Pastor Cleber

ORGULHO E OUTROS PECADOS

Imagem: Pixabay


Tanto o orgulho do ‘fariseu’ quanto o orgulho do liberal mata: ambos estão ‘ensimesmados’ e afastados da verdade.



Pr. Cleber Montes Moreira


Como caíste desde o céu, ó Lúcifer, filho da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. Contudo, levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo.” (Isaías 14:12-15)


Há um texto que viralizou nas redes sociais, replicado até por líderes religiosos, que posto abaixo na íntegra, tal como recebi, e comento a seguir:

Lúcifer não foi expulso do céu porque se embriagou, adulterou, fornicou, se prostituiu, porque usou drogas, porque ouvia e cantava música não religiosa, ou era gay. Mas ele caiu pelo seu próprio orgulho, caiu pela soberba em se achar melhor que Deus.
Essa geração está equivocada. Condenam as pessoas que fraquejam.
Se acham maiores espiritualmente que todos porque frequentam igrejas, se acham mais santos que o Espírito Santo. Acreditam que pecado é só se embriagar, se prostituir, usar drogas, entre outros.
Mas, se esquecem que o orgulho transformou anjo em demônio e homem em bicho. Pior do que cair e ser exposto como alguém que fraquejou é viver caído pela própria soberba e orgulho de se achar único e sem pecado no mundo.

É verdade que o pecado de Satanás foi o orgulho, conforme nos ensinam as Escrituras. Entretanto, este texto é tendencioso e contribui com a estratégia do próprio diabo em amenizar as consequências de certas práticas pecaminosas, e de colar nos discordantes rótulos de “orgulhosos”, “legalistas”, “intolerantes” etc., bem como serve de pretexto para aqueles que acham que outras práticas além do orgulho não são pecaminosas e, portanto, não condenáveis. Não é isso que a Bíblia diz. Jesus, por exemplo, nos apresenta esta pequena lista: “Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias” (Mateus 15:19). Já pensou nos pecados mencionados na Bíblia, e que todos eles são condenáveis? Podemos citar a mentira, inveja, ciúmes, porfias, homicídios, ingratidão, rebelião, amargura, ira, raiva, ódio, gritarias, blasfêmias, malícia, glutonaria, bebedeiras, ganância, pecados sexuais etc. Todavia, sabemos ser impossível relacionarmos numa lista tudo aquilo que pode ser chamado de pecado.

Pecado é “errar o alvo” proposto por Deus para nós, é desobediência, é contrariar o padrão divino, é tudo que consiste em rebelião contra o Criador e em violência contra a obra criada, o que inclui o ser humano. Costumo dizer que o pecado é como um muro que nos separa de Deus. É o que Isaías diz, mas com outras palavras: “Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça” (Isaías 59:2). E ele não falou especificamente sobre orgulho, palavra que também não está em Apocalipse, onde lemos sobre os que não entrarão na cidade celestial: “Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira” (Apocalipse 22:15); “E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro” (Apocalipse 21:27). Portanto, não é apenas o orgulho que impede a entrada no reino. Além do mais, o pecado que lá no Éden entrou na vida humana e trouxe consequências para todos (todos pecaram, Romanos 3:23), contribuiu para desencadear uma série de atos que chamamos de pecados (no plural). Assim, porque a natureza humana está corrompida por causa da queda, o que se manifesta nos sentimentos, pensamentos, atitudes etc., é que o ser humano está sempre propenso a praticar coisas que Deus abomina.

Quero ainda salientar que nem todos os que condenam o pecado são orgulhosos. Na verdade, o profeta tem esta tarefa, o que não significa sentenciar pessoas – o juiz é Deus! Por isso, o discurso proferido no texto é falto de verdade, e corrobora o falso evangelho proclamado por progressistas e liberais, dentre os quais estão também padres, pastores e outros líderes religiosos. E, considerando que orgulho é, dentre outras coisas “excesso de admiração que o indivíduo tem em relação a si próprio, baseado em suas próprias características, qualidades e/ou ações; arrogância”; é pensar de si mais do que convém (Romanos 12:3), saliento que essa gente é orgulhosa, pois que em seu liberalismo está convencida de que sua posição é a correta, ainda que as Escrituras mostrem claramente o contrário. Assim é que, tanto o orgulho do ‘fariseu’ quanto o orgulho do liberal mata: ambos estão ‘ensimesmados’ e afastados da verdade.

Lembre-se: um dos objetivos do diabo, que é ardiloso e sutil, é justamente aplacar as consciências quanto ao pecado, oferecendo um “evangelho” adequado para que o homem se sinta no relacionamento com Deus e, ao mesmo tempo, conserve suas práticas pecaminosas. Temos de ter cuidado para não replicarmos este tipo de mensagem; ainda que seja estética e “politicamente correta”, não é a palavra que Deus nos confiou para anunciar ao mundo. Pense nisso!

O FUNDAMENTO DA IGREJA





Pr. Cleber Montes Moreira


Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina.”
Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.”
(Efésios 2:20; Mateus 16:16)


Um dia Pedro fez uma bela confissão: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mateus 16:16). Tal afirmação sobre Jesus destoava do entendimento das pessoas de fora, que diziam ser ele João o Batista, Elias, Jeremias, ou um dos profetas. Esta verdade revelada a Pedro pelo próprio Deus é a base da construção da igreja, por isso Jesus, a partir dela, diz: “E também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra (que é o próprio Cristo, e não Pedro) edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mateus 16:18 – adendo explicativo). No texto é usado o grego ‘Petros’ para se referir a Pedro, palavra cujo significado é “pedrinha” ou “fragmento de rocha”. Porém, para Cristo é usado ‘Petra’, que significa “rocha”, usualmente uma rocha utilizada no mundo antigo para fazer fundações. Por isso o melhor entendimento do texto é que Pedro é uma pedrinha, e que Jesus é a verdadeira Rocha, ou pedra angular, sobre a qual o Senhor edificaria a sua igreja. É esta pedra que os judeus rejeitaram: “Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina” (Atos 4:11).

Ainda hoje muitos rejeitam a Cristo, a pedra angular, na tentativa vã de construir a fé sobre outros fundamentos. A questão é que as edificações erguidas sobre outros alicerces têm prazo de validade, pois não podem suportar por muito tempo as intempéries. A sentença para este tipo de construção é esta: “E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mateus 7:27). Por isso, tenhamos em mente que: A sabedoria humana não pode constituir a base da construção da igreja, porque o conhecimento sobre quem é Cristo não pode ser elaborado a partir da mente do homem natural, uma vez que para compreender esta verdade é imprescindível a iluminação do Espírito de Deus, que habita somente nos salvos. Por isso Paulo, escrevendo aos Coríntios, afirmou que sua mensagem não consistia em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder; que não falava segundo sua própria sabedoria, mas segundo o ensino do Espírito Santo (1 Coríntios 2:4,13). É assim que a revelação sobre quem é Cristo não veio do próprio Pedro, mas do Eterno: “Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” (Mateus 16:17). A importância desta verdade que o próprio Deus revelou a Pedro consiste em que nossas convicções determinam o modo como vivemos. Só podemos ser edificados na verdade se, de fato, conhecermos a verdade. Assim, a verdadeira igreja é firmada na verdade que é Cristo, ou então, não será uma igreja.

Toda construção que se chama “igreja”, edificada a partir do conhecimento, do pensamento e capacidade humana ruirá. Pregadores que se utilizam da sabedoria humana, como por exemplo da filosofia, podem proferir mensagens agradáveis, atrair pessoas, promover adesões e encher os templos, mas não podem cooperar para a edificação da igreja. Portanto, a declaração de Pedro nos revela o único fundamento sobre o qual a verdadeira igreja, como edifício santo, se ergue: Cristo! “Porque ninguém pode pôr outro fundamento além do que já está posto, o qual é Jesus Cristo” (1 Coríntios 3:11). João Calvino tem razão ao afirmar: “Aqueles que desejam construir a Igreja pela rejeição da Bíblia, constroem um chiqueiro e não a Igreja de Deus.”

Quando lemos sobre os primeiros cristãos, que “perseveravam na doutrina dos apóstolos” (Atos 2:42), logo identificamos que o ensino apostólico era Cristo, assim como deve ser o ensino da igreja hoje. Os escritos paulinos dizem que o fundamento dos apóstolos e dos profetas é o ensino de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina. Os apóstolos anunciavam a Cristo, e não uma religião, ou uma ciência, ou uma cultura, e foi este ensino que chegou também a nós.

Entendamos que cada igreja local só será expressão fiel da igreja de Cristo, só continuará sendo verdadeiramente edificada, e permanecerá, se tudo o que fizer for a partir de Cristo e para Cristo: Se seu púlpito proclamar a Cristo, se seu ensino for Cristo, se sua música exaltar exclusivamente a Cristo, se sua evangelização proclamar a Cristo como único e suficiente Salvador e Senhor dos que creem, e se toda a sua obra glorificar a Cristo, porque sem Cristo não há igreja verdadeira, e toda igreja que não tiver Cristo por fundamento um dia cairá, e será grande a sua queda.

UM PROFESSOR DE EBD QUE EU NÃO QUERIA TER

Foto: Divulgação



Pr. Cleber Montes Moreira

Se é ministério, seja em ministrar; se é ensinar, haja dedicação ao ensino." (Romanos 17:17)

Todos sabemos da importância da EBD para o crescimento cristão, e até para a evangelização. Desde as crianças aos mais experimentados, todos são abençoados pelas lições dominicais. É pelo seu valor que a Escola Bíblica Dominical precisa ter professores zelosos e dedicados, como nos ensina a Bíblia: “se é ensinar, haja dedicação ao ensino”! Dentre vários dons, o dom do ensino (doutores/mestres) é mencionado por Paulo como estratégia divina para preparar os santos para a obra do ministério cristão, para a edificação da igreja, para crescimento na unidade da fé e do conhecimento de Cristo, para que os salvos não sejam como crianças inconstantes, mas alcancem a maturidade espiritual e, resistindo ao engano, sigam a verdade em amor (Leia Efésios 4:11-15).

Eu tive bons professores de EBD. Na igreja onde sou membro há excelentes professores, que ensinam com alegria e dedicação. Entretanto, isso não é regra: há lugares onde há deficit de gente para ensinar, e em outros há até gente que ensina mas não deveria, não por falta de capacidade intelectual, mas porque – não tendo firmeza na fé – disseminam heresias. Embora o conhecimento secular seja importante, a verdadeira sabedoria vem do alto, e não dos bancos das universidades. É por isso que sempre ouço histórias de pessoas simples, sem formação secular, que foram excelentes professores de EBD e que hoje são lembradas com carinho. Uma dessas histórias que me contaram é sobre o saudoso Diácono Manoel Ribeiro da Silva: homem simples, carroceiro, que foi vice-presidente e ótimo pregador em sua igreja; um mestre sem diplomas – um homem que não negociava valores!

O site Gospel Prime, em matéria publicada em 2 Agosto de 2017, alardeia: “Aos 92 anos, ex-presidente dos EUA ainda dá aulas na escola dominical de sua igreja.”1 Porém eu digo: Este é um professor de EBD que eu não queria ter. Por quê? Porque negocia valores, porque relativiza e ressignifica as Escrituras, porque é declaradamente favorável ao ingresso de LGBTs na membresia das igrejas. Em entrevista ao canal de Internet HuffPost Live2, sobre seu livro “A Full Life: Reflections at Ninety”, Jimmy Carter afirma:
Acredito que Jesus aprovaria o casamento entre pessoas homossexuais, mas isso é a minha crença pessoal (…). Creio que Jesus encorajaria qualquer amor que fosse honesto, sincero, e não magoasse ninguém, e não percebo em que é que o casamento homossexual magoa alguém.

Perguntado sobre o uso da Bíblia para justificar a não recepção de homossexuais na membresia das igrejas, respondeu:
A homossexualidade era bem conhecida no mundo antigo, bem antes de Cristo ter nascido, e Jesus nunca disse uma palavra contra a homossexualidade. Em todos os seus ensinamentos acerca de múltiplas coisas, Ele nunca disse que as pessoas gays seriam condenadas. Pessoalmente acredito que é muito bom pessoas gays se casarem em cerimônias civis.
Eu “desenho” a linha, talvez arbitrariamente, requerendo pela lei que as igrejas devem casar pessoas. Sou um Batista e acredito que cada congregação é autônoma e pode governar seus próprios assuntos. Assim, se uma igreja batista local deseja aceitar membros gays em uma base igualitária (o que a minha igreja já faz), então está bem. Se uma igreja decide não aceitar, então as leis governamentais não deveriam obriga-las a procederem assim.3

Sobre pessoas como Jimmy Carter, a Bíblia é clara quanto ao modo como devemos tratá-las: “E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples” (Romanos 16:17,18 – grifo do autor). Consideremos ainda esta advertência: “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” (Colossenses 2:8).