Pastor Cleber

ESNOBISMO CRONOLÓGICO

Autoria: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, em 13/03/2011
Usado com permissão do autor


Esta expressão é do pensador inglês C. S. Lewis. Ele foi um intelectual ateu que se converteu ao cristianismo. Além de obras filosóficas, como “A abolição do homem”, ele deixou algumas teológicas e a série “As crônicas de Nárnia”.

Ele chama de esnobismo cronológico a tendência de muitos cristãos de descartarem tudo o que é antigo e abraçarem tudo o que é novo. Eles pensam que seus problemas são originais e buscam soluções originais. Assim esnobam a cultura cristalizada há séculos. Na realidade, são ignorantes da história e do ensino bíblico.

Na história da igreja, os períodos de baixa espiritual foram resolvidos quando veio um avivamento (não gritaria; avivamento!) sobre a igreja. Quando crentes confessaram seus pecados, se quebrantaram, deixaram-se encher pelo Espírito, a igreja foi transformada. Hoje acham que um novo modelo eclesiástico, um novo tipo de louvor ou um novo guru mudará tudo. E dizem: “Novos tempos exigem novas soluções!”. Alguns têm uma nova revelação e outros até um novo Deus, como o chamado “teísmo aberto”, corrente teológica que nega a onisciência de Deus e nos oferece um Deus (deus, melhor dizendo) do nosso tamanho.

Como se inventam soluções para dinamizar a igreja ou atrair pessoas para os nossos cultos! Há marqueteiros eclesiásticos especialistas em vender a imagem da igreja ao mundo. Só que eles produzem uma igreja artificial, genérica, ao gosto do cliente. Não ao gosto do Novo Testamento (que, para eles, ficou velho…)

Os problemas do mundo e da igreja são antigos. São os mesmos de sempre. Apenas vestidos com roupa nova. Criam termos novos para pecados velhos. E buscam soluções novas para os termos novos. Mas o problema é o velho pecado.

O esnobismo cronológico leva teólogos a andarem como baratas tontas atrás das frases feitas de pensadores que se esmeram em dizer o nada de forma incompreensível. Por vezes leio alguns pensadores cristãos que dizem tanta coisa confusa como se fossem luminares celestiais. A velha Bíblia tem respostas mais simples, mais objetivas e mais profundas. Mas os esnobes cronológicos querem coisas novas.

A igreja não precisa de novidades, mas de “velhidades”. Das velhas respostas do Velho Livro de Capa Preta. Da atuação do “velho” Espírito Santo. Da velha mensagem da cruz.

Recusar o novo por ser novo é tolice. Mas recusar o cristalizado há séculos, em nome do moderno, também é. É bom aceitar as palavras de Paulo: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2Tm 4.3-5).

Visite o site do autor: http://www.isaltino.com.br

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TRÊS COISAS QUE DEVEMOS CULTIVAR



Pr. Cleber Montes Moreira



Texto principal: 1ª Tessalonicenses 5.16-18
16- Regozijai-vos sempre.
17- Orai sem cessar.
18- Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco

INTRODUÇÃO:
A igreja de Tessalônica foi fundada por Paulo durante sua segunda viagem missionária (Atos 17). Depois de ser perseguido e deixar Tessalônica (Atos 17.10), o apóstolo Paulo enviou Timóteo a fazer-lhes uma visita (3.1-3); mais tarde o citado discípulo leva um relatório a Paulo em Corinto. Na igreja ocorriam sérios problemas, dentre eles a perseguição que continuava e desencadeava a morte de alguns crentes. Muitos tessalonicenses sentiam-se desconsolados.
O alvo principal do apóstolo nesta carta foi proporcionar conforto e encorajamento, especialmente ao novos convertidos vindos do paganismo, a fim de que se mantivessem fiéis, mesmo em meio às mais severas provações e perseguições (3.3-5). Além disso, Paulo se preocupa em oferecer à Igreja instruções sobre como viver um estilo de vida piedoso (4.1-8).
A beleza de toda a Bíblia está no fato de que Ela é também para os nossos dias. Nesta carta de Paulo aos Tessalonicenses podemos encontrar orientações para o nosso viver como crentes, palavras de conforto e de encorajamento.
No capítulo 5, destaco três orientações para o bem viver. Vejamos:

1. CULTIVE SEMPRE A ALEGRIA - “Regozijai-vos sempre” (V.16):
A alegria deve estar sempre presente na vida do cristão. A alegria do salvo independe dar circunstâncias, pois ela é motivada por Cristo; é fruto de nossa comunhão com Ele.

  1. Jesus deseja que haja alegria em nossas vidas: “Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo” (João 15.11).
  2. O povo de Deus deve alegrar-se na sua salvação: “E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação” (Is 12.3).
  3. Nossa postura diante de Deus deve ser de alegria. Devemos servi-lo sempre e com alegria: “Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto” (Sl 100.2).
  4. Tiago ensina que a alegria deve ser cultivada até mesmo nas aflições e provações: “Meus irmãos, tende por motivo de grande gozo o passardes por várias provações” (Tg 1.2). Jesus já havia dado aos discípulos a mesma orientação: “Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós. (Mt 5.11 e 12 – grifo meu). Isto me faz lembrar que “Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria” (Sl 126.5).
Observe que a palavra “sempre” dá a ideia de uma alegria constante! Portanto, cultive a alegria em seu viver diário. Isso fará bem a você e agradará a Deus.


2.CULTIVE UMA VIDA DE ORAÇÃO - “Orai sem cessar” (v.17):

Os cristãos deveriam cultivar a alegria, mas não deviam falhar na oração constante. As perseguições eram implacáveis, muitos já haviam sido vitimados por ela, por isso a igreja deveria continuar vigilante em oração.
Desde cedo aprendemos na EBD o valor da oração. Todavia, nem sempre os crentes a valorizam devidamente. Exemplo disso são os cultos de orações da igreja, sempre com um auditório pequeno. Na verdade, nossas reuniões de oração deveriam ser as mais frequentadas, pois é por meio da oração que dialogamos com Deus e aprofundamos nossa intimidade com Ele. Infelizmente, hoje, as pessoas se preocupam mais com o louvor do que com a oração. Acolhem mais o evangelho triunfalista, que prega e canta bênçãos e vitórias sem base bíblica, que o evangelho bíblico que nos conduz ao alvo estabelecido por Deus.
Pense comigo:
  1. Você já agradeceu a Deus hoje, em oração, por sua vida?
  2. Pelo menos você já se lembrou de orar hoje?
  3. Qual foi a última vez que você foi a uma reunião de oração de sua igreja?
  4. Quantos motivos você tem para orar?
“Sem cessar” significa sem parar, constantemente, ininterruptamente... Ou seja, levar uma vida de oração constante!

Jesus disse aos discípulos: “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação” (Mt 26.41). Há muitos motivos pelos quais precisamos exercitar a oração.

3.CULTIVE UMA VIDA DE GRATIDÃO - “Em tudo dai graças...” (v. 18):

Conforme o Dicionário Oline, gratidão significa “reconhecimento por um benefício recebido; agradecimento: dar provas de gratidão”. Esta é a ideia do salmista no Salmo 116.12: “Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito?” Orientando aos colossenses sobre a vida cristã, Paulo diz: “E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos” (Cl 3.15 – grifo meu).
Voltando a 1ª Tessalonicenses, o texto não fala apenas da gratidão por benefícios recebidos. Paulo vai além. “Em tudo” significa em todas as circunstâncias. A orientação não é para agradecer por tudo, mas ser grato em tudo!
A gratidão e contentamento andam juntos. Esta foi a experiência de Paulo, que ele mesmo relata aos filipenses: “Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece” (Fl 4.12 e 13).
Você tem cultivado a gratidão, diariamente, em sua vida?

CONCLUSÃO:
Há três ingredientes que não podem faltar em sua vida: Alegria constante, apesar das circunstâncias. Vida de oração, sinônima de intimidade com Deus. O cultivo da gratidão, como fruto de um coração transformado pelo Salvador.
O resultado disso é que “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Fp4.7).





Comentário de Rachel Sheherazade sobre o Carnaval

Bom saber que ainda existem pessoas sérias por aí.



Rachel Sheherazade comenta repercussão do seu vídeo



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A GRAÇA DE DEUS EM TITO 2.11

chuva


Pr. Cleber Montes Moreira


“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2.11)



INTRODUÇÃO:

Mathew Henry, comentando a Carta a Tito, escreve: “A doutrina da graça e a salvação pelo evangelho é para todas as categorias e estados do homem . Nos ensina a deixar o pecado; a não ter mais relação com este (…). Note-se aqui nosso dever em poucas palavras: negar a impiedade e as luxúrias mundanas, viver sóbria, reta e piedosamente, apesar de todas as armadilhas, tentações, exemplos ruins, maus costumes e vestígios do pecado no coração do crente, com todos seus obstáculos. Nos ensina a buscar as glórias do outro mundo...”

De fato, Paulo fala de diversos tipos de pessoas e diversas condições: velhos (2.2), mulheres idosas (2.3), mulheres novas (2.4), moços (2.6), servos (2.9), senhores, (2.9), autoridades (3.1), menciona maridos, menciona filhos, e com a expressão “a todos os homens” (2.11) abrange todas “categorias e estados” do ser humano.

Todas as pessoas, indistintamente, pela manifestação da graça de Deus, são convidadas a viver em conformidade com os valores do reino, deixando para trás a vida conformada com o mundo.

Tito, o destinatário da carta, era um cristão grego. Paulo lhe dava apoio no desempenho de suas funções e liderança a frente das congregações cretenses. Sua tarefa não era nada fácil, pois tinha que lidar com pessoas rebeldes: “Porque há muitos desordenados, faladores, vãos e enganadores, principalmente os da circuncisão, aos quais convém tapar a boca; homens que transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância” (1.10-11).

Entre os cretenses, eram comuns a mentira, a glutonaria e a preguiça, e, pelo visto, alguns dos cristãos refletiam essas características ruins. Epimênides já havia dito: “Os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, ventres preguiçosos” (1.12). Infelizmente, assim como na época de Tito, ainda hoje há muitos “cretenses” nas igrejas. Estes “confessam que conhecem a Deus, mas negam-no com as obras, sendo abomináveis, e desobedientes, e reprovados para toda a boa obra” (1.16). Por esse motivo é que Paulo exorta a Tito que os repreenda com severidade: “Portanto, repreende-os severamente, para que sejam sãos na fé” (1.13).

Nosso estudo visa a melhor compreensão da graça de Deus, sua manifestação, sua abrangência, e o viver daqueles que por ela foram alcançados. Vejamos:


1. A GRAÇA SE MANIFESTOU – TORNOU-SE CONHECIDA:
Tenhamos em mente que o público-alvo da carta, os que deveriam ser orientados por Tito, eram pessoas que faziam parte da igreja, e não os de fora. Embora a graça divina tenha se manifestado para trazer salvação a todos, somente os verdadeiramente convertidos é que podem compreendê-la melhor, à luz dos ensinos bíblicos e sob a orientação do Espirito Santo, o ensinador.

O que é a graça? O termo grego traduzido por “graça” é χαρις (charis) que significa “graça ou favor imerecido”. William Hendriksen afirma: “A graça de Deus é seu favor ativo em outorgar o maior dom aos que merecem o maior castigo.”

A palavra grega traduzida por “manifestou” é επεφανη (epefani). Epifania significa aparecimento ou manifestação. Segundo Fritz Rienecker e Cleon Rogers “o significado essencial da palavra é aparecer repentinamente no cenário e é usada particularmente para a intervenção divina, especialmente para ajudar, e da aurora da luz sobre as trevas”. William Hendriksen diz que “a graça de Deus fez sua aparição”, ou seja, a graça surgiu, apareceu, se manifestou “trazendo salvação”. Para os crentes ela tornou-se conhecida, experimentada, pela experiência da salvação. Ela se manifestou a nós na pessoa de Cristo.



2. TRAZENDO SALVAÇÃO – ROMPIMENTO COM O MUNDO:
Observe o que o verso 12 completa o verso 11: “Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente.”

A graça se manifestou para alcançar os perdidos e libertá-los do estado de morte. Portanto, receber a graça salvadora implica em rompimento com o mundo.

A compreensão da graça divina deve desencadear no cristão um novo comportamento, pois ela consiste em que Jesus “deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniquidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras” (2.14). Para nós é graça; para Cristo um alto preço; custou a sua vida! O preço era elevado, mas Ele o pagou com seu sacrifício na cruz, e o fez para “purificar para si um povo seu, especial, zeloso de boas obras”. Rejeitar a graça é rejeitar ser parte desse povo! Conhecer a graça e viver conformado com o mundo é descaso, é pecado!

Na Carta a Tito encontramos várias orientações sobre como deve ser o comportamento dos crentes:
  1. Aos idosos: “que sejam temperantes, sérios, sóbrios, sãos na fé, no amor, e na constância” (2.2);
  2. Às mulheres idosas: “que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito vinho, mestras do bem” (2.3-4), para que sejam exemplo para as mulheres mais novas;
  3. Aos jovens: “que sejam moderados” (2.6), ou seja, sem exagero, comedido, prudente;
  4. Aos servos: “que sejam submissos a seus senhores em tudo, sendo-lhes agradáveis, não os contradizendo nem defraudando, antes mostrando perfeita lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus nosso Salvador” (2.9-10);
  5. A todos: “que estejam sujeitos aos governadores e autoridades, que sejam obedientes, e estejam preparados para toda boa obra, que a ninguém infamem, nem sejam contenciosos, mas moderados, mostrando toda a mansidão para com todos os homens” (3.1-2);
  6. A Tito: que ensine a sã doutrina (2.1), que seja exemplo para os demais (2.7), e que tenha um linguajar saudável e irrepreensível (2.8);
    Observe que todas as orientações de Paulo estão na contra mão daquilo que o mundo tenta nos impor. Quem conheceu a graça de Cristo não deve querer voltar ao passado, quando vivia na desobediência, separado de Deus: “Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja odiosos e odiando-nos uns aos outros. Mas quando apareceu a bondade de Deus, nosso Salvador e o seu amor para com os homens, não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo,” (3.3-5).
Além de romper com o mundo, os fiéis também deveriam romper com aqueles queriam a judaização da fé cristã. Paulo se refere a estes como os da “circuncisão” (1.15), e a seus ensinos como “fábulas judaicas”, “mandamentos de homens que se desviam da verdade” (1.14). O Manual Bíblico Vida Nova afirma que: “Os falsos mestres estavam tentando constituir padrões humanos pelos quais se pudessem julgar questões de pureza e impureza. Paulo, porém, mostrou que aqueles padrões estavam corrompidos”. Eles se preocupavam em introduzir na igreja os costumes judaicos como a circuncisão, regras alimentares etc. Durante seu ministério Jesus já havia se referido aos líderes judaicos dizendo: “Mas, em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens” (Mateus 15.9).

Hoje está em moda a tentativa de judaizar o cristianismo. Movimentos e seitas modernas usam símbolos judaicos em suas celebrações. Há um grupo que se denomina “Ministério Trazendo a Arca”, que representa muito bem este esforço judaizante. No youtube existem vídeos de diversas denominações que, durante seus ajuntamentos, introduzem réplicas da arca da aliança. É comum durante a introdução da arca que pessoas procurem tocá-la como se pudessem receber dela alguma virtude. Esta semana ouvi de um pastor de uma igreja batista que teria ido a Israel, e diante do rio Jordão não exitou em ser “rebatizado”. A estrela de Davi, o castiçal, o shophar e outros símbolos judaicos estão cada vez mais em uso. Muitas denominações celebram festas judaicas. Há entre estas, infelizmente, algumas que ainda teimam em ser chamadas de batistas.


3. A TODOS OS HOMENS – DEUS NÃO AGE COM DISCRIMINAÇÃO, A LIBERTAÇÃO É PARA TODOS:
Da mesma forma que todos são culpados diante de Deus, todos são alvos de Seu amor e objetos de Seu cuidado. Deus quer salvar a todos! Ele não faz distinção entre pessoas.

Um belo exemplo da graça de Deus está na igreja: idosos e idosas, jovens, servos, livres... Quantas pessoas distintas na idade, na classe social etc.? A graça de Deus a todos alcança: o jovem, o adulto, o idoso, o homem, a mulher, o escravo, o livre... Por isso que todos são chamados a viver a vida cristã.

Lembremo-nos que o evangelho é inclusivo, mas ele exige mudanças. Jesus nos ensina isso ao dizer para a adúltera: “vai-te, e não peques mais” (João 8.11). Pala graça estava livre para viver uma nova vida.

“Trazendo salvação” pode ser traduzido como “trazendo libertação”. O apóstolo aponta para o viver segundo o evangelho. Os cristãos, pela graça, são libertos do velho modo de viver. Não existe salvação sem liberdade. Na carta esta liberdade é tanto em relação aos costumes do mundo, quanto aos rudimentos religiosos do judaísmo.

Pela graça todas as pessoas, sejam homens ou mulheres, velhos ou jovens, escravos ou livres, são iguais perante Cristo. Na igreja os valores são outros. Por isso os servos devem, como cristãos, obedecer aos seus senhores, não sendo infiéis nem defraudando. Os senhores, como bons cristãos, devem tratar seus servos com respeito. Na época de Paulo havia escravos. Lembremo-nos que o apóstolo escreveu a Filemom para que recebesse o escravo fugitivo, mas agora converso, Onésimo, como irmão em Cristo (Filemom 15-17). No contexto do evangelho a relação entre as pessoas se dá na base do amor cristão: “Pois em um só Espírito fomos todos nós batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito” (1ª Coríntios 12.13); “Não há judeu nem grego; não há escravo nem livre; não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus” (Gálatas 3.28).


CONCLUSÃO:
Encerro com a citação de dois textos consonantes aos ensinos aqui apresentados:
“Mas agora fomos libertos da lei, havendo morrido para aquilo em que estávamos retidos, para servirmos em novidade de espírito, e não na velhice da letra” (Romanos 7.6);
“Para a liberdade Cristo nos libertou; permanecei, pois, firmes e não vos dobreis novamente a um jogo de escravidão” (Gálatas 5.1);
Consideremos estas orientações em nosso viver diário.


Fontes de pesquisa:
Comentário Bíblico, de Mathew Henry
Lexico do Novo Testamento, de F. Wilbur Gingrich
Chave Linguística do Novo Testamento Grego, Fritz Rienecker e Cleon Rogers

IMPLICAÇÕES DA OBRA MISSIONÁRIA

Pr. Cleber Montes Moreira

Texto: Mateus 9.35-38

35- E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.
36- E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas, porque andavam cansadas e desgarradas, como ovelhas que não têm pastor.
37- Então, disse aos seus discípulos: A seara é realmente grande, mas poucos os ceifeiros.
38- Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara.


INTRODUÇÃO:
Os versos anteriores aos que lemos aqui, que compreendem os capítulos 8 e 9 de Mateus, relatam um pouco da Obra que Jesus realizava: pregações, curas, libertação dos oprimidos, demonstração de seu poder sobre a natureza e potestades, ensino, convocação e comissionamento. Podemos dizer que estes dois capítulos de Mateus tem farto material para a compreensão da obra missionária. Mais que isso, eles nos fazem compreender a natureza, a ação e o modelo da missão no ministério de Jesus.
Do capítulo 9, versos 35 a 38, extrairemos alguns ensinos sobre as implicações da Obra Missionária. Vejamos:

1. MISSÕES IMPLICA CONTATO PESSOAL: (v. 35)
(1) “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias...”
Isso difere da vida entre quatro paredes. Muitas vezes pensamos que estamos oferecendo a Deus o nosso melhor, supondo que isso é possível sem a obediência ao “Ide” de Jesus. Mas, para Deus, o nosso melhor não é o ativismo religioso, nossas festas e celebrações cúlticas, os louvores que oferecemos em nossos templos, ou mesmo nas casas dos crentes, e sim a vida de compromisso com a missão que levamos lá fora.
Jesus percorria todas as cidades e aldeias, e nós percorremos ruas, escritórios, escolas, consultórios, estabelecimentos... A grande questão é se temos feito de nossas andanças oportunidades para a pregação do evangelho. Em nossa caminhada precisamos cumprir o propósito da Missão a nós atribuída. Não importa onde você esteja indo, que seu objetivo maior seja o do cumprimento do “Ide”: “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mateus 28.19).

(2) “E percorria Jesus... ensinando nas sinagogas deles...”
Não se pode realizar Missões sem o ensino da Palavra de Deus! Muitos compreendem a Obra Missionária como algo que se possa realizar apenas com espetáculos, shows e pirotecnia. Estes recursos são apenas atrativos; servem para chamar a atenção do povo, mas não transformam mentes e corações, pois não desencadeiam o conhecimento de Deus.
Devemos fazer da simplicidade de Jesus o nosso método de trabalho. Ao invés de recursos mirabolantes Ele preferia uma forma de ensino mais simples, objetiva e eficaz. E, o mais importante: seus ensinos correspondiam à sua forma de viver. Marcos relata: “E maravilharam-se da sua doutrina, porque os ensinava como tendo autoridade, e não como os escribas” (Marcos 1.22).
Transmitir o conhecimento de Deus deve ser a finalidade da Igreja. É este conhecimento que transforma vidas! Seja no templo, na EBD, aos domingos a noite ou durante a semana; seja nas casas ou até mesmo nas ruas, precisamos ensinar o evangelho com vida e palavras, tendo como exemplo o próprio Jesus.

(3) “E percorria Jesus... pregando o evangelho do reino...”
Jesus tinha uma mensagem para pregar; sua pregação era “o evangelho do reino”. Não era uma mensagem qualquer; não era um evangelho qualquer, mas “o evangelho do reino”, as boas novas de salvação!
Hoje existem muitos evangelhos: o da prosperidade, o triunfalista, o “milagreiro”, o da autoajuda... Muitos propagam um evangelho “politicamente correto”, adaptado, atenuado, festivo, sem compromisso com o reino, com a finalidade de agradar, atrair e encher os templos. Jesus, no entanto, pregava “o evangelho do reino”, “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Romanos 1.16). A pregação deste evangelho começa com “arrependei-vos”, tocando, assim, no âmago da questão humana – o pecado –, evidenciando o estado de morte do pecador, e prossegue para o ensino da graça e da oferta da vida eterna em Cristo.

(4) “E percorria Jesus... curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo.”
Embora tendo como alvo o resgate do perdido, Jesus sentiu-se profundamente tocado pelo sofrimento humano: injustiças sociais, preconceitos, fome, opressão espiritual, doenças... Ele ensinou a justiça, multiplicou pães, falou com samaritanos, tocou em leprosos, curou (até no sábado), comeu com pecadores... demonstrando que seu evangelho contempla o homem por inteiro.
A missão primordial da igreja no mundo, é anunciar o evangelho. Mas, ela deve também se preocupar com o bem-estar das pessoas. Foi assim que Jesus agiu. Não há como desassociar o evangelho da piedade.

2. MISSÕES IMPLICA VISÃO E SENTIMENTO: (v.36)
(1) Jesus teve uma visão real das multidões:
- “...andavam cansadas e desgarradas...”
O sentido de “cansadas” (σκύλλω) é o de “esfoliar, tirar o couro”, significando “afligir, molestar, preocupar, perturbar”. Assim “o povo estava sendo molestado, importunado e desnorteado por aqueles que deveriam ser seus mestres”.
O sentido de “desgarradas” (ρίπτω) é o de “lançar para baixo, prostrar com bebida ou ferimento mortal.” Dá a ideia de alguém exausto, caído, ferido... Refere-se “ao povo como ovelhas maltratadas e indefesas”. O povo estava cansado, prostrado e sem esperança.

- “...como ovelhas que não têm pastor.”
Aquela gente tinha liderança espiritual, mas seus líderes estavam falidos em sua religiosidade. O legalismo judaico era um fardo tão pesado que nem mesmo os escribas e fariseus, que esfoliavam o povo, podiam suportar. Sobre tais líderes Jesus afirma: “Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los” (Mateus 23.4).
Esse povo, maltratado, havia perdido a esperança. Estava cansado do “religiosismo”, perdido, sem rumo, “como ovelhas que não tem pastor”.
No relato do texto encontro semelhança com a realidade atual. Não faltam igrejas, pastores, bispos, apóstolos e toda a sorte de líderes que se dizem enviados de Deus para apascentar o povo. Mas, mesmo diante do exposto, vemos que o povo continua perdido, sem esperança de vida eterna, afligido, esfoliado, roubado, ferido por lobos gananciosos travestidos de pastores.

(2) Jesus envolveu-se emocionalmente com aquela gente:
- “E, vendo as multidões, teve grande compaixão delas...”
Compaixão, segundo o DICIO (Dicionário Online), significa “Sentimento de pesar que nos causam os males alheios; comiseração, piedade, dó.” Um dos ensinos mais fascinantes é o da compaixão de Cristo por aqueles que sofrem. A Bíblia registra que em vários momentos “o Senhor moveu-se de íntima compaixão”. Foi o que aconteceu quando, ao entrar na cidade de Naim, encontrou uma viúva chorando enquanto acompanhava o cortejo fúnebre de seu único filho: “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores” (Lucas 7.13).
Posso afirmar que o coração de Jesus está cheio de compaixão por nós. Ninguém melhor que Jesus sabe chorar conosco durante nossos momentos de angústias e sofrimento (vide João 11.35). O coração de Jesus “move-se de íntima compaixão” por nós!
A igreja também precisa aprender a compaixão e envolver-se na Obra com amor profundo pelos que perecem. Sem compaixão não se cumpre a Missão!

3. MISSÕES IMPLICA ORAÇÃO: (v.38)
A obra tem suas carências, e Jesus as reconhece muito bem. Ela carece de mais obreiros, e por isso devemos orar.
Entenda que Jesus não diz que precisamos de mais pastores, de mais missionários, de mais bispos, de mais profetas..., mas de mais trabalhadores. O povo não tinha falta de líderes religiosos como escribas, mestres, sacerdotes, mas sim de gente que realmente estivesse comprometida com a Obra de Deus.
Infelizmente, hoje, os títulos eclesiásticos já não retratam qualquer compromisso com o evangelho genuinamente bíblico. Ser chamado de pastor, bispo, evangelista, apóstolo (...) para muitos é uma questão de status e de poder. Não é disso que Jesus disse que a Obra carece, mas sim de fiéis trabalhadores; pessoas realmente comprometidas com os valores do reino de Deus. Pastores de verdade, que realmente apascentem o povo, que chorem pelas ovelhas, que as guie pelo caminho eterno, que cuide de suas feridas, que, se necessário, deem suas vidas por elas, ao invés de afligi-las e abatê-las.
Vejo que precisamos orar mais, no sentido de que Deus levante pessoas seriamente comprometidas com Ele. Pessoas de valor que realmente se disponham a trabalhar na obra por amor e fidelidade, sem esperar nada em troca de seu trabalho.
A Obra missionária também apresenta outras carências pelas quais devemos orar. Mas, além de orar, a igreja precisa agir. Foi justamente por isso que logo na sequencia, no capítulo 10, Jesus envia seus discípulos em missão. Primeiro Ele os convida para orar por mais trabalhadores, depois os envia para trabalhar na Sua seara. Os discípulos deveriam agir, dando continuidade à sua Obra. É isso que precisamos fazer!

CONCLUSÃO:
Concluo com as seguintes perguntas para nossa reflexão:
(1) Como você tem agido diante das portas que Deus abre nas escolas, no trabalho, na vizinhança, nas ruas (...)? Você tem aproveitado bem as suas andanças para proclamar a salvação em Cristo?
(2) Que tipo de visão você e sua igreja tem desenvolvido sobre a Obra missionária?
(3) Você está sentimentalmente envolvido com a Missão que Jesus te deu?
(4) Para você, o que implica a Obra missionária?
Reflita e reavalie suas atitudes em relação ao objetivo de Deus para a sua vida.

Em 13 de fevereiro de 2011
Fonte de pesquisas:
Chave Linguística do Novo Testamento Grego, de Fritz Reinecker e Cleon Rogers.
Léxico do Novo Testamento Grego / Português, de F. Wilbur Gingrich.