quarta-feira, 10 de maio de 2017

MAQUIAGEM OU DEMAQUILANTE?

Pr. Cleber Montes Moreira

“Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados.” (Lucas 15:19 – NVI – Leia todo capítulo)

    
Certa pessoa, antes desenganada pelos médicos e “entre a vida e a morte”, após se recuperar, por milagre, afirmou: “Eu senti o cheiro da morte, por isso aprendi a valorizar a vida.” Creio que isso explique as mudanças em seus hábitos. É fato que valorizamos muito mais certas coisas quando estamos por perdê-las, compreendemos muito melhor certos valores quando passamos por experiências extremas e adversas.  Foi assim que o filho pródigo, em sua miséria, caindo em si,  lembrou-se de todo bem e fartura da casa de seu pai e, compreendendo sua condição indigna, disse: “Eu me porei a caminho e voltarei para meu pai, e lhe direi: Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus empregados” (Lucas 15:18,19 – NVI). Observe que ele compreendeu não somente sua miséria, mas sua condição indigna: ele sabia que não merecia mais ser tratado como filho e herdeiro, que era totalmente indigno do amor e atenção do pai, e se contentaria em ser tão somente seu empregado para desfrutar das “migalhas que caem de sua mesa”. Mas, o pai ao ver o filho ainda de longe, cheio de compaixão, correu e o abraçou e beijou, mandou que lhe vestissem a melhor roupa e preparou uma grande festa para celebrar seu retorno. Ele não merecia, era totalmente indigno, mas a graça do pai o alcançou com seu perdão, e ele foi recebido não como um empregado, mas como filho. Eu duvido que aquele jovem não tenha aprendido a valorizar sua vida!
    
Sabe qual o problema de muitos pregadores de hoje? É que eles dizem que Deus é amor, mas se esquecem de dizer que Deus é juiz e que pecamos contra Ele. Pregam um “meio evangelho”, proferem mensagens “positivas” que realçam o amor mas não denunciam o pecado. Assim os pecadores não se dão conta de sua miséria e indignidade diante do Todo Poderoso, não tendo motivos para o arrependimento. Tais ouvintes acabam crendo que poderão adentrar diante do Pai com trajes imundos.  Eles não sabem o que é o pecado nem a dimensão de sua gravidade. Aliás, as mensagens desses falsos profetas até fazem com que seus ouvintes se considerem muito dignos diante do Senhor: dignos de seu amor, de seu perdão, de sua presença, de suas bênçãos… (até de alguma restituição). Gente assim não está em condições de dizer: “Não sou mais digno de ser chamado teu filho”; nem “Miserável homem eu que sou!” (Lucas 15:19; Romanos 7:24).
    
Se ao invés de declararmos que “Deus odeia o pecado, mas ama o pecador”, proclamássemos com mais clareza, constância e firmeza sobre o pecado, o pavor e rigor do juízo divino, talvez mais pecadores se arrependessem. Atenuar a verdade é o mesmo que pregar um falso evangelho, e condenar, pelo engano, pecadores à perdição eterna. Isso é cooperar com a obra o diabo.
    
Se desejamos que o mundo conheça a graça de Deus, precisamos fazê-lo sentir a sua miséria. Se desejamos que a salvação tenha algum sentido para o perdido, precisamos demonstrar qual é a sua condição diante do Justo Juiz. Se desejamos que o céu seja precioso para alguém, devemos mostrar-lhe a realidade do inferno. A graça faz todo sentido para aquele que percebe sua desgraça. Não é pregando um “meio evangelho” que levaremos pecadores à Cristo.
    
O evangelho não é maquiagem, é demaquilante!

Nenhum comentário:

Postar um comentário