quinta-feira, 2 de outubro de 2008

A "ALMA" DA IGREJA É CRISTO

(Por ocasião do 82º aniversário da Primeira Igreja Batista de Itaperuna)

É verdade que conhecemos com limitações o Cristo (Verbo de Deus encarnado - João 1.1), não porque Ele não se tenha manifestado a nós, ou por falta de unção do Espírito, uma vez que Este já foi derramado sobre toda a carne, mas por nossa negligência no empenho de crescer à estatura do Varão Perfeito - Cristo. Há tantos elementos hoje disponíveis a dar sentido à nossa existência que pensar na dimensão dos valores espirituais num mundo tão marcadamente material e atrativo é mesmo uma perda de tempo.

E se nosso conhecimento do Cristo é limitado, o é também o conhecimento que temos de nós mesmos. O Cristo se revela a nós, e revela-nos o nosso interior. Mal conhecer Cristo, o Salvador, é abrir mão de tudo o que Ele nos agrega de bom à vida: dons e talentos. É deixar, portanto, de abeberar-nos dos mistérios de Sua Graça e bondade derramados em profusão. Tal situação nos faz semelhantes àquele que mendiga nos templos em busca de prendas materiais tendo um Pai Eterno rico e misericordioso que reserva aos seus ricas e escolhidas bênçãos. É bom recordar a parábola do Filho Pródigo.

Negligenciar o Cristo, abrir mão das riquezas da sua glória por absoluta ignorância acarreta outra distorção: desconhece-se, conseqüentemente, o significado da natureza e função terrena da Igreja na perspectiva da Missão de Deus. Igreja que é patrimônio e noiva de Cristo. E as conseqüências nesta cadeia de ignorâncias progressivas produzem crentes eclesiásticos incapazes de se relacionarem uns com os outros, e mais grave ainda, estéreis na produção de frutos do Espírito e obras da Salvação para o Reino de Deus.

Nesta seqüência desastrosa de eventos que produzem crentes contemporâneos pobres e estéreis a lotar igrejas em busca das emoções da fé, os quais se declaram dignos e em comunhão com Jesus, mas incapazes de construir relações fraternais sinceras e saudáveis. Agrega-se, pois, a isto o fato de que, não raro, os ajuntamentos chamados de cultos públicos não são para alegria, proclamação, conversão e santificação, mas são marcados por disputas insanas, críticas fraudulentas e carnalidades disfarçadas sob o manto de piedade numa alma cingida, esquizofrênica.

Ao celebrar 82 anos de organização, a Primeira Igreja Batista em Itaperuna não pode se recostar sobre os louros de vitórias alcançadas no passado, pois a visão de Igreja no Reino de Deus não é retrospectiva e saudosista, mas prospectiva, na direção do futuro, do amanhã. E na certeza de que o amanhã será melhor que hoje, convém ressaltar que é urgente à Igreja promover o resgate e a reinterpretação da Pessoa e Obra do Cristo ressurreto tanto para o anúncio no mundo contemporâneo, assim como, para a formatação da PIB de Itaperuna no perfil deste Cristo de Deus.

Celebrar o aniversário da Igreja é pensar na largura, na altura, na profundidade e na extensão do amor de Cristo.

Pr. Jorge Schütz Dias
Igreja Batista da Lapa (SP)

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Realizado no Paraná o Projeto Servo 2008



O Projeto Servo é promovido pelo Departamento de Missões da Convenção Batista Paranaense e conta com voluntários que se disponham a levar a mensagem do Evangelho de forma integral e contextualizada ao povo paranaense, bem como apoiar e fortalecer o trabalho de pequenas igrejas, congregações e frentes missionárias no Estado, no período das férias.

Em 2008, o Projeto Servo aconteceu entre os dias 12 e 27 de julho, na região dos Campos Gerais, nas cidades de Castro, Guarapuava, Ortigueira e Ponta Grossa.

No dia 12 de julho, na Igreja Batista Rio Verde, em Ponta Grossa, os Servos se reuniram para receber treinamento e participar do culto de abertura, que contou com brilhantes participações da igreja local, de igrejas da região e as presenças da missionária Valdira Olah, coordenadora do Projeto, pastor Atnônio Kukul, coordenador da Associação Batista dos Campos Gerais, pastor Daniel Eiras, Diretor de Missões Estaduais, e pastor Hilquias da Anunciação Paim, Diretor Geral da Convenção Batista Paranaense e orador da noite.

Tive o privilégio de fazer parte da equipe que trabalhou na Igreja Batista do Parque, no bairro N. S. das Graças, em Ponta Grossa. Também tive a oportunidade de pregar em outras duas igrejas: a Igreja Batista Verdade, também em Ponta Grossa, e na Primeira Igreja Batista de Telêmaco Borba. Em todos os lugares fomos bem recebidos por um povo alegre e hospitaleiro.

Na Igreja Batista do Parque realizamos recenseamento no bairro, abordagens nas ruas, marcamos e realizamos estudos bíblicos nos lares, cultos nas igrejas e nos lares, evangelização de crianças e, junto com o Projeto Vida, ação social e impacto evangelístico nas praças. A Igreja Batista do Parque é, na verdade, uma congregação filha da Igreja Batista Rio e conta com o apoio de Missões Estaduais. Desde fevereiro o trabalho é liderado pelo pastor Yvani, sua esposa Suely e os filhos André e Sara. Eles necessitam de nossas orações.

No bairro existem muitas crianças, por isso o evangelismo infantil obteve um ótimo resultado. Realizamos EBF com a participação de muitas crianças.

O resultado final do Projeto Servo, em números, foi o seguinte: 834 casas recenseadas; 369 evangelismo pessoal; 13.066 folhetos distribuídos; 955 crianças foram alcançadas com o evangelismo infantil; 113 visitas realizadas nos lares, hospitais etc.; 29 cultos realizados nas igrejas, com 113 visitantes; 34 cultos realizados nos lares, com 200 visitantes; 195 lares abriram suas portas para receberem estudos bíblicos; do total de estudos bíblicos realizados, as equipes do Projeto Servo concluíram 85, sendo que cada um dos participantes recebeu, como prêmio, um exemplar da Palavra de Deus, durante o culto de encerramento; 19 pessoas se manifestaram para reconciliação e 452 para receberem a Cristo como Salvador pessoal. Deus seja louvado!

No dia 27 de julho aconteceu, na Igreja Batista do Parque, o culto de encerramento do Projeto, onde estiveram vários visitantes dentre os quais alguns que foram ganhos para Jesus naqueles dias. No momento de despedida houve muita emoção e os corações dos voluntários foram tomados pelo desejo de retornarem às suas cidades e também pela forte saudade que já era sentida.

Mais informações sobre o Projeto Servo podem ser obtidas no site da Convenção Batista Paranaense: www.batistasparana.org.br.

Em julho de 2009 tem mais! Quer participar?


Pr. Cleber Montes Moreira

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Vidas em Ação, em Natividade-RJ


Nos dias 21 e 22 de junho realizamos mais um Vidas em Ação, no campo da SIB de Natividade. Ao chegarmos pela manhã de sábado, os irmãos demonstraram seu carinho, bem como grande expectativa pela ação de Deus naqueles dias. Nossa equipe, como da última vez, era pequena, mas formada por pessoas com amor pelos perdidos e empenho no trabalho.

Durante todo o sábado realizamos visitas evangelísticas com ótimos resultados. O teatro, pela tarde, se apresentou numa praça próxima. Representantes de nosso Ministério do Abraço orientaram os irmãos da SIBN sobre como implantar o Ministério em sua igreja. Pela noite Deus nos abençoou com um culto maravilhoso, quando sua presença pôde ser sentida de uma forma muito intensa. Nosso Ministério de Teatro serviu a Deus com apresentações bem evangelísticas que tocaram profundamente nos corações. As mensagens pregadas por meio do teatro foram simples, claras e persuasivas.

No domingo o irmão Varlei ministrou o ensino durante a EBD e foi usado por Deus para a mensagem da noite. Durante a tarde houve Ação Social com corte de cabelo, manicure, aferição da pressão arterial, escovação de dentes para crianças, oficina de Libras e outras ações. Voluntários da igreja local, bem como de outras igrejas se apresentaram para prestar seus serviços, ajudando nossa equipe nas suas tarefas. No domingo também houve visitas e muitas pessoas responderam ao apelo para receberem a Cristo como Salvador pessoal, sendo que muitas estiveram presentes por ocasião do culto noturno.

Nosso Ministério com Surdos teve uma participação especial no domingo. Os líderes e demais participantes do Ministério realizaram um trabalho digno de elogios, servindo a Deus com dedicação e empenho. Nossos irmãos surdos participaram do culto da noite, sendo sua participação um atrativo. Durante as visitas perguntávamos: “você já ouviu surdo cantar”, e as pessoas reagiam de forma bem curiosa, como que perguntando: “como pode surdo cantar?”, então as convidávamos para que fossem ao templo saber como era isso. Muitas foram para conferir de perto.

Aos irmãos da PIBI que participaram do projeto, agradecemos e oramos no sentido de que Deus os abençoe ricamente, multiplicando em seus corações a alegria que advém de realizar a missão de pregar o evangelho. Aos que não participaram informamos que perderam uma ótima oportunidade de servir a Deus realizando missões e deixaram de ter experiências maravilhosas. Ao pastor Ronaldo Ferreira de Souza, sua esposa Selma Pacheco de Souza, irmão Thiago Soares da Rocha e sua esposa Thamires França Luquete Rocha, bem como aos demais irmãos da SIBN, registramos nossa gratidão pelo carinho, atenção e cuidados que tiveram para com nossa equipe. Mais uma vez agradecemos ao irmão Paulo Ferreira, membro da igreja CEIFA, por ter participado ministrando uma palestra sobre o alcoolismo. Àqueles que não participaram deixamos o desafio para que participem, no segundo semestre de 2008, do Vidas em Ação que acontecerá na Congregação do Castelo e na Congregação no bairro Pe. Humberto Lindelauf.

A Deus toda honra e glória.


Pr. Cleber Montes Moreira - evangelismo

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Congresso Mundial de Famílias denuncia a chamada do presidente Lula para se criminalizar a oposição ao homossexualismo

Em resposta à descrição do presidente Lula de que a oposição ao homossexualismo “talvez seja a doença mais perversa impregnada na cabeça do ser humano”, Larry Jacobs, coordenador global do Congresso Mundial de Famílias, disse que o comentário é “tão idiota a ponto de nos deixar sem fôlego”.

“Lula foi muito mais longe do que qualquer outro chefe de estado ao se alinhar aos elementos mais radicais do movimento homossexual internacional”, observou Jacobs. “Agora ele está dizendo que a oposição à perversão é pior do que o racismo, o anti-semitismo ou o impulso totalitário”.

Os comentários de Lula foram feitos na 1ª Conferência Nacional de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais em Brasília, 5 de junho.

Além de rotular a oposição à radical agenda homossexual como desordem mental, Lula clamou pela criminalização de dita oposição. O presidente brasileiro garantiu à audiência que ele “fará o possível para que a criminalização da homofobia e a união civil sejam aprovadas”.

Jacobs comentou: “Tal sempre foi a meta máxima do movimento homossexual internacional: tornar crime a oposição ao homossexualismo — suprimir a livre expressão e criminalizar opiniões opostas”.

Jacobs chamou o pronunciamento de Lula “um ataque direto à religião e à família”, e prometeu: “As forças pró-família no mundo inteiro farão resistência”.

Título original: World Congress of Families decries Brazilian president’s call to criminalize opposition to homosexuality

Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com

Fonte: www.worldcongress.org

Leitura recomendada:

Lula: oposição ao homossexualismo é “doença perversa”

sábado, 31 de maio de 2008

Realizado o Projeto Vidas em Ação, em Paraíso do Tobias


Nos dias 12 e 13 de abril foi realizado mais um Projeto Vidas em Ação, agora em Paraíso do Tobias, distrito de Miracema/RJ. Esse foi o oitavo projeto realizado pela Primeira Igreja Batista de Itaperuna.

O trabalho contou com a participação de vários irmãos da PIBI e a colaboração dos irmãos José Paulo Ferreira, Cindy de Oliveira Ferreira (da igreja CEIFA), Ruth e Maria Clara Pereira de Souza (da Casa de Oração) e uma equipe da Igreja Batista em Laranjal-MG, liderada pelo seminarista Maicon e esposa. A participação desses queridos irmãos foi fundamental para a realização do Projeto, por isso registramos aqui nossa gratidão. Também agradecemos aos irmãos Everaldo Almenara Cardoso, Pedro Lopes Ladeira e Valmir Carrarine de Freitas, donos das padarias Velasco, Ita e Pão Gostoso, respectivamente, pela doação de pães para lanches durante a realização do evento.

Na ocasião realizamos evangelismo e ação social. O trabalho evangelístico constou de visitas aos lares as quais já tinham sido agendadas pela igreja hospedeira, abordagem nas ruas, pesquisa religiosa, convites para as programações. Foram realizados culto no sábado à noite, EBD no domingo pela manhã e o culto de encerramento à noite. No domingo, por volta das 18h30min, o ministério de teatro realizou uma bela apresentação na praça principal, o que colaborou para que muitos espectadores fossem para o culto da noite. Na ação social realizamos cortes de cabelo, trabalhos artesanais, aferição de pressão arterial, glicemia, pintura de unhas, doação de roupas para distribuição entre pessoas carentes e palestra sobre hipertensão, ministrada pelo irmão José Paulo Ferreira.

Os resultados foram excelentes. Aconteceram 15 manifestações por Cristo durante as visitas e cultos no templo. Muitos dos que receberam a Cristo como Senhor e Salvador em seus lares, foram aos cultos no templo, onde confirmaram suas decisões. Também 55 lares estão abertos para a realização de estudos bíblicos, e outros 56 aguardando visitas por parte da igreja. O povo local é muito acolhedor e receptivo à mensagem do evangelho. A igreja de Paraíso do Tobias tem pela frente muito resultado para conservar e uma colheita abundante. Nossos irmãos precisam de nossa ajuda e orações.

Não poderíamos deixar de registrar o carinho do irmão seminarista Joel Samuel e sua esposa Maria de Lourdes, bem como dos demais irmãos da Igreja em Paraíso do Tobias que nos receberam com carinho tão especial, dando-nos atenção, cuidando de nossa alimentação, de nossa hospedagem e nos acompanhando nas visitas. Aqueles irmãos estiveram conosco todo o tempo, demonstrando amor e carinho até o momento de nosso retorno para Itaperuna.

Aproveitando a oportunidade, deixamos nossos elogios aos irmãos da PIBI que realizaram cada tarefa com entusiasmo e carinho, sabendo que tudo que faziam era para o Senhor, desde aos que trabalharam na ação social, aos que visitaram, aos que abordaram as pessoas pelas ruas e os que trabalharam na música e no teatro com encenações tão comunicativas e evangelísticas. Aos nossos irmãos, parabéns pela dedicação! Esperamos que outros se animem e participem dos próximos projetos. Este ano ainda pretendemos realizar nosso Vidas em Ação no bairro do Castelo, no bairro Pe. Humberto Lindelauf e na cidade de Natividade. Lembramos que esse Projeto já foi realizado em Varre-Sai-RJ, Uberaba-MG, na localidade de Tubiacanga em Natividade-RJ, no bairro do Castelo, no bairro Pe. Humberto Lindelauf (por duas vezes) e na localidade de Águas Claras. Assim a PIBI realiza sua obra missionária, possibilitando aos seus membros o contato direto com o campo, seja em nossa cidade ou em outros lugares.

A Deus, nosso Senhor e Sustentador, toda honra e toda a glória.

Pr. Cleber Montes Moreira.
(Evangelismo)

domingo, 30 de março de 2008

segunda-feira, 17 de março de 2008

O Enterro

Uma fábrica estava em situação muito difícil. As vendas iam mal, os empregados desmotivados, os balanços não saíam do vermelho. Era preciso fazer algo para reverter a situação, mas ninguém queria assumir nada. Pelo contrário: o pessoal apenas reclamava que as coisas iam mal, que não havia perspectiva de progresso na fábrica e todos achavam que "alguém" deveria tomar uma iniciativa para reverter aquele processo. Um dia, quando os funcionários chegaram para trabalhar, encontraram na portaria um enorme cartaz onde estava escrito:

"Faleceu ontem a pessoa que impedia o seu crescimento e o da fábrica. Você está convidado para o velório que acontecerá no pátio".

Inicialmente todos ficaram tristes pela morte de alguém mesmo sem saber quem era, mas depois ficaram curiosos para conhecer aquele que estava bloqueando o crescimento de todos.

A agitação no pátio da empresa foi tão grande que foi preciso chamar a segurança para organizar uma fila no velório. Conforme as pessoas iam se aproximando do caixão, a excitação ia aumentando.

"Quem será que estava atrapalhando o meu progresso? Ainda bem que esse infeliz morreu ".

Um a um os funcionários aproximavam-se do caixão, agitados. Ao olhar o defunto, engoliam em seco e saíam no mais absoluto silêncio, como se tivessem sido atingidos no mais fundo de sua alma. Mas o que havia no caixão? APENAS UM ESPELHO Você sabe quem é a única pessoa que pode limitar seu crescimento?

(Autor desconhecido)

As Marcas do Pecado

Havia um homem que tinha um filho ainda jovem, mas, muito desobediente. Até que um dia o pai tomou uma resolução, cada vez que o filho desobedecesse, ele colocaria um prego no poste de madeira em frente à casa. Por outro lado, à medida que ele fosse mudando de atitude os pregos iriam sendo tirados. Aquele filho continuou na sua desobediência até que percebeu que no postes já havia muitos pregos e ele resolveu mudar de atitude até que um dia todos os pregos foram retirados. Então, o seu pai chegou para ele disse para o filho: - Está vendo meu filho, já não há mais nenhum prego, ao que o filho suspirando respondeu tristemente: - mas as marcas continuam lá.

Esta ilustração nos ensina uma verdade da Palavra de Deus: as marcas do pecado nos acompanham! Davi pagou um preço muito alto pelo seus pecados, pois as conseqüências o acompanharam ao longo de sua vida.

(Desconheço o autor)

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Reflexões sobre o culto cristão

Uma visão pastoral

Palestra ministrada a pastores no Congresso de Música, na PIB do Brás (SP), em 24 de maio de 2002
É auspicioso que a PIB do Brás esteja a promover este Congresso cujo objetivo é estudar o Culto Cristão, à luz da Palavra de Deus.
Este evento faz-se tão mais necessário quanto se verifica tanta confusão em matéria de culto e adoração, por falta de uma filosofia e de uma teologia bíblicas do culto, nestes começos do século 21.
Pois bem. A comunidade batista internacional está preocupada também com o assunto, eis porque a Aliança Batista Mundial promoveu em 1999, em Berlim, na Alemanha, um Congresso de Adoração cujos resultados podem ajudar-nos a compreender a importância da adoração e os desafios que ela enfrenta neste tempo.
Também a União Batista Latino-Americana promoveu, com apoio da ABM, congresso semelhante de que resultou, além dos trabalhos apresentados em plenário e nas “oficinas”, a Declaração de Niterói.
Os documentos de Berlim e de Niterói oferecem diretrizes básicas de uma teologia e práxis do culto cristão, a ajudar igrejas e pastores de nossa denominação, e – por que não? – de outras também.
O evento que aqui se celebra deve ajudar-nos a compreender o imperativo do culto e as formas que ele deve assumir para ser agradável a Deus e promover a Sua glória.
As palestras que trago aos pastores podem coincidir com outras que já tenham ouvido, neste mesmo conclave, o que de certo vai contribuir para que se enfatizem preocupações, doutrinas e diretrizes para o culto hoje.
Natureza e propósitos do culto cristão
“O culto constitui a ação mais momentosa, mais urgente e mais gloriosa que pode acontecer na vida humana”. (Karl Barth)
Que é o culto? Que é prestar culto a Deus? Qual a natureza mesma do culto? Por que cultuamos a Deus? Que perigos o culto cristão está a correr? Como há de ser o culto aceitável diante de Deus?

QUE É O CULTO?
Culto é reverência, é atribuição de valor absoluto, é busca de Deus ou resposta a Deus.
O culto cristão constitui, diferentemente doutras formas que o culto assume no panorama religioso da Humanidade, quando parece uma busca ansiosa de Deus, ou tentativa de aplacar a ira de Deus, e, aos gritos, o ser humano clama por um Deus distante, resposta da criatura remida por Jesus Cristo, alcançada por Sua graça, ao imenso amor de Deus, mediante expressões de louvor e adoração.
No culto, o coração da igreja pulsa, renovam-se-lhe as energias espirituais, o povo de Deus respira a atmosfera do céu, ao mesmo tempo em que leva ao Senhor as dores e aflições da terra.
Como lembra Beasley-Murray, o culto é a ocasião em que, como homens e mulheres, realmente nos sentimos vivos; quando nós, seres humanos, criados à imagem de Deus, começamos a cumprir o propósito mesmo de nossa existência, a relacionar-nos com o Deus que nos fez.
Uma das mais belas definições de culto, e lembrada em todo o mundo, é a de William Temple: “Cultuar é avivar a consciência pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração ao amor de Deus, devotar a vontade aos propósitos de Deus”.
Ou, como diz Martin-Achard: “para o presente, constitui o traço de união entre o passado rico em atos grandiosos do Senhor de Israel e da Igreja, e o porvir tão cheio das promessas do reino celeste. Ele diz aos crentes donde eles procedem e para onde os conduz a história, apresenta-lhes ao mesmo tempo a maravilhosa benevolência e a sagrada exigência de Deus. O culto atualiza a Palavra que une a Deus o povo escolhido, fazendo-a mais presente e viva para aqueles que se congregam a seu chamado, assim abre aos membros do povo escolhido o caminho do serviço, fortificando-lhes a fé, estimulando-lhes a esperança e despertando neles o amor divino. O culto é o lugar venturoso de encontro dos fiéis com seu Deus, enquanto esperam a vinda de seu reino”.

QUAIS OS ASPECTOS DO CULTO?
O culto é sacrifício (de animais no AT, de nossos próprios corpos, no NT (Rm 12.1); é temor (Gn 15.12, Is 6.5; Hb 12.28,29); é alegria (2Cr 29.27,30; 1Cr 16.8-35; Sl 146-150); é comunhão (Ex 33.11; 1Jo 4.18); é louvor (2Cr 20.18,22; Jo 4.24); é obediência (1Sm 15.22; Jo 14.15) e é êxtase ou celebração (Gn 15.12; 2Sm 6.13.14).
Como sacrifício, o culto dá ênfase à oferta da própria vida; como temor, enfatiza a reverência; como alegria, a felicidade; como comunhão, a intimidade com Deus; como louvor, ação de graças; como obediência, amor; como êxtase ou celebração, a adoração.

POR QUE O CULTO?
Por que o ser humano há de cultuar?
O homem foi criado por Deus para o relacionamento e comunhão com Ele, e a natureza relacional do ser humano e sua transcendência exigem o culto, eis por que, quando não adoram o verdadeiro, os seres humanos elegem deuses falsos.
Por outro lado, o homem pende para Deus como as plantas se voltam para o sol, no fenômeno do heliotropismo. A esse inclinar-se do homem para Deus podemos denominar de teotropismo. O culto constitui, pois, imperativo desse pendor teotrópico do homem.
Também o desejo de “conhecer” e “dominar” a divindade é outra razão para cultuar, para adorar.
Por fim, o culto faz-se imperativo pela natureza mesma da igreja, como “comunidade de adoração”.
Aliás, sobre isso diz F.M. Segler que “a igreja nasceu no culto e sua vida é sustentada pela comunhão com seu Senhor vivo. A congregação adoradora é realmente uma comunidade da ressurreição”.
Mas o culto é também imperativo de corações agradecidos. Ele é resposta à bondade, ao amor, à revelação de um Deus que “busca adoradores”.
Anjos e homens, grandes e pequenos, dirigentes e congregação, todos devemos prestar culto a Deus, enquanto oramos, louvamos, lemos a Palavra de Deus, ouvimos a mensagem de Deus.
Ninguém comparece na Casa do Senhor apenas para “assistir ao culto”, como mero espectador, como se estivesse num teatro. Não e não. Somos todos chamados a adorar a Deus que é Espírito, o que implica em que o culto no qual Ele tem prazer é espiritual – o sacrifício de um coração humilde, contrito, grato e adorador.

“EM ESPÍRITO E EM VERDADE”, QUE SIGNIFICA?
Disse Jesus, na conversa com a samaritana, que Deus, o Pai, busca adoradores que o adorem em espírito e em verdade”.
E que significa adorar “em espírito e em verdade”, como Jesus fala à samaritana?
Adorar em espírito é fazê-lo em harmonia com o Espírito, e assim adorar a Deus em verdade.
Aliás, uma tradução sugerida para João 4.24, seria: “Deus é Espírito, e somente pelo poder de seu Espírito as pessoas podem adorá-Lo como Ele realmente é”.
O culto “em espírito e em verdade” não é o que se presta de maneira formal, insincera, em que se divorciam coração e lábios; e em que a consciência se mostra distante dos atos de louvor e adoração.
Perigos do culto em nossos dias, e como ele deve ser prestado a Deus
Ambos os eventos a que fiz referência na apresentação desta palestra apontam, nos documentos a que deram origem, alguns perigos que precisam de ser enfrentados ou evitados. Por exemplo:
1) Lugar menos honroso à pregação, à Palavra, a Jesus Cristo cuja pessoa e cujos ensinos são pregados, e mais honra ao pregador;
2) A música pode tornar-se espetáculo e seu objetivo, artístico e não a edificação dos crentes, o testemunho das verdades do Evangelho e, sobretudo, a glória de Deus;
3) Dar menos importância às ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor, tornando-os meros “apêndices” do culto e não parte essencial dele;
4) Falta de ênfase na doutrina e prática do sacerdócio universal dos crentes, em prejuízo da comunidade de fé e testemunho, confiando ao ministério ordenado a direção e as partes principais do culto;
5) A oração perde importância também como oportunidade de ouvir a Deus: muita vez cantamos e falamos, e os decibéis de nosso louvor não permitem o silêncio e quietude para ouvir a voz do Senhor com quem, no culto, dialogamos.
O Congresso realizado em Niterói assinala, no documento denominado Declaração de Niterói sobre Adoração, que são algumas de suas preocupações:
1) a transformação, com muita freqüência, do culto em “show” e exibição de beleza musical ou de talento retórico, como seu objetivo principal;
2) a “clericalização” do culto, com suas principais funções exercidas por ministros ordenados;
3) a informalidade excessiva, a improvisação, a desarmonia e desarticulação entre as partes do culto;
4) a hipertrofia dos chamados “momentos de louvor” nos cultos, em detrimento da ministração da Palavra que orienta, alimenta, santifica, conduz à fé e à vida de compromisso com Deus, em alguns casos pretendendo substituir a pregação pelos cânticos;
5) a focalização do culto na pessoa humana, no seu prazer e divertimento, cambiando a ênfase da ética para a estética, do ser santo para o ser feliz e realizado como pessoa;
6) também a consideração das ordenanças do Batismo e da Ceia do Senhor como apêndices do culto e não como artes essenciais dele, portadores que são das grandes verdades da fé cristã.
Resumo, a seguir, os perigos do culto hoje, explícitos ou latentes nos documentos finais dos dois conclaves, e objetivo de minha reflexão ao longo dos anos, e hoje no contato com grande variedade de igrejas e de estilos de culto.

QUAIS OS PERIGOS QUE VEJO?
1. Em primeiro lugar, a tentativa ou pretensão humana de manipulação de Deus, o que é uma forma de magia.
Gerhard Von Rad acredita que o próprio Moisés, ao tentar saber o nome de Deus, podia ter a pretensão de “conhecê-lo”, para “dominá-lo” ou pô-lo a seu serviço.
Diz ele: “O homem anela pela revelação de Deus não só por causa de Deus, a fim de que ele seja cultuado e adorado, mas, na realidade, por sua própria causa. É porque ele precisa de Deus, que deseja chamar por seu Nome. Exatamente porque sente tal necessidade intensa de Deus, que almeja tê-lo permanentemente no seu domínio. Ele quer um Deus que em certo sentido se torne parte dele mesmo; o homem quer pôr Deus a serviço dele (...) Numa palavra: a pergunta de Moisés sobre o nome de Deus constitui a um tempo expressão da necessidade humana de Deus e do descaramento humano em relação a Deus”.
2. Pretensão de submeter o Eterno a uma liturgia, é outro perigo. É o que poderíamos chamar de “liturgismo”.
3. Formalismo legalista é outro perigo, como verificamos na experiência do povo de Israel, que Deus exprobra pela instrumentalidade de Isaias.
(Vide Isaías 1. Diz Deus que está cansado de “sofrer” aquele culto meramente exterior, formal, de ruído estrepitoso, mas sem vida espiritual.)
Não adiantam o louvor, os instrumentos, os sacrifícios, o incenso, se as mãos estão manchadas e os corações, cheios de maldade.
4. Outro perigo, ainda, é a de centralização do culto no homem, a ênfase nos sentimentos, quando passamos longo tempo a dizer a Deus como nos sentimos. E assim, em vez der ser Deus o centro do culto, nós é que nos tornamos.
É o caso de muitos dos “corinhos” ou “hinetos” dos “momentos de louvor em nossos dias.
Lembremo-nos, no entanto, desta grande verdade: “Um encontro com Deus pode tornar-se algo realmente doloroso e uma chamada ao sacrifício, à entrega, à abnegação”.
Como disse alguém: “A convocação (do culto) não é tanto ‘Sorri, Deus te ama’. Antes: ‘Arrepende-te, chora, treme’!”

COMO HÁ DE SER, ENTÃO, O CULTO ACEITÁVEL DIANTE DE DEUS?
Comunidade litúrgica que é, como a igreja há de cultuar a Deus, de maneira aceitável?
* Já vimos que o culto há de ser espiritual: “em espírito e em verdade”.
* O culto há de ser prestado só a Deus (Pai, Filho e Espírito Santo).
Aos anjos não se há de cultuar, nem aos homens, mesmo que sejam apóstolos do Senhor. Não se há de prestar culto a nenhum outro ser.
* O culto há de privilegiar a Palavra de Deus. O culto sinagogal exerceu forte influência sobre o culto cristão. A propósito, assinala Humberto Porto: “O ofício sinagogal, com salmos, louvores, leituras, sermão e preces, delineou a estrutura da sintaxe da igreja. No shabbat e em dias festivos. Podia um dos presentes por ocasião dos serviços religiosos, após a leitura da perícope da Torá e o respectivo trecho profético, usar a palavra. Desta possibilidade, Jesus e os apóstolos lançaram mão para pregar o evangelho aos judeus reunidos na sinagoga (Mt 4.23; Lc 4.44; At 13.5)”.
O modelo da sinagoga, mais do que o do templo, constitui paradigma do culto cristão evangélico que tem na Palavra, e não no rito, o fulcro de sua preocupação.
* O culto há de ser prestado por lábios purificados, que confessam o nome do Senhor.
* O culto há de ser da comunidade inteira, não de oficiantes privilegiados.
* O culto há de ser de todo o nosso ser, e com a inteligência e as emoções.
* O culto há de produzir mudança de vida, santidade e disposição de servir.
Com efeito, o culto verdadeiro não nos deixa os mesmos que entramos no templo: faz-nos assumir novas atitudes de renúncia ao pecado, de busca da vontade de Deus em todas as áreas da vida, de serviço dedicado e de testemunho efetivo.
No interior de muitos santuários, acima do púlpito, costuma-se ler: “Aqui nós vimos para adorar; daqui saímos para servir”. E é isso mesmo. O culto deve levar-nos ao conhecimento da vontade de Deus, quando nos reunimos em adoração, e, depois, à disposição firme de cumpri-la em todas as áreas de nossa vida.
* Como o culto é resposta humana ao amor de Deus, deve ser prestado dentro das categorias da cultura de cada povo, e não por meio de formas culturais alienígenas – a menos que universalmente aceitas.
Sabemos que nenhuma cultura é superior a outra, e toda cultura contém elementos demoníacos a serem rejeitados, mas, também, elementos de beleza e verdade a serem aproveitados e santificados, em nossas expressões de adoração.

CONCLUSÃO
Que assim compreendendo a natureza mesma do culto, seu imperativo, seus perigos e as condições de sua aceitabilidade perante o Eterno, aprendamos a cultuar realmente “em espírito em verdade”, com orações, testemunho e louvor que brotem de “lábios que confessam o nome de Jesus”, a evitar os perigos à genuína adoração, a glorificar a Deus, a edificar a igreja, e a abençoar o mundo.
Com a oração de Paulo pelos efésios, concluo: “Ora, àquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, a esse glória na igreja, por Jesus Cristo, em todas as gerações, para todo o sempre. Amém!”
Glória, pois a Deus, na igreja!


Irland Pereira de Azevedo
Conferencista, professor, pastor emérito da
PIB de São Paulo

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

A Aposta dos Sentimentos Ruins

Certa vez, os piores sentimentos que existem apostaram entre si qual deles seria capaz de tomar o lugar da Felicidade que vivia numa casa de família.
O primeiro sentimento a tentar foi a Solidão, porém, em poucos minutos ela saiu de lá, muito decepcionada com seu próprio fracasso. Mas, não contou para os outros sentimentos o quê a levou a fracassar.
O próximo a tentar foi a Tristeza, mas, antes de bater à porta, espiou pela janela e desistiu. Ela também não contou nada para os outros.
O Desespero, a Ansiedade, o Ódio e a Culpa também fracassaram e, igualmente, nada contaram.
Um dia, quando a família saiu para passear com a Felicidade, a Curiosidade e o Atrevimento invadiram a casa, para tentar descobrir porquê nenhum sentimento ruim conseguia entrar ou permanecer ali. Eles pensavam que iam poder xeretar à vontade, mas levaram um susto muito grande, pois, a casa não estava vazia, o Amor estava lá, cuidando de tudo.

Os dois sairam correndo e gritando:

- É o Amor! O Amor vive nesta casa.
- Desistam, pois onde mora o Amor a Felicidade mora junto e não sobra lugar para nenhum sentimento ruim.

Autor deconhecido.