Mostrando postagens com marcador Palavra e Vida 2T 2020. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Palavra e Vida 2T 2020. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 22 de junho de 2020

A morte da morte

Estudo 12 — Texto Bíblico:

1 Coríntios 15:54-58

trigal
Imagem: Pixabay


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


Terrível inimiga da humanidade, a morte morrerá. Ela será lançada no lago de fogo (Ap 20:14).

Temos a rica promessa de Apocalipse 21:4: “…e não haverá mais morte”. O seguidor de Jesus superará a morte e viverá para sempre. Jesus mesmo disse (Jo 11:25). Não cremos em reencarnação, mas em algo mais rico e mais profundo, a ressurreição. Se Cristo regressar durante a nossa vida, seremos transformados. Se morrermos antes, seremos ressuscitados para não mais morrermos (1 Ts 4:13-16). O crente em Jesus viverá para sempre. Um dia, Deus nos trará à vida, uma nova qualidade de vida, e “estaremos para sempre com o Senhor” (1 Ts 4:17). A morte é paciente terminal desde o Calvário, e morrerá, enfim, quando Cristo regressar. A segunda vinda do Salvador porá o último prego no seu caixão. Seus dias estão contados na agenda de Deus. Cremos nisto. Esperamos isto.

1. O fim da história

Os gregos diziam que somos um corpo com uma alma. O corpo é o embrulho da alma imortal. Os judeus criam que alma é o sopro da vida que impregna o corpo. O homem é alma vivente (Gn 2:7). Corpo e alma são mortais (na presunção de que a alma seja apenas o fôlego da vida, distinta do espírito). Quando o homem morre, a alma se imobiliza e o corpo volta ao pó. A ideia de reencarnação é inviabilizada neste conceito. A única maneira de voltar à vida é por um novo sopro. Em Ezequiel 37, Judá cativo é como um vale de ossos secos. O sopro do Espírito lhe traz vida. Um sopro de Deus fez a primeira criação (Sl 18:15 e 33:6). Deus também soprou na nova criação do seu povo (Ez 37:9). O Espírito continua soprando, enquanto caminhamos para a última criação (Ap 21:5). Deus está fazendo um mundo novo na pessoa de Jesus (2 Co 5:17). Neste novo mundo não haverá mais morte.

A melhor descrição do mundo sem morte está em 1 Coríntios 15, um capítulo fantástico, e o estudante da Bíblia deve ler com atenção! É um dos momentos mais brilhantes de Paulo, o gênio inspirado pelo Espírito Santo. A volta de Cristo marcará o fim da história e o início do novo mundo de Deus, o mundo sem morte, o mundo da vida plena, com ele. Tudo está dependente do regresso de Jesus. A morte morrerá quando ele vier.

2. Quando a trombeta soar

O fim começará quando a trombeta soar (Mt 24:31 e 1Ts 4:16). Ela soará, num momento qualquer da história, num piscar de olhos (1 Co 15:52). O ato de piscar os olhos leva 1/16 (um dezesseis avos) de segundo. Será algo repentino. A trombeta mencionada era o shophar, de chifre de carneiro. Ela soava nos momentos de calamidade, de convocação ou de júbilo. Aqui, será de júbilo, intenso júbilo. Soará quando Cristo vier para pôr fim à história. A morte está no início da história do homem, que é escrita por eles. Eles inseriram a morte no primeiro capítulo de sua vida, ao desobedecerem a Deus. Mas ele está no comando da história, mesmo sendo esta feita pelos homens. Ele fechará o último volume. Ele lhe porá fim. Ele mandará a trombeta soar.

A morte surgiu como maldição (Gn 3). Cristo veio abolir a maldição e na consumação de sua obra, a removerá por completo (Ap 22:3). Isto trará a ressurreição da humanidade, pois a maldição da morte não mais existirá. Mas quando Cristo vier muitos estarão vivos. Como será esta mistura de mortos e de vivos? Paulo esclarece quanto à ordem dos eventos: os mortos ressuscitarão primeiro e os vivos serão transformados (1Co 15:51-52). O novo sopro se completará. Virá o julgamento final e a morte será julgada (Ap 21:14). Ela morrerá e nós viveremos para sempre, livres do seu poder (Ap 20:6).

Por isso o crente espera a trombeta soar, e canta: “Oh! Que dia faustoso esse dia há de ser! Quando o som da trombeta ecoar; Quando Cristo nas nuvens tiver de descer, Para assim entre nós habitar!” (Hino 114, CC). Que soe a trombeta!

O homem e a mulher estavam com Deus, no início, mas foram expulsos (Gn 3:23-34). Na volta de Jesus, Deus e a humanidade viverão novamente juntos (Ap 21:3-5). Como dissemos, Deus está reconstruindo o mundo na pessoa de Jesus (2 Co 5:17). Ele está fazendo um mundo novo, que se concretizará (Ap 21:5). Este é seu plano, fazer tudo convergir em Cristo (Ef 1:10). Quando este dia chegar, Cristo reinará (1 Co 15:24-28). O novo mundo iniciado em Cristo, com sua obra na cruz, será concluído. O que Paulo antecipou (2Co 5:17), a voz do trono confirmou (Ap 21:5).

3. Quando a morte morrer viveremos para sempre com Deus

O homem e a mulher estavam com Deus, no início, mas foram expulsos (Gn 3:23-34). Na volta de Jesus, Deus e a humanidade viverão novamente juntos (Ap 21:3-5). Como dissemos, Deus está reconstruindo o mundo na pessoa de Jesus (2 Co 5:17). Ele está fazendo um mundo novo, que se concretizará (Ap 21:5). Este é seu plano, fazer tudo convergir em Cristo (Ef 1.10). Quando este dia chegar, Cristo reinará (1 Co 15:24-28). O novo mundo iniciado em Cristo, com sua obra na cruz, será concluído. O que Paulo antecipou (2 Co 5:17), a voz do trono confirmou (Ap 21:5). Mostrando a unidade das Escrituras, Pedro também se pronunciou sobre o assunto, com as mesmas palavras (2 Pe 3:13).

Na descrição do novo mundo, surgem o rio da água da vida e árvore da vida (Ap 22:1,2). Em Gênesis 3:22-24, a árvore da vida foi vedada ao homem. Mas quando a trombeta soar, tudo será recuperado. Nossa vida será para sempre com Deus (1 Ts 4:17). Poderemos viver para sempre.

4.Tudo isto Cristo conseguiu na cruz

Na cruz, Jesus consumou o plano do Pai (Jo 19:30). A morte foi ferida na cruz. Paulo zombou dela, e nós nos juntamos a ele: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?” (1Co 15:55). Podemos agir assim por causa de Jesus. Ao morrer, ele disse: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito” (Lc 23:46). Estêvão morreu com esta expressão nos lábios: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7:59). Aliás, sua morte causou grande impacto em Paulo. Ele se referiu a ela, algumas vezes. A serena morte de um crente em Jesus abalou o poderoso fariseu e pesou em sua conversão.

A morte não mais assusta. Entristece, pois nos separa de pessoas que amamos, mas não assusta. Ela não é invencível. Cristo a venceu na cruz. Passaremos por ela, mas nós a superaremos. Cristo a minimizou (Ap 5:5-10). Ele a superou. Na cruz, Jesus morreu, mas voltou a viver. Na cruz, a morte continuou viva, mas começou a morrer. Ele a venceu. Nós a venceremos.

A cruz não sinaliza derrota, mas vitória. Ele não ficou nela, nem na sepultura. O discurso de Pedro no dia de Pentecostes (At 2:14-36) é uma excelente explicação teológica do significado da cruz, da sepultura vazia e o triunfo final de Jesus.

5. Vitória e perseverança

1 Coríntios 15 é o maior capítulo do Novo Testamento. E um dos mais vibrantes. A força espiritual e literária de Paulo brilha como nunca e nos faz antecipar momentos fantásticos e maravilhosos que desfrutaremos. Este autor, particularmente, se comove sempre que lê este poderoso argumento paulino.

O capítulo conclui com um canto de vitória e um chamado à perseverança: “Mas, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão? O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (vv. 54-58).

Cantemos a vitória em Cristo e firmemo-nos na fé. A morte morrerá e viveremos para sempre com ele. Que venha o fim! E lembremos a última oração da Bíblia: “Aquele que testifica estas coisas diz: Certamente cedo venho. Amém; vem, Senhor Jesus” (Ap 22:20).

Para pensar e agir

1. A vida cristã inclui bênçãos materiais, mas é muito mais que isso. Temos bênçãos espirituais (Ef 1.3) e esperar só bênçãos materiais é ser infeliz (1 Co 15:19). Cristo é para esta vida e para a eternidade.

2. Temos a vida eterna, a vida para sempre com Cristo. Acostumamo-nos com esta expressão, mas como ela é profunda! Louvemos a Deus por isso!

3. Cristo é o Nome sobre todo nome, e todo joelho se dobrará diante dele (Fp 2:9-11). Ele deve ser o Nome em nossa vida. O que temos e teremos é por causa dele!

Leituras Diárias

Segunda: Atos 17:18-32

Terça: Hebreus 6:1,2

Quarta: 1 Tessalonicenses 4:15-17

Quinta: João 6:40-54

Sexta: Mateus 13:41-43

Sábado: 1 Coríntios 15:41-53

Domingo: 1 Coríntios 15:54-58

terça-feira, 16 de junho de 2020

Há vida após a vida

Estudo 12 — Texto Bíblico: 1 Tessalonicenses 4

sepulcro


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

 

Cremos na ressurreição dos mortos. Ela sempre fez parte da pregação cristã (At 17:18-32) e era considerada como doutrina rudimentar (Hb 6:2). É a grande esperança cristã: há vida após a vida e o evangelho de Jesus oferece mais que qualquer outra doutrina religiosa. A reencarnação fala da volta do espírito. E não tem suporte bíblico. A ressurreição fala da volta à vida do homem integral. Não vê a matéria como má, como no orientalismo (berço da reencarnação), e ensina que Deus nos restaurará por completo. Não só a alma, mas também o corpo. A obra de Jesus é completa e visa ao homem completo.

1. A ressurreição como suporte da fé cristã

Vimos que Hebreus 6:2 mostra a ressurreição como doutrina rudimentar. Os cristãos sempre a tiveram em seu credo doutrinário. E isto é fácil de entender. A ressurreição geral (At 24:15) sucederá porque Cristo ressuscitou. Sua ressurreição afiança a de todos (Rm 6:5, 1 Co 15:12-16,21). O Pai, que o ressuscitou, fará o mesmo conosco (1 Co 6:14 e 2 Co 4:14). Nossa esperança se baseia no fato de que Jesus ressuscitou. Porque ele vive, nós viveremos.

A cruz de Jesus decretou a morte da morte. Ela é moribunda e um dia morrerá (Ap 20:14). Não apenas morrerá. Seus efeitos cessarão. Os mortos reviverão para serem julgados (Ap 20:12,13). A ressurreição do Senhor quebrou o poder da morte e o estabeleceu como Senhor e Cristo (At 2:36 e Fp 2:5-11).

Segundo Paulo, crer na ressurreição de Jesus é necessário para a salvação (Rm 10:9). A fé que salva é fé no Cristo crucificado e ressuscitado, não num Cristo mestre, modelo de ética e de caráter. É fé no Cristo levado à cruz, posto na sepultura e de lá saído. Quem não crê neste Cristo não está salvo, porque seu Cristo é impotente. Ele foi ressuscitado para nossa justificação, e sem sua ressurreição esta não aconteceria (Rm 4:25). A ressurreição de Jesus é pilastra da fé cristã (1 Co 15:14 e 17). Dezessete livros do Novo Testamento referem-se explicitamente a ela, e os outros dez tratam dela implicitamente. Negar a ressurreição geral como evento a acontecer é deturpar a fé (2 Tm 2:18). Para o apóstolo, não há como fugir disto: Cristo ressuscitou, e nós ressuscitaremos.

Curiosamente, Paulo não se preocupa em prová-la. Sua evidência está nas aparições do Ressuscitado (1 Co 15:3-8). Se alguém pedisse provas, ele diria: “Um monte de gente viu, pergunte a eles!”. Ele também vira. Nós cremos em fatos. Jesus não é um conceito. É uma pessoa, que viveu, morreu, ressuscitou, foi levado aos céus e voltará para julgar os vivos e os mortos.

2. Como será?

A ressurreição geral será com o toque da trombeta anunciando a volta de Cristo. “Num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta; porque a trombeta soará…” (1 Co 15:52). Como diz um belo hino injustamente aposentado: “Oh! Que dia faustoso, esse dia há de ser! Quando o som da trombeta ecoar” (CC, 114). Será quando Cristo retornar em poder e glória (Mt 24:31, 1 Co 15:52, 1 Ts 4:16).

Os mortos ressuscitarão primeiro e virão com ele ao encontro dos vivos, naquele dia (1 Ts 4:15-17). Como Jesus disse, os crentes nele ressuscitarão naquele dia (Jo 6:40, 44 e 54).

Isso não depende de nosso querer, de nossas obras, nem mesmo de nossa fé. Foi uma decisão de Deus. Ele assim decidiu: “Porquanto determinou um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do varão que para isso ordenou; e disso tem dado certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos” (At 17:31). A ressurreição de Jesus também coloca o mundo sob juízo. Seu retorno em poder e glória trará galardão aos crentes (2 Co 5:10) e juízo aos descrentes. Colocará o ponto final da história, consumará o reino, inaugurará a meta-história e fará com que todos os joelhos, em todos os lugares, se dobrem diante de Jesus Cristo (Fp 2:9-11).

Naquele dia, acontecerá o que Jesus anunciou: “Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles ajuntarão do seu reino todos os que servem de tropeço, e os que praticam a iniquidade, e lançá-los-ão na fornalha de fogo; ali haverá choro e ranger de dentes. Então os justos resplandecerão como o sol, no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos, ouça” (Mt 13:41-43).

Dia bendito! Ouviremos de Jesus: “Vinde, benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25:14). Dia de tristeza! Os incrédulos ouvirão: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos” (Mt 25:41).

Como será aquele dia para você?

3. O que acontecerá?

Quando Cristo retornar, os crentes que morreram serão ressuscitados e virão com ele (1 Co 15:52 e 1 Ts 4:16). Os que estiverem vivos serão transformados (1 Co 15:41-53, 1 Ts 4:17). Os ressuscitados e os transformados terão corpos glorificados (1 Co 15:42-49). Isto levanta uma questão: como serão nossos corpos e que tipo de glorificação é esta? O próprio Paulo considerou que alguém poderia fazer esta pergunta (1 Co 15:35).

Ele disse que traremos a imagem do homem celestial (1 Co 15:49). João disse que “seremos semelhantes a ele” (1 Jo 3:2). Se seremos semelhantes a ele, lembremos que ele, ressuscitado, comeu (Lc 24:41-43, Jo 21:15, At 1:4). Pode-se argumentar que ele ainda estava na terra, ressuscitado, mas não glorificado, mas, pelo menos, temos aqui algumas indicações: o Cristo ressuscitado não era um espírito, mas um corpo vivo (Lc 24:39,40) que falava, movia-se, expressava sua vontade, comia e bebia. A ressurreição é do corpo, que será transformado. Não será corruptível, como o nosso corpo atual (1 Co 15:50). Não seremos energia cósmica, pensamento puro ou almas descarnadas. Seremos corpos glorificados, imortais, como os anjos (Lc 20:36).

Talvez haja muitas perguntas mais a que não sabemos como responder. Mas de uma coisa temos certeza: viveremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4:17). Por isso, façamos nossas as palavras de outro apóstolo: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos” (1 Pe 1:3).

Para pensar e agir

Quando ensinou os crentes de Tessalônica sobre o retorno de Jesus Cristo, Paulo começou dizendo que não queria que eles fossem ignorantes (1 Ts 4:13) e depois disse que eles deveriam se consolar com estas palavras (1 Ts 4:18). A segunda vinda de Cristo não é motivo de terror, mas de júbilo. Somente crentes que não compreenderam o evangelho a temem. Os fiéis, crendo na Bíblia, dizem: “Amém; vem, Senhor Jesus”! (Ap 22:20)

E isto nos coloca diante de três atitudes que não podemos deixar de assumir:

1. Demos sempre glórias a Deus pela obra de Jesus e porque o Espírito Santo nos levou a ele. Somos salvos e temos a promessa da vida eterna com Jesus!

2. Consolemo-nos uns aos outros: este mundo é ilusório. “Nunca os bens da terra poderão comprar a mansão celeste em que tu vais morar” (CC, 329, 3a estrofe).

3. Os sem Cristo estão perdidos eternamente. Evangelizemos o mundo, a começar de nossos queridos. Eles têm direito a ouvir as boas-novas de que Jesus salva.

Diz assim um trecho do artigo XIX da Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira: “Em cumprimento à sua promessa, Jesus Cristo voltará a este mundo, pessoal e visivelmente, em grande poder e glória. Os mortos em Cristo serão ressuscitados, arrebatados e se unirão ao Senhor. Os mortos sem Cristo também serão ressuscitados. Conquanto os crentes já estejam justificados pela fé, todos os homens comparecerão perante o tribunal de Jesus Cristo para serem julgados, cada um segundo suas obras, pois através destas é que se manifestam os frutos da fé ou os da incredulidade. Os ímpios condenados e destinados ao inferno lá sofrerão o castigo eterno, separados de Deus. Os justos, com os corpos glorificados, receberão seus galardões e habitarão para sempre no céu como o Senhor”.

Leituras Diárias

Segunda: Atos 17:18-32

Terça: Hebreus 6:1,2

Quarta: 1 Tessalonicenses 4:15-17

Quinta: João 6:40-54

Sexta: Mateus 13:41-43

Sábado: 1 Coríntios 15:41-53

Domingo: 1 Coríntios 15:54-58

terça-feira, 9 de junho de 2020

Uma contracultura num mundo perdido

Estudo 11 — Texto Bíblico: Romanos 12

borboleta
Imagem: Pixabay


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


Jhon Stott, num de seus livros, chamou o evangelho de “contracultura”. Segundo ele, os cristãos devem viver em oposição à cultura do mundo. Este está sob o do Maligno, e nós somos de Deus (1 Jo 5:19). Além da cultura do mundo, há também uma “teologia do mundo”, aceita por alguns setores da igreja e alguns crentes. Acham que a igreja deve ser “amiga do mundo”. Esta não deve ser sua preocupação principal, mas sim ser leal ao se Senhor, à sua vocação, aos valores que recebeu (Tg 4:4) Há hoje muita gente fascinada pelos valores do mundo, diluindo a mensagem de Jesus para torná-la mais suave. A preocupação com megaigrejas tem levado alguns a esquecerem que a igreja deve, antes de tudo, lealdade a Jesus e ao seu evangelho. Somos uma contracultura num mundo perdido. Não que devamos nos portar arrogantemente, mas que devemos ser santos e não enamorados do mundo.

1. O ponto de partida

Partamos de Romanos 12:1,2. Após expor o conteúdo do evangelho até o capítulo 11, Paulo trata de ética (12:1). Começa com “pois”. O grego é oûn, uma partícula conclusiva, com o sentido de “portanto”. O que se segue é consequência do anterior. Por tudo que foi dito (o conteúdo do evangelho) deve-se viver de uma maneira. Primeiro a teologia (o credo). Depois a ética (a conduta). O que uma pessoa crê afeta sua maneira de ser. O seguidor de Jesus não vive como o mundo sem Jesus vive (Ef 4:18,19). Ele deve apresentar-se a Deus e não se amoldar ao mundo (Rm 12:2). “Não vos conformeis” significa “não tomar a forma do mundo”. O cristão não é massa de bolo que toma a forma de onde é posta. Ele é do Senhor, na igreja, na casa e no mundo. Ele se nega a ser moldado pelos padrões do mundo.

Devemos apresentar nossos “corpos” como um ato de culto a Deus (v. 1). O grego é sômata, que significa mais que a parte física. É “a realidade da existência, a pessoa concreta”. É a totalidade da pessoa, não só o físico. O cristão deu toda a vida a Cristo: física, mental, emocional e espiritual. Por isso, sua “mente” deve ser transformada (v. 2). “Transformai-vos” é metamorfouste, de onde vem “metamorfose”, que é passar para outro estágio. É a lagarta que se transforma em borboleta.

Eis o ponto de partida. Cremos em Jesus, assumimos o compromisso de uma vida santa. A ética segue a fé. Quem crê rompeu com o passado. O crente em Jesus não é massa de manobra. Ele ousa nadar contra a correnteza.

2. Como o Novo Testamento vê o mundo

Precisamos recuperar a visão bíblica da vida. Muitos crentes são moldados pela mídia e têm uma visão romântica do mundo. Outros o amam. A igreja contemporânea é mundana. Até os critérios para se avaliar uma igreja são mundanos e não bíblicos: a arquitetura do templo, o volume de entradas, o nível social dos membros. O critério deveria ser: quanto de Cristo ela exibe ao mundo?

Como o Novo Testamento vê o mundo? Não o cosmos ou as pessoas que Deus amou (Jo 3:16), mas “mundo” como um sistema de valores corrompidos?

Não é um olhar positivo. Somos filhos de Deus, no meio de uma geração corrupta (Fp 2:15). No longo texto de Efésios 4:17 a 5:21 há uma descrição do mundo, que é como não devemos ser. Por isso, “Não ameis o mundo, nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele” (1 Jo 2:15).

A igreja de Jesus não pode ser moldada pelo mundo nem ceder aos seus apelos. A conversa de “igrejas amigas do mundo” é perigosa. Não devemos ser beligerantes nem nos julgarmos superiores. Mas, desde o convite divino ao pai da fé, o chamado é “anda em minha presença, e sê perfeito” (Gn 17:1).

Isto não é legalismo nem fundamentalismo. Chamar alguém de legalista e fundamentalista é obra de quem não tem argumento. Isto é santidade. O padrão de vida para a igreja está no Novo Testamento, não em pesquisas de opinião ou em planos de marqueteiros eclesiásticos. Ela deve ser santa, e não bajuladora de pecadores. Paulo diz que é assim que devemos viver (Cl 1:10-12).

3. A santidade é moral, não litúrgica

No judaísmo a santidade era litúrgica. Expressava-se por ritos. No evangelho é moral. Ser santo não é adotar posturas no culto. É ter uma moral sadia. A santidade se liga ao caráter. Há uma série de declarações de Paulo que podem ser chamadas de “éreis” e “sois”. Elas mostram o que éramos antes da conversão, e o que somos agora. Entre algumas passagens “éreis”, que mostram nosso passado e como não mais devemos ser, estão Romanos 6:20,21, 1 Coríntios 6:9-11, 12:2, Efésios 5:8 e Colossenses 1:21. Veja-se ainda 1 Pedro 4:3. Entre as passagens “sois” estão Romanos 1:6, 1 Coríntios 1:30,31, 3:16,17, 5:7 e 6:19,20, Efésios 2:19-22, 5:1-8 e 1Tessalonicenses 5:5.

O exame destas passagens mostra que a conversão é um divisor de águas na vida moral da pessoa. Mudou seu destino final, de inferno para céu. Mudou sua vida aqui na terra. Seus valores mudaram. Quem aceita a Cristo tem um novo jeito de viver. O comportamento do mundo não é sadio. Podemos nos acostumar com o adultério, o roubo, o homossexualismo, a violência, porque a mídia despeja estas coisas em nossas casas e nos anestesia. Mas elas são pecado! Mesmo que as leis humanas as autorizem e punam quem as combatam, elas são pecado! A Bíblia diz que são pecado. A santidade é moral, e não gestual, como levantar as mãos, ou de volume nos cânticos. Santidade é caráter de acordo com o padrão bíblico.

4. A santidade é relacional, não mística

Na Idade Média havia os “santos no poleiro”. Eram pessoas que subiam a uma plataforma sobre um alto poste e ali ficavam anos a fio. Alguns, quando retirados, tinham os membros inferiores atrofiados. Isolavam-se do mundo, viviam de comida que lhes davam e ficavam ao relento. Eram inúteis à sociedade. Santos no poleiro não ajudam o mundo em nada.

Vivemos num mundo altamente individualista. Na cultura atual, chamada de pós-moderna, prevalece o individual sobre o coletivo. Somos uma sociedade fragmentada, em que cada um busca seu interesse. Um mundo mesquinho.

A igreja é uma comunidade e não um bando de solitários. “Deus faz que o solitário viva em família” (Sl 102:6) e isto acontece na igreja. Somos postos como família, para nos relacionar uns com os outros. Na igreja nos agrupamos como pessoas para exercitarmos a fé, aprendermos uns dos outros, aperfeiçoarmos uns aos outros, e recebermos forças para vivermos no mundo. Vivemos em grupo, exercemos a fé em grupo, e vivemos no mundo, como cristãos. A vida cristã não é vida no poleiro, mas bondade nas relações (Ef 4:32). O amor cristão não busca seus próprios interesses (1Co 13:5). Volta-se para os outros. A igreja de Jerusalém e Barnabé nos mostram isso (At 4:32-37). Os crentes devem ter vidas entrelaçadas, sendo responsáveis uns pelos outros, como se vê em 2 Coríntios 8:1-5. Muita gente levanta um poleiro espiritual, no culto, onde canta, louva, ora, mas não se envolve com os necessitados nem com a obra do reino em geral. Esta santidade mística é desvirtuada. Santidade é relacional, não intimista, apenas eu e Deus. Sou eu, Deus e meu próximo. Isto é a igreja: Deus e nós, e não Deus e eu. Isto é santidade: relações corretas com Deus e com o próximo.

Quando saímos do culto, fortalecidos pela comunhão com Deus e com os irmãos, vamos ao mundo testemunhar nossa fé. O caráter cristão, prova da nossa fé, se vê em nossas relações. Mostra misericórdia, apoio aos fracos (Rm 15:1, 1 Ts 5:14) e retidão na vida. É melhor ser ingênuo e ultrapassado que ser cruel e frio como o mundo. Deus vê e julga.

Para pensar e agir

1. Não estamos em guerra com o mundo, mas não devemos amá-lo ou cortejá-lo. Nosso amor é a Deus.

2. A solidariedade é uma das marcas da fé cristã. Sem ela, há apenas conversa oca. A santidade não são palavras. São atitudes e gestos. É o que o mundo precisa ver.

3. O que você tem feito para demonstrar solidariedade?

Leituras Diárias

Segunda: Efésios 4:17-25

Terça: Efésios 4:26-32

Quarta: Efésios 5:1-7

Quinta: Efésios 5:8-14

Sexta: Efésios 5:17-21

Sábado: Colossenses 1.9-14

Domingo: 1 João 2:15

quarta-feira, 3 de junho de 2020

A resistência às heresias


Estudo 10 — Texto Bíblico: 1 Coríntios 2:6-16

Imagem: Pixabay

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Um dos méritos de Paulo foi tirar o cristianismo do casulo do judaísmo e torná-lo uma fé universal. O evangelho é o vinho novo que não cabe em odres velhos (Mt 9:17). Paulo foi escolhido para esta missão (At 9:15,16). E lutou fortemente com os que queriam judaizar o evangelho (At 15:1-3). Ele entendeu que o evangelho era algo novo, que continuava a revelação dada aos pais, mas descontinuava o judaísmo.

Paulo é um misto de evangelista, missionário, teólogo e apologista. Sua pregação era muito bem definida e ele não permitiu sua distorção, expressando-a claramente (1 Co 15:3,4 e 4:11).

Hoje veremos o apologista Paulo. Nossa época é de condescendência. O “politicamente correto” impõe concessões que desbotam o evangelho. É difícil hoje afirmar convicções. Este autor tem lido obras teológicas em que se fala muito do “olhar do outro”, eufemismo para dizer que a opinião do outro vale tanto quanto a nossa. Se for opinião pessoal, sim, vale mesmo. Mas se o olhar do outro for fora da Bíblia, está torto. Qualquer olhar fora da ótica bíblica está errado. Por isso é oportuno ver a postura de Paulo diante das heresias e aprender com ele.

1. O problema com os judaizantes

Os judaizantes surgem cedo (At 15:1-5). O evangelho nasceu no judaísmo, mas rompeu com ele em Atos 15. Os judaizantes queriam torná-lo uma seita judaica. Insistiram e perseguiram Paulo por toda a sua vida. Fizeram um estrago doutrinário nas igrejas da Galácia (Gl 1:6-10, 3.3 e 6:12). Aliás, o estudante da Bíblia deve ler toda a epístola, para ter uma ideia do ensino judaizante.

Paulo entendeu que a justificação pela lei anularia o evangelho (Gl 2:16-21). A justificação é pela fé em Cristo, e não pela lei (Rm 3:19-24, 26-28, e 5:1). Alguns hoje tentam rejudaizar o evangelho, desde a presença de símbolos judaicos no culto, como a menorah (castiçal de sete braços), a estrela de Davi (que pode ter sido desconhecida a Davi, tendo origem na cabala judaica) e a bandeira de Israel nos templos, até indumentária, como o quipá. Muitos cânticos se baseiam nos salmos, não nos evangelhos e nas epístolas, e certo tipo de liturgia (como danças) vem mais do templo judaico que das reuniões cristãs (que seguiram o modelo da sinagoga, de cânticos e estudo da Palavra). Há cristãos mais empolgados por Israel que pela igreja. Isto é perigoso. Pode levar a esquecer-se que só há salvação em Jesus. E que o verdadeiro povo de Deus é a igreja. Deus não tem dois povos. O povo de Deus é quem crê em Jesus como Senhor e Salvador. Quem não crê em Jesus está perdido, mesmo sendo judeu (At 4:11,12).

Não podemos varrer a cruz para baixo do tapete. Ela é central à nossa fé. O único Cristo digno de fé é o crucificado (1 Co 1:18, Gl 6:14). Nosso monte é o Calvário, não o Sinai ou o Sião. Somos filhos da cruz, e não da lei. A salvação não vem pela lei, mas pela graça, por meio da fé (Gl 2:16, 3:11, Ef 2:8-9 e Tito 3:7). Isto não pode ser esquecido. Há “cristãos” que são inimigos da cruz, e seu fim é a condenação (Fp 3:18).

2. Gnosticismo: um movimento esotérico

O gnosticismo era um movimento esotérico que ensinava a salvação pela gnôsis, o conhecimento. Sobrevive hoje no racionalismo cristão e certas instituições secretas e ocultistas. Escritos antigos dão Simão, o mago (At 8:9-24) como gnóstico. Segundo fontes posteriores, ele se dizia divino e que sua amante era Helena de Tróia reencarnada. Os textos gnósticos são do segundo século de nossa era, mas eles já existiam na época do Novo Testamento. As cartas de João tratam mais detalhadamente do conflito com eles. Entre suas muitas heresias, negavam a corporeidade de Cristo, sua morte na cruz, sua ressurreição, bem como a nossa, e ensinavam a salvação por um conhecimento secreto. Opondo-se a isto, Paulo afirma que o verdadeiro mistério e o verdadeiro conhecimento estão em Cristo (1 Co 2:6-16). Ao falar da ressurreição, ele afirma que Cristo ressuscitou e nós ressuscitaremos (1 Co 15).

Alguns gnósticos eram docéticos (do verbo dokein, “parecer”) porque diziam que Jesus não era carne, apenas parecia. Para João, esta era a afirmação do anticristo (1 Jo 4:2,3). Paulo diz que Jesus veio em carne (1 Tm 3:16). Para os gnósticos, Cristo não morrera na cruz. A mensagem da cruz é central no ensino de Paulo. Ele vê a sabedoria gnóstica como falsa (1 Tm 6:20,21). E não se importava com a sabedoria humana (1 Co 2:1-5). Obviamente ele não falava do preparo intelectual, pois tinha grande capacidade cultural. Falava da gnôsis, o esoterismo gnóstico. Ao defender sua autoridade apostólica, criticou a sabedoria que vinha dos sofismas (argumento que parece válido, mas de fato não é verdadeiro). Os gnósticos louvavam-se a si mesmos, por sua sabedoria, e Paulo os ironiza: eles são insensatos (1 Co 10:12). O apóstolo é duro contra eles (1 Co 11:1-6), ao dizer que a simplicidade do evangelho estava sendo trocada pelo palavrório oco do esoterismo. É uma lição para nós: só há um Cristo, o crucificado, ressurreto, assentado à direita do Pai. O esoterismo é um discurso vazio. Não leva a nada a não ser à perdição.

3. A grande intervenção de Deus na história

Jesus veio na plenitude dos tempos (Gl 4:4). Mais tarde alguém dirá que ele é o clímax da revelação (Hb 1:1,2). Na transfiguração, ao tirar Moisés e Elias de cena, Deus disse para ouvirem a Jesus (Mt 17:1-5-8). Segundo Paulo, em Jesus Deus fez a sua mais espetacular intervenção na história. Por isso, “Cristo é tudo em todos” (Cl 3;11). É a expressa imagem de Deus (Cl 1:15). “Imagem” é grego eikon, “espelho”. Jesus é a face de Deus. Vê-lo é ver o Pai (Jo 14:8,9). Esta ideia era determinante da teologia de Paulo e ele não abria mão dela. Nada era maior que Jesus. Isto era o antídoto contra as heresias. Ele combatia tenazmente qualquer ensino que diminuísse o valor de Cristo.

As heresias atuais mostram um Cristo insuficiente. A pessoa é salva por ele, mas fica presa de demônios, de maldição de palavras, de maldição hereditária, e precisa da reza forte de um guru, para quebrar as maldições. Que tristeza: um Cristo fraco e demônios fortes. Cristo salva a pessoa, entra em sua vida, mas não consegue transformá-la e livrá-la do Maligno. Ela é nova criatura (2 Co 5:17), mas nada muda, e só passa a ser nova mesmo quando alguém quebra alguma maldição em sua vida.

Nesta visão, o salvo precisa de alguma coisa além de Cristo. Eis a base das heresias: Cristo e algo mais. Ele é a Palavra de Deus (Jo 1:1-14), o clímax da revelação (Hb 1:1,2), a expressa imagem de Deus (Cl 1:15), tem um nome sobre todo nome (Fp 2:9-11). Mas os hereges insistem: Cristo e os dons, Cristo e outra revelação (Hellen White, Livro do Mórmon, escritos neopentecostais, bulas papais etc.).

Precisamos recuperar a centralidade da pessoa de Jesus Cristo na vida da igreja. Ela é dele. Ele a comprou. Pastores e líderes não são seus donos. Apenas tomam conta dela para ele. Precisamos pregar e ensinar sobre Jesus. Sua figura está desbotada em muito cântico, que fala dos sentimentos do adorador, mas não do Adorado. Culto em que Cristo não seja o centro, cântico em que Cristo não seja glorificado, pregação em que Cristo não seja anunciado é tudo problemático. Deve ser repensado.

Para pensar e agir

O antídoto às heresias é uma cristologia forte. Se a pessoa e a obra de Jesus são bem enfatizadas, a igreja está vacinada. Se perder Jesus de vista, a igreja corre riscos. Por isso, fazemos três observações.

1. Recuperemos o valor da cruz na fé cristã. “Sim na cruz, sim na cruz, sempre me glorio”. Amarremos nossas igrejas à cruz de Cristo.

2. A igreja é um evento cristológico. Seu carro-chefe não é o louvor, nem o pregador, nem sua eclesiologia. Cristo é a razão de ser da igreja.

3. Nada além do Novo Testamento. Cristo é o clímax da revelação, e no dizer de Lutero, “o cânon dentro do cânon”. Ele é a chave para se entender as Escrituras. Sem ele não há salvação nem entendimento.

Leituras Diárias

Segunda: Atos 15:1-5

Terça: Atos 15:6-18

Quarta: Atos 15:19-25

Quinta: Atos 15:26-35

Sexta: 1 Coríntios 11:1-6

Sábado: Hebreus 1:1-2

Domingo: Colossenses 3:11

terça-feira, 26 de maio de 2020

A igreja, Cristo presente no mundo

Estudo 9 — Texto Bíblico: Efésios 4:1-16

Templo da Terceira Igreja Batista de Itaperuna/RJ


Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho


A igreja de Cristo é a mais fantástica instituição sobre face da terra. Nenhuma outra foi e é tão perseguida como ela. Várias vezes anunciaram sua falência e morte. O maior alarido veio dos teólogos da morte de Deus, nos anos sessenta e setenta. Em nosso tempo, ela é duramente atacada por “teólogos e pensadores cristãos”, que a chamam de alienada e irrelevante. Tais teólogos e pensadores são alienados: não veem a pujança da igreja. E são irrelevantes, pois o que eles dizem estará no lixo bem mais cedo do que pensam. A igreja tem o estranho hábito de sepultar seus coveiros. Eles se vão, ela fica. Como se vão seus críticos amargos, inclusive os de dentro, e ela continua.

“Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5:25). Isto a torna única. Não importa que o mundo a odeie e alguns crentes a maltratem. Cristo morreu por ela. Paulo também amava a igreja e se doou a ela (2 Co 11:28,29). O fato de tê-la perseguido doía-lhe, e ele nunca se esqueceu disto (1 Co 15:9, Gl 1:13 e Fp 3:6). A visão de Paulo sobre a igreja muito nos ajudará, pois é a visão de um perseguidor que se apaixonou por ela.


1. O que é igreja?

O que Paulo queria dizer com “igreja”? Como a descreve? O termo grego é ekklesia, que ele usa sessenta e duas vezes. Na maior parte, indica uma congregação local de cristãos. Paulo e os demais escritores do Novo Testamento nunca usam o termo como nos acostumamos: um prédio, uma denominação, um ajuntamento de igrejas ou uma instituição. Com o tempo, o termo passou a ter esses sentidos, mas no Novo Testamento, igreja é gente, é povo. Em Atos 20:28 e Apocalipse 5:9, a igreja que Jesus comprou se compõe de pessoas, não de prédios ou instituições.

Ekklesia vem de ek kaleo, “chamar”, verbo usado na convocação de um exército. Mais tarde, passou a ter sentido político: cidadãos, no uso dos direitos civis, reunidos para tomar decisões. O termo é usado assim em Atos 19:32, 39 e 41 (“assembleia”). Difere de demos (“povo”, “multidão”) por ter um caráter organizado. Paulo não lhe dá sentido político, pois é uma ekklesia “em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo” (1 Ts 1:1 e 2 Ts 1:1). E Jesus disse que seria a sua igreja (Mt 16: 18). “Igreja”, portanto, na maior parte das vezes, é um grupo local de pessoas, reunido em nome de Deus, por causa da fé em Jesus Cristo. É o povo de Deus reunido: 1 Coríntios 11:18 (“quando vos reunis como igreja” — Almeida Séc. 21).


2. A dimensão universal da igreja

A Carta aos Efésios é chamada de “a rainha das epístolas”. É o mais profundo tratado sobre a teologia da igreja já escrito. Nela, o sentido de ekklesia é mais amplo que reunião local. É uma assembleia universal (como em Hebreus 12:23). Assim Paulo usa o termo em Efésios 1:22,23, 3.10 e 21, 5:23,24, 27, 29 e 32. É oportuno ler todos os textos.

Aqui o termo alude não apenas aos salvos por Cristo num local, mas a todos os salvos de todas as épocas. Os salvos de todos os tempos são a assembleia de Cristo. Já há uma no céu (Ap 7:9). Veja também a assembleia do Cordeiro em Apocalipse 19:1 e 6. E há uma ekklesia aqui na terra, chamada de “igreja militante”. É a ekklesia de Cristo que prega, sofre e testemunha. Eram militantes as ekklesias do Apocalipse (Ap 2 e 3) e as ekklesias às quais Paulo destinou suas cartas. E o são as nossas.


3. Igreja: corpo de Cristo

Em 1 Coríntios 12:12-31 e Efésios 4:1-16, a ekklesia é mostrada como corpo. A figura mostra a interdependência e complementaridade dos crentes e das ekklesias. Num corpo, os membros dependem uns dos outros e se completam. A igreja é um grupo de pessoas que deve viver em solidariedade. Nem as pessoas nem as igrejas devem se isolar umas das outras. Veja-se principalmente 1 Coríntios 12:27. Isto é importante porque os batistas confundem autonomia da igreja com isolamento. O pé não vive isolado da mão.

A assembleia universal é chamada de “corpo de Cristo” (Ef 1:22,23). A ideia é que Jesus está presente no mundo por ela. Ela é Cristo na terra. Não há um homem que seja o “vigário (no lugar) de Cristo”. Toda a igreja é. Se Cristo está em cada crente (Jo 14:23), cada crente é morada de Cristo. E também do Pai e do Espírito Santo (Ef 2:22). Em 1 Coríntios 3:16, Paulo diz que somos “santuário de Deus”. O termo grego para santuário é naós, que a Septuaginta usa para o lugar santíssimo, onde Deus ficava. O mesmo texto diz que o Espírito habita em nós. A Trindade está presente no mundo pelos crentes em Cristo. Nós somos o corpo de Cristo, sua presença no mundo.


4. Igreja local: corpo de Cristo num lugar específico

É triste ver hoje tantos crentes falando mal da igreja. Porque não gostam de um aspecto (parece que querem que os demais sejam seus clones) ou se decepcionaram com alguém (esquecem de perdoar e parece que nunca decepcionaram alguém), atacam a igreja. Estranho: falam mal da sua assembleia, da ekklesia da qual fazem parte!

A igreja local, a ekklesia num determinado lugar, apesar dos seus defeitos, também é corpo de Cristo! Paulo disse isso aos coríntios (1Co 12:27). A mesma ideia está em Colossenses 1:24. Não há igreja local perfeita. Alguns sonhadores, vez por outra, bradam: “Voltemos à pureza, à santidade e à simplicidade da igreja primitiva!”. Não devem ter lido o Novo Testamento com atenção. Todas as epístolas foram escritas para sanar problemas das igrejas. E havia imoralidade (veja as Cartas aos Coríntios!)! Simplicidade? Veja-se a desordem na igreja de Corinto e a complexidade dos relacionamentos entre os crentes e igrejas, nas epístolas pastorais!

Com todos os seus defeitos e falhas, cada igreja local é o corpo de Cristo na terra! Somos parte deste corpo! Devemos honrá-lo e amá-lo, pois somos a igreja e somos Cristo presente neste mundo! É sério ser igreja! E é glorioso ser igreja! E somos, não pelos nossos méritos, mas pela graça de Deus. “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou” (1Co 15:10).


5. Igrejas cooperativas e solidárias

O Novo Testamento não detalha muito da vida organizacional das igrejas, exceto no episódio de Atos 15, que não foi típico nem repetido. Paulo tinha grande autoridade, mas geralmente recomendava (1 Ts 5:12-14). As igrejas eram cooperativas (2 Co 8:4, 9:1-5 e 12-14, Gl 2:9,10, Fp 3:15-18), não viviam isoladas, e os pastores não viviam em competição e em função do seu ministério, mas da obra em geral. As igrejas eram solidárias.

Procurar um modelo de organização eclesiástica nas cartas paulinas pode nos frustrar. Mas o espírito de relacionamento deve ser imitado: governo próprio, cooperação, relacionamento solidário, contribuição aos necessitados (inclusive igrejas) e visão do todo. O elo entre elas era a pessoa de Jesus Cristo, e não um modelo eclesiástico. Bem diferente da visão fragmentária de boa parte das igrejas locais de hoje, que alguém jocosamente, chamou de “adoradores do seu umbigo”.


6. Uma ideia fantástica!

A igreja nasceu, idealmente, na eternidade, na mente de Deus, antes de haver mundo (Ef 1:4). Entrou na história pela pessoa mais fantástica que já viveu, Jesus Cristo (Mt 16:18). Quando a história acabar, na meta-história, não haverá família (Mt 22:30), mas haverá igreja. Porque haverá Deus. A igreja é dele. O evento igreja é maior que o evento família.

Ela é tão fantástica que as potestades espirituais aprendem dela (Ef 3:9,10). Há quem cultue anjos e potestades. Eles aprendem da igreja! E Deus ainda trabalha nela (em mim e em você) para aperfeiçoá-la (Ef 5:27b e 4:1-16). A igreja é a menina dos olhos de Jesus, que morreu por ela!


Para pensar e agir

1. A igreja é de Cristo. Não queira ser dono dela. Não aceite donos humanos da igreja. Ela pertence a Cristo. Somos parte dela, cuidamos dela e devemos honrá-la.

2. Seja feliz em ser igreja. É o maior privilégio que alguém pode ter: ser a igreja de Jesus, salvo por ele.

3. Ame sua igreja com paixão. Doe-se a ela.


Leituras Diárias

Segunda: Apocalipse 2:1-7

Terça: Apocalipse 2:8-11

Quarta: Apocalipse 2:12-17

Quinta: Apocalipse 2:18-29

Sexta: Apocalipse 3:1-6

Sábado: Apocalipse 3:7-13

Domingo: Apocalipse 3:14-22

terça-feira, 19 de maio de 2020

Cristo: presente de Deus para o mundo

Estudo 8 — Texto Bíblico:2 Coríntios 5:18,19

Imagem: Pixabay

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Na política internacional do Oriente, o rei de uma nação, para se manter seguro, enviava presente a outro rei, de nação mais forte. Era um gesto de boas relações, uma maneira de buscar a paz. Poderíamos dizer que era um ato de “propiciação”, ou seja, “a remoção da ira mediante a oferta de algum presente”.

“Propiciação” vem de “propiciar”, que significa tornar favorável. O termo grego, usado em Romanos 3:25, é hilastérion, que significa que Deus se tornou favorável a nós pela morte de Jesus. Esta figura de linguagem mostra como Deus, de inimigos que somos, por causa de nossos pecados, faz de nós seus amigos. É a única vez que Paulo o usa, declaradamente, mas a ideia da ira afastada pelo sacrifício de Jesus domina boa parte do seu pensamento.

O verbo hebraico para “propiciar” é kipper, “fazer amizade, juntar partes em conflito”. No Novo Testamento, a ideia próxima é “reconciliação”, que se vê bem em 2 Coríntios 5:21. Deus ofereceu Cristo como presente ao mundo para fazer as pazes com este. Parece estranho, mas mostra que Deus tomou a iniciativa, em Jesus, de fazer as pazes conosco. Lembremos de João: “O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu” (Jo 3:27). Propiciação é ato de Deus, e não nosso.

1. A ira e misericórdia de Deus

Como “propiciar” tem a ideia de pacificar por meio de um presente, alguns se escandalizam. Parece que está se subornando Deus. Mas é ele quem oferece e não quem recebe. E isto é uma figura de linguagem. Para outros, isto realça muito a ira de Deus. Mas Paulo diz que Deus se ira (Rm 1:18 e Ef 5:6). Ele é tardio em irar-se (Ne 9:17), mas se ira. E ira não é ódio. É indignação. Alguns acham que Paulo foi violento e não cristão com Barjesus (At 13:4-12). Mas o mago cometera graves pecados. Lidava com artes mágicas, era falso profeta e tentava desviar alguém do caminho da salvação. E Paulo não estava cheio de ódio, mas do Espírito Santo (At 13:9).

A propiciação se dá quando Deus tempera a ira e a misericórdia. Sua ira não é um descontrole emocional, mas faz parte da sua moralidade. Se ele não se indignasse contra o erro e o pecado, não seria santo. Por ser santo, ele se ira contra o pecado. Por ser Santo, tem misericórdia. Nele, ira e paciência se ajustam (Nm 14:18). Aqui surge a propiciação.

2. Como remover a ira de Deus?

Eis a resposta: a ira não se remove. Ela se desvia (Sl 78:38). O pecado tem um preço (Rm 6:23). É tão sério aos olhos de Deus que exige a morte do pecador. O pecado só é aniquilado pela morte. Deus instituiu o sacrifício no Antigo Testamento para ensinar esta lição. É a morte, o sangue derramando, que faz a propiciação ou expiação dos pecados. Expiação (de dois fazer um ou reaproximar dois que estão distantes e em inimizade) é um conceito parecido com o da propiciação. A última avança por incluir a ideia de um presente.

3. A ideia do tabernáculo

O tabernáculo era o templo móvel de Israel, na caminhada pelo deserto. Era a morada de Deus, lugar de encontro com ele (Êx 33:7-11). Tinha o lugar santo, onde ficava o povo, e o santíssimo ou santo dos santos, onde o sumo sacerdote entrava uma vez por ano, para fazer a expiação do pecado do povo. No santíssimo ficava a arca da aliança. O nome da sua tampa era kaporeth, de um verbo da família kpr, que significa “propiciar” (Êx 25:17-22). Ali o mais perfeito ato de expiação acontecia uma vez por ano. O lugar mais importante e solene do tabernáculo era onde sucedia a propiciação. Ofertava-se a Deus para sua ira se afastar do povo. O sangue era derramado sobre a tampa da arca, chamada “propiciatório”. Propiciação e perdão andam juntos, na Bíblia. Paulo não se detém em explicar a figura, mas ela está presente em seus escritos. A expiação livrava da condenação do pecado.

O propiciatório simbolizava a cruz de Cristo, onde se efetuou o perdão dos pecados. Com uma diferença: a cruz não tem prazo de validade. No judaísmo, o perdão durava um ano. O perdão da cruz é eterno. Ela resolveu o problema do pecado para sempre (Hb 9:11-14). Cristo é o Cordeiro que remove o pecado do mundo (Jo 1:36). A propiciação, no judaísmo, simbolizava a obra de Cristo em remover os pecados e reconciliar com Deus (2Co 5:18,19).

O dia em que o sumo sacerdote entrava no santíssimo (yom kippur, o dia do perdão) era a única ocasião em que o nome de Deus era claramente proferido. O nome sagrado de Deus, que não se dizia mais no tempo de Jesus, expressava o caráter do Pai. O caráter do Pai está ligado à propiciação. Seu caráter nos garante o perdão dos pecados. Não é o nosso caráter, é o dele.

4. A obra de Cristo

Em Lucas 18:13, o publicano pede que Deus seja “propício” a ele, ou que seja sua “propiciação”. Ele precisava de perdão. O fariseu achou que não precisava, porque era bom. Deus lhe devia isto. O publicano sabia que não era bom, nada tinha de bom, e que só teria o perdão como propiciação. Ele devia a Deus. Jesus define sua missão, nesta parábola. Ele é o presente divino que reaproxima duas partes afastadas, Deus e o homem. E mostra dois tipos de pessoa. Uma que acha que não precisa de perdão, que Deus deve estar contente com ela. Outra que sabe que precisa de perdão, não o merece e pede um favor a Deus.

A propiciação é um ato de misericórdia de Deus, quando esta triunfa sobre sua ira. Paulo mostra o sangue de Jesus como nossa propiciação (Rm 3:25). Ele completa a figura do resgate, que já estudamos. A morte de Cristo na cruz leva Deus a nos ser propício.

Jesus fez a propiciação pelos nossos pecados (Hb 2:17). Ele presenteou o Pai com sua vida para nos conseguir o perdão. Aqui, a oferta é do Filho. Não há choque com textos que dizem que o Pai ofereceu o Filho. A Trindade não entra em conflito, mas age sempre em sintonia. É que Hebreus põe o Filho como agente no processo da salvação.

Jesus é a propiciação pelos nossos pecados (1 Jo 2:2). Por isso ele é nosso Advogado, junto ao Pai (1 Jo 2:1) Como o publicano, não podíamos pagar nosso débito. Jesus o pagou e por isso nos defende. Não devemos mais a Deus porque Jesus pagou os nossos pecados com a sua vida. Não se paga um débito duas vezes. Diz o Novo Comentário da Bíblia neste texto: “Tudo isso nos ajuda a perceber que, aqui, a ‘propiciação’ deve ser tomada em seu sentido usual nas Escrituras. O escritor sagrado estava descrevendo a atividade de Jesus em prol dos homens, como a única coisa que pode fazer desviar a ira divina”.

Em 1 João 4:10, o Filho é o presente dado pelo próprio Pai. Difere do pensamento de Hebreus. Mas o que interessa é que não é um presente nosso. Não temos o que oferecer. O Pai ofereceu o Filho. Aqui, não é o Filho que se presenteia ao Pai, mas é o Pai quem oferece o Filho ao mundo. A morte de Cristo é um gesto de amor do Pai (Rm 5:8). Isto é confirmado em Romanos 3:25,26, onde o Pai oferece o Filho como propiciação. Quem crê no poder do sangue de Jesus é perdoado. Um rei guerreava outro por ambição ou por se sentir ofendido. O pecado ofende a Deus e o levaria a nos guerrear, mas em Cristo ele nos estende a mão para fazer as pazes. A propiciação é ato de Deus, oferta do Pai e oferta do Filho.

Para pensar e agir

1. Deus deseja manter bom relacionamento conosco e para estabelecer esta amizade nos ofereceu Jesus Cristo. Ele é o grande presente de Deus à humanidade.

2. O perdão dos nossos pecados só é possível por causa de Jesus Cristo e é um perdão para sempre.

3. É pela fé na morte de Cristo em nosso lugar que temos paz com Deus (Rm 5:1). Não é o que somos ou o que fazemos. Ele fez. Isto é graça. Nós nos apropriamos. Isto é fé. Leia Efésios 2:8,9.

Leituras Diárias

Segunda: Êxodo 33:7-11

Terça: Êxodo 25:17-22

Quarta: Hebreus 9:11-14

Quinta: Romanos 3:25-26

Sexta: Lucas 18:9-14

Sábado: 1 João 2:1,2

Domingo: Salmo 78:38,39

segunda-feira, 11 de maio de 2020

O preço do resgate

Estudo 7 — Texto Bíblico: Romanos 3:23,24; 6:16-22

Imagem: Pixabay

Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Podemos dizer, de maneira bem simples, que “redenção significa livrar alguém por meio do pagamento de um preço”. Era assim que os prisioneiros de guerra podiam ser libertados. Pagava-se um valor, chamado de “resgate”. Entre os gregos e romanos, um escravo podia ser libertado pagando-se um valor no santuário de uma pseuda divindade pagã. O processo se chamava redenção, e o preço se chamava resgate.

Esta é uma das metáforas de Paulo para a obra salvadora de Cristo. E, nesta figura de linguagem, ele também associa “redenção” com “resgate”. O termo grego para ambos é lytron, que se usava para o pagamento de resgate de escravos de guerra. No grego clássico, na 14ª. rapsódia da Ilíada, o termo lytron é usado para a recuperação do cadáver de Heitor das mãos dos gregos. Um dicionário grego define o termo assim: “É aquilo que se oferece para libertar e resgatar um homem de uma escravidão bárbara”. Paulo usa apolytrôsis, que também tem o sentido de “livramento sob pagamento de um preço”, e mostra este preço como sendo a morte de Jesus. O termo ocorre dez vezes no NT e apenas oito no grego clássico. Alguns teólogos e estudiosos se chocam com a ideia de Deus negociar com Satanás, mas isto é uma metáfora e não uma realidade. Não há motivo para escândalo.

1. O uso do termo redenção no pensamento bíblico

O Antigo Testamento foi escrito em hebraico. Mais tarde, quando foi traduzido para o grego, chamou-se Septuaginta. Esta tradução, conhecida também pela sigla LXX, influenciou muito o pensamento dos escritores do Novo Testamento. Eles foram pregar a judeus fora da Palestina, e muitos destes ignoravam aramaico e hebraico. Falavam o grego, que era uma língua universal, como o inglês, hoje. Os pregadores do Novo Testamento escreveram em grego e se valeram da Septuaginta. A primeira vez que a expressão ocorre é em Êxodo 13.13. Os primogênitos, desde a saída do Egito, pertenciam a Iavé. A ideia ocorre em Êxodo 4.22, onde Israel é declarado como primogênito de Iavé. Em Êxodo 13:2, todo animal primogênito é de Iavé. Mas o jumento era muito necessário, pela sua força física, para o trabalho no campo. Ele podia ser resgatado, ou seja, poderia se pagar um preço por ele, como lemos em Êxodo 13:13. Nesta primeira ocorrência bíblica, a ideia é de dar algo em troca de algo. Um cordeiro, por exemplo. Resgate, aqui, é dar um valor para se ter algo que fora da pessoa, mas que agora não era mais.

A segunda ocorrência surge em Êxodo 21:28-30. Como não era um homicídio doloso, o dono do boi podia pagar um valor (em hebraico, kopher) para redimir sua vida ameaçada. O princípio da lei mosaica era vida por vida e ele, para não ser morto, pagaria um preço. Aqui, é pagar um preço para ter vida. A pessoa era culpada, mas pagava um preço e se livrava da condenação. Em Êxodo 30:12 reaparece a ideia, agora com o sentido de “cobertura”. Os israelitas eram recenseados, temporariamente, provavelmente para se dispor deles em algum serviço oficial. Pagariam um resgate, um valor, por isto. Uma taxa (imposto) pelo direito de serem do Senhor.

Com o tempo, a palavra, tanto no grego (lytron) como no latim (redimo) passou a ter a ideia de um preço pago para comprar um escravo ou um cativo, tornando-o livre. Pagava-se um preço (“resgate”) pela redenção (a liberdade) do cativo. Em Hebreus 11:35, o termo grego ocorre e é traduzido pela Versão Revisada como “livramento”. Os heróis da fé preferiram não ser livrados. Mas esta é a ideia: livramento mediante pagamento. Em Isaías 43:3, por exemplo, Iavé diz que deu partes da África a Ciro, como resgate de Judá. Livrou a nação do cativeiro, dando-lhe outras nações.

2. O que diz a teologia

Muita gente pensa que teologia é algo complicado. E não é. Ela nos ajuda a entender as verdades de Deus. Por isso, fiquemos com uma definição teológica de “redenção”: “Redenção inclui tudo aquilo que chamamos salvação: livramento do pecado, perdão dos pecados, justificação, santificação e a vida eterna. É o ato pelo qual a pessoa passa a ser de Deus”. Longe de Deus, a pessoa é escrava do pecado (Jo 8:34,35). Ela encontra sua liberdade em Cristo (Jo 8:36). E é libertada para não mais ser escrava de ninguém (Gl 5:1). É livre.

3. Cristo, o Redentor

Dos muitos títulos de Cristo, este, sem dúvida, é um dos mais preciosos para o fiel. O Novo Testamento o mostra como sendo o Redentor. Vejamos seu ensino:

1. Em Cristo temos a redenção dos nossos pecados, não sendo mais nós escravos deles: Romanos 3:23,24. Veja também, a propósito, Romanos 6:16-22. Antes de sermos comprados por Cristo, nós nos oferecíamos ao pecado, para fazer sua vontade. Éramos seus servos: Romanos 7:14. Agora, livres, nós nos oferecemos a Cristo para fazer a sua vontade. “Mas, um momento! Mudamos de servos para servos? Então, não ficamos livres!”, dirá alguém. Quando estávamos debaixo do pecado, não conseguíamos não pecar (Rm 7:23,24). Agora, em Cristo, libertados e tornados livres do pecado, podemos não obedecer a ele e desejamos nos apresentar a Deus para fazer a sua vontade (Rm 12:1,2). O crente de conversão autêntica deseja fazer a vontade do Senhor (At 22:8-10). A submissão ao pecado era escravizante, mas a submissão a Deus é voluntária e enche nossa vida de significado. Não somos mais escravos do pecado (Rm 6:17), mas servos voluntários de Deus.

2. O sangue de Cristo, a sua morte na cruz, foi o preço pago pela nossa redenção: Romanos 3:25. Não foi o Pai quem obrigou o Filho, mas o Filho que se ofereceu a si mesmo e ofereceu seu sangue, como o preço para nos libertar. E quando libertou, nos deu de presente ao Pai: Apocalipse 5:9,10. O Filho não foi um curandeiro nem um pregador de autoajuda nem sequer um revolucionário social, mas alguém que se deu como resgate (“preço”) por nós: Marcos 10:45.

3. Ao nos comprar, ele acabou com a nossa condição de escravos e nos tornou participantes de sua natureza, a de Filho: 2 Pedro 1:4. Ele nos tornou seus irmãos, na linguagem do autor de Hebreus, pois passamos a ser filhos do Pai: Hebreus 2:11,12. Tínhamos a natureza de Adão e passamos a ter a natureza de Cristo.

4. A nossa redenção nos faz participantes, também, da ressurreição, da ascensão e da glorificação de Cristo: Romanos 4:25 e 8;29,30. Isto significa que temos vida na vida de Cristo. E porque ele ressuscitou, seremos ressuscitados (1Co 15:20-22) e como ele foi glorificado, nós também o seremos (1Jo 3:2). Ao efetuar a nossa redenção, Jesus nos deu sua natureza vitoriosa, sua natureza ressurreta e sua natureza glorificada, e estas duas últimas nós receberemos no tempo apropriado. Isto tudo porque fomos tirados do domínio do pecado e passamos a ser propriedade do Pai.

Para pensar e agir

1. Redenção ou resgate é a essência da salvação. Significa que fomos comprados para Deus, como o texto de Apocalipse 5:9,10 já nos mostrou.

2. Como consequência ética da nossa redenção, reconheçamos que somos o santuário do Espírito Santo e não mais escravos de alguém nem mesmo donos de nossa vida (1 Co 6:19,20). Neste texto, “corpos” é o grego sôma, que designa mais que a estrutura física. É o âmago do ser, da pessoa, seu centro volitivo e afetivo. Cristo fez a redenção de todo o nosso ser, para sermos do Senhor.

3. Pensemos em 1 João 4:4 e 5;19. Somos do Senhor. Aquele que está em nós, o nosso dono atual, é maior que o dono antigo. Nada de transigir com o pecado. Já que fomos libertados, lembremos de Gálatas 5:1: “Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jugo de escravidão”.

Leituras Diárias

Segunda: Romanos 12:1-8

Terça: Apocalipse 5:9-14

Quarta: Hebreus 2

Quinta: 1 Coríntios 15;20-22

Sexta: 1 João 1,2

Sábado: Marcos 10:35-40

Domingo: Marcos 10:41-15