, nada podemos levar; por isso, devemos estar satisfeitos se tivermos com o que nos alimentar e vestir. No entanto, os que ambicionam ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitas vontades loucas e nocivas, que atolam muitas pessoas na ruína e na completa desgraça. Porquanto, o amor ao dinheiro é a raiz de todos os males; e por causa dessa cobiça, alguns se desviaram da fé e se atormentaram em meio a muitos sofrimentos” (1 Timóteo 6:6-10 — BKJA). É bom pensar nisso!


1 Rienecker, Fritz – Rogers, Cleon. Chave linguística do Novo Testamento grego, página 132, Vida Nova, São Paulo-SP, 1985.