quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A "ALMA" DA IGREJA É CRISTO

(Por ocasião do 82º aniversário da Primeira Igreja Batista de Itaperuna)

É verdade que conhecemos com limitações o Cristo (Verbo de Deus encarnado - João 1.1), não porque Ele não se tenha manifestado a nós, ou por falta de unção do Espírito, uma vez que Este já foi derramado sobre toda a carne, mas por nossa negligência no empenho de crescer à estatura do Varão Perfeito - Cristo. Há tantos elementos hoje disponíveis a dar sentido à nossa existência que pensar na dimensão dos valores espirituais num mundo tão marcadamente material e atrativo é mesmo uma perda de tempo.

E se nosso conhecimento do Cristo é limitado, o é também o conhecimento que temos de nós mesmos. O Cristo se revela a nós, e revela-nos o nosso interior. Mal conhecer Cristo, o Salvador, é abrir mão de tudo o que Ele nos agrega de bom à vida: dons e talentos. É deixar, portanto, de abeberar-nos dos mistérios de Sua Graça e bondade derramados em profusão. Tal situação nos faz semelhantes àquele que mendiga nos templos em busca de prendas materiais tendo um Pai Eterno rico e misericordioso que reserva aos seus ricas e escolhidas bênçãos. É bom recordar a parábola do Filho Pródigo.

Negligenciar o Cristo, abrir mão das riquezas da sua glória por absoluta ignorância acarreta outra distorção: desconhece-se, conseqüentemente, o significado da natureza e função terrena da Igreja na perspectiva da Missão de Deus. Igreja que é patrimônio e noiva de Cristo. E as conseqüências nesta cadeia de ignorâncias progressivas produzem crentes eclesiásticos incapazes de se relacionarem uns com os outros, e mais grave ainda, estéreis na produção de frutos do Espírito e obras da Salvação para o Reino de Deus.

Nesta seqüência desastrosa de eventos que produzem crentes contemporâneos pobres e estéreis a lotar igrejas em busca das emoções da fé, os quais se declaram dignos e em comunhão com Jesus, mas incapazes de construir relações fraternais sinceras e saudáveis. Agrega-se, pois, a isto o fato de que, não raro, os ajuntamentos chamados de cultos públicos não são para alegria, proclamação, conversão e santificação, mas são marcados por disputas insanas, críticas fraudulentas e carnalidades disfarçadas sob o manto de piedade numa alma cingida, esquizofrênica.

Ao celebrar 82 anos de organização, a Primeira Igreja Batista em Itaperuna não pode se recostar sobre os louros de vitórias alcançadas no passado, pois a visão de Igreja no Reino de Deus não é retrospectiva e saudosista, mas prospectiva, na direção do futuro, do amanhã. E na certeza de que o amanhã será melhor que hoje, convém ressaltar que é urgente à Igreja promover o resgate e a reinterpretação da Pessoa e Obra do Cristo ressurreto tanto para o anúncio no mundo contemporâneo, assim como, para a formatação da PIB de Itaperuna no perfil deste Cristo de Deus.

Celebrar o aniversário da Igreja é pensar na largura, na altura, na profundidade e na extensão do amor de Cristo.

Pr. Jorge Schütz Dias
Igreja Batista da Lapa (SP)