quarta-feira, 13 de abril de 2011

EVANGELHO OU MERO COMÉRCIO?


Pr. Cleber Montes Moreira

Estive numa livraria evangélica onde fui comprar um DVD, de um filme, para presentear. Enquanto escolhia, achei inúmeros títulos: mensagens de cunho neopentecostal, DVDs de “louvor profético”, de “dança profética” e até de aula de dança (não era do professor Carlinhos de Jesus). A variedade é imensa e atende a todos os gostos.
Um irmão que me acompanhava estava olhando as Bíblias quando me perguntou: “Você já viu a Bíblia da Mulher?” Em tom de brincadeira disse que sim, mas que ainda não havia encontrado a Bíblia do Homem. Ele respondeu: “existe!”. Assim ele me fez aguçar a curiosidade, o que levou-me a observar as várias Bíblias à disposição na loja: Bíblia do Adolescente (essa eu já conhecia), Bíblia da Vovó (e a do vovô, não tem?), Bíblia da Garota de Fé (essa chamou-me a atenção), isso sem falar na Bíblia “Batalha Espiritual e Vitória Financeira” de Silas Malafaia e tantas outras. A variedade é grande e não posso enumerar todos os títulos aqui.
Na mesma loja, sobre o balcão, encontrei um convite impresso intitulado “7 passos para a vitória completa”, do qual transcrevo abaixo algumas partes:

Com a presença de 7 profetas de Deus que estarão vindo de outras cidades para orar por você e abençoar sua vida (…).
Um momento especial para você que busca cura para o corpo e alma, libertação das obras malignas, prosperidade espiritual e financeira, avivamento espiritual, transformação e salvação (…).
Serão 7 quintas-feiras que vão mudar a história da sua vida.”

Eu brinquei perguntando se aquela era realmente uma livraria evangélica.
Você já reparou na quantidade de livros para campanhas, no estilo quarenta dias disso ou daquilo?
Recentemente uma pessoa me ligou: “Não sei se o senhor sabe, mas nós estamos numa campanha para aumentar o conhecimento bíblico nas igrejas...”. Daí em diante ela começou a fazer propaganda de livros, comentários, dicionários, bíblias... Sem muita paciência para esperar a leitura do catálogo inteiro, a interrompi dizendo que no momento não tinha interesse. Mas fiquei pensando: “aumentar o conhecimento bíblico” ou as vendas? Qual seria seu verdadeiro motivo?
A verdade que tenho constatado é que cada vez mais o evangelho se torna oportunidade para bons negócios. E vale tudo para agradar e chamar a atenção do freguês. Desde o que ocorre nas lojas ao que acontece nas “igrejas”, tudo gira em torno do lucro ou do aumento das entradas financeiras. A “fé” nunca foi tão comercializada como hoje em dia. Quem não tem base bíblica, já não consegue mais distinguir entre o que é o evangelho e o que é mero comércio. Este é um tempo de confusão!


Um comentário:

  1. verdade irmão! Que Deus tenha misericória e nos dê discernimento.

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