Pastor Cleber

As Marcas do Pecado

Havia um homem que tinha um filho ainda jovem, mas, muito desobediente. Até que um dia o pai tomou uma resolução, cada vez que o filho desobedecesse, ele colocaria um prego no poste de madeira em frente à casa. Por outro lado, à medida que ele fosse mudando de atitude os pregos iriam sendo tirados. Aquele filho continuou na sua desobediência até que percebeu que no postes já havia muitos pregos e ele resolveu mudar de atitude até que um dia todos os pregos foram retirados. Então, o seu pai chegou para ele disse para o filho: - Está vendo meu filho, já não há mais nenhum prego, ao que o filho suspirando respondeu tristemente: - mas as marcas continuam lá.

Esta ilustração nos ensina uma verdade da Palavra de Deus: as marcas do pecado nos acompanham! Davi pagou um preço muito alto pelo seus pecados, pois as conseqüências o acompanharam ao longo de sua vida.

(Desconheço o autor)

Reflexões sobre o culto cristão

Uma visão pastoral

Palestra ministrada a pastores no Congresso de Música, na PIB do Brás (SP), em 24 de maio de 2002
É auspicioso que a PIB do Brás esteja a promover este Congresso cujo objetivo é estudar o Culto Cristão, à luz da Palavra de Deus.
Este evento faz-se tão mais necessário quanto se verifica tanta confusão em matéria de culto e adoração, por falta de uma filosofia e de uma teologia bíblicas do culto, nestes começos do século 21.
Pois bem. A comunidade batista internacional está preocupada também com o assunto, eis porque a Aliança Batista Mundial promoveu em 1999, em Berlim, na Alemanha, um Congresso de Adoração cujos resultados podem ajudar-nos a compreender a importância da adoração e os desafios que ela enfrenta neste tempo.
Também a União Batista Latino-Americana promoveu, com apoio da ABM, congresso semelhante de que resultou, além dos trabalhos apresentados em plenário e nas “oficinas”, a Declaração de Niterói.
Os documentos de Berlim e de Niterói oferecem diretrizes básicas de uma teologia e práxis do culto cristão, a ajudar igrejas e pastores de nossa denominação, e – por que não? – de outras também.
O evento que aqui se celebra deve ajudar-nos a compreender o imperativo do culto e as formas que ele deve assumir para ser agradável a Deus e promover a Sua glória.
As palestras que trago aos pastores podem coincidir com outras que já tenham ouvido, neste mesmo conclave, o que de certo vai contribuir para que se enfatizem preocupações, doutrinas e diretrizes para o culto hoje.
Natureza e propósitos do culto cristão
“O culto constitui a ação mais momentosa, mais urgente e mais gloriosa que pode acontecer na vida humana”. (Karl Barth)
Que é o culto? Que é prestar culto a Deus? Qual a natureza mesma do culto? Por que cultuamos a Deus? Que perigos o culto cristão está a correr? Como há de ser o culto aceitável diante de Deus?

QUE É O CULTO?
Culto é reverência, é atribuição de valor absoluto, é busca de Deus ou resposta a Deus.
O culto cristão constitui, diferentemente doutras formas que o culto assume no panorama religioso da Humanidade, quando parece uma busca ansiosa de Deus, ou tentativa de aplacar a ira de Deus, e, aos gritos, o ser humano clama por um Deus distante, resposta da criatura remida por Jesus Cristo, alcançada por Sua graça, ao imenso amor de Deus, mediante expressões de louvor e adoração.
No culto, o coração da igreja pulsa, renovam-se-lhe as energias espirituais, o povo de Deus respira a atmosfera do céu, ao mesmo tempo em que leva ao Senhor as dores e aflições da terra.
Como lembra Beasley-Murray, o culto é a ocasião em que, como homens e mulheres, realmente nos sentimos vivos; quando nós, seres humanos, criados à imagem de Deus, começamos a cumprir o propósito mesmo de nossa existência, a relacionar-nos com o Deus que nos fez.
Uma das mais belas definições de culto, e lembrada em todo o mundo, é a de William Temple: “Cultuar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, devotar a vontade aos propósitos de Deus”.
Ou, como diz Martin-Achard: “para o presente, constitui o traço de união entre o passado rico em atos grandiosos do Senhor de Israel e da Igreja, e o porvir tão cheio das promessas do reino celeste. Ele diz aos crentes donde eles procedem e para onde os conduz a história, apresenta-lhes ao mesmo tempo a maravilhosa benevolência e a sagrada exigência de Deus. O culto atualiza a Palavra que une a Deus o povo escolhido, fazendo-a mais presente e viva para aqueles que se congregam a seu chamado, assim abre aos membros do povo escolhido o caminho do serviço, fortificando-lhes a fé, estimulando-lhes a esperança e despertando neles o amor divino. O culto é o lugar venturoso de encontro dos fiéis com seu Deus, enquanto esperam a vinda de seu reino”.

QUAIS OS ASPECTOS DO CULTO?
O culto é sacrifício (de animais no AT, de nossos próprios corpos, no NT (Rm 12.1); é temor (Gn 15.12, Is 6.5; Hb 12.28,29); é alegria (2Cr 29.27,30; 1Cr 16.8-35; Sl 146-150); é comunhão (Ex 33.11; 1Jo 4.18); é louvor (2Cr 20.18,22; Jo 4.24); é obediência (1Sm 15.22; Jo 14.15) e é êxtase ou celebração (Gn 15.12; 2Sm 6.13.14).
Como sacrifício, o culto dá ênfase à oferta da própria vida; como temor, enfatiza a reverência; como alegria, a felicidade; como comunhão, a intimidade com Deus; como louvor, ação de graças; como obediência, amor; como êxtase ou celebração, a adoração.

POR QUE O CULTO?
Por que o ser humano há de cultuar?
O homem foi criado por Deus para o relacionamento e comunhão com Ele, e a natureza relacional do ser humano e sua transcendência exigem o culto, eis por que, quando não adoram o verdadeiro, os seres humanos elegem deuses falsos.
Por outro lado, o homem pende para Deus como as plantas se voltam para o sol, no fenômeno do heliotropismo. A esse inclinar-se do homem para Deus podemos denominar de teotropismo. O culto constitui, pois, imperativo desse pendor teotrópico do homem.
Também o desejo de “conhecer” e “dominar” a divindade é outra razão para cultuar, para adorar.
Por fim, o culto faz-se imperativo pela natureza mesma da igreja, como “comunidade de adoração”.
Aliás, sobre isso diz F.M. Segler que “a igreja nasceu no culto e sua vida é sustentada pela comunhão com seu Senhor vivo. A congregação adoradora é realmente uma comunidade da ressurreição”.
Mas o culto é também imperativo de corações agradecidos. Ele é resposta à bondade, ao amor, à revelação de um Deus que “busca adoradores”.
Anjos e homens, grandes e pequenos, dirigentes e congregação, todos devemos prestar culto a Deus, enquanto oramos, louvamos, lemos a Palavra de Deus, ouvimos a mensagem de Deus.
Ninguém comparece na Casa do Senhor apenas para “assistir ao culto”, como mero espectador, como se estivesse num teatro. Não e não. Somos todos chamados a adorar a Deus que é Espírito, o que implica em que o culto no qual Ele tem prazer é espiritual – o sacrifício de um coração humilde, contrito, grato e adorador.

“EM ESPÍRITO E EM VERDADE”, QUE SIGNIFICA?
Disse Jesus, na conversa com a samaritana, que Deus, o Pai, busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade”.
E que significa adorar “em espírito e em verdade”, como Jesus fala à samaritana?
Adorar em espírito é fazê-lo em harmonia com o Espírito, e assim adorar a Deus em verdade.
Aliás, uma tradução sugerida para João 4.24, seria: “Deus é Espírito, e somente pelo poder de seu Espírito as pessoas podem adorá-Lo como Ele realmente é”.
O culto “em espírito e em verdade” não é o que se presta de maneira formal, insincera, em que se divorciam coração e lábios; e em que a consciência se mostra distante dos atos de louvor e adoração.
Perigos do culto em nossos dias, e como ele deve ser prestado a Deus
Ambos os eventos a que fiz referência na apresentação desta palestra apontam, nos documentos a que deram origem, alguns perigos que precisam de ser enfrentados ou evitados. Por exemplo:
1) Lugar menos honroso à pregação, à Palavra, a Jesus Cristo cuja pessoa e cujos ensinos são pregados, e mais honra ao pregador;
2) A música pode tornar-se espetáculo e seu objetivo, artístico e não a edificação dos crentes, o testemunho das verdades do Evangelho e, sobretudo, a glória de Deus;
3) Dar menos importância às ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor, tornando-os meros “apêndices” do culto e não parte essencial dele;
4) Falta de ênfase na doutrina e prática do sacerdócio universal dos crentes, em prejuízo da comunidade de fé e testemunho, confiando ao ministério ordenado a direção e as partes principais do culto;
5) A oração perde importância também como oportunidade de ouvir a Deus: muita vez cantamos e falamos, e os decibéis de nosso louvor não permitem o silêncio e quietude para ouvir a voz do Senhor com quem, no culto, dialogamos.
O Congresso realizado em Niterói assinala, no documento denominado Declaração de Niterói sobre Adoração, que são algumas de suas preocupações:
1) a transformação, com muita freqüência, do culto em “show” e exibição de beleza musical ou de talento retórico, como seu objetivo principal;
2) a “clericalização” do culto, com suas principais funções exercidas por ministros ordenados;
3) a informalidade excessiva, a improvisação, a desarmonia e desarticulação entre as partes do culto;
4) a hipertrofia dos chamados “momentos de louvor” nos cultos, em detrimento da ministração da Palavra que orienta, alimenta, santifica, conduz à fé e à vida de compromisso com Deus, em alguns casos pretendendo substituir a pregação pelos cânticos;
5) a focalização do culto na pessoa humana, no seu prazer e divertimento, cambiando a ênfase da ética para a estética, do ser santo para o ser feliz e realizado como pessoa;
6) também a consideração das ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor como apêndices do culto e não como artes essenciais dele, portadores que são das grandes verdades da fé cristã.
Resumo, a seguir, os perigos do culto hoje, explícitos ou latentes nos documentos finais dos dois conclaves, e objetivo de minha reflexão ao longo dos anos, e hoje no contato com grande variedade de igrejas e de estilos de culto.

QUAIS OS PERIGOS QUE VEJO?
1. Em primeiro lugar, a tentativa ou pretensão humana de manipulação de Deus, o que é uma forma de magia.
Gerhard Von Rad acredita que o próprio Moisés, ao tentar saber o nome de Deus, podia ter a pretensão de “conhecê-lo”, para “dominá-lo” ou pô-lo a seu serviço.
Diz ele: “O homem anela pela revelação de Deus não só por causa de Deus, a fim de que ele seja cultuado e adorado, mas, na realidade, por sua própria causa. É porque ele precisa de Deus, que deseja chamar por seu Nome. Exatamente porque sente tal necessidade intensa de Deus, que almeja tê-lo permanentemente no seu domínio. Ele quer um Deus que em certo sentido se torne parte dele mesmo; o homem quer pôr Deus a serviço dele (...) Numa palavra: a pergunta de Moisés sobre o nome de Deus constitui a um tempo expressão da necessidade humana de Deus e do descaramento humano em relação a Deus”.
2. Pretensão de submeter o Eterno a uma liturgia, é outro perigo. É o que poderíamos chamar de “liturgismo”.
3. Formalismo legalista é outro perigo, como verificamos na experiência do povo de Israel, que Deus exprobra pela instrumentalidade de Isaias.
(Vide Isaías 1. Diz Deus que está cansado de “sofrer” aquele culto meramente exterior, formal, de ruído estrepitoso, mas sem vida espiritual.)
Não adiantam o louvor, os instrumentos, os sacrifícios, o incenso, se as mãos estão manchadas e os corações, cheios de maldade.
4. Outro perigo, ainda, é a de centralização do culto no homem, a ênfase nos sentimentos, quando passamos longo tempo a dizer a Deus como nos sentimos. E assim, em vez der ser Deus o centro do culto, nós é que nos tornamos.
É o caso de muitos dos “corinhos” ou “hinetos” dos “momentos de louvor em nossos dias.
Lembremo-nos, no entanto, desta grande verdade: “Um encontro com Deus pode tornar-se algo realmente doloroso e uma chamada ao sacrifício, à entrega, à abnegação”.
Como disse alguém: “A convocação (do culto) não é tanto ‘Sorri, Deus te ama’. Antes: ‘Arrepende-te, chora, treme’!”

COMO HÁ DE SER, ENTÃO, O CULTO ACEITÁVEL DIANTE DE DEUS?
Comunidade litúrgica que é, como a igreja há de cultuar a Deus, de maneira aceitável?
* Já vimos que o culto há de ser espiritual: “em espírito e em verdade”.
* O culto há de ser prestado só a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo).
Aos anjos não se há de cultuar, nem aos homens, mesmo que sejam apóstolos do Senhor. Não se há de prestar culto a nenhum outro ser.
* O culto há de privilegiar a Palavra de Deus. O culto sinagogal exerceu forte influência sobre o culto cristão. A propósito, assinala Humberto Porto: “O ofício sinagogal, com salmos, louvores, leituras, sermão e preces, delineou a estrutura da sintaxe da igreja. No shabbat e em dias festivos. Podia um dos presentes por ocasião dos serviços religiosos, após a leitura da perícope da Torá e o respectivo trecho profético, usar a palavra. Desta possibilidade, Jesus e os apóstolos lançaram mão para pregar o evangelho aos judeus reunidos na sinagoga (Mt 4.23; Lc 4.44; At 13.5)”.
O modelo da sinagoga, mais do que o do templo, constitui paradigma do culto cristão evangélico que tem na Palavra, e não no rito, o fulcro de sua preocupação.
* O culto há de ser prestado por lábios purificados, que confessam o nome do Senhor.
* O culto há de ser da comunidade inteira, não de oficiantes privilegiados.
* O culto há de ser de todo o nosso ser, e com a inteligência e as emoções.
* O culto há de produzir mudança de vida, santidade e disposição de servir.
Com efeito, o culto verdadeiro não nos deixa os mesmos que entramos no templo: faz-nos assumir novas atitudes de renúncia ao pecado, de busca da vontade de Deus em todas as áreas da vida, de serviço dedicado e de testemunho efetivo.
No interior de muitos santuários, acima do púlpito, costuma-se ler: “Aqui nós vimos para adorar; daqui saímos para servir”. E é isso mesmo. O culto deve levar-nos ao conhecimento da vontade de Deus, quando nos reunimos em adoração, e, depois, à disposição firme de cumpri-la em todas as áreas de nossa vida.
* Como o culto é resposta humana ao amor de Deus, deve ser prestado dentro das categorias da cultura de cada povo, e não por meio de formas culturais alienígenas – a menos que universalmente aceitas.
Sabemos que nenhuma cultura é superior a outra, e toda cultura contém elementos demoníacos a serem rejeitados, mas, também, elementos de beleza e verdade a serem aproveitados e santificados, em nossas expressões de adoração.

CONCLUSÃO
Que assim compreendendo a natureza mesma do culto, seu imperativo, seus perigos e as condições de sua aceitabilidade perante o Eterno, aprendamos a cultuar realmente “em espírito em verdade”, com orações, testemunho e louvor que brotem de “lábios que confessam o nome de Jesus”, a evitar os perigos à genuína adoração, a glorificar a Deus, a edificar a igreja, e a abençoar o mundo.
Com a oração de Paulo pelos efésios, concluo: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Glória, pois a Deus, na igreja!


Irland Pereira de Azevedo
Conferencista, professor, pastor emérito da
PIB de São Paulo

A Aposta dos Sentimentos Ruins

Certa vez, os piores sentimentos que existem apostaram entre si qual deles seria capaz de tomar o lugar da Felicidade que vivia numa casa de família.
O primeiro sentimento a tentar foi a Solidão, porém, em poucos minutos ela saiu de lá, muito decepcionada com seu próprio fracasso. Mas, não contou para os outros sentimentos o quê a levou a fracassar.
O próximo a tentar foi a Tristeza, mas, antes de bater à porta, espiou pela janela e desistiu. Ela também não contou nada para os outros.
O Desespero, a Ansiedade, o Ódio e a Culpa também fracassaram e, igualmente, nada contaram.
Um dia, quando a família saiu para passear com a Felicidade, a Curiosidade e o Atrevimento invadiram a casa, para tentar descobrir porquê nenhum sentimento ruim conseguia entrar ou permanecer ali. Eles pensavam que iam poder xeretar à vontade, mas levaram um susto muito grande, pois, a casa não estava vazia, o Amor estava lá, cuidando de tudo.

Os dois sairam correndo e gritando:

- É o Amor! O Amor vive nesta casa.
- Desistam, pois onde mora o Amor a Felicidade mora junto e não sobra lugar para nenhum sentimento ruim.

Autor deconhecido.

Apascentando Ovelhas ou Entretendo Bodes?

Um mal está no declarado campo do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até o mais míope dificilmente deixaria de notá-lo durante os últimos anos. Ele se tem desenvolvido em um ritmo anormal, mesmo para o mal. Ele tem agido como fermento até que toda a massa levede. O demônio raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las.

Da pregação em alta voz, como faziam os Puritanos, a Igreja gradualmente baixou o tom de seu testemunho, e então tolerou e desculpou as frivolidades da época. Em seguida ela as tolerou dentro de suas fronteiras. Agora as adotou sob o argumento de atingir as massas.

Meu primeiro argumento é que prover entretenimento para as pessoas não está dito em parte nenhuma das Escrituras como sendo uma função da Igreja. Se este é um trabalho Cristão, porque Cristo não falou dele? “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” (Marcos 16:15). Isto está suficientemente claro. Assim teria sido se Ele tivesse adicionado “e proporcionem divertimento para aqueles que não tem prazer no evangelho.” Nenhuma destas palavras, contudo, são encontradas. Não parecem ter-lhe ocorrido.

Então novamente, “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores… para a obra do ministério” (Efésios 4:11-12). Onde entram os animadores? O Espírito Santo silencia no que diz respeito a eles. Foram os profetas perseguidos porque divertiram o povo ou porque o rejeitaram? Em concerto musical não há lista de mártires.

Além disto, prover divertimento está em direto antagonismo com o ensino e a vida de Cristo e de todos os seus apóstolos. Qual foi a atitude da Igreja quanto ao mundo? “Vós sois o sal” (Mateus 5:13), não o doce açucarado - algo que o mundo irá cuspir e não engolir. Curta e severa foi a expressão: “deixa os mortos sepultar os seus mortos.” (Mateus 8:22) Ele foi de uma tremenda seriedade.

Se Cristo introduzisse mais brilho e elementos agradáveis em Sua missão, ele teria sido mais popular quando O abandonaram por causa da natureza inquiridora de Seus ensinos. Eu não O ouvi dizer: “Corra atrás destas pessoas, Pedro, e diga-lhes que nós teremos um estilo diferente de culto amanhã, um pouco mais curto e atraente, com pouca pregação. Nós teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que certamente se agradarão. Seja rápido Pedro, nós devemos ganhar estas pessoas de qualquer forma.” Jesus se compadeceu dos pecadores, suspirou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.

Em vão serão examinadas as Epístolas para se encontrar qualquer traço deste evangelho de entretenimento! A mensagem delas é: “Saia, afaste-se, mantenha-se afastado!” É patente a ausência de qualquer coisa que se aproxime de uma brincadeira. Eles tinham ilimitada confiança no evangelho e não empregavam outra arma.

Após Pedro e João terem sido presos por pregar o evangelho, a Igreja teve uma reunião de oração, mas eles não oraram: “Senhor conceda aos teus servos que através de um uso inteligente e perspicaz de inocente recreação possamos mostrar a estas pessoas quão felizes nós somos.” Se não cessaram de pregar a Cristo, não tiveram tempo para arranjar entretenimentos. Dispersos pela perseguição, foram por todos lugares pregando o evangelho. Eles colocaram o mundo de cabeça para baixo (Atos 17:6). Esta é a única diferença! Senhor, limpe a Igreja de toda podridão e refugo que o diabo lhe tem imposto, e traga-nos de volta aos métodos apostólicos.

Finalmente, a missão de entretenimento falha em realizar os fins desejados. Ela produz destruição entre os novos convertidos. Permita que os negligentes e escarnecedores, que agradecem a Deus pela Igreja os terem encontrado no meio do caminho, falem e testifiquem. Permita que os oprimidos que encontraram paz através de um concerto musical não silenciem! Permita que o bêbado para quem o entretenimento dramático foi um elo no processo de conversão, se levante! Ninguém irá responder. A missão de entretenimento não produz convertidos. A necessidade imediata para o ministério dos dias de hoje é crer na sabedoria combinada à verdadeira espiritualidade, uma brotando da outra como os frutos da raiz. A necessidade é de doutrina bíblica, de tal forma entendida e sentida, que coloque os homens em fogo.

Charles Haddon Spurgeon

Tradução: Walter Andrade Campelo

Um Templo ou um Teatro?

Os homens parecem nos dizer: “Não há qualquer utilidade em seguirmos o velho método, arrebatando um aqui e outro ali da grande multidão. Queremos um método mais eficaz. Esperar até que as pessoas sejam nascidas de novo e se tornem seguidores de Cristo é um processo demorado. Vamos abolir a separação que existe entre os regenerados e os não-regenerados. Venham à igreja, todos vocês, convertidos ou não-convertidos. Vocês têm bons desejos e boas resoluções: isto é suficiente; não se preocupem com mais nada. É verdade que vocês não crêem no evangelho, mas nós também não cremos nele. Se vocês crêem em alguma coisa, venham. Se vocês não crêem em nada, não se preocupem; a ‘dúvida sincera’ de vocês é muito melhor do que a fé”.

Talvez o leitor diga: “Mas ninguém fala desta maneira”.

.É provável que eles não usem esta linguagem, porem este é o verdadeiro significado do cristianismo de nossos dias. Esta é a tendência de nossa época. Posso justificar a afirmação abrangente que acabei de fazer, utilizando a atitude de certos pastores que estão traindo astuciosamente nosso sagrado evangelho sob o pretexto de adaptá-lo a esta época progressista.

O novo método consiste em incorporar o mundo à igreja e, deste modo, incluir grandes áreas em seus limites. Por meio de apresentações dramatizadas, os pastores fazem com que as casas de oração se assemelhem a teatros; transformam o culto em shows musicais e os sermões, em arengas políticas ou ensaios filosóficos. Na verdade, eles transformam o templo em teatro e os servos de Deus, em atores cujo objetivo é entreter os homens. Não é verdade que o Dia do Senhor está se tornando, cada vez mais, um dia de recreação e de ociosidade; e a Casa do Senhor, um templo pagão cheio de ídolos ou um clube social onde existe mais entusiasmo por divertimento do que o zelo de Deus?

Ai de mim! Os limites estão destruídos, e as paredes, arrasadas; e para muitas pessoas não existe igreja nenhuma, exceto aquela que é uma parte do mundo; e nenhum Deus, exceto aquela força desconhecida por meio da qual operam as forças da natureza. Não me demorarei mais falando a respeito desta proposta tão deplorável.

C.H.Spurgeon (1834-1892)