segunda-feira, 15 de maio de 2017

COMO AFERIR A AUTENTICIDADE DO PROFETA?

Pr. Cleber Montes Moreira


“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” (2 João 1:9)



Segundo os dicionários, ‘prevaricar’ é, dentre outras coisas, “deixar de cumprir uma obrigação, um dever”. No texto significa desviar-se da doutrina de Cristo, “ir antes, preceder, ir além”, provavelmente uma referência aos falsos profetas que se orgulhavam de oferecer ao povo um ensino “avançado”, conforme nos diz Fritz Rieneeker e Cleon Rogen. (1)

João afirma que quem se desvia do evangelho de Cristo não tem parte com Deus. Assim entendemos que o aferidor da vida cristã autêntica é o compromisso com a verdade – crer, obedecer, viver e ensinar as Escrituras fielmente – palavra esta importante e oportuna neste tempo de tanta confusão e heresias que se espalham em meio às igrejas. Há muita gente com uma “nova visão”, uma nova “interpretação” e aplicação “contextualizada” da Palavra Sagrada segundo seu próprio entendimento ou interesse, há novas “teologias” e ensinos que divergem diametralmente das Escrituras.

Como lidar com os falsos mestres? João responde logo a seguir: “Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras” (10, 11). Em sua época os pregadores itinerantes em viagem procuravam a hospitalidade oficial das igrejas ou as casas dos crentes para se hospedarem, uma vez que normalmente as pensões eram infestadas de pulgas e as estalagens eram caras. Muitos abusavam desta hospitalidade. Willian Barclay (2) cita Luciano, um escritor grego, que em seu livro intitulado ‘O Peregrinus’ relata sobre um homem que tinha encontrado uma maneira cômoda de viver sem trabalhar. Era um enganador itinerante que abusava da hospitalidade das igrejas e cristãos por onde passava, levando uma vida de luxo e a seu gosto.

Entre tais viajantes haviam muitos “enganadores”. Matthew Henry (3) nos exorta: “Quanto mais abundem os enganadores e os enganos, mais alertas devem estar os discípulos.” Vários escritores neotestamentários, bem como o próprio Senhor, trataram de advertir os discípulos acerca dos falsos profetas. Eles não são uma novidade, desde há muito que espalham suas heresias contaminando as mentes dos desacautelados.

O ensino joanino é que os crentes não deveriam dar hospedagem aos mestres hereges, porque isso comprometeria a São Dourina. A saudação indicava a “entrada na comunhão com a pessoa saudada”, por isso João diz: “nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.” Assim, sua mensagem é que não devemos ser receptivos aos enganadores, que não estabeleçamos nenhum vínculo de comprometimento com eles para que não sejamos contaminados com suas mentiras e nem sejamos feitos seus cúmplices. É triste perceber que muitos crentes (e mesmo muitas igrejas) estão abertos para qualquer “novidade”, não tendo senso crítico nem critérios para avaliar se tais ‘ensinos’ procedem ou não de Deus, como nos adverte João em sua Primeira Carta: “Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo” (1 João 4:1).

O que difere um falso mestre daquele que realmente transmite os ensinos de Cristo é sua fidelidade à São Doutrina. Quem “não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho.” E como podemos aferir a autenticidade do profeta? Examinando as Escrituras, conservando um espírito bereano, cultivando o senso crítico. Quem conhece a Palavra de Deus não se engana, mas quem despreza o seu conhecimento é enredado facilmente pelos falsários. Lembre-se sempre do que Deus disse pela boca do profeta Oséias: “O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento...” Que o mesmo não ocorra conosco.

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1- Rieneekcr, Fritz, Chave linguística do Novo Testamento grego, página 593, Vida Nova, 1995.
2- Barclay, William, Comentário Bíblico, 2 João.
3- Henry, Matthew, Comentário Bíblico, 2 João.

Um comentário:

  1. Amém amados!

    Na verdade, parece-me que, o que muitos estão procurando são Títulos, "Apóstolos, Pastores, Bispos, Profetas, etc. e esquecem-se da prática do Evangelho", talvez por este motivo é que vemos por aí um monte de profetadas, dentre muitas heresias... Ir. Rogério Silva (84) 99120-9471

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