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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

A CRUZ, NOSSA GLÓRIA!

Por  Isaltino Gomes Coelho Filho
 
Já declarei minha frustração com o fato de que a cruz foi posta de lado no louvor e na pregação atuais. No visual, alguns a trocaram pela estrela de Davi. Nos cânticos, foi substituída por expressões vazias, como “voar nas asas do Espírito”. Há um cântico que fala do rio que salva. É a salvação aquática, não pela cruz. Muitos púlpitos pregam o trono do cristão na terra (riquezas, saúde plena, vida sem problemas), não o chamado de Jesus para tomar a cruz: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23).
A cruz é ofensiva ao pecador. Ela declara que nossos esforços nada valem para a salvação e que nossa virtude não nos justifica diante de Deus. A cruz diz o que somos sem meias palavras. Ela declara que somos pecadores e que precisamos do perdão que vem dela. Há hoje muito falatório com o nome do Espírito Santo, mas será que o Espírito leva a afastar-se da cruz e a perder o fascínio por ela? O Espírito apaga a cruz na vida da igreja? Sem a cruz a igreja não existe. Nossa redenção efetuou-se nela: “E eles cantavam um cântico novo: Tu és digno de receber o livro e de abrir os seus selos, pois foste morto, e com teu sangue compraste para Deus gente de toda tribo, língua, povo e nação” (Ap 5.9). Somos o povo formado pelo sangue vertido na cruz.
A cruz declara a falência dos homens, mas também o poder de Deus: “Pois a mensagem da cruz é loucura para os que estão perecendo, mas para nós, que estamos sendo salvos, é o poder de Deus” (1Co 1.18). Para um mundo em trevas, a cruz não faz sentido, mas foi ela que Deus escolheu e que o Filho aceitou. É nela que o Salvador oferece perdão aos pecadores. Pregação que não exalta a cruz, culto não faz a cruz brilhar e cânticos que não avultam a cruz em nosso coração, falharam.
No salão de cultos da PIB de Nova Odessa está o texto de 1Coríntios 1.23: Bet mes sludinam Kristu krusta sisto (Mas nós pregamos a Cristo crucificado). Isto deveria estar impregnado na vida de cada igreja. Os judeus queriam sinais. Há cristãos com alma judia. Querem sinais de todo jeito. Os gregos queriam sabedoria. Há cristãos com alma grega. Querem filosofar. Deus propõe a cruz. Não há outro plano. É a cruz. Ela simboliza a religião verdadeira: a linha vertical, na direção de Deus. A horizontal, na direção dos homens. Graças à cruz podemos nos relacionar bem com Deus e com os homens.
Não se apague a cruz da nossa mente e do nosso coração. Somos o povo da cruz. Ela é a nossa glória. “Quanto a mim, que eu jamais me glorie, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo…” (Gl 6.14).
De um fascinado pela cruz,
Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho 
Fonte:  http://www.isaltino.com.br/2013/01/a-cruz-nossa-gloria/

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

“Deus tarda?”

Jéssica da Silva Ferreira

Todos nós, ao orarmos, pedimos a Deus algo que esperamos realizar-se em breve, em especial, quando estamos passando por grandes sofrimentos e ansiamos por uma solução. Porém, o tempo de Deus, por vezes, é diferente do nosso. O que nos leva a concluir que nem sempre o que pedimos acontecerá bem no tempo que almejamos. Devido a isso, é comum que, erroneamente, entreguemo-nos a sentimentos involuntários como a ansiedade e a impaciência, agindo assim, de forma imprudente diante de Deus, questionando-o ou até mesmo duvidando de seu poder.

Também é incontestável que, até mesmo os grandes homens da Bíblia, em algumas situações de suas vidas, encontravam dificuldades para descansar no Senhor e esperar o tempo certo para o agir dele. Davi nos dá um exemplo disso em Salmos 13, quando diz no versículo 1: “Ó Senhor Deus, até quando te esquecerás de mim?”,ele se referia à agonia por qual passava ao estar prestes a ser pego por seus inimigos. Mas a resposta de Deus junto ao seu livramento, parecia-lhe muito remota e demorada. Porém, a verdade era que Deus esperava o momento certo para livrá-lo daquele impasse e dar-lhe a vitória, pois nós seres humanos, muitas vezes, quando conseguimos o que queremos de forma fácil, não sabemos dar o devido valor e até esquecemo-nos de agradecer a Deus.

O que o Senhor quer é que confiemos nele e esperemos, com paciência, o seu tempo, dando a ele nossa adoração e nosso louvor, independente das circunstâncias, abominando totalmente esta famosa frase que diz: “Deus tarda, mas não falha” e assumindo uma nova posição diante de todas as situações, dizendo: “Deus faz tudo no tempo certo e nunca falha”.

Jéssica é membro da Primeira Igreja Batista de Itaperuna

sexta-feira, 30 de março de 2012

PROCURA-SE UMA IGREJA


Pr. Wagner Antonio de Araújo

Procura-se uma igreja que use a Bíblia Sagrada do jeito que era usada no passado não muito distante. Que use a Bíblia como revelação de Deus. Aliás, uma boa bíblia tradicional e FIEL, e não as publicações "à la carte" (bíblia para idosos, para jovens, para gays, para empresários, etc.). Não importa que tenha capa preta e letras de tipos antigos. Não importa que uma ou outra palavra precise ser consultada no dicionário.

Afinal, a Bíblia deve servir também para aprimorar os conhecimentos de seus leitores. Que use a Bíblia acreditando nela. Confiando em seus escritos, linha por linha, letra por letra. Que creia em sua inerrância e em sua total confiabilidade. Que a use no púlpito, não por pretexto para eventos sociais, políticos ou comerciais, mas como a Palavra de Deus, revelação divina para todos os povos.

Procura-se uma igreja que tenha púlpito. Sim, porque o tablado das igrejas tem abrigado toda sorte de coisas, menos um púlpito. Lá encontram-se baterias, guitarras, pandeiros, atabaques, porta-microfones, câmeras, luzes, castiçais de Israel, óleos de Jerusalém, cartazes comerciais, "links" ao vivo para a TV e Internet, mas dificilmente se encontra um púlpito. Para aqueles que não estão familiarizados, púlpito é aquele móvel que os pastores antigamente usavam para colocar as suas bíblias e pregar a Palavra de Deus.

Usualmente era colocado no centro da plataforma, numa disposição que alcançasse todos os presentes, ou mesmo em um dos lados, no alto. O lugar era mais ou menos aquele onde estão os "levitas" ou os animadores do "auditório gospel". Encontram-se muitos desses móveis antigos nos "museus eclesiásticos".

Procura-se uma igreja com templo. Não precisa ser um grande templo, nem um pequenino templo. Não precisa ter torre, relógio e cruz, nem tampouco ter um órgão de tubo e um vestíbulo. Apenas um templo, um lugar

reservado para adoração a Deus, um lugar onde as pessoas se consagrem para a oração, a meditação, o respeito e a dedicação a Deus. Geralmente encontram-se ex-templos onde hoje estão casas lotéricas, açougues, mercados ou agências bancárias, porque as igrejas que os usavam acabaram por alugar grandes auditórios, cinemas, fábricas, pizzarias ou ginásios esportivos. O templo tornou-se tão obsoleto quanto a adoração tradicional bíblica. O templo não era adequado para a atual "aeróbica cristã", que faz com que os participantes suem tanto quanto uma boa aula de ginástica. Procura-se uma igreja que tenha um templo, seja de tijolos, de barro ou de bambus, mas que seja "Casa de Oração", lugar de adoração, de reverência, de alegria espiritual, de encontro com Deus. Se for grande, muito bom. Se for pequeno, bom também. Se tiver ar condicionado, ótimo. Caso contrário, não haverá problema, desde que o povo tenha consciência de que "a minha casa será chamada CASA DE ORAÇÃO". (citação das palavras de Jesus em Mateus 21.13).

Procura-se uma igreja que cante hinos. Uma igreja que ainda ouse usar um "Cantor Cristão", um ""Hinário para o Culto Cristão", um "Hinário Evangélico," um "Melodias de Vitória", um "Salmos e Hinos" ou outro hinário que contenha as preciosidades da hinódia evangélica. Uma igreja que ouse cantar coisas que vão de encontro à música chamada "do momento", e ao encontro do coração de Deus, em adoração firmada em verdades da Palavra do Senhor, e não em palhas e restolhos de emoção fútil. Uma igreja que ainda use os hinos publicados em forma de livrinho, não apenas um retro-projetor com transparências, que priva as pessoas de levarem a letra para casa e estudá-la, decorá-la, entoá-la em sua devocional particular. Uma igreja que cante "Rocha Eterna", "Fala, Deus", "Bendita a Hora de Oração", "Vamos à Igreja", "Já Refulge a Glória Eterna", "A Doce Voz do Senhor", "Tu és Fiel", "O Rei Está Voltando", "Grande é Jeová", etc. Uma igreja que embase o que canta na Palavra de Deus, rejeitando cânticos que não têm razão de ser, como os que dizem que Deus está "passeando" (estaria Ele de férias?) "Agarre as penas das asas dos anjos" (seriam eles galinhas despenando?), "Dá-me a mão e meu irmão serás" (é tão simples assim? Nem de Cristo se precisa?). Uma igreja que não tenha um "hit parade", ou um índice das "10 mais de hoje", mas cante coisas de ontem, de hoje e de sempre, concretas, profundas e permanentes.

Procura-se uma igreja de gente renascida. Não reencarnada, pois reencarnação não existe (cf Hebreus 9.27). Mas uma igreja de gente que foi regenerada pelo novo nascimento, através de sua conversão a Cristo (Cf. João cap. 3 e II Co 5.17). Uma igreja que abre as portas para o povo do mundo, mas coloca um aviso: "o pecador é bem-vindo; o pecado não!". Uma igreja que tenha gente que leve a sério o que aprende, que pratique o que ouve ser pregado, que procure ser "luz do mundo" e "sal da terra", que manifeste as "virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". Uma igreja de gente que não fume. Gente que não beba álcool. Gente que não use drogas. Gente que não fale palavrões. Gente que não seja escravizada pelo entretenimento, que não toma a forma do mundo, mas que renova dia a dia o seu entendimento pela Palavra da Verdade. Uma igreja que não tenha receio de firmar posturas indigestas à maioria das outras igrejas, como exigir de seus membros uma vestimenta decente, um namoro moralmente aceitável, um casamento que possua "leito sem mácula", uma fraternidade construtiva, cidadãos cumpridores de seus compromissos, crentes honestos em suas transações. Uma igreja que pregue o que é certo e viva o que pregue.

Procura-se uma igreja que tenha amor não fingido. Uma igreja que não faça acepção de pessoas. Que não faça uma entrada "só para automóveis", para evitar que crentes pobres ou sem condução congreguem ali. Uma igreja que não coloque os crentes bem sucedidos nos bancos da frente, e reserve os últimos assentos para os pobres e os inexpressivos socialmente. Uma igreja que não dê assistência apenas para os que têm polpudos salários, desprezando os que contribuem apenas com três míseras moedas de centavos. Uma igreja que não trate seus membros pelo grau de instrução, dignificando o douto e desprezando o inculto, uma igreja que use de amor, misericórdia e atenção para com todos. Uma igreja que não tenha duas leis, dois pesos e duas medidas, disciplinando severamente os que não fazem diferença no orçamento mensal, e encobrindo os adultérios, as desonestidades, as falcatruas, as maledicências e os muitos pecados dos mais ricos. Uma igreja que não coloque um político no púlpito e uma pobre velhinha malcheirosa no canto, junto à porta de saída.

Procura-se uma igreja que tenha pastor. Mas não um pastor do tipo "profissional da área religiosa", mas "profissional da área celestial".

De preferência um pastor que não tenha especialização em vendas, "tele-marketing", venda de consórcios ou carnês do baú. Também não precisa ser especialista em análise de mercados e doutor em planos mirabolantes de crescimento de igreja. Procura-se uma igreja cujo pastor esteja mais interessado em pastorear cada um como um filho, do que contar cada um como um número. Esse pastor poderia ser até de origem humilde, sem o grau de "latus census" ou "restritus census". Que tenha apenas "bom census" de levar a sério o seu chamado de "ganhador de almas, amigo do rebanho, pregador da Palavra, intercessor em oração pela sua comunidade, porta-voz da sã doutrina, líder respeitado, manso e cordato", porém, peremptório em suas afirmações. Um pastor que tenha cara de pastor, coração de pastor, postura de pastor, vida de pastor.

Que use a Bíblia, não o "manual de igrejas do sucesso" ou "plano de restauração do propósito do discipulado dos grupos da unção" , ou quaisquer outras inovações evangélicas que estejam em alta BMIF - Bolsa de Mercadorias de Igrejas com Futuro. Procura-se um pastor que esteja de joelhos diante do Pai, pois é a única forma de não cair; um pastor que sorria com os que sorriem, chore com os que choram, que visite o pobre, e também o rico; que ame o bonito, e acolha também o feio; que se importe com a dor de um idoso e com a alegria de um jovem. Um pastor que diga a verdade, pela bíblia, doa a quem doer, sem, contudo, jamais perder a ternura. Um pastor que não busque a glória dos homens, mas a glória de Deus; que não esteja de olho nas recompensas terrenas, mas nas celestiais. Um pastor que saiba ser homenageado, rendendo glórias a Deus, e saiba também resignar-se quando for esquecido. Um pastor segundo o coração de Deus.

Procura-se essa igreja.

Aos que souberem do seu paradeiro, favor ligarem para os crentes de bom senso, notificando o achado. Talvez não restem muitas dessas por aí. E me avisem também, para que eu saiba para onde ir, se acaso precisar".

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

PASTOR CHAMADO E O CHAMADO PASTOR

O pastor chamado ama gente, o chamado pastor ama dinheiro e fama.
O pastor chamado prega com paixão, o chamado pastor prega.
O pastor chamado é feliz, o chamado pastor vive mau-humorado.
O pastor chamado tem visão, o chamado pastor imita as muitas visões.
O pastor chamado cuida das ovelhas, o chamado pastor abusa das ovelhas.
O pastor chamado tem casa, o chamado pastor tem mansão.
O pastor chamado liberta, o chamado pastor tiraniza.
O pastor chamado é acessível, o chamado pastor é inalcançável.
O pastor chamado prega de graça, o chamado pastor cobra para pregar.
O pastor chamado tem ovelhas, o chamado pastor tem fãs.
O pastor chamado chama para Cristo, o chamado pastor atrai para si.
O pastor chamado ensina, o chamado pastor exibi-se.
O pastor chamado erra, o chamado pastor é perfeito.
O pastor chamado tem medo, o chamado pastor mete medo.
O pastor chamado chora, o chamado pastor se vinga.
O pastor chamado é inconformado, o chamado pastor é alienado.

Pr. Geraldo Magela


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terça-feira, 22 de março de 2011

ESNOBISMO CRONOLÓGICO

Autoria: Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho

Pastoral do boletim da Igreja Batista Central de Macapá, em 13/03/2011
Usado com permissão do autor


Esta expressão é do pensador inglês C. S. Lewis. Ele foi um intelectual ateu que se converteu ao cristianismo. Além de obras filosóficas, como “A abolição do homem”, ele deixou algumas teológicas e a série “As crônicas de Nárnia”.

Ele chama de esnobismo cronológico a tendência de muitos cristãos de descartarem tudo o que é antigo e abraçarem tudo o que é novo. Eles pensam que seus problemas são originais e buscam soluções originais. Assim esnobam a cultura cristalizada há séculos. Na realidade, são ignorantes da história e do ensino bíblico.

Na história da igreja, os períodos de baixa espiritual foram resolvidos quando veio um avivamento (não gritaria; avivamento!) sobre a igreja. Quando crentes confessaram seus pecados, se quebrantaram, deixaram-se encher pelo Espírito, a igreja foi transformada. Hoje acham que um novo modelo eclesiástico, um novo tipo de louvor ou um novo guru mudará tudo. E dizem: “Novos tempos exigem novas soluções!”. Alguns têm uma nova revelação e outros até um novo Deus, como o chamado “teísmo aberto”, corrente teológica que nega a onisciência de Deus e nos oferece um Deus (deus, melhor dizendo) do nosso tamanho.

Como se inventam soluções para dinamizar a igreja ou atrair pessoas para os nossos cultos! Há marqueteiros eclesiásticos especialistas em vender a imagem da igreja ao mundo. Só que eles produzem uma igreja artificial, genérica, ao gosto do cliente. Não ao gosto do Novo Testamento (que, para eles, ficou velho…)

Os problemas do mundo e da igreja são antigos. São os mesmos de sempre. Apenas vestidos com roupa nova. Criam termos novos para pecados velhos. E buscam soluções novas para os termos novos. Mas o problema é o velho pecado.

O esnobismo cronológico leva teólogos a andarem como baratas tontas atrás das frases feitas de pensadores que se esmeram em dizer o nada de forma incompreensível. Por vezes leio alguns pensadores cristãos que dizem tanta coisa confusa como se fossem luminares celestiais. A velha Bíblia tem respostas mais simples, mais objetivas e mais profundas. Mas os esnobes cronológicos querem coisas novas.

A igreja não precisa de novidades, mas de “velhidades”. Das velhas respostas do Velho Livro de Capa Preta. Da atuação do “velho” Espírito Santo. Da velha mensagem da cruz.

Recusar o novo por ser novo é tolice. Mas recusar o cristalizado há séculos, em nome do moderno, também é. É bom aceitar as palavras de Paulo: “Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos, e não só desviarão os ouvidos da verdade, mas se voltarão às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2Tm 4.3-5).

Visite o site do autor: http://www.isaltino.com.br

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quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A "ALMA" DA IGREJA É CRISTO

(Por ocasião do 82º aniversário da Primeira Igreja Batista de Itaperuna)

É verdade que conhecemos com limitações o Cristo (Verbo de Deus encarnado - João 1.1), não porque Ele não se tenha manifestado a nós, ou por falta de unção do Espírito, uma vez que Este já foi derramado sobre toda a carne, mas por nossa negligência no empenho de crescer à estatura do Varão Perfeito - Cristo. Há tantos elementos hoje disponíveis a dar sentido à nossa existência que pensar na dimensão dos valores espirituais num mundo tão marcadamente material e atrativo é mesmo uma perda de tempo.

E se nosso conhecimento do Cristo é limitado, o é também o conhecimento que temos de nós mesmos. O Cristo se revela a nós, e revela-nos o nosso interior. Mal conhecer Cristo, o Salvador, é abrir mão de tudo o que Ele nos agrega de bom à vida: dons e talentos. É deixar, portanto, de abeberar-nos dos mistérios de Sua Graça e bondade derramados em profusão. Tal situação nos faz semelhantes àquele que mendiga nos templos em busca de prendas materiais tendo um Pai Eterno rico e misericordioso que reserva aos seus ricas e escolhidas bênçãos. É bom recordar a parábola do Filho Pródigo.

Negligenciar o Cristo, abrir mão das riquezas da sua glória por absoluta ignorância acarreta outra distorção: desconhece-se, conseqüentemente, o significado da natureza e função terrena da Igreja na perspectiva da Missão de Deus. Igreja que é patrimônio e noiva de Cristo. E as conseqüências nesta cadeia de ignorâncias progressivas produzem crentes eclesiásticos incapazes de se relacionarem uns com os outros, e mais grave ainda, estéreis na produção de frutos do Espírito e obras da Salvação para o Reino de Deus.

Nesta seqüência desastrosa de eventos que produzem crentes contemporâneos pobres e estéreis a lotar igrejas em busca das emoções da fé, os quais se declaram dignos e em comunhão com Jesus, mas incapazes de construir relações fraternais sinceras e saudáveis. Agrega-se, pois, a isto o fato de que, não raro, os ajuntamentos chamados de cultos públicos não são para alegria, proclamação, conversão e santificação, mas são marcados por disputas insanas, críticas fraudulentas e carnalidades disfarçadas sob o manto de piedade numa alma cingida, esquizofrênica.

Ao celebrar 82 anos de organização, a Primeira Igreja Batista em Itaperuna não pode se recostar sobre os louros de vitórias alcançadas no passado, pois a visão de Igreja no Reino de Deus não é retrospectiva e saudosista, mas prospectiva, na direção do futuro, do amanhã. E na certeza de que o amanhã será melhor que hoje, convém ressaltar que é urgente à Igreja promover o resgate e a reinterpretação da Pessoa e Obra do Cristo ressurreto tanto para o anúncio no mundo contemporâneo, assim como, para a formatação da PIB de Itaperuna no perfil deste Cristo de Deus.

Celebrar o aniversário da Igreja é pensar na largura, na altura, na profundidade e na extensão do amor de Cristo.

Pr. Jorge Schütz Dias
Igreja Batista da Lapa (SP)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Reflexões sobre o culto cristão

Uma visão pastoral

Palestra ministrada a pastores no Congresso de Música, na PIB do Brás (SP), em 24 de maio de 2002
É auspicioso que a PIB do Brás esteja a promover este Congresso cujo objetivo é estudar o Culto Cristão, à luz da Palavra de Deus.
Este evento faz-se tão mais necessário quanto se verifica tanta confusão em matéria de culto e adoração, por falta de uma filosofia e de uma teologia bíblicas do culto, nestes começos do século 21.
Pois bem. A comunidade batista internacional está preocupada também com o assunto, eis porque a Aliança Batista Mundial promoveu em 1999, em Berlim, na Alemanha, um Congresso de Adoração cujos resultados podem ajudar-nos a compreender a importância da adoração e os desafios que ela enfrenta neste tempo.
Também a União Batista Latino-Americana promoveu, com apoio da ABM, congresso semelhante de que resultou, além dos trabalhos apresentados em plenário e nas “oficinas”, a Declaração de Niterói.
Os documentos de Berlim e de Niterói oferecem diretrizes básicas de uma teologia e práxis do culto cristão, a ajudar igrejas e pastores de nossa denominação, e – por que não? – de outras também.
O evento que aqui se celebra deve ajudar-nos a compreender o imperativo do culto e as formas que ele deve assumir para ser agradável a Deus e promover a Sua glória.
As palestras que trago aos pastores podem coincidir com outras que já tenham ouvido, neste mesmo conclave, o que de certo vai contribuir para que se enfatizem preocupações, doutrinas e diretrizes para o culto hoje.
Natureza e propósitos do culto cristão
“O culto constitui a ação mais momentosa, mais urgente e mais gloriosa que pode acontecer na vida humana”. (Karl Barth)
Que é o culto? Que é prestar culto a Deus? Qual a natureza mesma do culto? Por que cultuamos a Deus? Que perigos o culto cristão está a correr? Como há de ser o culto aceitável diante de Deus?

QUE É O CULTO?
Culto é reverência, é atribuição de valor absoluto, é busca de Deus ou resposta a Deus.
O culto cristão constitui, diferentemente doutras formas que o culto assume no panorama religioso da Humanidade, quando parece uma busca ansiosa de Deus, ou tentativa de aplacar a ira de Deus, e, aos gritos, o ser humano clama por um Deus distante, resposta da criatura remida por Jesus Cristo, alcançada por Sua graça, ao imenso amor de Deus, mediante expressões de louvor e adoração.
No culto, o coração da igreja pulsa, renovam-se-lhe as energias espirituais, o povo de Deus respira a atmosfera do céu, ao mesmo tempo em que leva ao Senhor as dores e aflições da terra.
Como lembra Beasley-Murray, o culto é a ocasião em que, como homens e mulheres, realmente nos sentimos vivos; quando nós, seres humanos, criados à imagem de Deus, começamos a cumprir o propósito mesmo de nossa existência, a relacionar-nos com o Deus que nos fez.
Uma das mais belas definições de culto, e lembrada em todo o mundo, é a de William Temple: “Cultuar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, devotar a vontade aos propósitos de Deus”.
Ou, como diz Martin-Achard: “para o presente, constitui o traço de união entre o passado rico em atos grandiosos do Senhor de Israel e da Igreja, e o porvir tão cheio das promessas do reino celeste. Ele diz aos crentes donde eles procedem e para onde os conduz a história, apresenta-lhes ao mesmo tempo a maravilhosa benevolência e a sagrada exigência de Deus. O culto atualiza a Palavra que une a Deus o povo escolhido, fazendo-a mais presente e viva para aqueles que se congregam a seu chamado, assim abre aos membros do povo escolhido o caminho do serviço, fortificando-lhes a fé, estimulando-lhes a esperança e despertando neles o amor divino. O culto é o lugar venturoso de encontro dos fiéis com seu Deus, enquanto esperam a vinda de seu reino”.

QUAIS OS ASPECTOS DO CULTO?
O culto é sacrifício (de animais no AT, de nossos próprios corpos, no NT (Rm 12.1); é temor (Gn 15.12, Is 6.5; Hb 12.28,29); é alegria (2Cr 29.27,30; 1Cr 16.8-35; Sl 146-150); é comunhão (Ex 33.11; 1Jo 4.18); é louvor (2Cr 20.18,22; Jo 4.24); é obediência (1Sm 15.22; Jo 14.15) e é êxtase ou celebração (Gn 15.12; 2Sm 6.13.14).
Como sacrifício, o culto dá ênfase à oferta da própria vida; como temor, enfatiza a reverência; como alegria, a felicidade; como comunhão, a intimidade com Deus; como louvor, ação de graças; como obediência, amor; como êxtase ou celebração, a adoração.

POR QUE O CULTO?
Por que o ser humano há de cultuar?
O homem foi criado por Deus para o relacionamento e comunhão com Ele, e a natureza relacional do ser humano e sua transcendência exigem o culto, eis por que, quando não adoram o verdadeiro, os seres humanos elegem deuses falsos.
Por outro lado, o homem pende para Deus como as plantas se voltam para o sol, no fenômeno do heliotropismo. A esse inclinar-se do homem para Deus podemos denominar de teotropismo. O culto constitui, pois, imperativo desse pendor teotrópico do homem.
Também o desejo de “conhecer” e “dominar” a divindade é outra razão para cultuar, para adorar.
Por fim, o culto faz-se imperativo pela natureza mesma da igreja, como “comunidade de adoração”.
Aliás, sobre isso diz F.M. Segler que “a igreja nasceu no culto e sua vida é sustentada pela comunhão com seu Senhor vivo. A congregação adoradora é realmente uma comunidade da ressurreição”.
Mas o culto é também imperativo de corações agradecidos. Ele é resposta à bondade, ao amor, à revelação de um Deus que “busca adoradores”.
Anjos e homens, grandes e pequenos, dirigentes e congregação, todos devemos prestar culto a Deus, enquanto oramos, louvamos, lemos a Palavra de Deus, ouvimos a mensagem de Deus.
Ninguém comparece na Casa do Senhor apenas para “assistir ao culto”, como mero espectador, como se estivesse num teatro. Não e não. Somos todos chamados a adorar a Deus que é Espírito, o que implica em que o culto no qual Ele tem prazer é espiritual – o sacrifício de um coração humilde, contrito, grato e adorador.

“EM ESPÍRITO E EM VERDADE”, QUE SIGNIFICA?
Disse Jesus, na conversa com a samaritana, que Deus, o Pai, busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade”.
E que significa adorar “em espírito e em verdade”, como Jesus fala à samaritana?
Adorar em espírito é fazê-lo em harmonia com o Espírito, e assim adorar a Deus em verdade.
Aliás, uma tradução sugerida para João 4.24, seria: “Deus é Espírito, e somente pelo poder de seu Espírito as pessoas podem adorá-Lo como Ele realmente é”.
O culto “em espírito e em verdade” não é o que se presta de maneira formal, insincera, em que se divorciam coração e lábios; e em que a consciência se mostra distante dos atos de louvor e adoração.
Perigos do culto em nossos dias, e como ele deve ser prestado a Deus
Ambos os eventos a que fiz referência na apresentação desta palestra apontam, nos documentos a que deram origem, alguns perigos que precisam de ser enfrentados ou evitados. Por exemplo:
1) Lugar menos honroso à pregação, à Palavra, a Jesus Cristo cuja pessoa e cujos ensinos são pregados, e mais honra ao pregador;
2) A música pode tornar-se espetáculo e seu objetivo, artístico e não a edificação dos crentes, o testemunho das verdades do Evangelho e, sobretudo, a glória de Deus;
3) Dar menos importância às ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor, tornando-os meros “apêndices” do culto e não parte essencial dele;
4) Falta de ênfase na doutrina e prática do sacerdócio universal dos crentes, em prejuízo da comunidade de fé e testemunho, confiando ao ministério ordenado a direção e as partes principais do culto;
5) A oração perde importância também como oportunidade de ouvir a Deus: muita vez cantamos e falamos, e os decibéis de nosso louvor não permitem o silêncio e quietude para ouvir a voz do Senhor com quem, no culto, dialogamos.
O Congresso realizado em Niterói assinala, no documento denominado Declaração de Niterói sobre Adoração, que são algumas de suas preocupações:
1) a transformação, com muita freqüência, do culto em “show” e exibição de beleza musical ou de talento retórico, como seu objetivo principal;
2) a “clericalização” do culto, com suas principais funções exercidas por ministros ordenados;
3) a informalidade excessiva, a improvisação, a desarmonia e desarticulação entre as partes do culto;
4) a hipertrofia dos chamados “momentos de louvor” nos cultos, em detrimento da ministração da Palavra que orienta, alimenta, santifica, conduz à fé e à vida de compromisso com Deus, em alguns casos pretendendo substituir a pregação pelos cânticos;
5) a focalização do culto na pessoa humana, no seu prazer e divertimento, cambiando a ênfase da ética para a estética, do ser santo para o ser feliz e realizado como pessoa;
6) também a consideração das ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor como apêndices do culto e não como artes essenciais dele, portadores que são das grandes verdades da fé cristã.
Resumo, a seguir, os perigos do culto hoje, explícitos ou latentes nos documentos finais dos dois conclaves, e objetivo de minha reflexão ao longo dos anos, e hoje no contato com grande variedade de igrejas e de estilos de culto.

QUAIS OS PERIGOS QUE VEJO?
1. Em primeiro lugar, a tentativa ou pretensão humana de manipulação de Deus, o que é uma forma de magia.
Gerhard Von Rad acredita que o próprio Moisés, ao tentar saber o nome de Deus, podia ter a pretensão de “conhecê-lo”, para “dominá-lo” ou pô-lo a seu serviço.
Diz ele: “O homem anela pela revelação de Deus não só por causa de Deus, a fim de que ele seja cultuado e adorado, mas, na realidade, por sua própria causa. É porque ele precisa de Deus, que deseja chamar por seu Nome. Exatamente porque sente tal necessidade intensa de Deus, que almeja tê-lo permanentemente no seu domínio. Ele quer um Deus que em certo sentido se torne parte dele mesmo; o homem quer pôr Deus a serviço dele (...) Numa palavra: a pergunta de Moisés sobre o nome de Deus constitui a um tempo expressão da necessidade humana de Deus e do descaramento humano em relação a Deus”.
2. Pretensão de submeter o Eterno a uma liturgia, é outro perigo. É o que poderíamos chamar de “liturgismo”.
3. Formalismo legalista é outro perigo, como verificamos na experiência do povo de Israel, que Deus exprobra pela instrumentalidade de Isaias.
(Vide Isaías 1. Diz Deus que está cansado de “sofrer” aquele culto meramente exterior, formal, de ruído estrepitoso, mas sem vida espiritual.)
Não adiantam o louvor, os instrumentos, os sacrifícios, o incenso, se as mãos estão manchadas e os corações, cheios de maldade.
4. Outro perigo, ainda, é a de centralização do culto no homem, a ênfase nos sentimentos, quando passamos longo tempo a dizer a Deus como nos sentimos. E assim, em vez der ser Deus o centro do culto, nós é que nos tornamos.
É o caso de muitos dos “corinhos” ou “hinetos” dos “momentos de louvor em nossos dias.
Lembremo-nos, no entanto, desta grande verdade: “Um encontro com Deus pode tornar-se algo realmente doloroso e uma chamada ao sacrifício, à entrega, à abnegação”.
Como disse alguém: “A convocação (do culto) não é tanto ‘Sorri, Deus te ama’. Antes: ‘Arrepende-te, chora, treme’!”

COMO HÁ DE SER, ENTÃO, O CULTO ACEITÁVEL DIANTE DE DEUS?
Comunidade litúrgica que é, como a igreja há de cultuar a Deus, de maneira aceitável?
* Já vimos que o culto há de ser espiritual: “em espírito e em verdade”.
* O culto há de ser prestado só a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo).
Aos anjos não se há de cultuar, nem aos homens, mesmo que sejam apóstolos do Senhor. Não se há de prestar culto a nenhum outro ser.
* O culto há de privilegiar a Palavra de Deus. O culto sinagogal exerceu forte influência sobre o culto cristão. A propósito, assinala Humberto Porto: “O ofício sinagogal, com salmos, louvores, leituras, sermão e preces, delineou a estrutura da sintaxe da igreja. No shabbat e em dias festivos. Podia um dos presentes por ocasião dos serviços religiosos, após a leitura da perícope da Torá e o respectivo trecho profético, usar a palavra. Desta possibilidade, Jesus e os apóstolos lançaram mão para pregar o evangelho aos judeus reunidos na sinagoga (Mt 4.23; Lc 4.44; At 13.5)”.
O modelo da sinagoga, mais do que o do templo, constitui paradigma do culto cristão evangélico que tem na Palavra, e não no rito, o fulcro de sua preocupação.
* O culto há de ser prestado por lábios purificados, que confessam o nome do Senhor.
* O culto há de ser da comunidade inteira, não de oficiantes privilegiados.
* O culto há de ser de todo o nosso ser, e com a inteligência e as emoções.
* O culto há de produzir mudança de vida, santidade e disposição de servir.
Com efeito, o culto verdadeiro não nos deixa os mesmos que entramos no templo: faz-nos assumir novas atitudes de renúncia ao pecado, de busca da vontade de Deus em todas as áreas da vida, de serviço dedicado e de testemunho efetivo.
No interior de muitos santuários, acima do púlpito, costuma-se ler: “Aqui nós vimos para adorar; daqui saímos para servir”. E é isso mesmo. O culto deve levar-nos ao conhecimento da vontade de Deus, quando nos reunimos em adoração, e, depois, à disposição firme de cumpri-la em todas as áreas de nossa vida.
* Como o culto é resposta humana ao amor de Deus, deve ser prestado dentro das categorias da cultura de cada povo, e não por meio de formas culturais alienígenas – a menos que universalmente aceitas.
Sabemos que nenhuma cultura é superior a outra, e toda cultura contém elementos demoníacos a serem rejeitados, mas, também, elementos de beleza e verdade a serem aproveitados e santificados, em nossas expressões de adoração.

CONCLUSÃO
Que assim compreendendo a natureza mesma do culto, seu imperativo, seus perigos e as condições de sua aceitabilidade perante o Eterno, aprendamos a cultuar realmente “em espírito em verdade”, com orações, testemunho e louvor que brotem de “lábios que confessam o nome de Jesus”, a evitar os perigos à genuína adoração, a glorificar a Deus, a edificar a igreja, e a abençoar o mundo.
Com a oração de Paulo pelos efésios, concluo: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Glória, pois a Deus, na igreja!


Irland Pereira de Azevedo
Conferencista, professor, pastor emérito da
PIB de São Paulo

sábado, 22 de dezembro de 2007

Apascentando Ovelhas ou Entretendo Bodes?

Um mal está no declarado campo do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até o mais míope dificilmente deixaria de notá-lo durante os últimos anos. Ele se tem desenvolvido em um ritmo anormal, mesmo para o mal. Ele tem agido como fermento até que toda a massa levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.

Da pregação em alta voz, como faziam os Puritanos, a Igreja gradualmente baixou o tom de seu testemunho, e então tolerou e desculpou as frivolidades da época. Em seguida ela as tolerou dentro de suas fronteiras. Agora as adotou sob o argumento de atingir as massas.

Meu primeiro argumento é que prover entretenimento para as pessoas não está dito em parte nenhuma das Escrituras como sendo uma função da Igreja. Se este é um trabalho Cristão, porque Cristo não falou dele? “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15). Isto está suficientemente claro. Assim teria sido se Ele tivesse adicionado “e proporcionem divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho.” Nenhuma destas palavras, contudo, são encontradas. Não parecem ter-lhe ocorrido.

Então novamente, “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores… para a obra do ministério” (Efésios 4:11-12). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia no que diz respeito a eles. Foram os profetas perseguidos porque divertiram o povo ou porque o rejeitaram? Em concerto musical não há lista de mártires.

Além disto, prover divertimento está em direto antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual foi a atitude da Igreja quanto ao mundo? “Vós sois o sal” (Mateus 5:13), não o doce açucarado - algo que o mundo irá cuspir e não engolir. Curta e severa foi a expressão: “deixa os mortos sepultar os seus mortos.” (Mateus 8:22) Ele foi de uma tremenda seriedade.

Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando O abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: “Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma.” Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.

Em vão serão examinadas as Epístolas para se encontrar qualquer traço deste evangelho de entretenimento! A mensagem delas é: “Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!” É patente a ausência de qualquer coisa que se aproxime de uma brincadeira. Eles tinham ilimitada confiança no evangelho e não empregavam outra arma.

Após Pedro e João terem sido presos por pregar o evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não oraram: “Senhor conceda aos teus servos que através de um uso inteligente e perspicaz de inocente recreação possamos mostrar a estas pessoas quão felizes nós somos.” Se não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo para arranjar entretenimentos. Dispersos pela perseguição, foram por todos lugares pregando o evangelho. Eles colocaram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Esta é a única diferença! Senhor, limpe a Igreja de toda podridão e refugo que o diabo lhe tem imposto, e traga-nos de volta aos métodos apostólicos.

Finalmente, a missão de entretenimento falha em realizar os fins desejados. Ela produz destruição entre os novos convertidos. Permita que os negligentes e escarnecedores, que agradecem a Deus pela Igreja os terem encontrado no meio do caminho, falem e testifiquem. Permita que os oprimidos que encontraram paz através de um concerto musical não silenciem! Permita que o bêbado para quem o entretenimento dramático foi um elo no processo de conversão, se levante! Ninguém irá responder. A missão de entretenimento não produz convertidos. A necessidade imediata para o ministério dos dias de hoje é crer na sabedoria combinada à verdadeira espiritualidade, uma brotando da outra como os frutos da raiz. A necessidade é de doutrina bíblica, de tal forma entendida e sentida, que coloque os homens em fogo.

Charles Haddon Spurgeon

Tradução: Walter Andrade Campelo

Um Templo ou um Teatro?

Os homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a ‘dúvida sincera’ de vocês é muito melhor do que a fé”.

Talvez o leitor diga: “Mas ninguém fala desta maneira”.

.É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista.

O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites. Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?

Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.

C.H.Spurgeon (1834-1892)