sábado, 25 de agosto de 2018

“TAPA NA FEIURA”


Pr. Cleber Montes Moreira

Tu és mais formoso do que os filhos dos homens; a graça se derramou em teus lábios; por isso Deus te abençoou para sempre.” (Salmos 45:2)

Certo homem, tendo vivido e trabalhado na roça por muitos anos, veio a mudar-se para a cidade. Era um sujeito sofrido, de aparência maltratada, vestia-se mal, faltavam-lhe alguns dentes, sua pele era castigada pelo sol. Lutava, com muita dificuldade, para sustentar sua família e proporcionar oportunidade de estudo para seus quatro filhos. Com muito sacrifício pôde vê-los formados e no mercado de trabalho. Finalmente veio a converter-se e tornou-se membro de uma igreja em seu bairro, onde era querido por todos. Com fama de honesto, logo foi procurado por um crente generoso, da mesma igreja, que não somente deu-lhe uma oportunidade de emprego em sua empresa, na vigilância, bem como ofereceu-lhe tratamento dentário. Os filhos, motivados pelo ocorrido, resolveram também ajudar os pais. Assim, aquele homem de aparência rude mudou seu sorriso – agora tinha dentes −, passou a vestir-se melhor e a cuidar mais do “templo do Espírito Santo” (modo como referia-se a seu corpo). Depois de algum tempo, encontrou-se com um antigo conhecido, que quase não o reconheceu. Perguntado sobre a mudança em seu aspecto, o crente, bem humorado, respondeu ao velho amigo: “Dei um tapa na feiura.”

Muitos há que procuram os salões de beleza, cuidam das unhas, cabelos, pele, fazem tratamentos, vão aos esteticistas e até aos cirurgiões plásticos para darem um “tapa na feiura”. Mesmo aqueles que, digamos, não são feios! Nos dias atuais, cuidar da beleza é algo cada vez mais comum. Tanto homens quanto mulheres se preocupam em como melhorar a aparência.

Se buscamos uma solução para a “feiura” do corpo, por que não nos preocuparmos também com a beleza espiritual?

O ser humano ao ser criado era lindo, pois foi feito à imagem e semelhança do Pai (Gênesis 1:27). Não é sem motivo que, contemplando Sua Obra, “viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). Entretanto, por causa do pecado, aquilo que era bonito perdeu sua beleza, e a criatura ficou destituída da gloriosa semelhança com seu Criador: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23).

E agora, o que fazer? Como restaurar a beleza humana? A resposta é Cristo! O Plano de Deus para restaurar o homem é Cristo! “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Romanos 8:29 – grifo do autor). Ser igual a Cristo é ser belo, pois sobre ele escreveu o salmista: “Tu és mais formoso do que os filhos dos homens...” (Salmos 45:2).

Que tal dar um “tapa na feiura”? Digo, na “feiura” espiritual. Que seu desejo seja como a letra daquele velho cântico:

Que a beleza de Cristo se veja em mim,
Toda sua admirável pureza e amor.
Ó Tu, Chama Divina,
Todo meu ser refina
Té que a beleza de Cristo se veja em mim.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

É NA CRUZ QUE VENCEMOS

cruz
Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira


Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” (Tiago 4:7)


Tenho visto muitas receitas de bolo sobre como vencer o diabo. O tema “batalha espiritual” está sempre em pauta, na maioria das vezes tratado de forma fantasiosa. Livros e mais livros, vídeos com mensagens sobre o tema etc., dão dicas sobre como lutar contra as hostes malignas. Na verdade não podemos vencer o inimigo com métodos humanos, nem mesmo com métodos supostamente espirituais mas desconexos do ensino Bíblico. Nossa força, inteligência, amuletos, superstições, religiosidade e outros recursos não bastam. Não podemos vencê-lo por nós mesmos. Mas, há um lugar onde isso é possível: na Cruz! Lá é lugar de morte, onde nossos desejos pecaminosos, intenções malignas, paixões, língua afiada, egoismo e toda inclinação má é crucificada. É na cruz que renunciamos à velha vida e nos sujeitamos a Deus, onde a natureza pecaminosa é exposta à vergonha e morte. É lá que morremos para nós mesmos, para que, então, vivamos para o Autor e Consumador de nossa fé. É na cruz que sentimos nossas misérias, lamentamos, choramos e nos humilhamos perante àquele que nos dá razão para sorrir e que nos exalta. É na cruz que morremos como escravos para, então, nascermos livres. Por isso o diabo odeia a cruz.

É verdade que mesmo sendo salvos seremos ainda tentados, e teremos de lidar com a sombra do velho homem. Porém, sempre que isso ocorrer, lembremo-nos de que a velha natureza foi mortificada na cruz, e agora, feitos novas criaturas, nos submetemos ao Senhor para que andemos em novidade de vida.

Se o Maligno quiser nos apanhar em laços, resistamos, persistentemente, negando nossa carne e suportando, diariamente, a nossa cruz. Se o Adversário proferir acusações contra nós, tenhamos em mente que “agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito” (Romanos 8:1). Não derrotaremos Satanás com ‘fórmulas mágicas’, mas podemos resisti-lo na cruz; é lá que vencemos.

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

“AMANTES DE SI MESMOS, AVARENTOS”

Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos.” (2 Timóteo 3:2 – grifo do autor)


O termo φιλάργυροι (philarguros), traduzido por avarentos, significa, literalmente, “amantes da prata” ou “amantes do dinheiro”. Este espírito cobiçoso chamado avareza é uma forma de idolatria, pois o dinheiro é tratado como a prioridade da vida, em razão de que a pessoa passa a desprezar valores importantes, pessoas e o próprio Deus. O dinheiro torna-se o seu “sol”, em torno do qual gira seus interesses.

A avareza é característica presente nos “amantes de si mesmos”. Alguém impregnado do amor próprio valorizará tudo aquilo que puder ser usado para satisfazer sua cobiça, por isso terá obsessão pelo dinheiro. Não é sem motivo que Paulo escreveu que “o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos” (1 Timóteo 6:10 – NVI). Sim, o amor ao dinheiro provoca muitos males: O amor ao dinheiro leva a apostasia. Por amar ao dinheiro, pessoas gastam tempo demasiado no trabalho, deixando a família, os amigos e tantas coisas importantes para segundo plano. O amor ao dinheiro sufoca os bons sentimentos e torna a pessoa insensível. Todos os que se corrompem na política o fazem pelo amor ao dinheiro. Pelo amor ao dinheiro, ou ao que o dinheiro pode comprar, pessoas brigam, traem umas as outras, mentem, caluniam, roubam, matam… Plutarco disse que “a avareza é um tirano bem cruel; manda ajuntar e proíbe o uso daquilo que se junta; visita o desejo e interdiz o gozo”. Considerando seu poder nefasto, não é sem motivo que seja uma das marcas dos “tempos trabalhosos” aos quais Paulo se refere.

Se há um conselho oportuno que possa ser considerado em relação ao exposto, é este: Seja senhor e não servo do dinheiro. Considere o dinheiro como bênção, e não como combustível da cobiça. Use-o de maneira inteligente, para abençoar a si, a sua família e aos que dele necessitam; faça-o de modo generoso. Administre-o de forma que Deus seja glorificado. Seja fiel no sustento da Obra e colabore para a expansão do evangelho. Fazendo assim seu coração estará no Céu, e não na Terra “onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam” (Mateus 6:19).

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

“AMANTES DE SI MESMOS”

dinheiro
Imagem: Pixabay


Pr. Cleber Montes Moreira

Porque haverá homens amantes de si mesmos...” (2 Timóteo 3:2a)

Não podemos cultivar a esperança ilusória de que este mundo melhorará, embora seja natural que assim desejemos e para isso nos esforcemos, pois “todo o mundo está no maligno” (1 João 5:19) e reservado para o juízo. Tanto o que está fora dos templos quanto o que está dentro deles tem experimentado a corrupção. Aliás, entre o mundo e as denominações religiosas, incluindo as evangélicas, de modo quase generalizado, já não há mais fronteiras. A globalização não está apenas na economia, na política, mas também nas religiões. O ecumenismo tornou os divergentes em parceiros de “fé comum”, gerou “comunidades”, e com discursos de amor, tolerância e justiça contribuiu para o surgimento de uma “onda inclusiva” abarcada por uma nova teologia firmada numa “hermenêutica popular”. Daí, para justificarem tais transformações, textos bíblicos foram ressignificados, passaram a fazer a “leitura popular da Bíblia”, e mesmo versões de “bíblias inclusivas” (prefiro com minúsculas!) foram lançadas no mercado, bem como literaturas de apoio. Hoje cantor gospel se apresenta e colabora com terreiro de candomblé, líderes espirituais pregam o universalismo, desprezam o casamento e o modelo bíblico de família, discursam em favor do aborto e outras “causas”, igrejas evangélicas colocam bloco no carnaval, aceitam membros LGBTs, e os pilares da fé cristã são substituídos por apenas uma doutrina: a do “amor”. “Amor” sem compromisso com a Verdade, que se presta para encher templos de pessoas que não suportam a sã doutrina, mas têm prazer nos afagos dos falsos mestres. Porém, o “amor” que alarga o caminho para o Céu é heresia; é estratégia do diabo para encher o inferno. Este falso amor tem se consolidado como o principal tema religioso destes “tempos trabalhosos”. Mas, o que este “amor” esconde, a sua verdadeira motivação, é denunciado aqui pelo apóstolo: “Porque haverá homens amantes de si mesmos...” O que sucede é uma lista de atitudes pecaminosas que derivam deste sentimento egoísta, e que culmina no que alguns chamam de “eulatria”. Quando o ego toma o lugar da divindade, todas as motivações e ações tornam-se adequadas para elevar o “homem mau” ao status de deus e satisfazer todos os seus interesses.

Você já pensou que o caos que enfrentamos na sociedade tem origem no amor próprio? Pessoas sem o temor de Deus, que cultuam a si mesmas, estão dispostas a qualquer coisa para fazerem prosperar os seus intentos. Tudo o que fazem é em função do seu prazer, da sua vaidade, da sua avareza, do seu orgulho…. Quanto aos falsos mestres, até o “evangelho” que pregam, ainda que regado de “amor”, é para a sua própria glória: “amantes de si mesmos” não podem amar e honrar a Deus. Pense nisso!

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

“TEMPOS TRABALHOSOS”


bible
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Pr. Cleber Montes Moreira

Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” (2 Timóteo 3:1)

É admitido que o autor, por causa da maldade e apostasia crescente em seu tempo, pensasse que aqueles dias antecediam a breve volta do Senhor. Champlin explica que: “Não há que duvidar que o autor sagrado pensava que estava nos últimos dias, ensinando profecias sobre a apostasia que se aplicam àqueles dias, como se isso já estivesse se cumprindo diante de seus próprios olhos.”1 Beacon conclui que “Paulo acreditava na proximidade da volta de Cristo, embora não vivesse para vê-la. O período que Paulo está descrevendo poderia estar logo à frente de Timóteo. E ele o chama tempos trabalhosos.2 Já em sua época muitas heresias eram propagadas e afetavam muito a vida das igrejas, tanto que as epístolas pastorais tinham dentre seus objetivos corrigir desvios. Os judaizantes e os gnósticos, presentes nas igrejas, são tratados com maior atenção pelo perigo que representavam.

Se realmente Paulo tinha em mente que aqueles “tempos trabalhosos” eram sinais da iminente volta do Senhor, o que ele escreveria se conhecesse a era em que vivemos? Embora sua realidade fosse realmente difícil, e mesmo considerando que os hereges com seus falsos ensinos nunca deixaram de trabalhar para interferir na vida das igrejas e contaminar sua doutrina, podemos dizer que neste tempo os que “resistem à verdade” e difundem mentiras (v. 8) se alastram como nunca. Os “homens maus e enganadores” (v. 13) estão por toda parte: pastores, bispos, apóstolos, patriarcas, gurus espirituais etc., representando denominações religiosas ou seguindo “carreira solo”, laborando para enganar incautos e realizarem seus intentos malignos. Não é novidade que expressões como “o mundo está no fim” e “breve Jesus voltará”, dentre outras tantas, sejam pronunciadas em tom de exclamação por aqueles que acreditam que já presenciamos os tempos escatológicos. É natural que, diante dos males desta era, das heresias que se espalham, do falso profetismo que se prolifera como praga, aqueles que têm a esperança da volta do Senhor a considerem como muito próxima. Ainda que o Mestre tenha dito que “daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai” (Mateus 24:36), os sinais que evidenciam o Dia do Senhor estão, de modo explícito e inconteste, bem diante de nossos olhos: Vivemos em “tempos trabalhosos”! Não nos compete tentar desvendar o quando, mas sim permanecermos atentos e fiéis, pois Ele mesmo advertiu: “Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis”; “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mateus 24:44; 25:13).
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1 Champlin, Russell Norman, Ph. D., Comentário Bíblico, Volume 5, página 385, Hagnos, 2001
2 Beacon, Comentário Bíblico, Volume 9, página 525, CPAD, 2012

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

FILHO OU CRIATURA?


pai
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“Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.” (João 1:12,13 – AFC)


Pr. Cleber Montes Moreira


Deus se apresenta a nós em sua Palavra em linguagem humana; para o nosso entendimento, na Bíblia, Ele é chamado de Pai. Pai é genitor, é aquele que transmite ao filho o seu DNA. O Criador planejou isso quando nos formou: “E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança...” (Gênesis 1:26). Este verso revela a intenção divina de transmitir a nós virtudes encontradas em Seu Ser. Ele nos fez seres espirituais, emocionais, morais, com capacidade intelectiva, com competência para administrar e dominar sobre a criação, seres sociais para nos relacionarmos com Ele e com os semelhantes... Mesmo tendo o pecado nos desviado do propósito divino – “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Romanos 3:23) – ainda vemos em nós muitas virtudes transmitidas pelo Criador.

Embora o mundo tenha sido corrompido por causa do pecado, o Novo Testamento nos fala de uma nova criação da qual sucede a geração dos salvos. Jesus fala para Nicodemos do “nascer de novo” (João 3:3), Tiago escreve que Deus, Segundo a sua vontade, nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas (Tiago 1:18). E Jesus nos ensina que este nascimento não é da carne ou do sangue, ou seja, não se trata de um nascimento físico, mas de Deus: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Leia João 1:13; 3:6). Eis o motivo pelo qual os salvos – aqueles que experimentaram o novo nascimento – podem chamar a Deus de Pai e ter tal intimidade com Ele.

O que nos faz filhos de Deus não é o nascimento natural, mas o espiritual. Deus é Pai, não para as criaturas, mas para os regenerados. A pergunta que cada qual deve fazer é: Eu sou filho ou apenas criatura? Eu fui gerado pelo Pai? Eu já experimentei o milagre do novo nascimento? Pense nisso!